ENTREVISTA

Os resultados da Operação Prato

Por Equipe UFO | Edição 55 | Novembro de 1997

Em nossa edição passada publicamos longa entrevista com o coronel reformado da Força Aérea Brasileira (FAB) que decidiu tornar públicas as atividades de pesquisas ufológicas desenvolvidas sigilosamente na Amazônia. Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima falou-nos sobre a Operação Prato, realizada entre setembro e dezembro de 1977, que ele mesmo comandou com a maior competência. Basta ver os resultados. Agora, 20 anos depois, Hollanda resolveu quebrar o silêncio e vir a público, após romper os laços que o prendiam ao Primeiro Comando Aéreo Regional (Comar), de Belém do Pará, corporação
à qual pertencia.

Ao assistir a uma matéria sobre o acobertamento do governo em relação aos discos voadores, veiculada no programa Fantástico, há alguns meses, Hollanda sentiu-se na obrigação de esclarecer certos fatos. Então, contatou alguns membros da Equipe UFO, oferecendo-se para dar depoimentos bastante reveladores.

Declarou-nos que já havia passado tempo demais desde a execussão da operação e, por isso, já estava na hora de se pronunciar publicamente. Hollanda foi um homem de múltiplas atividades, tendo assumido vários cargos durante os 36 anos de serviço militar. Desenvolveu funções que vão desde chefe do Serviço de Intendência do Primeiro Comar a chefe do Serviço de Operações de Informação e coordenador de Operações Especiais de Selva.

Durante o tempo em que o editor de UFO A. J. Gevaerd e o co-editor Marco Antonio Petit permaneceram em sua residência, em Cabo Frio, litoral norte do Rio de Janeiro, Hollanda forneceu informações extraordinárias que só agora puderam vir à luz. De acordo com seu relato, a missão de investigação oficial da FAB tinha por objetivo desmistificar os fenômenos que ocorriam na região Norte do Brasil. “Aceitei participar da operação justamente porque não acreditava que aquelas coisas pudessem estar acontecendo. Precisava me certificar de que tais fatos realmente eram verdadeiros”.

Superando sua expectativa, no entanto, a Operação Prato resultou na comprovação da origem extraterrestre do fenômeno que vinha se manifestando em toda a área ribeirinha e litorânea do Pará, ainda que esta confirmação tivesse que permanecer em sigilo. Inúmeras experiências extraordinárias foram vividas por este coronel e outros oficiais da operação, em suas noites e dias de vigília na selva.

Hollanda e seus comandados tinham a incumbência de documentar o Fenômeno UFO na Amazônia, mas, bem mais do que isso, acabaram tendo contatos pessoais com naves extraterrestres. O oficial teve certeza de que os episódios eram reais, especialmente quando UFOs começaram a aparecer de todos os lados, enormes e pequenos, distantes ou não. “Foi a oportunidade que tive de conhecer essas experiências. Algumas eram assustadoras, pois os objetos voadores não identificados tinham tamanhos exagerados”, declarou.

Curiosa experiência – Um dos mais impressionantes episódios que Hollanda viveu se deu às margens do Rio Jari, quando algo similar a um disco voador, nas cores verde e vermelha, produzindo um barulho idêntico ao de uma turbina, parou a poucos metros de onde estavam. Porém, com a maré subindo cada vez mais, toda a equipe, inclusive ele, permaneceu cerca de dez horas em cima de uma árvore. Quando decidiram ir embora, uma intensa luminosidade da cor do sol cruzou o rio a mais ou menos 2.000 m do solo, emitindo um ruído pouco comum. A entrevista iniciada na edição anterior acaba exatamente neste ponto de sua narrativa, e para quem está curioso em saber o que aconteceu ao coronel Uyrangê, aqui vai o restante de suas fantásticas memórias.

