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Arquivos do FBI demonstram modo de atuação de céticos

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11 de Novembro de 2013
Hynek, também um experimentado astrofísico, era frequente alvo de ataques por parte de negadores como Klass
Créditos: Thebiggeststudy.blogspot.com

O ceticismo, aplicado na dose correta, é um importante aliado da pesquisa ufológica, na medida que previne os pesquisadores de aceitar ou não a validade de um caso baseado somente em suas crenças pessoais. O ceticismo de ufólogos sérios permite que se questionem métodos, testemunhos e supostas evidências, e tem auxiliado a desmascarar diversas fraudes ao longo dos anos.

Infelizmente, o termo é muito mal empregado por aqueles que, no afã de combater a qualquer custo a Ufologia, os ufólogos e as testemunhas, se autointitulam "céticos". Estes têm sido chamados pelos pesquisadores norte-americanos por outra designação, que exprime melhor a maneira como atuam: debunkers. Traduzindo, seria algo como negador sistemático, aquele indivíduo que não pretende discutir ou debater, mas sim impor seu ponto de vista e desqualificar seus adversários.

Philip Klass [08/11/1919-09/08/2005], engenheiro e jornalista, foi um dos mais aguerridos e polêmicos debunkers da história da Ufologia. Muitos ufólogos inclusive consideram que ele beneficiou esse campo de estudo, graças a sua cruzada pelo pensamento crítico e uso do método científico. Entretanto, recentemente em um texto em seu blog, o pesquisador Kevin Randle denunciou a face mais escura de Klass.

Feroz combate contra os UFOs

Em fevereiro de 1975, em um boletim do Bureau Federal de Investigações (FBI) chamado de FBI Law Enforcement Bulletin, o saudoso pioneiro da Ufologia J. Allen Hynek assinou um artigo The UFO Mystery (O Mistério dos UFOs). No texto, Hynek não chegava a defender qualquer posição a respeito da origem dos UFOs, mas sugeria que relatos de avistamentos e casos de contatos imediatos, recebidos por instituições do governo, tais como a polícia e o próprio FBI, poderiam ser repassados para posterior estudo a entidades de estudo como o Centro de Estudos de UFOs (CUFOS), do próprio Hynek.

O pioneiro da Ufologia destacava que, assim, as autoridades não necessitariam responder imediatamente a questionamentos quanto aos UFOs, indicando associações de pesquisa civil como as melhores fontes de informações a respeito. Randle, graças à Lei de Liberdade de Informações, obteve dos arquivos do FBI cartas assinadas por Philip Klass, na qual o debunker criticava a postura favorável aos UFOs do Bureau. Os termos usados por Klass comprovam que se tratava de um ataque pessoal, de acordo com um memorando do Bureau do qual publicamos um trecho abaixo:

crédito: Davidhalperin.net
Philip Klass, aguerrido cético que combateu a Ufologia e os ufólogos
Philip Klass, aguerrido cético que combateu a Ufologia e os ufólogos

Em termos fortes e com muito sarcasmo, ele criticou a publicação do artigo do Dr. j. Allen Hynek The UFO Mystery, na edição de fevereiro de 1975 do Law Enforcement Bulletin. Klass disse em sua carta que publicando esse artigo o FBI deu sua aprovação a uma mentira (que os UFOs são de origem extraterrestre) e a uma fraude (o Dr. J. Allen Hynek).

Ataques pessoais

De acordo com Randle, o memorando ainda prossegue: "O senhor Klass foi educadamente lembrado de que nem no artigo de Hynek publicado no Boletim, ou em vários outros por nós examinados, o Dr. Hynek sugeriu que os UFOs são de origem extraterrestre". Vale lembrar que todos esses documentos datam de 1975, aproximadamente o mesmo período em que Hynek estava montando o CUFOS.

Em outra carta, datada de 14 de junho de 1975 e endereçada ao diretor do FBI Clarence Kelly, Klas retomou seus ataques. Afirmou que o destaque dado à publicação do Bureau pelo jornal The National Tattler comprovava, segundo o cético, se devia às consequências desastrosas do destaque dado ao artigo de Hynek. Contudo, como bem lembra Randle no texto em seu blog, o The National Tattler não é reconhecido por praticar o melhor jornalismo. Mas aparentemente, ainda de acordo com Randle, Klass se sentia à vontade para utilizar qualquer coisa em seus ataques.

Klass chegou a chamar Hynek de "líder espiritual dos crentes e malucos que alegam estar sendo visitados por naves extraterrestres". Também alegou que, mesmo que o FBI não tenha dado seu endosso às hipóteses de Hynek, o fato de ter publicado seu artigo havia marcado a agência para sempre. Randle destaca que, como o FBI não respondeu o que Klass queria ouvir, este renovou seus ataques, mas atenuou sua retórica em seus próprios textos. Randle afirma que evidentemente Klass havia entendido a proposta de Hynek, de que relatos de casos ufológicos recebidos por órgãos do governo fossem enviados a grupos de pesquisa civis para investigação.

Obviamente a proposta incomodou Klass, Randle argumenta, dizendo que o objetivo do debunker parecia ser impedir esse fluxo de informações. Evidentemente que Klass, como outros céticos e até mesmo os negadores sistemáticos, têm absoluto direito de expor suas ideias e até mesmo críticas. Discordâncias razoáveis e civilizadas são bem-vindas, mas a forma como Klass agiu nesse caso é um exemplo do que alguns autointitulados céticos, conhecidos negadores sistemáticos que agem inclusive no Brasil e frequentemente costumam atuar interditando o debate e pretendendo impedir seus adversários de se expressar.

Visite o blog de Kevin Randle

Artigo de J. Allen Hynek no FBI Law Enforcement Bulletin

Supostas imagens de alienígenas capturados em Roswell são falsas

Saiba mais:

Livro: UFOs: Arquivo Confidencial

DVD: UFOs Aqui, Agora

crédito: Revista UFO
UFOs Aqui, Agora
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Militares, autoridades e agentes do governo revelam a verdade sobre os UFOs. O mais premiado documentário ufológico de todos os tempos. Pela primeira vez reunidas em um documentário, personalidades americanas, europeias e de outras partes do mundo revelam fatos extraordinários e inquietantes sobre a presença alienígena na Terra. Uma entrevista histórica com o pioneiro J. Allen Hynek, pouco antes de falecer, em que revela fatos inéditos que foram mantidos secretos pela Força Aérea Norte-Americana (USAF) durante décadas.

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