
Eram 07h25 de 10 de maio de 1969 na estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, em Belo Horizonte. Da composição NF-32, vinda da estação Pedro Nolasco, em Vitória, a cerca de 600 km de distância, desembarcou um jovem mal vestido que trazia uma mochila de lona debaixo do braço. O volume chamou a atenção do chefe de segurança da estação, Geraldo Lopes da Silva, devido ao elevado número de furtos de cabos de cobre na cidade. Silva então solicitou os documentos do desconhecido e recebeu dele a seguinte resposta: “Não tenho documentos comigo porque os tiraram de mim, mas sou soldado da Polícia Militar”. Mesmo em face da aparente sinceridade do mulato de 24 anos, o chefe então o obrigou a acompanhá-lo até sua sala, para ver o que trazia na mochila. Inicialmente desconfiado, Lopes da Silva acabou se rendendo diante das evidências, pois na bagagem do policial ele só encontrou material de pesca, comida e algumas peças de roupa.
“Está bem, mas quem é você?”, questionou. “Sou José Antônio da Silva, criado do major Célio Ferreira, subcomandante do Batalhão de Guardas da Polícia Militar de Minas Gerais”, respondeu o rapaz. Após se identificar, ele contou a história de como havia desaparecido de uma localidade do interior de Minas Gerais, onde estava pescando, e cinco dias depois apareceu a 700 km de distância sem haver usado qualquer tipo de transporte conhecido. Não convencido, o chefe de segurança solicitou ainda que o homem contasse a história mais de uma vez — mas, sem encontrar qualquer contradição, e apesar de sua estranheza, acabou por aceitá-la. Ele então chamou a equipe de reportagem da Rádio Guarani, que, após rápida entrevista, encaminhou o mulato à polícia. Ele foi levado para residência de seu chefe, o major Ferreira, e recebeu todo tipo de ajuda, como alimentos, medicamentos e descanso.
Mas o que haveria acontecido com aquele homem? Como desapareceu durante cinco dias? E por que a polícia mobilizada pelo major não encontrou nenhum de seus rastros? Tudo teve início na noite de 03 de maio de 1969, quando o rapaz se dirigiu à lagoa de uma antiga fazenda da cidade de Bebedouro para pescar. Às 15h00 do dia seguinte, um domingo, ele escutou ruídos atrás de si e observou vultos que se moviam entre a vegetação.
Sem poder se mover
Foi então que começou a sentir uma dor profunda na perna direita — fora atingido por uma rajada de fogo vinda de uma silhueta que se escondia na mata. Sua pele não estava queimada, como era de se esperar, mas o jovem estava impossibilitado de se mover. Nesse momento, dois indivíduos mascarados e de baixa estatura agarraram-no pelas axilas e o arrastaram por uma zona pantanosa.
A 10 m da margem da lagoa, surgiu um terceiro ser também mascarado e que, como os demais, vestia uma espécie de traje de mergulho de cor clara e brilhante. Trazia nas mãos uma arma — provavelmente aquela que paralisara as pernas do mulato. Robustos, os pequenos seres não ultrapassavam 1,20 m de altura e pela parte inferior de suas máscaras cinzentas saía um tubo que passava por debaixo dos braços e terminava em um grande aparato nas costas. Em meio à estrada de terra por onde foi arrastado, o rapaz notou um estranho objeto de forma cilíndrica em posição vertical, com cerca de 2 m de altura, no qual os dois seres o forçaram a entrar por uma pequena porta. Ele sentou em um banco retangular, sendo rodeado pelos extraterrestres, que lhe puseram uma máscara semelhante às que usavam. Depois o ataram pelos pés e cintura e, então, a terceira criatura, que estava armada, se sentou diante dele, moveu uma alavanca e fez a nave se deslocar em sentido vertical.