O senhor estava falando de um contato que teve ao lado de outros membros de sua equipe, próximo a uma olaria em Belém. Enquanto examinava o local onde Luís teve seu avistamento, seus companheiros adentraram a olaria e o senhor permaneceu do lado de fora. O que puderam observar? Bom, como tínhamos que voltar lá para fazer as anotações necessárias (pois marcávamos tudo, desde horário, altura, direção etc), e não havíamos levado nada, nem comida ou café, Luís se propôs a ir até sua casa – um casebre à beira do rio – para nos trazer café, bolacha e água. Ele saiu com um barquinho em direção a uma ilhota de uns 15 ou 20 metros de largura, mas muito comprida. Um garoto de uns 9 anos de idade foi com ele. Eles foram remando e desapareceram nessa ilha.

O senhor quer dizer que os dois sumiram em frente aos olhos de todos os outros membros? Isso mesmo. Logo que Luís desapareceu, fiquei em pé, em cima do toldo do barco. Enquanto isso, os agentes comentavam sobre o que estava acontecendo, mas como eu era o chefe, não podia me dar ao luxo de ficar conversando. Tinha que ficar alerta. Foi então que, à minha esquerda, próximo ao início do rio, veio uma luz muito forte (a mesma luz amarela). Enquanto ela se aproximava, fiquei quieto. E como aquela claridade continuou se aproximando, chamei a atenção dos agentes para o fenômeno.

Esses agentes estavam equipados com máquinas fotográficas para registrarem o episódio? Sim. Logo que notaram a presença do objeto, prepararam máquina fotográfica, filmadora, tudo. Aquela coisa veio em nossa direção a uns 200 ou 250 metros de altura. Cruzou por cima da gente e quando chegou perto, na margem do rio, apagou-se. Era uma luz amarela e muito forte, como se fosse um sol, e a gente não via seu formato, somente o clarão. De repente, pudemos notar que objeto tinha uma forma estranha de bola de futebol americano, pontuda e grande (mais ou menos uns 100 m). Um aparelho translúcido, com janelinhas em toda a sua extensão. Porém não pude perceber se havia alguém lá dentro, apesar de ter passado devagar como se fosse de propósito. A filmadora estava acionada e como emitia um ruído, pedi para que o agente que a estava manejando, um japonês, parasse de filmar, porque eu queria tirar algumas dúvidas e não desejava interferência de sons. Então o cinegrafista parou.

Depois que ele desligou a filmadora, puderam-se ouvir barulhos mais nítidos que identificaram aquele fenômeno? O cinegrafista perguntou: “Você está ouvindo?”. Respondi que sim. Era um barulho de catraca, esquisito e oscilante. Depois continuamos filmando e fotografando até que a coisa foi embora, seguindo rumo ao continente. Isso aconteceu entre 11:00 e 11:30 h, conforme o relatório. Já faz muitos anos, mas, recordo-me do horário. Após esse episódio, comentamos: “Mas que troço esquisito”. Por volta de 01:00 ou 01:30 h, ela voltou, só que não era mais da cor do sol: era de um azul muito forte e acompanhou a margem oposta do rio. Quando chegou perto da ilha, foi em direção a Belém, mas estava muito baixa, passando sobre as copas das árvores.

Essa foi a situação mais complicada da qual foram testemunhas? O avistamento mais extraordinário dentro da Operação Prato? Foi. Aparentemente, a luz se aproximou de Belém, depois voltou em nossa direção. Víamos através das copas das árvores que tinha uma luz lá em cima e que ela havia penetrado a mata.

Vocês chegaram a fazer cálculos da distância em que o UFO permaneceu? Como ele estava à nossa frente, fui até lá por curiosidade e para colher dados exatos para o relatório. Sua distância era 70 m. Aquele monstro azul, embora tivesse um brilho muito forte, podia ser olhado diretamente sem que ardesse as vistas. Não havia nada, apenas aquela luminosidade forte. Um troço incrível. Ficamos parados a observá-lo. Então fiquei com medo, porque estava muito perto, do outro lado do rio, ou seja, à mesma distância de uma trave à outra num campo de futebol. Aquele objeto ficou parado durante uns três minutos. Enquanto isso, olhávamos em silêncio. De repente, a luz se apagou rapidamente e pudemos ver o que estava por trás dela.

