O Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (SIOANI) foi criado oficialmente pela Força Aérea Brasileira entre 1969 e 1972, em pleno auge da Guerra Fria e em um contexto de crescente número de relatos de Fenômenos Aéreos Não Identificados (FANI) no país. Diferentemente de iniciativas estrangeiras como o Projeto Blue Book dos Estados Unidos, o SIOANI adotou uma postura relativamente aberta e multidisciplinar. Baseado principalmente no IV COMAR (Comando Aéreo Regional) em São Paulo, o sistema formou uma rede de militares, civis, técnicos, médicos e especialistas capazes de investigar eventos anômalos com rigor documental.

O SIOANI não foi apenas um departamento militar; foi um sistema operacional. Ele padronizou formulários de entrevistas, criou protocolos de descrição técnica dos objetos, registrou croquis, recolheu depoimentos extensos, analisou testemunhas com apoio médico e psiquiátrico, investigou locais de pouso e reuniu centenas de páginas em relatórios meticulosos. Apesar de ter existido por poucos anos, estabeleceu bases metodológicas que influenciariam investigações posteriores, inclusive a Operação Prato, em 1977.
Os Principais Investigadores e Colaboradores
Diversos militares e especialistas civis trabalharam direta ou indiretamente com o SIOANI. Entre os nomes mais importantes, destacam-se:
- Major Gilberto Zani – Um dos principais responsáveis pela coordenação das investigações. Zani teve papel ativo na organização de equipes, no estudo dos testemunhos e no encaminhamento dos relatórios oficiais. Seu nome aparece em vários documentos internos do SIOANI e é reconhecido como um dos pilares do sistema.
- Capitão João Carlos Pinto – Um dos braços operacionais do IV COMAR para coleta, triagem e padronização dos casos. Atuou diretamente na construção do acervo documental.
- Major Olímpio Vanderlei – Comandante regional que deu suporte institucional às pesquisas do SIOANI e permitiu a formação de equipes multidisciplinares.
- Dr. Walter Karl Bühler – Colaborador civil e consultor científico. Participou das análises técnicas e contribuiu para que o SIOANI tivesse uma visão fundamentada de fenômenos aeroespaciais, sendo uma das figuras mais respeitadas da ufologia nacional.
- Dr. Flávio Pereira – Psiquiatra que avaliava testemunhas em casos particularmente complexos ou traumáticos, garantindo que os relatos fossem registrados de maneira precisa.

Esses nomes, entre outros cartógrafos, fotógrafos, militares e técnicos civis, formavam uma equipe que combinava disciplina militar e rigor científico — algo raro para a época.
Casos Mais Importantes Investigados pelo SIOANI
- O Caso Maria Cintra (São Paulo, 1970)
Um dos episódios mais conhecidos do SIOANI ocorreu com a funcionária pública Maria Cintra, que relatou a aparição de um objeto discoide luminoso próximo de sua residência, seguido da presença de dois seres humanoides que a observaram através da janela. Os seres eram descritos como magros, muito altos, com olhos grandes e comportamento silencioso. Sentindo medo, Maria chamou vizinhos, que também observaram luzes intensas no quintal.
O SIOANI conduziu uma investigação completa: entrevistas extensas, desenho técnico dos seres e do objeto, análise psicológica e estudo do local. O caso ganhou importância porque apresentou múltiplas testemunhas, coerência narrativa e detalhes fisiológicos dos seres considerados “consistentes” em análises posteriores. Para muitos militares, foi a primeira vez que o sistema incluiu um relato de possível interação direta com entidades não humanas.

