Edição 174
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Importantes religiosos já defendem a abertura

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01 de Feb de 2011
George Coyne, para quem a Igreja tem que participar do esforço científico internacional de procura de vida no espaço
Créditos: Vatican News

Corrado Balducci era um religioso diferente. Até falecer, em 20 de setembro de 2008, o monsenhor foi um ardoroso defensor da existência de vida extraterrestre inteligente visitando a Terra. Amigo íntimo do papa João Paulo II, respeitado e admirado em todo o mundo católico, causou grande agitação no meio ufológico, nos anos 90, com declarações que impactaram a ala conservadora da Igreja Católica. Entre outras coisas, Balducci admitiu em um congresso de Ufologia que é “real a possibilidade de que outras criaturas inteligentes vivam na imensidão do espaço”. Para ele, tal existência seria um sinal inequívoco da glória de Deus. Isso não é novidade para os ufólogos, mas um monsenhor fazer tal declaração é, no mínimo, algo digno de nota.

Com suas afirmações, o teólogo colocou ainda mais em evidência um assunto que há anos era debatido por alguns grupos de religiosos e ignorado por outros. Se não fosse Balducci uma das personalidades mais próximas do papa anterior, talvez suas opiniões não fossem levadas tão a sério — mas felizmente foram. “A Bíblia não se refere diretamente aos ETs, mas também não os exclui. A realidade dos UFOs é muito provável no infinito mistério da criação”, explicou o religioso, escancarando um tema que sempre foi mantido a sete chaves pelos governos da Terra e pelo próprio Vaticano. Mas sua intervenção na Ufologia não foi a única atividade polêmica que realizou — Balducci era considerado um dos exorcistas oficiais da Santa Sé.

Uma manifestação contundente de Corrado Balducci sobre a existência dos discos voadores, feita durante o Simpósio Mundial de Ufologia de San Marino, em 1999, chamou a atenção do mundo, que lhe abriu as manchetes. O organizador do evento, o ufólogo Roberto Pinotti, correspondente internacional da Revista UFO, tinha o monsenhor em elevada estima. “Ele é um homem sincero e culto, que não poderia ficar alheio à questão dos discos voadores”, disse ao apresentar o teólogo à platéia de San Marino.

Em sua palestra — provavelmente a primeira de uma autoridade católica em todo o mundo num congresso sobre UFOs —, Balducci fez questão de dizer que não é o único a pensar dessa forma no Vaticano. “Os religiosos também são abertos a este tema e muitos deles tiveram experiências com objetos não identificados”, disse, insistindo que a questão da vida fora da Terra é evidente e não pode ser ignorada. Mas o religioso foi ainda mais longe ao criticar as pessoas que não acreditam no Fenômeno UFO, fazendo referência ao grande número de casos ufológicos registrados em todo o mundo — inclusive de católicos. Ele respeitava o empenho de pesquisadores em desvendar a questão da presença alienígena na Terra, mas deixava claro que o Vaticano ainda não se envolveria com a questão — o que parece estar mudando agora, com novas recentes manifestações de seus membros, talvez inspirados no legado de Balducci, como o jesuíta José Gabriel Funes [Veja UFO 143, agora disponível na íntegra em ufo.com.br].

Descobertas de grande significado

A estrutura da Igreja vem recebendo informações sobre observações de UFOs e contatos com ETs há séculos, por parte de fiéis de todo o mundo. Tanto que decidiu construir um dos maiores e mais bem equipados observatórios astronômicos da Terra, no deserto do Arizona, Estados Unidos. O objetivo era contribuir especificamente na busca de planetas capazes de sustentar algum tipo de vida. O primeiro diretor do centro de pesquisas foi George Coyne, que disse na época que “a Igreja tem que participar desse esforço científico internacional de procura de vida no espaço”. Balducci enfatizou a posição de sua congregação: “Não podemos ficar alheios a estas descobertas, que têm grande significado para a humanidade”.

O que pouca gente sabe é que a Santa Sé conhece a realidade dos UFOs há muito tempo. A Enciclopédia Católica, editada pelo Vaticano e porta-voz do pensamento oficial da Igreja de Roma, trata deste assunto no capítulo intitulado Habitacional dos Mundos. O texto diz que a doutrina não afirma nada explicitamente sobre a existência dos UFOs, mas esclarece que se um dia a ciência conseguir provar que em outros planetas existem seres racionais, como os humanos, serão obras divinas. E ainda afirma que “a filosofia explicará a origem destes ‘homens’ do mesmo modo que elucidou a nossa, recorrendo ao argumento da causalidade que postula o Ser Criador. Já a teologia nos convidará a glorificar a grandeza, bondade e prodigalidade infinita de Deus”.

crédito: Arquivo UFO
O notável monsenhor Corrado Balducci, que revolucionou a forma como o Vaticano lida com a questão da vida extraterrestre
O notável monsenhor Corrado Balducci, que revolucionou a forma como o Vaticano lida com a questão da vida extraterrestre

