Médico diz que viu o ET de Varginha: Contradições, Silêncios e o Mistério Que Persiste

Neurocirurgião Ítalo Venturelli diz que contato foi feito telepaticamente; entrevista é novidade em novo documentário do diretor americano James Fox. Depoimento traz contradições

Thiago Ticchetti
14 minutos de leitura

O Caso Varginha, ocorrido em janeiro de 1996, continua sendo o episódio ufológico mais famoso do Brasil — e um dos mais enigmáticos do mundo. Testemunhos de militares, policiais, médicos, bombeiros e civis compõem um mosaico de informações muitas vezes contraditórias, mas que, em conjunto, sustentam a hipótese de que algo extraordinário realmente aconteceu na cidade mineira. Dentro desse emaranhado de vozes, poucas chamam tanta atenção quanto a do médico Ítalo José Faria Venturelli, neurocirurgião de Varginha, cuja suposta participação no atendimento a uma criatura não humana tornou-se um ponto central nas investigações ao longo das décadas.

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Imagem gerada por I.A.

Contudo, suas declarações apresentam nuances, mudanças de tom e até contradições diretas, tornando-o uma figura tão enigmática quanto o próprio caso. Este artigo revisita suas falas, contextualiza seus depoimentos e analisa como eles impactam a narrativa já multifacetada do enigma de 1996.

O Contexto: Médicos no Centro do Caso

Relatos de que pelo menos uma das criaturas capturadas em Varginha teria sido levada ao Hospital Regional de Varginha (HRV) ou ao Hospital Humanitas surgiram poucas semanas após o incidente. Desde então, diversos nomes de médicos foram citados — alguns negaram participação, outros recusaram-se a falar, e alguns poucos deram declarações ambíguas. Entre eles, o nome do neurocirurgião Ítalo Venturelli passou a aparecer de forma recorrente nos bastidores da ufologia brasileira.

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Venturelli era, à época, um profissional respeitado, com carreira ativa e reconhecida na cidade. Sua suposta presença no atendimento emergencial à criatura é citada em investigações desde os anos 1990.

A Primeira Declaração: “Eu vi apenas a fita

Em depoimentos registradas por pesquisadores da época — alguns de maneira informal, outros em contatos diretos — Venturelli afirmou que nunca viu a criatura em si, mas apenas uma fita de vídeo que teria sido mostrada a ele por terceiros ligados ao atendimento emergencial.

Segundo esse primeiro relato:

  • A fita teria mostrado um ser estranho, não humano.
  • A gravação teria sido feita dentro de um ambiente hospitalar.
  • Venturelli teria sido chamado para dar uma opinião técnica, mas não participou de nenhum atendimento direto.

O conteúdo da suposta fita, até hoje nunca encontrado, descrevia um ser “de aparência incomum”, “cor marrom” e “movimentos lentos”, em sintonia com múltiplos testemunhos civis e militares colhidos na cidade.

Esse relato — ver a fita, mas não o ser — permaneceu como a versão mais difundida do neurocirurgião por anos.

A Declaração Posterior: “Eu vi o ET de Varginha”

Anos mais tarde, em nova conversa registrada por pesquisadores, Venturelli teria alterado significativamente sua narrativa, declarando que viu sim a criatura com os próprios olhos.

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Imagem gerada por I.A.

O conteúdo dessa alegação inclui:

  • Uma criatura de proporções pequenas, com cabeça maior que o corpo.
  • O ser estava em estado crítico, “muito debilitado”.
  • O atendimento ocorreu sob forte controle de militares e restrição absoluta de fala.
  • Venturelli não teria seguido como médico responsável, mas apenas participado da observação inicial.

Essa segunda versão é dramaticamente diferente da primeira — e, para muitos pesquisadores, representa um dos momentos mais importantes da fase tardia do Caso Varginha.

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As razões para essa mudança permanecem desconhecidas. Pesquisadores levantam algumas hipóteses:

1. Medo de repercussões profissionais

Ser associado ao maior caso ufológico do Brasil — e um dos mais controversos — poderia afetar uma carreira médica consolidada.