Cadáveres humanos
Enquanto o sequestrado seguia paralisado, com dores no pescoço e no ombro, os três tripulantes do insólito aparelho conversavam animadamente em uma língua desconhecida com forte ênfase na letra R e em outros sons graves e guturais. Após algumas horas, o artefato voador diminuiu sua velocidade e pousou em algum lugar de pouco movimento. Os alienígenas desataram seu prisioneiro, mas vedaram seus olhos, enquanto o encaminhavam para outro lugar. Quando pôde finalmente ver onde se encontrava, o jovem visualizou um salão quadrangular com cerca de 15 m de lado, cujo centro era ocupado por outra daquelas misteriosas criaturas — essa, porém, era mais alta, robusta e não utilizava máscara alguma. Seus cabelos eram avermelhados, compridos e caíam por trás dos ombros até a cintura. Suas sobrancelhas eram muito grossas e os olhos, redondos e verdes, eram maiores do que o normal. Aquele estranho ser tinha ainda uma longa e espessa barba que alcançava a barriga. Quando os outros ETs menores retiraram suas máscaras, o abduzido notou que aparentavam a mesma feição daquele que deveria ser o líder.
“Rezei silenciosamente quando vi aquela cena. Imaginei que não voltaria mais a ver meus familiares e amigos”, revelou o rapaz a seu chefe e ao prestigiado ufólogo Húlvio Brant Aleixo, já falecido, o primeiro pesquisador a ter acesso à testemunha [Veja entrevista com ele em UFO 138, agora disponível na íntegra em ufo.com.br]. Uns 10 ou 12 daqueles serezinhos surgiram e rodearam-no, olhando-o com grande curiosidade. “Tão misteriosamente como apareceram, eles desapareceram, talvez por uma porta que não vi por causa da reduzida visibilidade pelos orifícios da máscara que me haviam colocado”, comenta. Porém, outra visão assustaria ainda mais o já confuso homem: sobre uma mesa baixa de pedra repousavam quatro corpos humanos tombados de bruços.
Os cadáveres estavam nus e eram todos do sexo masculino — um era negro, outro mulato e os outros dois brancos, sendo que um parecia ser estrangeiro, pois apresentava um forte cabelo loiro. Mas, apesar do aspecto cadavérico, nenhum daqueles homens exibia marcas de agressão externa. Após observar os corpos, o policial militar começou a prestar a atenção no interior do salão, cujas paredes pareciam ser de pedra de cor cinza e a iluminação homogênea provinha de uma fonte desconhecida. Não havia janelas, apenas uma parede à esquerda, ao lado dos quatro homens, que sustentava grandes painéis com desenhos coloridos de seres e objetos conhecidos, como macacos, elefantes, girafas, casas, árvores, bosques, veículos, água, caminhões e aviões. Os extraterrestres trouxeram a mochila de lona que o rapaz carregava e dela retiraram suas coisas, como fósforos, anzóis, facas e outros apetrechos de pesca.
Os objetos duplicados foram separados e guardados — com exceção de seu documento de identidade, que permaneceu com eles. Um dos aliens sacou sua arma, curta como uma pistola, e disparou contra uma parede, que se descolor
iu ao ser atingida. Aquele maior, o provável chefe do grupo, agarrou um bastão escuro e começou a desenhar sobre a lousa de fundo branco. Segundo o jovem, o ser mais robusto desenhou uma espécie de quartel militar rodeado por homens. Depois, sinalizou em direção ao armamento de seus companheiros e em seguida para o sequestrado. O abduzido entendeu que aquela criatura desejava ter armas como as da Polícia Militar de Minas Gerais, onde trabalhava, e ficou nervoso — ele sabia que não poderia cumprir com o desejo de seus algozes.
O avistamento do monge
Um dos pequenos ETs se aproximou com um recipiente de pedra em forma de cubo, no qual se encontrava uma substância verde-escura. Ele levantou a máscara do prisioneiro pela parte de baixo e obrigou-lhe a beber o líquido de gosto amargo — faminto e com sede, após tomar o fluido ele se sentiu com as forças recuperadas. O líder dos aliens seguiu desenhando na lousa horizontal e fez mais de 300 círculos, que José Antônio da Silva interpretou como sendo os dias do ano. Depois delineou três esferas e logo outras sete maiores, que incluíam as bolas menores dentro. De acordo com a interpretação do rapaz, os seres desejavam que ele ficasse por três anos na Terra, a serviço deles, e outros sete anos em seu outro planeta. Mas, com gestos, ele disse claramente que não estava disposto a se submeter a tais desejos, enquanto prendia em suas mãos um rosário com o qual orava.
