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Projeto Breakthrough Listen irá investigar se Oumuamua é um objeto artificial

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11 de Dezembro de 2017
Cresce o interesse pelo asteroide interestelar Oumuamua, inclusive com planos de visitá-lo
Créditos: ESO

O asteroide 1I/2017 U1 Oumuamua captou as atenções da humanidade quando foi descoberto pela equipe do Telescópio de Varredura Panorâmica e Sistema de Rápida Resposta (Pan-STARRS) em 19 de outubro último. Trata-se comprovadamente do primeiro objeto do tipo confirmado, percorrendo uma trajetória hiperbólica que, após a passagem pelo Sol em 9 de setembro e pela Terra, a 24 milhões de km de distância, em 14 de outubro, quando já se dirigia de volta ao espaço interestelar a cerca de 158.360 km/h. Atualmente está a cerca de duas Unidades Astronômicas (UA) de distância, ou o dobro da distância da Terra para o Sol. Alguns mistificadores depressa passaram a alegar que se tratava de uma nave alienígena, absurdo totalmente refutado pela comunidade científica.

Contudo, diante do formato estranho de Oumuamua, aproximadamente cilíndrico e com o diâmetro de um décimo de seu comprimento, além de mais algumas características misteriosas, a muito improvável possibilidade de o objeto ser artificial será testada pelo projeto Breakthrough Listen, do bilionário russo Yuri Milner. No próximo 13 de dezembro o radiotelescópio Robert C. Byrd Green Bank Telescope será usado para analisar Oumuamua em quatro faixas de frequência de rádio, de 1 a 12 GHz. A primeira fase de observações irá durar dez horas, dividida em quatro períodos a fim de compensar a rotação do objeto em torno do eixo menor. Os cientistas do Breakthrough Listen afirmam que a distância atual para o asteroide permite que, caso ali exista um transmissor com a potência de um celular, ele poderá ser captado em questão de minutos. Mesmo que o objeto não seja artificial o radiotelescópio poderá obter outras informações, tais como a existência de água ou gelo, ou a química de possíveis emissões gasosas ainda não detectadas.

Em outra frente, crescem na comunidade científica as vozes defendendo que uma missão não tripulada seja lançada nos próximos anos, a fim de alcançar e estudar Oumuamua. A presença a nosso alcance de um objeto vindo de outro Sistema Solar é uma oportunidade única, e uma organização voluntária chamada Iniciativa para Estudos Interestelares (i4iS), dedicada a tornar viagens interestelares uma realidade no futuro próximo, apresentou seus planos para o Projeto Lyra. O estudo foi apoiado pela Asteroid Initiatives LLC, empresa dedicada ao estudo da prospecção mineral em asteroides. Espera-se que a velocidade de Oumuamua se estabilize a aproximadamente 26 km/s, ou 95.000 km/h, sendo que em dois anos estará além da órbita de Saturno. Isso é muito mais rápido do que já viajou qualquer engenho terrestre, como a Voyager 1, nossa nave mais veloz e que esta atualmente a 16,6 km/s. Assim qualquer nave lançada rumo a Oumuamua teria que persegui-lo através do Sistema Solar.

crédito: NASA
Foto de Oumuamua, que é o ponto no centro da imagem
Foto de Oumuamua, que é o ponto no centro da imagem

PERSEGUINDO O VISITANTE INTERESTELAR

Os membros do Projeto Lyra estudaram tecnologias que podem vir a ser desenvolvidas nos próximos anos, considerando como veículos lançadores o Big Falcon Rocket da SpaceX e o Sistema de Lançamento Espacial da NASA. Assim seria possível o lançamento ao redor de 2025. Caso seja possível que a nave seja acelerada de ao menos 33 km/s, ainda assim seria necessário um encontro com Júpiter a fim de utilizar o método de assistência gravitacional. O Projeto Lyra apresentou cálculos detalhados, apontando que um lançamento a 252.000 km/h em 2025 poderia interceptar Oumuamua em, 2039, a uma distância de 85 AU do Sol. Alternativamente, lançando a 144.000 km/h, o encontro com o objeto seria a 155 AU em 2051. As tecnologias do projeto Breakthrough Starshot, de velas impulsionadas a raios laser, também estão sendo consideradas. Utilizando um laser de 2,75 megawatt e lançando em 2021, seria possível alcançar o visitante interestelar em sete anos. A tal velocidade não seria possível desacelerar e acompanhar Oumuamua, porém a nave poderia ser equipada com um módulo de pouso, que tocasse o asteroide e o investigasse de perto. É provável que tal missão nunca aconteça, mas pode estabelecer parâmetros para estudar futuros visitantes interestelares. Como o Projeto Lyra destaca, os ganhos em termos de desenvolvimento tecnológico e conhecimento seriam inestimáveis.

Confira o anúncio do Breakthrough Listen

Leia o artigo com a proposta do Projeto Lyra para alcançar Oumuamua

Site da i4iS

Site da Asteroid Initiatives LLC

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