2. Pressão militar ou institucional

Diversos militares envolvidos no caso admitiram, mesmo que indiretamente, que forças superiores ordenaram silêncio absoluto. Venturelli poderia ter sido orientado a recuar.

3. Julgamento público

A mídia dos anos 1990 era extremamente crítica ao tema. Declarar ter visto um ser não humano poderia resultar em ridicularização nacional.

4. Mudança de consciência ao longo dos anos

Muitos investigadores perceberam que testemunhas do caso se sentiram mais à vontade para falar após décadas de distância do evento.

5. Dois níveis de verdade

Alguns testemunhos do caso Varginha apresentam um padrão repetido:
Versão cautelosa primeiro → versão completa anos depois. Venturelli encaixa-se perfeitamente nessa tendência. E isso não é desabonável!

Para o ufólogo Marco Antonio Petit, um dos principais pesquisadores do Caso Varginha, e presente na investigação desde o início, “é uma questão que temos que avaliar com cuidado. Ela (a segunda mais recente) está gerando duas visões diferentes. Por um lado existem aqueles que estão considerando essa mudança de uma forma negativa, gerando uma perda da credibilidade em relação até o que ele disse antes. Não posso descartar essa forma de ver as coisas. Por outro lado não seria a primeira vez, que testemunhas importantes resolvem falar abertamente toda a verdade sobre o que tiveram a oportunidade de vivenciar”.

O Papel de Venturelli na Estrutura do Caso

Mesmo com suas contradições, as declarações do neurocirurgião são consideradas relevantes por vários motivos:

  • Ele é um profissional de saúde altamente qualificado, treinado para identificar propriedades anatômicas e fisiológicas — ou seja, dificilmente confundiria um ser humano com algo não humano.
  • Seu nome aparece em múltiplas listas de médicos supostamente envolvidos, compiladas por pesquisadores diferentes e sem contato entre si.
  • O fato de ter mudado sua versão coloca-o na mesma categoria de outras testemunhas que, após anos, decidiram revelar mais detalhes.
  • Sua narrativa coincide com relatos de outros médicos e funcionários hospitalares que mencionam “um paciente não humano” naquele fim de semana.

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O pesquisador Vitório Pacaccini, que também investiga o caso desde o início, declarou, “em minha avaliação pessoal, é inquestionável que um profissional com o preparo, o renome e a estabilidade do Dr. Venturelli nada teria a ganhar — e muito poderia perder — ao vir a público afirmar que realmente examinou um ser extraterrestre no Hospital Regional de Varginha, em janeiro de 1996, sob escolta militar. Sabemos que, à época, todos os profissionais dos hospitais de Varginha foram pressionados e intimidados a manter silêncio absoluto. Nesse contexto, a coragem do Dr. Venturelli é não apenas admirável, mas libertadora.

Novos desdobramentos virão, a partir do determinante depoimento do Dr.Venturelli…é só uma questão de tempo! Portanto, saibamos trabalhar este tempo, com maestria. No âmbito da ufologia brasileira — a maior e mais atuante do mundo — aguardávamos há anos por alguém qualificado e diretamente envolvido nas circunstâncias daquele período – e que atuasse em alguns dos hospitais já mencionados, que tivesse coragem de romper o silêncio.

Quase 30 anos podem parecer muito tempo, mas, diante da dimensão histórica do fato, é preferível agora do que daqui a mais 10 ou 20 anos… ou nunca! O Dr. Venturelli está plenamente lúcido e atuante, preserva todas as suas faculdades mentais e se mostrou disposto a realizar quaisquer exames necessários para comprovar isso“.

Para Pacaccini, “sabemos que ainda existem outros profissionais em Varginha que conhecem a verdade. Esperamos que o exemplo do Dr. Venturelli os inspire e dê coragem para que também venham a público. A revelação dele, será acrescida de mais alguns detalhes em breve: já é de meu conhecimento que ele possui algumas informações adicionais que, no momento oportuno, serão divulgadas. Desejo tranquilizar a ufologia brasileira: o depoimento do Dr. Venturelli não ficará restrito ao documentário internacional. Em breve, nós mesmos teremos a oportunidade de conversar com ele pessoalmente, frente a frente, e documentar cuidadosamente cada detalhe. Em síntese, reafirmo meu pleno apoio ao Dr. Ítalo Venturelli e reitero meu compromisso: toda nova informação que surgir será prontamente compartilhada por mim, junto à com a comunidade ufológica – esta mesma comunidade a qual eu aplaudo todos os dias”.

