O Homem-mariposa e os UFOs: Existe uma conexão?

A conexão com UFOs é forte, pois muitos dos encontros com o Homem-Mariposa ocorreram simultaneamente com avistamentos de UFOs e outros fenômenos inexplicáveis, integrando-o ao campo da ufologia

Thiago Ticchetti
16 minutos de leitura

Entre as décadas de 1960 e 1970, poucos casos de alta estranheza causaram tanto impacto quanto o do Homem-mariposa, a enigmática entidade alada que teria surgiu em Point Pleasant, na Virgínia Ocidental. O que começou como uma série de relatos de uma criatura humanoide com asas e olhos vermelhos rapidamente se transformou em uma complexa teia de fenômenos, abrangendo avistamentos de UFOs, contatos imediatos com entidades não humanas, episódios de intimidação envolvendo Homens de Preto e até mesmo a relação entre aparições e tragédias iminentes. A história do Homem-mariposa, quando examinada sob uma lente mais ampla, transcende o campo da criptozoologia e se encaixa de forma surpreendente na narrativa ufológica contemporânea, sugerindo que ambas as manifestações podem fazer parte de um mesmo ecossistema de inteligências ainda desconhecidas.

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A Primeira Onda: Point Pleasant, 1966–1967

A sequência de eventos em Point Pleasant iniciou-se em 12 de novembro de 1966, quando trabalhadores de um cemitério em Clendenin relataram ter visto um ser alado voando sobre suas cabeças. Três dias depois, o casal Roger e Linda Scarberry, acompanhado por Steve e Mary Mallette, descreveu uma criatura que parecia saída de um pesadelo. Enquanto dirigiam próximo à chamada TNT Area, antiga instalação militar da Segunda Guerra Mundial, testemunharam um humanoide de olhos vermelhos incandescentes e asas enormes, cuja velocidade desafiava a lógica ao acompanhar um carro em movimento. A partir desse episódio, dezenas de moradores relataram encontros semelhantes, incluindo policiais e cidadãos sem histórico de relatos fantásticos.

Apesar da ausência de evidências físicas, a consistência nas descrições e o número elevado de testemunhas transformaram o caso em um dos mais estudados pelos investigadores da época. O escritor John Keel, enviado para cobrir a onda de aparições, descobriu rapidamente que não se tratava apenas de uma criatura desconhecida, mas de algo muito maior em escala e complexidade.

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Uma presença constante, que amendrontou toda uma cidade. Imagem criada por I.A.

O Céu se Abre: UFOs Sobre o Rio Ohio

Enquanto a população discutia o estranho ser alado, os céus da região passaram a exibir luzes e objetos que, para muitos, pareciam operar sob inteligências próprias. A jornalista Mary Hyre, correspondente do The Athens Messenger, registrou uma explosão de relatos que incluíam esferas luminosas, objetos cilíndricos pairando silenciosamente e luzes vermelhas que se moviam de forma inteligente sobre o rio Ohio.

Entre os casos mais emblemáticos estava o avistamento de um objeto prateado em Gallipolis Ferry, que sobrevoou a região antes de desaparecer na escuridão. Pouco tempo depois, testemunhas em áreas rurais passaram a relatar uma esfera vermelha pulsante que parecia “observar” residências próximas à TNT Area. A cor e o padrão luminoso lembravam, de maneira perturbadora, os olhos atribuídos ao Homem-mariposa.

No mesmo período, Woodrow Derenberger, um vendedor de West Virginia, relatou um encontro próximo à rodovia com um ser que se identificou como Indrid Cold, figura estranha, sorridente e telepática, vinda de um objeto voador desconhecido. O episódio ocorreu apenas algumas semanas antes dos primeiros avistamentos do Homem-mariposa e se tornou um dos pilares que ligam o fenômeno ao contexto ufológico da época.

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A Sombra dos Homens de Preto

À medida que os relatos se intensificavam, surgiram na região indivíduos que se apresentavam de maneira atípica, vestidos com roupas escuras, comportamento robótico e uma curiosa incapacidade de compreender objetos simples. A jornalista Mary Hyre relatou visitas de homens que faziam perguntas invasivas sobre avistamentos e testemunhas, demonstrando evidente desconforto social. John Keel, por sua vez, afirmou ter recebido telefonemas misteriosos, mensagens enigmáticas e previsões apocalípticas vindas de vozes metálicas e anônimas.

Esses episódios, que para alguns representavam elementos folclóricos, encaixam-se com precisão nos padrões conhecidos de interferência envolvendo Homens de Preto no contexto ufológico. A atuação desses indivíduos, somada à onda de UFOs e à presença da criatura alada, contribuiu para formar a sensação de que uma inteligência desconhecida manipulava e observava a população local de maneira sistemática.

