Departamento de Guerra dos EUA libera sexto lote de arquivos oficiais sobre UAPs

Sofia Marchetti
6 minutos de leitura

O governo dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (18) uma nova leva de arquivos relacionados aos Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs). Ao todo, foram publicados 71 novos arquivos, elevando para 446 o número de materiais disponibilizados ao público por meio da iniciativa PURSUE.

Esta é a sexta leva divulgada pelo governo norte-americano desde o início do projeto. O novo lote é composto por 55 arquivos em PDF, 15 vídeos e um registro de áudio.

Diferentemente de liberações anteriores, que reuniram documentos provenientes de diferentes órgãos e agências do governo norte-americano, incluindo CIA, FBI e Departamento de Estado, o sexto lote é formado quase inteiramente por materiais do Departamento de Guerra dos Estados Unidos. A nova publicação concentra, assim, registros de origem militar relacionados ao fenômeno UAP.

A publicação ocorre pouco mais de um mês depois da quinta leva, divulgada em 7 de agosto, que acrescentou 41 arquivos ao acervo. Na ocasião, entre os materiais publicados estavam um vídeo de um caso de UAP registrado no Oriente Médio em 2025 e um telegrama diplomático sobre um suposto incidente ocorrido na Bahia em 1963.

Os 71 novos arquivos começaram a ser analisados nesta sexta-feira pela Revista UFO.

Entre os destaques está um documento sobre o caso Tremonton, investigado pelo Projeto Livro Azul. Em 2 de julho de 1952, próximo a Tremonton, em Utah, o suboficial da Marinha Delbert C. Newhouse, especialista com mais de 1.000 horas de experiência em fotografia aérea, relatou ter observado entre 12 e 14 objetos reflexivos e conseguiu registrá-los em filme colorido. A própria Força Aérea o descreveu como uma testemunha honesta e confiável.

O arquivo mostra que a avaliação das imagens mudou ao longo dos anos. As primeiras análises consideraram hipóteses como pássaros, balões e um efeito de miragem, mas não chegaram a uma identificação conclusiva. Posteriormente, a Força Aérea passou a considerar mais provável que os objetos fossem aves marinhas refletindo a luz solar, com base em comparações com outras filmagens semelhantes.

Ainda assim, segundo o documento, as limitações do filme e a ausência de pontos de referência impediram determinar com segurança distância, tamanho, altitude ou velocidade dos objetos. A filmagem histórica também foi incluída no novo lote e disponibilizada em versão digitalizada pelo governo norte-americano.

O sexto lote também inclui a digitalização da filmagem feita por Newhouse em 1952. O registro preservado mostra os pontos luminosos se deslocando pelo céu e, a partir dos 55 segundos, passa a exibir imagens sem relação com o caso, aparentemente de equipamentos de costura. Segundo a descrição oficial, isso sugere que a cópia sobrevivente possa ter sido reutilizada ou formada pela combinação de diferentes materiais, embora não seja possível determinar quando ou como isso ocorreu. A filmagem original também continha imagens de paisagens de Idaho, que não foram preservadas nesta versão.

- Advertisement -
Ad image

Já o único arquivo de áudio incluído nesta leva é de março de 1952 com o capitão Edward J. Ruppelt, que posteriormente se tornaria responsável pelo Projeto Livro Azul. Na apresentação, ele afirma que, de aproximadamente 800 casos revisados pela Força Aérea, cerca de 20% permaneciam sem explicação após análise técnica, incluindo relatos feitos por militares, pilotos comerciais e outros observadores qualificados.

Ruppelt também chama atenção para relatos próximos a instalações ligadas à segurança nacional e ao programa nuclear norte-americano, incluindo Los Alamos e Oak Ridge. Entre os casos analisados, menciona objetos silenciosos em alta velocidade e registros de radar que indicavam velocidades não confirmadas entre aproximadamente 1.600 e 5.600 km/h.

Apesar dos casos não solucionados, Ruppelt ressalta que a Força Aérea não possuía evidências conclusivas sobre a natureza ou a origem dos fenômenos e defendia uma coleta mais sistemática de dados para investigá-los.

O que é o PURSUE?

O PURSUE é uma iniciativa do governo dos Estados Unidos destinada a localizar, revisar e disponibilizar documentos históricos relacionados aos UAPs.

O acervo reúne materiais produzidos por diferentes órgãos governamentais, incluindo documentos militares, relatórios de inteligência, fotografias, vídeos, memorandos e outros registros relacionados a investigações ou relatos de fenômenos inicialmente não identificados.

As liberações vêm ocorrendo em etapas ao longo de 2026. Com a publicação do sexto lote, 446 arquivos já foram disponibilizados para consulta pública.

A presença de um documento no acervo não significa, por si só, que o episódio descrito permaneça sem explicação ou que o governo confirme as alegações registradas no material. Parte dos arquivos consiste em registros históricos, relatos de testemunhas ou documentos posteriormente analisados por órgãos oficiais.

A íntegra da nova leva já está disponível para consulta pública e deverá ser analisada nos próximos dias por pesquisadores e especialistas em UAPs.

Compartilhe
Jornalista com experiência em redação, realização de entrevistas e produção de conteúdo digitais. Atua com foco em temas relacionados à ciência, inteligência não humana e à história dos UAPs. Ao longo de sua trajetória, cocriou um podcast de entrevistas sobre ufologia, ciência e espiritualidade, aproximando assuntos complexos do público por meio de uma abordagem jornalística.