E o que era, coronel? Algum objeto diferente? Era novamente a bola de futebol americano em pé, a 100 metros de altura, parada e sem janela alguma. Devia ser o mesmo UFO, só que com o interior apagado. Sei lá, alguma coisa desse tipo. Todo mundo ficou com medo. Uma das pessoas ainda perguntou: “E agora? E se esses caras vierem e carregarem a gente, como é que fica?” Tudo era novidade para nós e ninguém sabia o que poderia acontecer daí para frente.

Coronel, o senhor está a par do fato de que esse tipo de ocorrência na Amazônia não é uma coisa comum em outros lugares do mundo? Na sua opinião, por que essas naves insistiam tanto em aparecer nas regiões Norte e Nordeste, principalmente perto da Amazônia, e quais eram os objetivos delas? Não, não sabia que casos como esse eram raros. Sob meu ponto de vista, o qual expus a alguns amigos, passei a me interessar muito mais pelo assunto depois que terminei meu trabalho na Aeronáutica. Para mim, Ufologia é um assunto muito sério. Descartava muita coisa acerca de avistamentos ufológicos, por nunca ter visto nada que pudesse me dar certeza. Depois que vi uma nave, quis entender o fenômeno, e como oficial de operações de selva quis tirar minhas próprias conclusões. Mas não podia colocá-las no relatório, porque eram pessoais, resultado de um estudo aprofundado. Tivemos muito contato com tribos indígenas, por isso, preocupávamos-nos em não transmitir a eles doença de espécie alguma, pois os índios não tinham anticorpos, ao contrário de nós. Podíamos passar gripe, sarampo, difteria, tuberculose, enfim...

Seria uma tragédia? Com certeza, porque nós temos controle em nosso corpo. Nosso organismo tem defesas, e o deles não. Daí minha preocupação de que mesmo cumprindo a missão, involuntariamente, tivéssemos transmitido doenças aos índios. Felizmente nunca houve um caso desses. Não me lembro de ter prejudicado algum índio dessa maneira. Concluí outra coisa a respeito de por que aqueles seres estariam fazendo isso. Se eu fosse eles e precisasse de um aparecimento aberto, franco, direto, o que teria que fazer? Proteger a mim e a meus companheiros. Mas como? Sabendo o que cada um possui dentro de seu próprio organismo que possa danificar o meu, entende? Essa defesa só poderia ser feita se tivesse uma amostra do nosso sangue e tecidos. Não foi difícil imaginar que eles estivessem fazendo coleta de material genético, para ver o que contínhamos que pudesse danificá-los num contato necessário futuro, certo? Não só sangue, mas também nossas células. Não sei ao certo o que essa luz com alta energia podia fazer, ou se transportava partículas do corpo humano para serem analisadas mais tarde. Hoje ainda não compreendo o tal processo de clonagem. Na época, não pensei em nada disso, a não ser que eles estavam coletando material que pudesse prejudicá-los num possível contato próximo.

A população ribeirinha imaginava que a intervenção deles seria uma agressão? Ela chegou a se armar para se defender desse tipo de fenômeno? Claro, eles imaginavam estar sendo atacados por algum ser maldoso, como um vampiro ou um morcego...

A luz acompanhou a margem do rio, alterando sua cor da amarela à azul, seguiu em direção a Belém, sobrevoando próxima a copa das árvores, para depois voltar em nossa direção

Vocês estavam agindo em sigilo absoluto? Não. Os populares pensavam que eram coisas que vinham de fora, de outro planeta. Eles já viam formas estranhas e luzes antes de mim. As naves também, pois demorou muito para eu observá-las.

A população ribeirinha dessas regiões andava armada? Sim, a população que vivia às margens do rio usava foguete, andava armada com espingardas de cartucho e de caça.