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A Tragédia da Silver Bridge

O auge da onda de aparições coincidiu com um dos piores desastres da história da região. Em 15 de dezembro de 1967, a Silver Bridge, que conectava Point Pleasant a Ohio, desabou em pleno horário de pico, causando a morte de 46 pessoas. Para muitos moradores e estudiosos, a tragédia marcou não apenas o fim da onda de relatos, mas o encerramento de um ciclo de alta estranheza que parecia anunciar algo iminente.

A associação do Homem-mariposa com a tragédia produziu duas interpretações principais. Para alguns, a criatura seria um presságio, um harbinger, cuja aparição antecederia grandes eventos catastróficos, como já teria ocorrido em outros locais do mundo. Para outros, sua presença estaria ligada ao aumento da atividade ufológica na região, funcionando como indicador de um fenômeno maior que se manifestava de múltiplas formas. A explicação cética, por sua vez, sustenta que o desastre foi fruto de falhas estruturais, e que a associação com o Homem-mariposa não passa de reforço narrativo criado após os fatos.

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Teorias e Interpretações: O Que Era o Homem-mariposa?

A busca por explicação para o enigma do Homem-mariposa gerou uma série de hipóteses, e muitas delas dialogam diretamente com a ufologia. A mais influente, defendida por John Keel, propõe que o Homem-mariposa não seria um animal desconhecido, mas uma manifestação de inteligências não humanas que operam em múltiplos níveis de realidade. Para Keel, essas entidades — que ele chamou de ultraterrestres — seriam capazes de assumir formas distintas, ora aparecendo como luzes nos céus, ora como seres humanoides, ora como figuras aladas que fogem dos padrões biológicos conhecidos.

Outra teoria bastante difundida sugere que o Homem-mariposa poderia ser uma entidade interdimensional, cujas aparições resultariam de aberturas temporárias entre diferentes camadas de realidade. A ausência de sons em seus voos, a capacidade de desaparecer repentinamente e a sincronicidade com fenômenos aéreos avançados reforçam essa interpretação. Há ainda pesquisadores que consideram a hipótese de que a criatura seria um tipo de “drone biológico” criado por inteligências não humanas para monitoramento, hipótese que ganha força quando comparada com os padrões inteligentes observados nas luzes vermelhas registradas na região.

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As explicações biológicas tradicionais, embora presentes, ocupam espaço secundário, pois raramente dão conta dos estranhos comportamentos associados ao Homem-mariposa, como aparições repentinas, perseguições a carros em alta velocidade e coincidências com fenômenos ufológicos e eventos traumáticos.

Outros Homem-mariposas ao Redor do Mundo

Embora Point Pleasant seja o epicentro mais famoso, relatos de humanoides alados surgiram em diversos países, muitas vezes associados a tragédias ou eventos de alta estranheza. Em 1978, mineiros de Freiburg, na Alemanha, afirmaram ter encontrado uma criatura semelhante bloqueando a entrada da mina poucas horas antes de um desabamento, interpretando o evento como um alerta que salvou suas vidas. Em 1986, trabalhadores de Chernobyl relataram ter visto um “Pássaro Negro” sobrevoando a usina dias antes do desastre. No México, em 2004, policiais afirmaram ter sido perseguidos por um ser alado com olhos luminosos, e entre 2011 e 2018, a região de Chicago registrou uma onda de avistamentos de um humanoide alado que ficou conhecido como o “Homem-mariposa do Lago Michigan”.

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Esses casos, separados por décadas e continentes, mantêm padrões assustadoramente semelhantes: criaturas aladas de aspecto humanoide, olhos luminosos, aparições em áreas industriais ou próximas a grandes estruturas e coincidência com avistamentos de UFOs.

A investigação realizada por diversos pesquisadores

Diversos pesquisadores, jornalistas e autores investigaram a possível relação entre o Homem-mariposa e o fenômeno ufológico ao longo das últimas décadas, cada um contribuindo de maneira distinta para a construção dessa narrativa complexa. O nome mais influente nesse campo é certamente o de John A. Keel, que esteve em Point Pleasant durante a onda de eventos entre 1966 e 1967 e registrou não apenas os avistamentos da criatura alada, mas também a impressionante quantidade de ocorrências ufológicas e relatos envolvendo entidades não humanas e Homens de Preto. Keel percebeu que todos esses elementos faziam parte de um mesmo ecossistema de alta estranheza, hipótese que desenvolveu profundamente em seu livro “The Mothman Prophecies”, onde propôs a ideia de inteligências ultradimensionais manifestando-se de diversas formas, incluindo o próprio Homem-mariposa.

