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ENTREVISTAS

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Irene Granchi: A grande pioneira da pesquisa ufológica no Brasil

Categoria: INVESTIGAÇÃO | PIONEIRISMO

Irene Granchi nasceu na Alemanha, em 26 de novembro de 1913, mas teve formação inglesa. Também estudou e morou em Milão e, logo depois de se casar com o italiano Marco Granchi, veio para o Brasil. Naturalizada brasileira “desde os tempos de Getúlio Vargas”, como diz, teve sua vida de pacata dona-de-casa completamente mudada numa tarde de julho de 1947, quando viu, pela primeira vez, um disco voador metálico em formato de tampa de panela pairando sobre o sítio em que morava no município de Vassouras, interior do Rio de Janeiro. Desde então, se deu conta de que não teria paz enquanto não soubesse tudo a respeito do que acabara de presenciar.

 

O início da carreira desta que é a primeira ufóloga brasileira e respeitadíssima na área em todo o mundo é o retrato da garra, da força de vontade e do esforço, sem se importar com os riscos que recebeu e o cansaço que a acometia em suas investigações ufológicas. Carregando um gravador de 15 kg numa mão e dezenas de outros apetrechos na outra, subia e descia morros do Rio de Janeiro atrás de UFOs e suas testemunhas. O resultado de tanta atividade garantiu a Irene o incontestável mérito de ser a grande pioneira da Ufologia Brasileira. Poliglota, a nossa “representante de saias” foi aos poucos conquistando prestígio internacional. Desde os primórdios da Era Moderna dos Discos Voadores, conviveu com ufólogos como Joseph Allen Hynek, Jim e Coral Lorenzen, Gordon Creighton, Olavo Fontes e tantos outros com os quais manteve íntimo relacionamento e troca de informações, o que proporcionou boa soma de conhecimentos passados à Comunidade Ufológica Brasileira.

 

Vi um disco voador pela primeira vez em julho de 1947, em Vassouras, Rio de Janeiro. Como naquele tempo não se falava em UFOs e eu era bastante racional, comecei a indagar aquilo. E pensei: não vou ter paz enquanto não me dedicar de corpo e alma ao estudo destes objetos

 

Na noite de 17 de agosto de 1968, Irene retornava para sua casa, depois de ter visitado um amigo no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, quando avistou um UFO pela segunda vez. Era por volta das 21h15 e, enquanto esperava o ônibus, o objeto fez um show para ela. Toda sua família, incluindo o marido, foram testemunhas de avistamentos ufológicos ao longo de suas vidas. Para Irene, há uma “propensão inata” para que uma determinada família seja visada pelos UFOs, no que concorda sua filha, a artista plástica carioca Chica Granchi. Ambas são integrantes da Revista UFO desde sua criação. Irene é presidente de honra do Conselho Editorial da publicação e Chica é consultora.

 

Em 1978, em parceria com a Hunos Editorial, Irene lançou a revista OVNI Documento, o primeiro veículo brasileiro inteiramente dedicado à Ufologia, antecessora direta da UFO. A publicação, no entanto, durou apenas dois anos e teve somente oito edições, fechando as portas e enlutando a Ufologia Brasileira.

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