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Obtida a melhor imagem de um sistema planetário em formação

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07 de Novembro de 2014
Nessa histórica imagem, cada faixa escura representa a órbita de um protoplaneta acumulando material ao redor da estrela HL Tauri
Créditos: ALMA (NRAO/ESO/NAOJ)

O radiotelescópio Alma, sigla para Grande Arranjo Milimétrico e Submilimétrico do Atacama, situado nesse deserto no Chile, obteve a melhor imagem já vista de um sistema planetário em formação. A estrela HL Tauri é uma anã laranja situada a 450 anos-luz, na Constelação de Touro, e já se sabia que possuía um disco protoplanetário de rochas e poeira ao redor. A grande surpresa foi, para os astrônomos, observar as imagens obtidas pelo Alma e constatar uma série de faixas no disco de matéria, significando sem dúvida que protoplanetas já estão varrendo suas órbitas, acumulando material e adquirindo seus tamanhos definitivos.

O fato surpreendente é que o sistema de HL Tauri é muito jovem para os padrões cósmicos, com somente um milhão de anos de idade. Por comparação, nosso Sistema Solar se formou há 4,6 bilhões de anos. Uma das descobertas mais extraordinárias relacionadas ao achado é que ele confirma precisamente as teorias de formação planetária. Outro fator é que o disco da estrela é três vezes maior que a órbita de Netuno ao redor do Sol e mesmo ali se podem observar grandes vãos. O processo usual de formação planetária, de acordo com os modelos atuais, é a acreção de núcleo. Grãos de poeira vão se juntando até formar rochas e estas vão acumulando material até se tornar planetesimais. Estes, por sua vez, se fundem em protoplanetas rochosos.

Na parte exterior do disco protoplanetário, por existir mais material sólido e mais gás, esses núcleos crescem depressa e atraem grandes invólucros de gás, formando planetas gigantes gasosos como Júpiter, Saturno, Urano ou Netuno. Nas partes mais internas do sistema, por sua vez, esse processo é mais lento e há menos gás, logo os protoplanetas se tornam mundos menores e rochosos, como a Terra. Contudo, nas regiões mais distantes da estrela, tal processo de acreção seria por demais lento, podendo demorar um bilhão de anos. E como mesmo nessa região, em HL Tauri, se observam as faixas, outro processo deve ocorrer. Os cientistas afirmam que o que acontece ali é outro mecanismo de formação planetária, de instabilidade gravitacional. Regiões do disco de poeira e gás colapsam devido à gravidade, e em pouco tempo se forma um planeta gigante gasoso.

OBSERVAÇÃO DE VÁRIOS SISTEMAS PARA ENTENDER A FORMAÇÃO DE PLANETAS

Radiotelescópios como o conjunto Alma conseguem fazer observações em ondas de rádio e por infravermelho, e dessa maneira nuvens interestelares de gás e poeira não representam obstáculos para eles. Além disso, de maneira fortuita, o disco de material de HL Tauri está em posição muito favorável a nosso ângulo de visão. Para os que criticam injustificadamente a ciência e seus métodos, essa confirmação concreta das teorias de formação planetária, aliás, pode servir de exemplo, e as imagens comprovam que planetas podem se formar muito depressa, mais até do que antes se imaginava. As novas tecnologias permitirão que se acompanhe os processos de formação planetária em HL Tauri e outros sistemas, nos ajudando a compreender essa parte importante da história do Universo. O colunista da Folha de São Paulo, Salvador Nogueira, inclusive, comentou em seu blog Mensageiro Sideral que talvez, há 4,6 bilhões de anos, a observação da formação de nosso Sistema Solar pode ter auxiliado uma civilização alienígena a obter uma melhor compreensão desses processos.

Confira abaixo um vídeo sobre a descoberta:



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