Outro investigador importante foi Gray Barker, conhecido por seu trabalho pioneiro sobre os Homens de Preto. Embora frequentemente visto como sensacionalista, Barker foi um dos primeiros a registrar a sobreposição entre avistamentos do Homem-mariposa e a presença de objetos voadores não identificados, além de identificar padrões de comportamento incomum entre testemunhas e habitantes da região. Sua influência ajudou a consolidar a ideia de que havia algo muito maior por trás dos relatos.

Loren Coleman também desempenhou um papel relevante ao abordar o fenômeno a partir da criptozoologia, mas integrando elementos de ufologia, psicologia e cultura popular. Em seus estudos sobre o Homem-mariposa, Coleman ressaltou a simultaneidade entre avistamentos de UFOs, a presença de humanoides e o clima emocional da comunidade, argumentando que o conjunto do fenômeno deveria ser analisado como uma manifestação interconectada.

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Em A Última Profecia, John Klein (Richard Gere) é um respeitado jornalista que está a procura da casa dos sonhos com sua esposa, Mary (Debra Messing) e acabam se envolvendo num acidente de carros. Enquanto ele não está ferido, sua mulher menciona o aparecimento de uma criatura em forma de mariposa que aparece. Com a morte da esposa, John vai à cidade de Point Pleasan para investigar os segredos por trás da figura mencionada no momento do acidente. Crédito “Adoro Cinema”.

A jornalista Mary Hyre, que trabalhou lado a lado com Keel, contribuiu com uma investigação de campo extremamente detalhada. Ela documentou dezenas de avistamentos de luzes estranhas nos céus da região, entrevistou testemunhas e acompanhou as tensões sociais que antecederam a tragédia da Silver Bridge. Seu trabalho serviu como base para muitas das conclusões posteriores sobre a relação entre o Homem-mariposa e ocorrências ufológicas.

Também é importante mencionar Ivan T. Sanderson, zoologista e pesquisador de anomalias, que, embora não tenha investigado o caso diretamente em campo, desenvolveu teorias sobre seres alados e fenômenos interdimensionais que influenciaram a forma como outros pesquisadores interpretaram o Homem-mariposa. Suas propostas sobre manifestações biológicas incomuns e possíveis interações entre dimensões foram amplamente utilizadas por Keel e outros estudiosos.

Autores mais contemporâneos, como Nick Redfern, aprofundaram as conexões entre o Homem-mariposa, os Homens de Preto e fenômenos associados à manipulação de realidade e inteligências não humanas. Em seus livros dedicados ao tema, Redfern argumenta que os eventos em Point Pleasant podem ter raízes em padrões mais amplos de atividades anômalas, que se repetem em diferentes regiões do mundo. Já Brad Steiger, autor voltado para o paranormal, destacou aspectos proféticos e simbólicos das aparições, sugerindo que o Homem-mariposa poderia funcionar como um indicador ou prenúncio de grandes eventos, frequentemente associados também à atividade ufológica.

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Por fim, Jeff Wamsley, historiador local e fundador do Mothman Museum, contribuiu significativamente para a preservação de registros, depoimentos originais e documentos relacionados tanto ao Homem-mariposa quanto aos relatos de UFOs ocorridos na mesma época. Embora sua abordagem seja mais histórica do que especulativa, Wamsley reconhece claramente a coexistência dos fenômenos e a necessidade de estudá-los em conjunto.

Seja interpretado como presságio, entidade interdimensional, observador não humano ou manifestação física de uma inteligência que opera além de nosso entendimento, o Homem-mariposa permanece como um dos casos mais intrigantes da interseção entre criptozoologia e ufologia. Sua presença coincide com ondas de UFOs, visitas de Homens de Preto, episódios traumáticos e relatos de entidades telepáticas, formando um mosaico complexo que desafia classificações tradicionais.

A história do Homem-mariposa não é apenas a história de uma criatura misteriosa. É a história de uma região inteira imersa em fenômenos, inclusive ufológicos, que extrapolam explicações convencionais, sugerindo que, por trás das aparições, exista um sistema de inteligências capaz de interagir com a realidade humana de maneiras múltiplas e imprevisíveis. No fim, o Homem-mariposa permanece como um lembrete inquietante de que talvez não compreendamos completamente as forças que nos observam — e que às vezes se revelam, ainda que por breves momentos, nos limites entre o real e o impossível.

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