Um grupo internacional de cientistas ligado ao recém-anunciado conselho consultivo da Casa Branca para estudos sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs, na sigla em inglês) lançou uma pesquisa global para avaliar como a população reagiria diante de uma confirmação oficial da existência de inteligência não humana. A organização é apoiada pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos (DOW) e pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI).
“Os resultados contribuirão para pesquisas científicas revisadas por pares e para recomendações de políticas públicas relacionadas à transparência governamental futura”, afirmaram os pesquisadores à reportagem.
O levantamento tem o objetivo de medir o grau de aceitação pública em relação a evidências relacionadas aos UAPs, termo adotado atualmente para substituir a expressão “objetos voadores não identificados” (OVNIs), e entender como as pessoas interpretam as informações já divulgadas pelo governo dos Estados Unidos sobre o tema.
Entre os pontos centrais do estudo estão questionamentos sobre o desejo da população por maior transparência governamental, a percepção sobre o preparo da sociedade para lidar com evidências mais complexas e as possíveis reações diante de uma confirmação oficial da existência de inteligência não humana.
“O principal objetivo da pesquisa é examinar as atitudes do público em relação aos UAPs, à inteligência não humana e ao esforço de divulgação conduzido pelo programa PURSUE”, esclarecem os cientistas.
O PURSUE é a plataforma digital interinstitucional criada no início deste ano após o presidente norte-americano Donald Trump ordenar que agências federais, incluindo o Pentágono, FBI e a NASA, disponibilizem publicamente registros governamentais relacionados a casos de UAPs que permanecem sem explicação. Segundo os responsáveis pelo programa, trata-se do mais amplo esforço de transparência já realizado pelo governo dos Estados Unidos sobre o tema.
A pesquisa global que busca compreender o comportamento da sociedade vai contribuir para os cientistas avaliarem “como as pessoas se sentem em relação ao que já foi divulgado, se desejam mais transparência, quão preparadas acreditam estar para evidências mais complexas e como reagiriam a uma confirmação oficial de inteligência não humana”, explicam em nota.
O estudo reúne especialistas de instituições como a Universidade Reichman, em Israel, a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a Universidade de Cádiz, na Espanha, a Université Lumière Lyon 2, na França, e a Universidade Metropolitana de Cardiff, no Reino Unido.
Entre os participantes estão o astrofísico Abraham Loeb, professor de Harvard conhecido por defender investigações científicas sobre possíveis evidências de tecnologia extraterrestre, e a psicóloga Jennice Vilhauer, ambos integrantes do novo conselho consultivo científico criado para assessorar a Casa Branca em temas relacionados aos UAPs.
De acordo com os autores desta pesquisa, o questionário foi construído a partir de levantamentos anteriores sobre crenças em inteligência extraterrestre, confiança institucional, percepção de risco e atitudes públicas em relação à ciência. O estudo também utiliza referências produzidas pelo Pew Research Center e pela Disclosure Foundation sobre a percepção pública dos UAPs.
As perguntas abordam aspectos como perfil demográfico, hábitos de consumo de informação, reações emocionais às divulgações recentes de temas relacionados a fenômenos anômalos não identificados, percepção de ameaças à segurança nacional, confiança no governo e opiniões sobre investimentos públicos em pesquisas desse universo.
A divulgação da pesquisa ocorreu poucas horas após a publicação de um relatório técnico da Disclosure Foundation sobre os possíveis impactos psicológicos de futuras revelações envolvendo UAPs e inteligência não humana. O documento defende que a principal preocupação das autoridades não seria um cenário de pânico coletivo, mas a forma como diferentes grupos sociais processariam e interpretariam novas informações.
A pesquisa permanece aberta por duas semanas e leva cerca de 10 a 12 minutos para ser respondida. Os cientistas destacam que a participação de pessoas de diferentes países é fundamental para ampliar a diversidade da amostra e aumentar a robustez dos resultados.
“O quanto a amostra for diversa e internacional fortalecerá as conclusões do estudo. Os participantes brasileiros seriam uma contribuição particularmente valiosa”, disseram.
Para responder, basta acessar este link: https://idc.az1.qualtrics.com/jfe/form/SV_7Uq9Le2xDDCThhY.