Exclusivo: hipótese de UAPs com origem não humana motivou criação de conselho científico da Casa Branca

Exclusivo: hipótese de UAPs com origem não humana motivou criação de conselho científico da Casa Branca

“Existe no governo a suspeita de que pelo menos alguns objetos não tenham origem humana”, afirma o astrofísico Avi Loeb, líder do Conselho Consultivo Científico de UAPs da Casa Branca

 

Brasil, 14 de julho – A decisão do governo dos Estados Unidos de criar o Conselho Consultivo Científico de UAPs para investigar os Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs) representa, na avaliação do astrofísico Avi Loeb, um marco no posicionamento das autoridades norte-americanas. Pela primeira vez, um grupo multidisciplinar de especialistas recebeu a missão de assessorar pública e diretamente órgãos ligados à segurança nacional na análise de casos que permanecem sem explicação, aplicando metodologia científica para determinar a natureza dos objetos registrados por diferentes sistemas de monitoramento do governo.

 

“Isso implica que existe, dentro do próprio governo, a suspeita de que pelo menos alguns desses objetos não tenham origem humana”, destaca Avi Loeb, astrofísico líder do Conselho Consultivo Científico de UAPs, com exclusividade à jornalista Sofia Marchetti, da Revista UFO.

 

A frase resume, para Loeb, a principal consequência institucional da criação do conselho, iniciativa que, segundo ele, dificilmente teria sido aprovada caso todas as ocorrências já estivessem esclarecidas. Professor de Ciências da Universidade Harvard, o astrofísico foi convidado para estruturar o conselho e coordenar os trabalhos junto a órgãos como a Casa Branca, o Pentágono, o FBI, o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) e o All-domain Anomaly Resolution Office (AARO).

 

A escolha do governo norte-americano por Loeb ocorreu pela trajetória acadêmica e pelo trabalho que o pesquisador desenvolve nos últimos anos em defesa de uma abordagem estritamente científica para o estudo dos UAPs, baseada na coleta de dados instrumentais e revisão crítica das evidências.

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O principal desafio do conselho não é validar previamente nenhuma hipótese, mas responder por meio do método científico, uma pergunta considerada aberta pelas próprias autoridades norte-americanas: qual é a origem dos objetos que continuam sendo registrados por diferentes sistemas militares e permanecem sem uma explicação conclusiva?

 

Para isso, o grupo reúne 18 especialistas de diferentes áreas do conhecimento, entre físicos, astrônomos, psicólogos, economistas, teólogos e historiadores da ciência. A ideia é impedir que uma única visão de mundo orientasse, durante a análise dos dados, as conclusões da investigação. 

 

Um dos integrantes do conselho é Michael Shermer, fundador da Sociedade dos Céticos e da revista Skeptic, conhecido internacionalmente por seu ceticismo em relação a alegações sobre fenômenos paranormais e extraterrestres. Segundo Loeb, líder do conselho, a presença de Michael fortalece a seriedade do projeto para que a conclusão seja aceita sem resistir a mais rigorosa apuração científica.

 

“Na prática, tratamos isso como uma investigação. Trabalhamos com as evidências disponíveis e solicitamos ao governo dos Estados Unidos que nos forneça o máximo possível de dados e informações, dentro dos limites impostos pela segurança nacional”.

 

Apesar do significado institucional atribuído à criação do conselho, Loeb faz questão de estabelecer um limite claro entre hipótese e evidência. Questionado se os dados públicos atualmente disponíveis já permitem concluir que existe tecnologia de origem não humana, responde que não.

 

“Existem objetos que apresentam comportamentos difíceis de explicar como drones, balões, aviões ou satélites. Precisamos de mais informações antes de afirmar, com confiança, que possuem origem não humana”, ressalta Loeb.

 

O astrofísico e pesquisador reconhece que parte das informações produzidas pelas agências norte-americanas permanece classificada por razões de segurança nacional e poderá integrar as análises do conselho à medida que houver autorização para seu compartilhamento.

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O impacto social da descoberta de vida alienígena

 

“As pessoas acabarão se acostumando, assim como aconteceu com tantas outras grandes descobertas. Nós nos acostumamos com a ideia de que a Terra não é o centro do Universo, e isso não provocou nenhuma ruptura na sociedade. Por isso, acredito que essa informação deva ser comunicada de uma forma responsável, para evitar reações desnecessariamente disruptivas”, diz o líder do conselho.

 

Loeb acredita que essa mudança de perspectiva produziria reflexos que ultrapassariam a ciência. Em vez de aprofundar divisões, uma descoberta dessa proporção poderia levar governos e sociedades a reconhecerem que disputas territoriais e políticas, além das rivalidades ideológicas se tornam secundárias diante de uma realidade compartilhada por toda a humanidade.

 

Para ilustrar essa ideia, ele recorre a uma analogia cotidiana. “Se você descobre que tem um novo vizinho e reúne sua família para jantar, não faz sentido esconder isso deles, porque esse vizinho pode bater à porta e acabar afetando a vida da sua família de diferentes maneiras”, compara.

 

Na avaliação do astrofísico, o contato com uma civilização mais avançada também representaria um exercício de humildade. Assim como, durante séculos, diferentes tradições religiosas levaram o ser humano a reconhecer a existência de uma realidade superior, uma eventual confirmação científica de outras inteligências poderia produzir efeito semelhante, agora sustentado por evidências. “Seria como descobrir um irmão em nossa família de civilizações inteligentes. Isso nos mostraria que não estamos no topo da cadeia alimentar”.

 

Questionado se existe alguma pesquisa que esteja em desenvolvimento neste momento e que ainda não tenha sido divulgada, Abraham Loeb relatou que está “aguardando a revisão científica do artigo (mais recente) antes de torná-lo público”, e que é possível acompanhar os avanços do conselho pelo site: https://uapsac.com/.

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“Se descobrirmos que existem civilizações reais, mais avançadas do que nós, espalhadas pelo Universo, isso será uma oportunidade para reconhecermos nossas limitações e aprendermos como podemos evoluir”, conclui o líder do Conselho Consultivo Científico de UAPs da Casa Branca.

 

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