Vocês documentaram isso através da Operação Prato? Foi relatado que eles portavam armas. Alguns até atiravam, e eu só dizia para não fazerem isso. O próprio padre falava que não havia motivo para tanto: “Vocês nunca vão fazer nada. Quem tentar lhes apontar uma arma ficará 15 dias dormente, imobilizado na rede”.

Coronel, essa experiência que o senhor acabou de descrever teve alguma influência em sua vida, em sua forma de ver o mundo? Isso aconteceu no final da Operação Prato? A Operação Prato foi até quando a Aeronáutica mandou interrompê-la. Esse relato foi passado ao meu comandante, dizendo tudo a respeito de como foi a coisa. Posteriormente, o filme foi revelado e assistido no auditório do Quartel General por vários oficiais.

Quais foram suas conclusões a esse respeito? Não havia dúvidas. Não tínhamos visto a forma do objeto na hora em que se deu o avistamento. Só fomos ver depois da impressão fotográfica. A coisa tinha no alto uma porta aberta, como a de um Boeing. Não havia ser algum dentro do objeto, na fotografia também não aparece nada, exceto um feixe de luz em direção ao barco onde estávamos. Dessa abertura parecia que alguém focava em nossa direção. Na ocasião, a luminosidade era tão forte que nos impedia de ver qualquer forma no interior daquela bola azul enorme.

Com uma declaração desse nível, uma coisa extraordinária como essa, por que o Comar e a Aeronáutica desativaram a Operação Prato em apenas três ou quatro meses de trabalho? Olha, talvez tenha sido por causa da especulação da população. São perguntas que não podem ser respondidas. Quem são, por exemplo, ninguém sabe. Talvez quem esteja mais avançado sejam os americanos, os russos. De onde vêm? Não há resposta. O que eles querem? Também não sabemos. São as três questões feitas e que ninguém pode responder – o que desmoraliza a Força Aérea e o Governo Brasileiro.

Mesmo assim, não compensaria à Força Aérea manter o projeto em busca dessas ou de outras respostas? Por que fechá-lo? E como foi que essa ordem chegou? Se eu fosse o comandante, continuaria. Mas eu só obedecia, e a ordem era parar. E assim foi cancelada a operação, quer estivéssemos satisfeitos ou não.

O senhor acatou e bateu continência? Sim, pois já tinha acabado. A conclusão sobre a coleta de material para fazer antídoto, vacina, solução sorológica que inibisse qualquer incidência de moléstia no corpo desses alienígenas, a partir do sangue ou do material colhido do corpo humano, foi exposta quando visitei Rafael Sempere Durá, em São Paulo. Depois de uma longa conversa, mostrei minha opinião. Ele disse que essa era a explicação mais lógica que ouviu a respeito do Chupa-chupa, porque o que se ouvia era falar em agressão, e eu discordava: “Não foi agressão de forma alguma. Foi pesquisa ou coleta de material, como alega Jacques Vallée”. Sempere me agradeceu, dizendo: “Foi a explicação mais lógica que eu ouvi até agora”.

Depois que a operação foi encerrada, o material que vocês coletaram permaneceu em Brasília ou em Belém? Em Belém. Várias vezes eu tentei escrever um relatório final, pois o original era parcelado, caso a caso. Por exemplo, se numa noite o fenômeno se manifestava três vezes, então tinha que ser feito um relatório. Pelo que eu escrevia, baseado em tudo que via, achava que em Brasília iam me chamar de louco, pois eles não estavam lá para presenciar.

Mesmo depois do encerramento da Operação Prato o senhor continuou pesquisando, investigando, fazendo suas vigílias? Como é que foi isso? Teve alguma outra experiência interessante? Bem, nunca relatei isso. Estou abrindo exceção para você, Gevaerd, em altíssima confiança, por sua seriedade, porque já estou com 60 anos de idade, daqui a pouco faço 70. Isso se eu chegar lá e não desaparecer antes... Eu estava em casa, tinha recebido uns livros que solicitei a Bob Pratt – o qual me visitou logo no início da Operação Prato.

