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Nosso planeta possui companhia troiana no espaço

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28 de Julho de 2011
Conceito artístico ilustra o primeiro asteróide troiano conhecido da Terra
Créditos: Paul Wiegert/University of Western Ontario

Utilizando dados do telescópio espacial WISE, cientistas norte-americanos confirmaram que a Terra não orbita sozinha o Sol como se pensava, mas partilha a longa jornada com um pequeno asteróide troiano. A descoberta confirma a hipótese levantada em 1772 pelo matemático francês Joseph-Louis Lagrange de que objetos poderiam ficar presos indefinidamente em pontos específicos do espaço.

Asteróides troianos são objetos que compartilham as órbitas planetárias em pontos estáveis localizados à frente ou atrás do planeta. Como esses objetos acompanham a mesma órbita do planeta, não existe risco de colisão. Até agora, somente Marte, Júpiter e Netuno possuíam asteróides troianos, além de duas luas de Saturno que também dividem suas órbitas.

Há muito tempo que os cientistas previam a possibilidade da Terra ter também um troiano, mas o diminuto tamanho da rocha e posição desfavorável em relação ao Sol tornaram sua detecção praticamente impossível. "Estes asteróides são invisíveis. Eles ficam sempre à luz do dia, o que torna muito difícil de vê-los", disse o astrofísico Martin Connors da Athabasca University, no Canadá, principal autor do paper (trabalho científico) sobre a descoberta, publicado esta semana na revista Nature. "Conseguimos encontrá-lo porque ele tem uma orbita bastante incomum, que o leva um pouco mais longe do Sol quando comparado aos típicos troianos", completou.

crédito: Wikipedia
Os pontos de Tróia da Terra (azul) são rotulados L4 e L5, destacado em vermelho, em seu caminho orbital em torno do Sol (amarelo)
Os pontos troianos da Terra (azul) são rotulados L4 e L5, destacado em vermelho, em seu caminho orbital em torno do Sol (amarelo)

A descoberta - Para encontrar o asteróide troiano, Connors e sua equipe utilizaram milhares de imagens registradas pelo projeto NEOWISE, um complemento da missão do telescópio espacial WISE, que escaneou todo o céu entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2011 no comprimento de onda do infravermelho.

O programa NEOWISE tem como objetivo focar especificamente nos objetos próximos à Terra, ou NEOs, como asteróides e cometas, que passam dentro de 45 milhões de quilômetros da Terra. Durante a missão, o NEOWISE observou mais de 155 mil objetos no cinturão entre Marte e Júpiter, além de 500 NEOs, 132 deles desconhecidos. A busca resultou em dois possíveis candidatos a asteróides troianos, culminando na descoberta do primeiro objeto desse tipo a partilhar a órbita terrestre.

Companheiro - Batizado de 2010 TK7, tem cerca de 300 m de diâmetro e sua órbita peculiar revela um complexo movimento próximo a um ponto estável no plano da órbita terrestre, apesar do asteróide também se mover acima e abaixo dentro do plano.

O objeto se localiza a 80 milhões de km da Terra, em um ponto estável conhecido como ponto de Lagrange L4. Esse ponto foi teorizado pela primeira vez em 1772 pelo matemático francês Lagrange, que calculou que objetos colocados dentro de alguns pontos específicos do espaço (chamados atualmente de Pontos de Lagrange) ficariam presos indefinidamente devido ao equilíbrio gravitacional da região.

De acordo com cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), JPL, a órbita de 2010 TK7 está bem definida e pelos próximos 100 anos a máxima aproximação prevista para o objeto não será inferior a 24 milhões de quilômetros.

Assista vídeo de simulação da NASA para a órbita do 2010 TK7:

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Julho de 2011

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