- Caso Bauru: O Segurança que Lutou com Seres Extraterrestres (1971)
Entre os casos mais intrigantes está o episódio de Bauru, no qual um segurança noturno sofreu um suposto ataque de entidades desconhecidas. Segundo o testemunho, ele foi surpreendido por três seres de baixa estatura, com grandes cabeças e pele acinzentada, que pareciam tentar imobilizá-lo. O segurança reagiu, entrando em luta corporal com um dos seres, descrevendo a pele do intruso como “áspera e pegajosa”.
Após a luta, os seres se afastaram e desapareceram em meio a um clarão intenso vindo de um objeto que pairava a baixa altitude. O SIOANI enviou equipe imediatamente. Foram registradas marcas no terreno, sinais de queimadura no mato e arranhões e hematomas compatíveis com o depoimento do segurança. Este se tornou um dos casos mais raros investigados oficialmente pela FAB envolvendo suposto confronto físico entre humano e entidades desconhecidas.

- Caso da Represa Billings (1971)
Relatos de pescadores e moradores deram origem a uma investigação que revelou um objeto alaranjado realizando movimentos silenciosos e manobras impossíveis para aeronaves convencionais. O SIOANI fotografou marcas de pouso, áreas com vegetação chamuscada e registrou múltiplos depoimentos. Devido à quantidade de testemunhas e às evidências físicas, o caso é considerado um dos mais sólidos da coleção.

- Caso de Bebedouro (1972)
Trabalhadores rurais observaram um objeto brilhante e metálico que teria descido a baixa altitude. O SIOANI investigou poucas horas depois do evento, encontrando marcas semicirculares no terreno e sinais de interferência em animais locais. O caso ficou marcado pela rapidez da resposta militar e pela qualidade dos depoimentos.

- Caso do Morro do Voturuna (1970)
Operários relataram um disco brilhante emitindo feixes de luz sobre o morro, acompanhado de sensação térmica intensa e mudança na pressão atmosférica. A investigação incluiu reconstrução técnica, mapas detalhados e análise meteorológica, tornando-se um dos relatórios mais completos de todo o acervo do SIOANI.
- Caso da Estrada de Guarulhos (1969)
Motoristas observaram um objeto discoide com luzes pulsantes que teria acompanhado um caminhão por cerca de dois minutos. O relatório destaca acelerações bruscas, curva fechada sem desaceleração e deslocamento silencioso, elementos que militares classificaram como “movimento inteligente”.
Documentação, Arquivamento e Divulgação pela Revista UFO
Grande parte da documentação do SIOANI ficou guardada por décadas nos arquivos da FAB. Entretanto, graças ao esforço da comunidade ufológica, especialmente da Revista UFO, o material veio a público. A partir dos anos 2000, a revista digitalizou, publicou e analisou dezenas de relatórios inéditos, croquis, entrevistas, fotos, fichas e registros operacionais.

A campanha “UFOs: Liberdade de Informação Já“, liderada pela Revista UFO e pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), foi determinante para pressionar a FAB a liberar parte desse material. Ao publicar tudo de forma organizada, a revista consolidou o SIOANI como um dos mais importantes sistemas oficiais de investigação ufológica do mundo, permitindo que pesquisadores, historiadores e o público geral reavaliassem décadas de silêncio institucional.
Hoje, graças à Revista UFO, á CBU e alguns ufólogos, o SIOANI é amplamente estudado e citado internacionalmente, sendo considerado um exemplo pioneiro de investigação oficial de fenômenos aeroespaciais anômalos.
O SIOANI estabeleceu um modelo inovador de cooperação entre civis e militares, gerou documentação técnica detalhada e mostrou que a FAB tratou seriamente o fenômeno UFO muito antes das discussões contemporâneas sobre UAP. Seus métodos influenciaram gerações de pesquisadores e serviram de base para investigações militares posteriores.
Com o resgate histórico feito pela Revista UFO, o SIOANI deixou de ser um capítulo esquecido para se tornar parte do patrimônio ufológico brasileiro, uma das iniciativas oficiais mais importantes do mundo no estudo de objetos voadores não identificados.
Baixe os arquivos do Caso Maria Cintra: Relatório CIOANI_06_completo
Baixe também os Boletins SIOANI 1 e 2: Boletim SIOANI 001 Março de 1969 Boletim SIOANI 002 Agosto de 1969