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Na representação gráfica à esquerda, pequenas naves são expulsas do aparelho maior. Ao lado, o estranho ser que visitou Hollanda em seu quarto, que trajava roupa semelhante à de astronauta e estava mascarado

O que ele queria com o senhor? Qual era o interesse dele? Quais outros ufólogos o procuraram para saber a respeito disso? Conversar comigo. Ele queria saber sobre o que tinha havido, porque ele esteve na Ilha dos Caranguejos, e eu não sabia da existência desse local nem do que tinha ocorrido por lá. Depois mandei verificar a área. Dentre os ufólogos que me procuraram na época, estão: Mark Berezowski, general Uchôa, um ufólogo argentino, cujo nome não recordo, Jacques Vallée e Reginaldo de Athayde. Nunca mais mantive contato com Berezowski, mesmo depois de suas cartas e telefonemas. Não tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, porque minha mulher não concordou em hospedá-lo em casa. Jacques Vallée falou comigo anos depois e me deu até um livro de presente.

O senhor estava autorizado a declarar alguma coisa a esses ufólogos naquela época? Caso tenha falado algo que pudesse comprometê-lo, esses pesquisadores mantiveram suas palavras, respeitando sua posição perante a FAB? Eu conversava com eles sobre o assunto, eles até viram algumas fotografias. Apenas pedi a eles que respeitassem minha posição, pois não podia divulgar alguma informação, o que compreenderam perfeitamente bem. Continuaram trocando correspondências comigo. Eu era freqüentemente consultado sobre alguns casos, inclusive por ufólogos internacionais, da Espanha, EUA etc.

Como eles mandavam casos para o senhor analisar e emitir um parecer? Através de Rafael Durá, de Osni Schwarz [Editor: nesse instante Uyrangê volta a falar sobre sua experiência inédita ao receber os livros de Bob Pratt]. Eu lia todos os livros para me aprofundar mais em Ufologia, humanóides, aparecimentos, abduções, outras coisas, e assim pude me munir de mais conhecimentos sobre a temática. Já não tinha mais nada com a Força Aérea, mas continuava interessado pelo assunto. Sempre empilhava meus livros sobre uma estante. Um dia, estava deitado, lendo uma obra que não tinha nada a ver com Ufologia, enquanto minha filha, ainda pequena, lia uma revistinha de criança. De repente, os livros se deslocaram como se tivessem sido pegos e a pilha inteira caiu no chão. Ressalto que morava na Vila Militar, bem distante da rodovia, onde não havia trepidação de carro que justificasse a causa de tal circunstância.

Eles estavam empilhados na vertical? Quando eles bateram no chão, claro que a pilha desmontou, mas os livros não se espalharam. Eles vieram empilhados até o chão. Minha filha Daniela assustou-se e perguntou: “Pai, que engraçado... Como é que os livros caíram?” Nessa mesma hora, minha mulher estava no andar de baixo, preparando mamadeira para as crianças, quando algo semelhante aconteceu: a bandeja em que estavam os copos e talheres saiu voando da pia, flutuando por toda a cozinha, e então caiu, sem quebrar um copo sequer, apesar do barulho de louça que ouvi de onde eu estava. No momento em que catava os livros do chão, brinquei com minha filha para que ela não tivesse medo. Coloquei-os no lugar e falei: “Vocês estão querendo que eu leia”. Então abri um livro numa página qualquer. Logo em seguida aconteceu o incidente com a bandeja de louças. Pelo barulho pensei que tivesse machucado alguém, cortado talvez.

E o que sua esposa achou disso tudo, coronel? Desci as escadas correndo e, nesse meio tempo, minha esposa vinha subindo com os olhos arregalados, dizendo que não ficaria sozinha, ainda mais diante daquele fenômeno. Perguntei a ela o que havia acontecido: “Não sei. A bandeja saiu voando e foi parar no meio da pia”. Eu não entendi muito bem a história. Levei, então, um copo d’água para ela.

