Sinal de rádio a cada 18 minutos intriga astrônomos

Equipe UFO
5 minutos de leitura

Este é apenas uma parte das mais de 4.000 antenas do radiotelescópio Murchison Widefield Array, que fez uma incrível descoberta.
Créditos: John Goldsmith

Os cientistas encontraram um objeto inédito liberando explosões gigantes de energia, três vezes por hora. Seja o que for – que está relativamente próximo, a 4.000 anos-luz de distância – não é nada igual ao que os astrônomos tenham visto antes.

Natasha Hurley-Walker, do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia, que liderou a pesquisa, disse: “Este objeto estava aparecendo e desaparecendo em algumas horas durante nossas observações. Isso foi completamente inesperado. Foi meio assustador para uma astrônoma porque não há nada conhecido no céu que faça isso. E está realmente muito perto de nós – cerca de 4.000 anos-luz de distância. Está em nosso quintal galáctico.”

Os astrônomos especulam que o objeto possa ser uma estrela de nêutrons ou uma anã branca que possui um campo magnético incrivelmente poderoso. Ele está girando rapidamente no espaço, de modo que o feixe de radiação pisca em nossa direção três vezes a cada hora. Por um minuto em cada vinte, ele se torna uma das fontes de rádio mais brilhantes em todo o céu.

Um estudante da Curtin University chamado Tyrone O’Doherty foi o primeiro a detectar o objeto usando o telescópio Murchison Widefield Array (MWA) no interior da Austrália Ocidental. Desde que foi encontrado, o astro acabou deixando perplexos os astrônomos que o estudaram. O’Doherty, que agora está fazendo doutorado em Curtin, disse: “É empolgante que a fonte que identifiquei no ano passado tenha se tornado um objeto tão peculiar. O amplo campo de visão e a extrema sensibilidade do MWA são perfeitos para pesquisar todo o céu e detectar o inesperado.”

Há uma grande variedade de objetos diferentes no espaço que “ligam” e “desligam”, que recebem o nome de “transitórios.” Normalmente, eles vêm da morte de uma estrela massiva ou dos restos tremeluzentes que são deixados para trás quando isso acontece. Eles podem emitir de forma rápida – como uma estrela de nêutrons, chamada pulsar, que pode acender e apagar em milissegundos — ou podem ir devagar, acontecendo ao longo de alguns dias, como no curso de supernovas.


Representação artística do objeto – uma fonte potencial de pulsos repetitivos de ondas/sinais de rádio.
Fonte: ICAR

Mas algo no meio, como o novo objeto, é muito incomum. Há ainda mais mistérios. Ele é incrivelmente brilhante, mas menor que o Sol, e emite ondas de rádio altamente polarizadas. Isso indicaria que ele tem um campo magnético muito forte. Em conjunto, essas características parecem corresponder a um objeto conhecido como magnetar de período ultralongo. Mas tal objeto nunca foi visto antes – e foi uma surpresa.

Natasha disse: “É um tipo de estrela de nêutrons que gira lentamente e que teoricamente existe. Mas ninguém esperava detectar diretamente uma assim porque não esperávamos que fossem tão brilhantes. De alguma forma, o objeto está convertendo energia magnética em ondas de rádio de forma muito mais eficaz do que qualquer coisa que vimos antes.” Os cientistas estão agora observando a área atentamente, esperando que ela volte a emitir. Se isso acontecer, eles poderão apontar telescópios para o objeto na esperança de aprender mais. Eles também examinarão os arquivos de observações do MWA para ver se existem outros exemplos de tais objetos que foram perdidos no passado.

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“Mais detecções dirão aos astrônomos se este foi um evento único raro ou uma vasta nova população que nunca havíamos notado antes”, disse Natasha. Um artigo descrevendo a pesquisa, “Um transitório de rádio com emissão periódica incomumente lenta”, foi publicado quinta-feira, 27 de janeiro, na revista Nature.

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