O Dr. Venturelli é uma peça importante, mas jamais isolada. Ele se encaixa em um quebra-cabeça maior, envolvendo militares do Exército, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e altos funcionários hospitalares.

O Mistério da Suposta Fita

Um dos elementos mais intrigantes das declarações iniciais de Venturelli é a fita de vídeo. Segundo seu primeiro depoimento, a filmagem:

  • foi feita dentro do hospital;
  • mostrava claramente uma criatura diferente de um ser humano;
  • teria sido confiscada por militares logo depois.

Se tal vídeo existiu, ele representaria uma das maiores evidências da ufologia mundial; e sua menção por parte de um neurocirurgião dá enorme peso à possibilidade.

A mudança posterior de versão não elimina a importância da fita; pelo contrário, sugere que:

  • Venturelli tentou minimizar sua participação inicialmente;
  • ou o vídeo foi usado como forma de validar a presença de médicos sem expô-los diretamente;
  • ou ambos os relatos são verdadeiros, mas são “camadas diferentes” de um segredo hospitalar profundamente guardado.

Hoje, Venturelli não concede entrevistas sobre o assunto e evita tocar no tema. Esse silêncio contribui para fortalecer a aura de mistério, gerar especulações e também alimentar a divisão entre céticos e pesquisadores. A comunidade ufológica, no entanto, trata sua figura com respeito e cautela — jamais como uma testemunha descartável.

A Importância de Venturelli Para o Caso Varginha

O neurocirurgião Ítalo Venturelli representa um dos pontos mais delicados e ambíguos do Caso Varginha. Suas declarações, embora contraditórias, reforçam uma tendência observada em dezenas de outras testemunhas: algo realmente extraordinário aconteceu naquela semana de janeiro de 1996.

Para Petit, “tenho conversado também com vários pessoas envolvidas também com o caso Varginha desde que houve essa mudança de postura pública do referido médico. Existe nesse momento ainda um grau de surpresa e dúvida. Da minha parte existe nesse monento certa prudência. Estou avaliando todos os aspectos possíveis. Não descarto a possibilidade dele finalmente ter resolvido falar toda verdade. Ter tido realmente a possibilidade de ficar frente a frente com uma das criaturas, mas ainda não estou pronto para assumir essa interpretação de uma forma definitiva. Quero ainda aprofundar algumas questões. Ele pode ter percebido que “amanhã” poderia ser tarde para assumir toda verdade, mas nesse momento ainda não estou convencido que essa ideia corresponde a verdade. Assim que tiver uma opinião definitiva vou me manifestar”.

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James Fox, produtor do documentário Moment of Contact, e que gravou essa segunda declaração do Dr. Ítalo, disse que “que acreditando nele, ou não; esse homem dedicou sua vida à melhora da vida dos outros, ajudando pessoas. Uma das pessoas mais cuidadosas e compassivas que já conheci. Então lembre de ser gentil. Tenha compaixão. Ele tem tudo a perder e nada a ganhar publicando isso. Estamos trabalhando com boas pessoas no governo americano para protegê-lo. E se qualquer militar brasileiro estiver considerando visitá-lo, eu dedicarei a minha vida a expor isso. Repito: este cavalheiro merece nosso apoio, cuidado e gentileza”.

A mudança nas declarações do Dr. Ítalo pode ser interpretada como: medo inicial, proteção profissional, obediência a ordens superiores, ou simplesmente a evolução psicológica natural de quem carregou um segredo por tanto tempo. Independentemente da razão, sua presença no caso não pode ser descartada.

A narrativa final, vista pessoalmente ou em vídeo, é consistente com o padrão do Caso Varginha e com outros testemunhos hospitalares. Isso coloca Venturelli não como uma figura contraditória, mas como uma peça humana de um quebra-cabeça que, quase 30 anos depois, o Brasil e o mundo ainda tentam montar.

Assista ao vídeo do Dr. Ítalo.

Créditos: NewsNation/James Fox.

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