E os fenômenos ficaram por isso mesmo? Dois ou três dias depois, eu estava dormindo, por volta da meia-noite. Estava numa espécie de desligamento, mentalização, deitado junto à minha mulher. De repente, adentrou meu quarto um clarão muito forte, seguido por um estalido, iluminando tudo. Assustei-me ao ver um troço tão estranho. Imediatamente, apareceu um ser atrás de mim, abraçando-me. Achei a situação meio esquisita. Além disso, tinha outro ser na minha cabeceira, que media 1,5 m, estava vestido com uma roupa semelhante à de astronauta ou de mergulho.

Um colante? Ou neoprene, aquele material usado na fabricação de roupas de surfistas? Era muito fofa, não era colada ao corpo. Não cheguei a ver seu rosto, mas era cinza, tinha uma máscara parecida com a de mergulho, o olho não dava para detalhar. Eu estava muito assustado por causa daquele “bicho” que me abraçava e apertava por trás, sussurrando em meu ouvido em Português: “Calma, não vamos te fazer mal”, com uma voz metalizada, como som de transmissões computadorizadas.

E sua esposa? Continuou dormindo, sem saber da presença do “baixinho” que estava em minha cabeceira, apertando-me na cama. Não gostei da sensação e da atitude dele. Logo em seguida, outro estalido e o clarão desapareceu, deixando-me muito assustado.

Houve lapso de tempo? Não me lembro. Fiquei raciocinando se não foi apenas um sonho. Mas o troço era muito esquisito e eu ouvi dois estalidos. Não me recordo se fui beber água. Acho que desci para tomar alguma coisa, whisky, sei lá...

Esse fenômeno voltou a acontecer nos dias seguintes? No outro dia, fui para o quartel para hastear a bandeira e bater continência ao som do Hino Nacional. Minha mulher sempre fechava o portão da garagem quando eu saía para trabalhar, por causa dos cachorros e das crianças. Tinha, nessa época, um Alfa Romeo azul marinho. Quando meti a chave na porta do motorista para abri-la, a porta do outro lado abriu-se sozinha, sem ao menos eu ter tocado no veículo. Ao ver aquilo, minha mulher ficou assustada. Eram muitos fenômenos inexplicáveis que vinham acontecendo. Olhei para meu suposto companheiro e disse, em tom de gozação: “Você não vai andar muito. A viagem é curta”.

O senhor sentiu alguma coisa, talvez uma dor de cabeça? Aí eu me sentei no carro, e quando estiquei a mão para fechar a porta, ela o fez sozinha. Minha esposa assustou-se ainda mais. Fui embora, seguindo rumo ao quartel. Ao hastearmos a bandeira, meu braço esquerdo começou a coçar muito. Eu já estava doido para que a cerimônia acabasse, pois não podia tirar a mão da pala para me coçar. Quando olhei para meu braço, ele estava vermelho. Achei aquilo muito esquisito [Editor: até hoje em seu braço apresenta-se a mesma marca avermelhada].

O senhor acha que isso tudo foi conseqüência do quê? Calma, já chego lá. Meu braço continuou coçando. Por curiosidade, num certo dia, apertei a pele e, ao fazê-lo, apareceu um “troço”, como se fosse um pedacinho de plástico.

Se eu fosse o comandante, continuaria as pesquisas. Mas eu só obedecia, e a ordem era parar. Assim a Operação Prato foi cancelada, quer estivéssemos satisfeitos ou não

Já fez algum exame de raio X? Já. No raio X não aparece nada. Mas aperte aqui e sinta. [Editor: ao apertar o local, pude sentir alguma coisa pontuda, que mais parecia uma agulha].

Algum outro componente da equipe apresentou qualquer tipo de marca pelo corpo? Sim, o Flávio. Descobri isso quando todo mundo quis ver o meu ferimento. Ele também possuía a mesma marca na perna esquerda, numa das coxas. Ele acabou falecendo por causa de derrame, em virtude do ferimento na perna. Depois eu conversei com um médico, amigo meu, para o qual mostrei meu braço. Ele me convidou a ir até o hospital para fazer exames. Numa das vezes que fui a São Paulo e conversei com Rafael Sempere Durá, ele pegou uma bússola pequena e pediu permissão para dar uma olhada, colocando o aparelho sobre a minha pele.

