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Planeta anão Ceres é candidato a abrigar vida extraterrestre

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23 de Dezembro de 2014
Concepção artística da chegada da nave Dawn ao planeta anão Ceres, que deverá ocorrer em março de 2015
Créditos: NASA

A missão Dawn da NASA é carregada de pioneirismo, pois a partir de março de 2015 se tornará a primeira nave a orbitar um corpo celeste após sair da órbita de um mundo anterior. Entre julho de 2011 e setembro de 2012 ela se manteve na órbita do enorme asteroide Vesta, fotografando e estudando o astro de 525 km de extensão com detalhes inéditos. Depois, utilizando seu sistema de propulsão iônica, a Dawn deixou Vesta e partiu para o também histórico encontro com Ceres.

Ceres, com 950 km de diâmetro, é também um astro no Cinturão de Asteroides situado entre Marte e Júpiter. Primeiro asteroide a ser descoberto, em 01 de janeiro de 1801 pelo astrônomo Giuseppe Piazzi, foi em 2006, na reunião da União Astronômica Internacional, classificado como planeta anão, tal qual Plutão. O que tem chamado a atenção da comunidade astronômica é que esse pequeno mundo, assim como Europa, satélite de Júpiter, e Encelado, lua de Saturno, pode ser um forte candidato a abrigar vida extraterrestre.

A vida como a conhecemos necessita de energia, água líquida, e componentes químicos que são abundantes no Universo, a saber, carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. A água já foi detectada em Ceres que, com uma densidade de 20,9 gramas por centímetro cúbico (a da Terra é de 5,5), deve ser composto por um núcleo rochoso e um manto formado na maior parte por gelo. Além disso, minerais contendo água já foram detectados em sua superfície. O astrônomo do Instituto de Ciência Planetária de Tucson, Arizona, Jian-Yang Li, afirmou: "Ceres é na verdade o maior reservatório de água do Sistema Solar interior, além da Terra". Evidentemente ainda não se sabe qual a porcentagem dessa água que é líquida.

VIDA ALIENÍGENA EM UM MUNDO PRÓXIMO

Europa e Encelado recebem calor graças às forças de maré, quando se aproximam e se afastam de seus planetas, Júpiter e Saturno respectivamente. Ceres, por sua vez, recebe muito mais energia solar que os dois, estando situado a somente 2,8 Unidades Astronômicas (AU) do Sol (1 AU é a distância entre a Terra e o Sol, 150 milhões de km). Gêiseres já foram fotografados e analisados em Encelado pela nave Cassini e neles foram encontrados compostos orgânicos. O telescópio espacial Hubble, em dezembro de 2012, detectou emissões de vapor de água na superfície de Europa, indicando que ali também podem existir gêiseres. E no começo de 2014 foi anunciada a detecção de emissões de vapor de água em Ceres, que também pode possuir um oceano de água líquida subterrâneo.

Não se sabe se tais emissões se devem ao calor interno de Ceres, ou ao gelo próximo de sua superfície sendo aquecido pelo calor solar e sublimando para o espaço. Espera-se que as informações colhidas pela Dawn após sua chegada ao planeta anão, em março de 2015, ajudem a elucidar esses mistérios. Além disso, como apoio à missão, observações serão feitas a partir da Terra, utilizando o Grande Arranjo Milimétrico e Submilimétrico do Atacama (ALMA), radiotelescópio situado no Chile. Esse enorme instrumento pode penetrar na superfície de Ceres mais profundamente que os sensores da Dawn, sendo um importante complemento à missão da nave. As próximas descobertas, aliadas à relativa proximidade de Ceres com a Terra, farão desse mundo um atrativo alvo da exploração espacial para futuras missões.

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