O Fenômeno UFO já é tema de discussão de influentes sacerdotes da Igreja Católica há quase 100 anos. O padre Secchi, então astrônomo da chamada Companhia de Jesus, e o padre Montsabré, na época um pregador dominicano de grande influência em Roma, admitiam a possibilidade da existência de criaturas extraterrestres inteligentes — mas de forma bem mais comedida do que Balducci e, agora, Funes. Eles afirmavam a existência de ETs adicionando a suposição de que também seriam pecadores. Assim, mostravam que seria possível que Deus tivesse estendido a eles os méritos de Jesus Cristo. Deste modo, a Igreja nem confirmava e nem negava totalmente o Fenômeno UFO. Bem cômodo.

Mais contundentemente, um importante decano da Faculdade de Teologia da Universidade Católica da América, em Washington, pronunciou-se a respeito do assunto em 1952. Era o padre Francis Connel, que acreditava em vida extraterrestre. “Não há nada de contrário à fé admitir que existam criaturas racionais em outros corpos celestes. Os estudiosos não podem estabelecer um limite para a onipotência de Deus”, disse citando o documento Dieu Créator, redigido pelo teólogo George van Noort. Mas suas declarações não foram levadas muito a sério. Pelo menos, não tanto quanto as de Balducci e, agora, as de Funes — até porque, os tempos agora são outros e há, aparentemente, um processo que visa aproximar o Vaticano da verdade sobre a presença alienígena na Terra. “É hora de se derrubar certos dogmas e de falarmos abertamente”, declarou um Balducci pragmático e vanguardista.

Somente em sua versão de 1998, entretanto, é que o Dicionário do Vaticano fez referência pela primeira vez a objetos voadores não identificados, traduzindo-os com a expressão res inexplicata volans. Já a Bíblia menciona intrigantes passagens sobre a vida de profetas em que, entre outras coisas, descrevem observações de UFOs e contatos com ETs. O arrebatamento de Enoque, a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra e até a ressurreição de Jesus Cristo teriam interpretação ufológica clara. Uma das passagens bíblicas que melhor expressa a existência do Fenômeno UFO é aquela que mostra que Deus é também senhor de outras civilizações espalhadas pela imensidão cósmica: “A casa de meu Pai tem muitas moradas”.

Discos voadores há mais de 4.000 anos

Polêmico e curioso é o mínimo que se pode dizer deste trecho da Bíblia. Isso sem falar nas constantes aparições da Virgem Maria ainda nos dias de hoje, que muitos ufólogos bem informados — e alguns teólogos também — crêem ser manifestações ufológicas. E não são somente as escrituras que deixam os pesquisadores intrigados: o período renascentista também acendeu inúmeras perguntas através de pinturas que simbolizam passagens bíblicas. O quadro Anunciação é um exemplo. Ele retrata a concepção de Jesus Cristo de maneira bastante perturbadora, mostrando um raio de luz direcionado para a Virgem Maria [Veja edição UFO 065, agora disponível na íntegra em ufo.com.br].

crédito: Sophia
 padre Piero Coda, que declarou que os alienígenas, se existirem, também seriam filhos de Deus
Padre Piero Coda, que declarou que os alienígenas, se existirem, também seriam filhos de Deus

Há outros registros históricos, tão ou mais antigos do que a Bíblia, que também contêm interessantes descrições de acontecimentos ufológicos. O texto hindu Mahabarata, por exemplo, descreve discos voadores observados na Índia há 4.000 anos. Porém, como uma das mais antigas e tradicionais religiões do planeta, a Igreja Católica é a que mais tem a esconder sobre o tema. Talvez, a partir de agora, esse quadro comece a mudar. Além de Balducci, e agora Funes, outro importante teólogo do Vaticano a defender a realidade da presença alienígena na Terra foi o padre Piero Coda. Ele declarou que, se existirem seres inteligentes no universo, eles também foram criados por Deus. “Dessa maneira, estas criaturas também necessitam da redenção através das palavras salvadoras de Jesus Cristo”, teorizou.

Para Coda, a solidariedade religiosa fará com que os aliens conheçam o caminho da salvação de Deus, podendo até haver algum enriquecimento cultural para nossa civilização, como aconteceu no passado, quando a cultura européia descobriu outros continentes. Balducci também achava que os ETs eram muito superiores aos homens terrestres e, portanto, poderiam nos ajudar. Mas o que ele fez de melhor foi condenar com veemência cientistas que menosprezam o Fenômeno UFO, suas testemunhas e pesquisadores. “Não se deve destruir o relato de pessoas que viveram esse tipo de manifestação”, lançou de sua tribuna no evento de San Marino. E arrematou: “Que diferença faz se os anjos, em vez de asas, tiverem astronaves? Se existem, não são uma ameaça”.

A dona de todos os segredos está cedendo

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