Os aliens arrancaram o objeto de suas mãos e as contas que caíram no chão despertaram neles grande curiosidade. Enquanto se distraíam examinando as pequenas bolinhas, o policial observou diante de si uma figura humana de aspecto amigável. Era um homem magro, com cerca de 1,70 m de altura, trajando um hábito escuro que chegava até seus pés descalços, que estava amarrado na cintura com uma corda branca — a figura, similar a de um monge, parecia passar despercebida aos extraterrestres, entretidos com os objetos no chão. O indivíduo de pele e olhos claros e cabelos e barba loiros falou com o sequestrado em perfeito português brasileiro, levando a ele palavras tranquilizantes. Quando entrevistado pelo ufólogo Aleixo, o abduzido se negou a descrever o conteúdo da conversa e somente comentou que a mensagem do “monge” trazia revelações proféticas.
A tal figura de aspecto humano se esvaiu do local em meio a uma acalorada discussão entre os homenzinhos. O líder estava irritado e ordenou a seus comandados que vendassem novamente os olhos do rapaz, que supostamente regressou ao mesmo veículo que o havia levado até aquele lugar desconhecido. Quando sentiu que a nave tocara no solo, os ETs retiraram sua máscara e, aos poucos, ele foi recobrando os sentidos. No momento seguinte, percebeu os primeiros raios do dia e pôde ouvir o ruído da água. Então, arrastando-se até o córrego próximo, se hidratou e pensou sobre tudo aquilo — ao seu lado estava a mochila de lona de onde tirou um anzol e linha para pescar e se alimentar.
Homem humilde e afável
José Antônio da Silva estava cansado, com a barba crescida, sem camisa e apenas com uma bermuda. Após reunir forças para caminhar, conseguiu chegar até uma estrada, onde lhe informaram que ele se encontrava a aproximadamente 32 km de Vitória, no Espírito Santo — uma distância de mais 500 km de onde estava no momento de seu sequestro, há cinco dias. Ele então caminhou pela estrada até o estado de Minas Gerais, apesar da dor em sua perna direita e das três feridas nos ombros produzidas pela máscara. Exausto, aceitou uma carona até as proximidades da cidade de Colatina, de onde partiu de trem até Belo Horizonte. Hoje, o abduzido tem quase 70 anos e vive em uma cidadezinha perdida entre as montanhas da região nordeste de Minas Gerais. O ex-soldado da Polícia Militar é um homem afável, de bom humor e muito humilde. Ele atualmente trabalha em uma fazenda como cuidador de cavalos e de gado.
Nas vizinhanças, José Antônio da Silva é considerado uma pessoa honesta e amável, sempre disposta a ajudar os demais, apesar de sua própria pobreza. Neto de escravos, abandonou a casa de seus pais aos 12 anos para viver nas ruas da populosa capital mineira, onde começou a trabalhar como mensageiro. Aos 16 anos, arranjou um cargo em um açougue, quando conheceu o major Célio Ferreira, que o acolheu como criado em sua casa e o ordenou soldado da Polícia Militar, ainda que não exercesse a função. Várias décadas após o episódio que viveu, o abduzido ainda afirma que o suposto monge lhe revelara coisas sobre seu próprio futuro. “São previsões íntimas que não posso dizer, mas o que posso afirmar é que elas realmente ocorreram”, disse a este autor. Ele acrescentou que, quando os pequenos seres o deixaram às margens daquele rio, enquanto se ajoelhava para beber água, viu o rosto de uma mulher refletido nas águas.
