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Novo cometa não deve colidir com Marte

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16 de Abril de 2013
Como seria a visão do cometa Sidding Spring na superfície de Marte
Créditos: Kim Poor

O cometa C/2013 A1 [Sidding Spring] foi descoberto pelo caçador de cometas Robert McNaught, em 03 de janeiro de 2013. Os cálculos sobre sua trajetória indicam que sua órbita é parabólica, ou seja, é um astro de longo período e deve ter iniciado seu caminho rumo ao interior do sistema solar há um milhão de anos, desde a Nuvem de Oort. Esta é uma imensa concha esférica nos limites do sistema solar, contendo trilhões de corpos gelados.

O que chamou a atenção a respeito do Sidding Spring [cujo nome deriva do grupo astronômico australiano ao qual McNaught é ligado], é que deve ter um encontro muito próximo de Marte em 19 de outubro de 2014. As primeiras projeções chegavam a indicar a possibilidade de um impacto do cometa contra o planeta, o que fazia temer até mesmo pela sobrevivência das sondas terrestres trabalhando ali. Mesmo uma passagem próxima poderia ameaçar as naves Mars Reconnaissance Orbiter e Mars Odissey da NASA, e a Mars Express da ESA, devido às partículas da cauda do cometa. Já um impacto lançaria milhões de toneladas de poeira na atmosfera marciana, obscurecendo o Sol e impedindo a continuidade da missão do rover Opportunity, há nove anos em Marte e alimentado por painéis solares.

O núcleo do Sidding Spring tem dimensões estimadas entre 8 a 48 km e mesmo no caso do menor tamanho um impacto teria uma potência 25 milhões de vezes à da maior arma nuclear já detonada. A possibilidade de queda em Marte, entretanto, foi logo estimada como de uma em 8.000, e cálculos mais recentes baixaram as chances em 1 em 120.000. Contudo, os resultados também apontam que o cometa deve passar mais próximo de Marte, a uma distância de 110.000 km. Diante disso, os cientistas começam a debater a possibilidade de utilizar as sondas para estudar o astro.

Embora as sondas da NASA, MRO e Odissey, em teoria, possam realizar observações do Sidding Spring, seus instrumentos e câmeras normalmente estão voltados para baixo, estudando a superfície marciana, e seus controladores teriam que projetar novos meios e softwares para a observação do cometa, se isso for possível. Já o rover Opportunity, por ser movido à energia solar, teria que utilizar suas baterias para operar as câmeras à noite, um risco que possivelmente não valeria a pena correr. Como o Curiosity é movido à energia nuclear, suas chances de observar o Sidding Spring são melhores. De qualquer forma, os avistamentos a partir da Terra de um dos maiores eventos astronômicos dos últimos anos prosseguirão.

Site do Sidding Spring Survey

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