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Lua de Saturno pode abrigar vida em oceano oculto

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05 de Abril de 2014
Foto da Cassini mostrando Encélado e os gêiseres em sua região polar; oceano subsuperficial pode abrigar vida extraterrestre
Créditos: NASA

Encélado foi descoberto em 1789 pelo astrônomo William Herschel, sendo a sexta maior lua de Saturno e uma das mais brilhantes. Com 504 km de diâmetro, sua distância média do gigantesco planeta é de 180.000 km, completando uma órbita em 32,9 horas. A nave Cassini, que chegou ao sistema de Saturno em 2004, já no ano seguinte fez uma das mais significativas descobertas da missão, fotografando gêiseres emitindo material para o espaço em seu polo sul.

Subsequentes sobrevoos da sonda sobre o satélite permitiram que, com seu espectrômetro de massa, identificasse nos jatos dos gêiseres água, sais e compostos orgânicos, tornando a pequena lua um dos mais fortes candidatos a abrigar vida extraterrestre em nosso Sistema Solar. Ao mesmo tempo, comprovou que mundos distantes da região habitável de uma estrela também podem abrigar vida. Foi descoberto em 2011 que o satélite gera na região polar sul 15,8 gigawatts de potência via calor, seja internamente via decomposição de elementos radioativos, e principalmente pelas forças de maré. Estas são resultado de interações gravitacionais com Saturno e luas vizinhas como Dione.

Em 03 de abril último, por sua vez, foi publicado online pela Science um artigo que comprova a existência de um oceano sob a superfície de gelo de Encélado. O texto descreve um grande lago, estendendo-se do polo sul ao equador do satélite, com uma superfície semelhante à do Lago Superior na América do Norte, que tem 127.700 km quadrados. Contudo, o oceano de Encélado tem muito mais água, com estimados 10 km de profundidade. Este se situa 30 a 40 km abaixo da frígida superfície da lua, mergulhada em temperaturas de -180º C. Os responsáveis pelo estudo ainda afirmam que o oceno está diretamente em contato com um piso de rochas abaixo, o que permite reações químicas complexas que podem eventualmente levar ao surgimento da vida.

PRIMEIRO OCEANO ALIENÍGENA DESCOBERTO PELO EFEITO GRAVITACIONAL

A equipe, liderada por Luciano Iess da Universidade Sapienza em Roma, e por Sami Asmar, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia, aproveitou-se de mínimos desvios da sonda Cassini, durante sobrevoos de Encélado, para medir diferenças no campo gravitacional da lua. Isso permitiu comprovar a existência de uma grande depressão no polo sul do satélite, levando à conclusão de que ali existe um oceano subsuperficial. Os cientistas afirmam que ele pode até mesmo abranger todo Encélado, mas maiores estudos são necessários a fim de confirmar isso. As antenas da NASA, a Rede de Espaço Profundo que acompanha suas missões espaciais, pode detectar uma diferença de velocidade na Cassini de 30 centímetros por hora.

O oceano de outro candidato a vida, Europa de Júpiter, foi encontrado via informações de seu campo magnético. E tal qual Encélado, existem plumasa de vapor de água na região polar sul de Europa. Ganímedes, também lua de Júpiter e a maior do Sistema Solar, também possui regiões subterrâneas com água, porém em contato unicamente com gelo, ao contrário das demais duas. Os cientistas já debatem missões de sobrevoo tanto a Europa quanto a Encélado, com instrumentos mais sofisticados que os da Cassini, e capazes de fazer uma análise mais acurada dos materiais sendo ejetados de seus oceanos, em busca das primeiras evidências de vida extraterrestre no Sistema Solar.

Site da missão Cassini

Veja um infográfico sobre Encélado

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