Uma evidência física sem precedentes... Os ponteiros da bússola ficaram alterados. Se através de um exame radiológico não se pôde ver absolutamente nada, comentei com Rafael que queria mandar abrir a pele. Ele me aconselhou que não o fizesse.

Mudando de assunto, o coronel tem conhecimento de que o Governo Brasileiro continua fazendo pesquisas ufológicas, seja na Amazônia ou em outro lugar, a respeito desse fenômeno? Pesquisa com determinação, com base em um programa, acredito que não. Pelo menos não tenho qualquer informação a esse respeito. Primeiro, porque estou fora, na reserva. Tenho muito pouco contato, a não ser financeiro, com o Ministério da Aeronáutica. Possuo amigos lá, mas nunca ouvi falar que o órgão tenha ido investigar qualquer tipo de projeto ou eventualidade, como o caso dos F-5.

O senhor acha que deveria haver então um programa de pesquisas mantido pelo Governo? Na minha opinião, parece que sim. Eu mesmo tenho minhas razões pessoais para crer nisso, mas mesmo que não as tivesse, se eu fosse comandante, mandaria.

crédito: uyrangê hollanda
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Quando a luz do UFO se apagou, Hollanda pôde perceber que ele era semelhante a uma bola de futebol americano, translúcido e pontudo

O que o senhor imagina que foi feito da Operação Prato? Dos documentos? Das fotografias? Existe alguém tomando conta desse material todo? Creio que tenha sido arquivado, pois não foi dado muito valor a ele. Não tive conhecimento de qualquer repercussão no Ministério da Aeronáutica. Quanto às fotografias, não foram enviadas as 500 para eles. Seguiram apenas as que constavam no relatório e alguns negativos. A maioria delas ficou conosco, guardada nos arquivos do Comar, e ninguém consegue obter informação a respeito. A seção a qual eu pertencia é onde se encontram arquivados os quatro filmes batidos e as fitas de vídeo. Na época, o Ministério da Aeronáutica iria ficar com apenas um rolo, mas confiscou inclusive os outros três que pertenciam a mim, que foram comprados com meu dinheiro e, assim mesmo, a Aeronáutica nunca os devolveu.

Nunca pensou em guardar um souvenir desse material? Não. Veja bem: já falei que adoro a FAB, ainda mais quando estava lá dentro. Hoje, eu fico de fora, vendo como é que meus companheiros estão se sucedendo, o que estão fazendo para que ela prospere e engrandeça. Sempre tive um respeito muito grande pela Força Aérea e pelo meu serviço. Eu nunca faria isso com ela. Fiquei calado por 20 anos. Durante esse período, fui consultado várias vezes para que escrevesse ou prestasse alguma declaração.

Coronel, recorda-se de que publicamos umas fotografias em 1986 ou 1987 sem sua autorização? Isso trouxe algum problema para o senhor, para sua equipe ou para o Comar? Alguém foi punido por isso? Trouxe, sim, muitos embaraços. Eu fui mandado de Brasília para investigar por que aquilo tinha sido vazado, como aquela história tinha se tornado pública. Como o carimbo da Aeronáutica estava exposto, já que naquela época eu era o chefe dessa operação, como é que aquilo saiu? De minha mão não foi. Ninguém saiu punido por isso, pois a verdade sobre como as coisas vieram à tona nunca foi descoberta.

O senhor acha que a publicação dessa matéria na íntegra pode causar mais embaraço? E para os militares que permanecem na Aeronáutica, que sabem que existem esses documentos e que a população tem o direito de conhecê-los? Hoje não. Minha missão foi cumprida. Minha carreira se esgotou em 36 anos de trabalho.

