A realização da live sobre o Caso Varginha conjunta com Marco Antonio Petit, Thiago Ticchetti e Edson Boaventura representou um marco relevante no contexto dos 30 anos dos eventos de janeiro de 1996. Mais do que um debate pontual, o encontro público funcionou como um momento de síntese histórica, no qual décadas de investigação independente foram apresentadas de forma articulada, transparente e acessível ao público.
A live permitiu reunir, em um mesmo espaço, pesquisadores que estiveram desde o início no epicentro dos acontecimentos, cruzando relatos de campo, documentos oficiais, análises técnicas e experiências pessoais acumuladas ao longo de quase três décadas. Esse formato deu ao público uma visão ampla e contextualizada do caso, rompendo com leituras fragmentadas e narrativas simplificadoras que, ao longo dos anos, buscaram reduzir o episódio a explicações isoladas ou convenientes.
Além disso, a transmissão teve um papel fundamental ao restabelecer o contraditório, confrontando versões oficiais e midiáticas recentes com fatos documentados, testemunhos consistentes e inconsistências verificáveis. Ao trazer à tona elementos omitidos, distorcidos ou ignorados em outras abordagens, a live consolidou-se como um registro público relevante, funcionando como uma espécie de audiência aberta sobre o Caso Varginha.
Nesse sentido, a live não deve ser vista apenas como um evento de divulgação, mas como parte integrante do processo investigativo e histórico do caso — um espaço onde a memória, a pesquisa e a responsabilidade jornalística convergiram para reafirmar que o Caso Varginha permanece aberto, vivo e longe de qualquer conclusão definitiva.

Três décadas após os acontecimentos que transformaram a cidade de Varginha, no sul de Minas Gerais, em um dos episódios mais emblemáticos da ufologia mundial, o caso permanece longe de qualquer encerramento definitivo. Ao contrário do que se tentou consolidar ao longo dos anos por meio de versões oficiais, explicações alternativas frágeis e investigações limitadas, o volume de testemunhos, documentos, contradições e indícios de acobertamento apenas se ampliou com o passar do tempo.
O início do caso e a construção de uma narrativa incompleta
Desde os primeiros dias de janeiro de 1996, o Caso Varginha foi sustentado por um elemento central: testemunhos humanos diretos. Jovens que relataram o encontro com uma criatura desconhecida, moradores que observaram movimentações atípicas, militares envolvidos em operações incomuns e profissionais da área da saúde que testemunharam procedimentos fora do padrão formaram um conjunto de relatos convergentes.
Com o avanço das investigações independentes, pesquisadores como Marco Antonio Petit e Edson Boaventura passaram a identificar um padrão recorrente: testemunhas-chave eram ignoradas em inquéritos oficiais, enquanto versões alternativas ganhavam espaço sem sustentação empírica. O que inicialmente foi tratado como um episódio isolado revelou-se, gradualmente, um evento complexo, envolvendo múltiplas criaturas, a possível queda de um objeto voador e uma resposta militar coordenada.
O IPM e a fragilidade da explicação oficial
O Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado pelo Exército Brasileiro tornou-se um dos pilares da tentativa de encerramento oficial do Caso Varginha. Sua conclusão — de que a criatura descrita por testemunhas seria um morador da cidade com deficiência intelectual — apresenta inconsistências graves quando confrontada com os próprios procedimentos investigativos adotados.
As principais testemunhas civis jamais foram chamadas a depor, não houve reconstituição formal dos fatos e documentos analisados posteriormente indicam tentativas de adequação forçada de evidências para sustentar a narrativa oficial. Em vez de esclarecer os acontecimentos, o IPM aparenta ter cumprido a função administrativa de neutralizar o caso, não de investigá-lo em profundidade.
A reunião de pesquisadores e a convergência das investigações
É fundamental registrar que as análises, reflexões e denúncias apresentadas neste material tiveram como base uma reunião que contou com a presença de Marco Antonio Petit, Edson Boaventura e Thiago Ticchetti, os dois primeiros pesquisadores diretamente ligados à investigação histórica e contemporânea do Caso Varginha.
A presença conjunta desses nomes confere especial relevância ao debate, pois representa a convergência entre pesquisa de campo, análise documental, memória histórica e divulgação jornalística especializada. Tanto Petit quanto Boaventura estiveram em Varginha desde os primeiros momentos do caso, acompanhando depoimentos originais, identificando contradições oficiais e reunindo informações que jamais foram devidamente respondidas pelas autoridades.
Marco Antonio Petit destaca-se por seu trabalho rigoroso na análise de documentos militares, inquéritos oficiais e inconsistências internas do IPM, além de sua atuação histórica na denúncia de acobertamentos envolvendo instituições armadas. Sua pesquisa demonstrou, de forma consistente, que a explicação oficial do “mudinho” não se sustenta do ponto de vista investigativo, lógico ou jurídico.

Edson Boaventura, por sua vez, é reconhecido como um dos mais ativos pesquisadores de campo do Caso Varginha. Seu trabalho inclui entrevistas diretas com testemunhas civis e militares, acompanhamento de movimentações logísticas anômalas e a construção de uma linha do tempo que conecta avistamentos, capturas, internações hospitalares e operações militares.
O papel histórico e decisivo da Revista UFO
Nenhuma análise séria sobre o Caso Varginha pode ser feita sem reconhecer o papel central da Revista UFO. Desde 1996, a publicação tornou-se o principal veículo de documentação, preservação histórica e difusão responsável do caso, quando grande parte da mídia tradicional optou pelo silêncio, pela minimização dos fatos ou pela adoção acrítica de versões oficiais.
Foi a Revista UFO que reuniu os primeiros depoimentos civis, publicou linhas do tempo detalhadas, apresentou análises técnicas independentes e manteve o Caso Varginha vivo no debate público ao longo de quase três décadas. Seu trabalho editorial permitiu que testemunhas fossem ouvidas, documentos fossem preservados e contradições fossem expostas, consolidando um acervo que hoje se mostra essencial para qualquer reavaliação honesta do episódio.
A atuação da Revista UFO não se limita à divulgação, mas integra um esforço contínuo de investigação, contextualização histórica e defesa da transparência institucional, tornando-se referência internacional quando o tema é o Caso Varginha.
Trinta anos depois: um caso que resiste ao esquecimento
O Caso Varginha não persiste por três décadas por acaso. Ele permanece porque suas perguntas fundamentais jamais foram respondidas de forma clara, transparente e independente. A sucessão de versões oficiais contraditórias, a ausência de investigações completas, o desaparecimento de documentos e a edição seletiva de informações indicam que há muito mais em jogo do que um simples erro de interpretação coletiva.
Mais do que discutir a origem de um possível fenômeno não humano, o Caso Varginha revela os limites da transparência institucional e os mecanismos de controle da narrativa oficial. Trinta anos depois, a pergunta central continua sem resposta: o que realmente aconteceu em Varginha em janeiro de 1996 — e por que ainda há tanto esforço para que essa resposta não venha à tona?
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