Marcas deixadas pelo UFO
Assustado, se levantou, mas não encontrou ninguém ao redor. “Dois ou três anos depois, ao visitar um parente em um hospital, vi aquela mesma mulher, que mais tarde seria minha atual esposa”, conta com absoluta naturalidade. Dias após o retorno de Silva a Belo Horizonte, uma unidade da Aeronáutica em São Paulo entrou em contato com o major Ferreira manifestando interesse em investigar o caso. Durante uma semana, o rapaz foi interrogado com tempo livre apenas para almoçar, jantar e dormir à noite. “Eles me ameaçavam e me diziam que eu jamais voltaria a ver minha família se não contasse a verdade. E eu lhes repetia que aquela era a verdade”. Segundo declarou, havia frequentes discussões entre os militares — alguns não acreditavam no que ouviam, e por isso o ameaçavam, enquanto outro grupo acreditava que o jovem realmente vivera tal inusitada experiência. Os agentes também o levaram até o local do sequestro e fotografaram marcas no solo deixadas por um aparelho voador. “No final de tudo, eles me deram razão. Depois, escutei um deles dizer que haviam levado outra pessoa daquele lugar”, afirmou o hoje septuagenário.
Um dos ETs se aproximou com um recipiente de pedra em forma de cubo, no qual se encontrava uma substância verde-escura. Ele levantou a máscara do abduzido pela parte de baixo e obrigou-lhe a beber o líquido de gosto amargo. Isso o fez se sentir recuperado
Na época, os militares pretendiam levar o rapaz para os Estados Unidos, a fim de continuar com os interrogatórios. Mas o major Ferreira, que tinha mais autoridade, impediu que isso acontecesse. Ele passou por procedimentos médicos no Hospital Militar de Belo Horizonte e em instituições em São Paulo, onde retiraram uma amostra de
seu sangue. “Disseram que eu tinha algo diferente, mas não sei o que era”. Também constataram que sua perna direita, atingida pelo estranho armamento, estava três centímetros mais curta do que a outra. O abduzido também foi obrigado a acompanhar os membros da Aeronáutica em uma espécie de vigília pelas noites mineiras, pois os oficiais sabiam da intensa atividade ufológica na região em 1969. Em uma daquelas ocasiões, eles iam com lanternas, mapas e poderosos binóculos quando, de repente, surgiram luzes no céu, que se moviam de uma maneira espantosa. “Eles estavam muito excitados com aquilo e puderam fotografar o objeto”, contou o rapaz.
Um impressionante encontro
Anos após o episódio, enquanto estava em sua casa, o hoje criador de animais viu uma luz no pátio da fazenda. Pela janela ele discerniu a figura de três daqueles mesmos seres mascarados que o haviam sequestrado. “Regressei para minha cama, pois não queria ter mais problemas. Nunca mais eles voltaram”, declarou Silva, que não gosta de tocar no assunto. A primeira pessoa a arrancar uma confissão sobre sua abdução foi o repórter Mauro Neto, da Rádio Guarani de Belo Horizonte. O jornalista contou que, dias após a entrevista, ele saiu de um cinema no centro da capital, às 22h00, e no fim da rua observou um homem cuja roupa brilhava intensamente. Ao se aproximar daquele estranho, percebeu que se tratava se um jovem alto, loiro e com um traje cinza que refletia a luz dos faróis. Sem medo, Neto se aproximou a pouco menos de um metro do desconhecido, que estendeu seu braço direito para um cumprimento — que foi retribuído. O homem seguiu e virou a esquina e o repórter ficou por um momento estático em virtude do gesto inesperado, mas voltou rapidamente a si e correu para ver por onde a estranha figura seguia. “O homem havia sumido em pleno ar. Aquilo me impactou muito”, declarou o repórter.
A poucos quilômetros de Bebedouro, na cidadezinha de Quinta do Sumidouro, a sexagenária Nilza Costa Ferreira conta que, em 1972, foi testemunha da aparição de outro UFO. Com mais duas pessoas em um carro, na estrada que conduz a Pedro Leopoldo, ela observou a menos de 10 m de distância um objeto luminoso em forma de círculo com cerca de 4 m de diâmetro e flutuando próximo ao solo. O grupo estacionou no acostamento e pouco depois chegou ainda Geraldo Mendes, cunhado de Nilza, que vinha em outro veículo. Ele empunhou uma pistola e se lançou sobre o artefato, que desapareceu e reapareceu em fração de segundos em um ponto mais elevado do céu, para assombro dos presentes. “Naquela região, ao redor da lagoa de Bebedouro, se deram muitos casos deste tipo ao final dos anos 60 e princípio dos 70”, assegurou a senhora.