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NASA anuncia fim da missão de caça a planetas do Kepler

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19 de Agosto de 2013
A missão de busca por planetas alienígenas do Kepler, lamentavemente, está encerrada
Créditos: NASA

Lamentavelmente, o que a comunidade caçadora de planetas dentro da astronomia mais temia aconteceu: a NASA confirmou que a missão original do telescópio espacial Kepler, de busca por exoplanetas, está encerrada. Em julho de 2012 e em maio de 2013 dois de seus quatro giroscópios apresentaram problemas. A nave precisa de três desses dispositivos funcionando para apontar com precisão e caçar planetas em sóis distantes, e havia um quarto de reserva.

Os técnicos da agência espacial afirmam que os dois giroscópios defeituosos voltaram a girar, porém apresentando altos níveis de atrito. Movendo-se entre 1.000 e 4.000 rotações por minuto, mesmo esse funcionamento não é perfeito o suficiente para que o Kepler possa mirar com precisão para estrelas distantes, a fim de flagrar trânsitos de exoplanetas diante desses astros. Assim, a NASA declarou a missão primária de caça a exoplanetas encerrada, conforme disse Paul Hertz, diretor de astrofísica da agência: "Estamos passando para a próxima fase da missão do Kepler, porque é o que podemos fazer. Não é a última vez que ouvimos falar no telescópio, pois há uma imensa quantidade de dados que continuamos a analisar".

O que também tem sido comentado na comunidade astronômica é que o problema poderia ter sido evitado se a NASA tivesse buscado outro fornecedor para o equipamento. A empresa Ithaco Space Systems foi subcontratada pela construtora do Kepler, a Ball Aerospace, para fornecer os giroscópios ou rodas de reação, mesmo com um pobre histórico quanto à qualidade de seus produtos. A sonda Explorador Espectroscópio Ultravioleta Distante (FUSE) da NASA e a Hayabusa da Agência Espacial Japonesa (JAXA) foram algumas missões equipadas com giroscópios do mesmo fornecedor e que tiveram igualmente um fim prematuro ou enfrentaram graves problemas.

De acordo com Salvador Nogueira, que escreve no blog Mensageiro Sideral, houve preocupações dos engenheiros da NASA, que em 2008 desmontaram o conjunto dos giroscópios e os enviaram para a Ithaco, onde peças que já apresentavam desgaste foram substituídas. Como é habitual, os constantes problemas orçamentários da agência não permitiram a troca de fornecedor nem a instalação de um conjunto extra, o que causaria mais custosos atrasos em uma missão de 600 milhões de dólares que já havia sido adiada duas vezes. O maior dos muitos absurdos é que o custo das peças era de 200 mil dólares, uma fração do total.

crédito: NASA
As peças pretas são duas das quatro rodas de reação do Kepler; equipamentos do mesmo fornecedor já haviam falhado em outras missões
As peças pretas são duas das quatro rodas de reação do Kepler; equipamentos do mesmo fornecedor já haviam falhado em outras missões

Para a crescente comunidade de astrônomos dedicados à caça a exoplanetas, a notícia é uma ducha de água fria. De maneira inacreditável, há poucas missões espaciais dedicadas a essa pesquisa a serem lançadas nos próximos anos, sendo uma o telescópio designado como Satélite de Vigilância de Trânsito Exoplanetário (TESS), da NASA, programado para lançamento em 2017. Planos grandiosos para o Localizador de Planetas Terrestres (TPF) foram abandonados, o que rendeu duras críticas dos astrônomos, especialmente de Geoff Marcy, descobridor de 70 dos primeiros 100 exoplanetas.

A respeito de Marcy, conforme já anunciado, ele iniciou uma busca por civilizações extraterrestres baseando-se nos dados coletados pelo Kepler desde seu lançamento em 2009. O objetivo é encontrar trânsitos não de exoplanetas, mas de colossais estruturas construídas por povos cósmicos, a fim de coletar energia de seus sóis. Agora Marcy e outros como ele terão que utilizar somente os dados já disponíveis, embora telescópios em solo podem realizar também a busca pelo método do trânsito exoplanetário.

A NASA agora busca determinar o que o Kepler é capaz de fazer com somente dois giroscópios disponíveis, mais seus propulsores. Os técnicos da agência afirmam que o telescópio pode ainda ser capaz de fazer observações de asteroides, cometas ou supernovas. É possível ainda que ele seja capaz de detectar planetas utilizando a técnica das microlentes gravitacionais. Neste processo, se uma estrela ou corpo massivo passa diante de outra estrela, por nosso ponto de vista, sua gravidade distorce e amplifica a luz vinda do corpo mais distante, agindo como uma lente. Vários exoplanetas já foram descobertos assim.

O principal problema como sempre será o custo, visto que vergonhosamente a política norte-americana segue realizando cortes especialmente no orçamento das missões científicas da NASA, como a administração Obama acabou de fazer, sendo alvo de protestos da comunidade científica. Porém, nada disso obscurece os extraordinários resultados do Kepler, que superou sua missão primária de 3,5 anos e, mesmo com esse final prematuro, detectou 3.548 candidatos a planeta. Destes 135 já foram confirmados, e a expectativa é que mais de 90 por cento sigam nesse rumo. Vários anos serão ainda necessários para analisar a colossal quantidade de informações obtida e seguramente outras grandes descobertas podem ocorrer nos próximos anos graças ao Kepler, incluindo o primeiro planeta do porte da Terra situado na região habitável de uma estrela similar ao Sol.

Site oficial do Kepler

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