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NASA libera mais imagens de Plutão e seu sistema

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18 de Julho de 2015
Cadeia de montanhas em Tombaugh Regio, em Plutão
Créditos: NASA

Levará mais de um ano até a nave New Horizons enviar à Terra todas as informações obtidas no histórico sobrevoo do sistema de Plutão, ocorrido no último 14 de julho. Porém, o que a NASA já liberou tem surpreendido a comunidade científica e os entusiastas da exploração espacial. Uma decisão já tomada foi homenagear Clyde Tombaugh, descobridor do planeta anão em 1930, batizando a região clara com formato de coração com o nome de Tombaugh Regio. E a primeira foto aproximada da superfície do distante mundo foi de um local nessa região, comprovando a ausência de crateras e a existência de montanhas de gelo enormes, de 3.000 a 4.000 metros de altitude.

Esses fatos comprovam que essa região é muito recente em termos geológicos, com provavelmente menos de 100 milhões de anos. Como Plutão está em uma região do Sistema Solar tomada por incontáveis objetos, o Cinturão Kuiper, crateras de impacto deveriam ser comuns, e tais fatos apontam para uma geologia ativa em Plutão. Mundos de tamanhos similares ou maiores, como as luas Io e Europa de Júpiter e Encélado de Saturno, têm grande atividade geológica devido a forças de maré, causadas pela gravidade de seus planetas. Caronte, a grande lua de Plutão, orbita com ele o mesmo centro de gravidade e ambos mantém a mesma face um para o outro. Assim, a causa da geologia ativa ainda é inexplicada.

Caronte, que forma com Plutão o que tem sido chamado de sistema binário, igualmente possui geologia ativa. As imagens da New Horizons mostram que sua superfície também tem poucas crateras, terrenos lisos e recentes, e até mesmo rachaduras como um cânion de profundidade estimada em 2 km, embora outras áreas mostrem crateras, como o primeiro close-up divulgado pela NASA. Uma formação que surpreendeu os geólogos foi uma grande montanha situada em meio a uma depressão, cobrindo uma área de 320 km. O que pode fornecer energia para tais processos é a decomposição de elementos radioativos no núcleo dos planetas, processo que acontece na Terra. Mas nosso mundo é muito maior que Plutão e Caronte, e isso aponta que planetas muito menores que o nosso também podem sustentar esses processos.

POSSIBILIDADE DE OCEANOS DE ÁGUA LÍQUIDA

crédito: NASA
Detalhe da superfície de Caronte, mais acidentada que a de Plutão
Detalhe da superfície de Caronte, mais acidentada que a de Plutão

Outra explicação seria que o calor interno já se esgotou, porém o manto de Plutão, composto por gelo de água, ainda está se congelando. Tal mecanismo liberaria calor e energia que faria funcionar a atividade geológica na superfície. Essa teoria aponta portanto para a possibilidade da existência de oceanos de água líquida nesse distante mundo gelado, algo quase impensável tempos atrás, e que somente o investimento na exploração espacial poderia revelar. Informações sobre a atmosfera de Plutão também foram divulgadas, apontando que a mesma é composta principalmente de nitrogênio, e de metano quando mais perto da superfície. A NASA também divulgou um vídeo da região Tombaugh Regio, mostrando uma planície chamada de Sputnik Planum, em honra ao primeiro satélite artificial, e onde existem fissuras com depósitos de material escuro. Este último tem origem ainda incerta, mas uma das hipóteses é que se trate de hidrocarbonetos produzidos pela radiação solar incidindo sobre o metano da atmosfera. As informações reveladas até agora compõem somente 2% do total recolhido pela New Horizons, estimado em 6 gigabytes, e que será transmitido ao longo dos próximos 16 meses.

Visite o site oficial da missão New Horizons

Confira imagens da missão New Horizons

Veja um infográfico produzido com as informações já divulgadas

Confira um vídeo de Plutão e Caronte

Este vídeo mostra um sobrevoo pelas planícies e montanhas de Plutão

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Saiba mais:

Livro: Dossiê Cometa

DVD: Pacote NASA: 50 Anos de Exploração Espacial

crédito: Revista UFO
Pacote NASA: 50 Anos de Exploração Espacial
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