O senhor não acha que esses documentos deveriam ser liberados para o público? Isso já é decisão do comando. Se liberarem, irão surgir muitas indagações que o Ministério da Aeronáutica e Governo Brasileiro não estão aptos a responder. Para evitar constrangimentos, não se fala nada. Uma vez eu estava assistindo a um programa do apresentador Flávio Cavalcanti. Num interrogatório sobre isso, um cara perguntou por que os UFOs não pousam no Maracanã para todo mundo ver? Se acontecer um caso desses, um pouso na Esplanada do Planalto, aí não tem jeito. Acredito que num futuro próximo “eles” possam ser até um pouco mais abusados. Do jeito que está, em menos de um ou dois anos, acontecerá um contato claro, aberto para toda a população, que será transmitido pelas televisões do mundo.

Falece Uyrangê Hollanda

Ufologia Brasileira mal chegou a conhecer o homem a quem passou a dever tanto desde outubro passado. Faleceu o coronel Uyrangê Bolivar Soares Nogueira de Hollanda Lima, nosso entrevistado nesta e na edição anterior, o homem que comandou a Operação Prato. A notícia de seu falecimento, ocorrido em 02 de outubro, às 23:00 h, foi um choque para todos os que o conheciam – e ainda maior para os que o admiravam.

A Equipe UFO tinha relacionamento, ainda que distante, com o coronel Hollanda há quase 10 anos, quando publicamos – sem sua autorização – algumas fotos e relatórios que descobrimos acerca da operação que chefiou na Amazônia. O que poderia ter sido o começo duma inimizade acabou em algo bem diferente: uma sólida amizade que, após todos esses anos, vínhamos a consolidar com este notável e cativante militar. Desde a publicação das fotos, o coronel observava a trajetória de nossas revistas e, quando este editor esteve no programa Fantástico em julho passado, denunciando o sigilo que os governos impõem aos UFOs, ligou-nos para expressar seu contentamento com nossa persistência.

Dessa atitude surgiu a amizade, a qual nos permitiu entrevistá-lo ineditamente em sua residência, em Cabo Frio (RJ). Através do trabalho, cuja primeira parte foi publicada em UFO 54 e a finalização está nesta edição, o Brasil e o mundo puderam tomar conhecimento dos meandros da mais extraordinária operação militar de pesquisa ufológica de que se tem notícia, inteiramente idealizada, coordenada e conduzida pelo coronel Hollanda. Não são somente os ufólogos brasileiros que lhe rendem homenagem, mas toda a Comunidade Ufológica Mundial, que conheceu, fascinada, sua inestimável contribuição.

O coronel deixa filhos de seus dois casamentos, em Belém e no Rio de Janeiro. Viúvo do primeiro relacionamento, depois de alguns anos conseguiu encontrar paz de espírito no segundo, com a senhora Cecília Maria Vianna de Aguiar, com quem morava num belo apartamento no litoral do Rio. Seus filhos podem orgulhar-se do pai que tinham, admirado e respeitado nos mais diversos segmentos militares brasileiros. Oficial na reserva da Aeronáutica já há cinco anos, Uyrangê acumulou méritos por ter se destacado brilhantemente em cada uma das funções para as quais foi designado.

Quando em sua residência, durante a entrevista, este autor e o co-editor de UFO Marco Antonio Petit puderam testemunhar sua vivacidade, objetividade e extrema cultura. Homem simples, porém self made, Uyrangê tinha perfeita memória dos mais diversos episódios que viveu na Selva Amazônica em mais de 30 anos de atividade militar. Entre uma pergunta e outra, deliciava nossa equipe contando intrincadas histórias pelas quais passou. Numa delas, um naufrágio num rio da Amazônia, descreveu-nos detalhada e lucidamente como sobreviveu 13 dias sem comida.

Toda a Equipe UFO, aqui representando o coletivo da Ufologia Brasileira e todos os grupos a nós interligados em 46 países, ressente-se profundamente com a perda representada pelo passamento tão precoce desse personagem que, embora ainda pouco conhecido de todos, contribuiu imensamente para que “nossa causa”, a partir de sua entrevista, fosse tratada com maior seriedade. Obrigado, Uyrangê, onde quer que você esteja!

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