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Matéria sobre pseudo fraude de Stonehenge foi um hoax

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05 de Julho de 2010
O monumento pré-histórico continua sendo patrimônio mundial da Unesco e mantendo sua posição de destaque na arqueologia moderna. Veja, abaixo, na galeria de fotos, as polêmicas imagens que geraram o trote
Créditos: wallpaperweb

A fraude de Stonehenge, supostamente publicada pela National Geographic e tema discutido em todo mundo, não foi nada mais que um hoax [trote], uma pegadinhainventada por um blogger e jornalista espanhol. Essa notícia, que percorreu o planeta, teve que ser desmentida pela própria National Geographic, por causa da repercussão em massa que teve. Milhares de pessoas no planeta caíram naestória – muito bem pensada – criada por Antonio Martínez Rum para celebrar o Dia dos Inocentes, em 28 de dezembro de 2009. O jornalista Rum publicou em seu site Fogonazos, uma nota na qual informava antecipadamente e "com exclusividade" a respeito de queomíticomonumento de pedras de Stonehenge,situado no condado inglês de Wiltshire, não passava de uma fraude montadahá décadas e seria desmontada pela revista. Em dita matéria, aclarava que acitada publicaçãoteria descoberto que 90% das pedras não pertenciam à formação original e foram colocadas durante as restaurações realizaram desde o ano 1898. Para dar maior credibilidade ao assunto,ilustrouo conteúdocom imagens incríveis acrescentadas do logo da NG – que são verdadeiras, mascorrespondem às restaurações que foram levadas à cabono local, com as pedras originais, sem acrescentar nenhuma falsa.

Também cita a estudiosos de Stonehenge, como o arqueólogo Mike Parker Pearson e William Gowland, engenheiro encarregado da recuperação das ruínas no ano de 1901. Esse troteteve uma repercussão de “dimensões bíblicas”,tornou-se tema de discussões quentes no Twitter e Facebook, foi postadaemsites de notícias como Bitácoras, Menéame e até apareceuno Reddit. O diário ABC também fez referência à suposta fraude e fizeram eco em mais e mais páginas de todas partes do globo. O curioso, no entanto, é que Rum não dava crédito a sua própriafarsa e não acreditava que, por ser demasiadamente inverossímil, tanta gente a tomasse como verdadeira. Ainda após comprovar a grande bola de neve que se formou, o jornalista confessou ter subestimado o grande poder da Internet, a sensação popular de que tudo o que aparece no Google tem que ser verdadeiro e a tendência que todo ser humano tem a crer nesse tipo de teorias.

Em conclusão, a tal edição da NG nunca existiu. Esta é uma amostra de como uma idéia, por mais tresloucada que pareça, pode chegar a ser uma bomba e, por outra parte, definitivamente, não se podedar créditoem tudo o que se diz, ouveou escreve por aí. Agora, ao visitar o site de Rum, há o alerta e pedido: “Aviso importante: Esta entrada fue una broma por el Día de los Inocentes. Por favor, no contribuyas a divulgarlo como si fuera real. Gracias.” E, clicandoaqui, o próprio Rum explica como lhe ocorreu fazer o hoax. As fotos são reais, correspondentes às inúmeras restaurações realizadas no local (a questão de pedras falsas foi inventada), mas Rum inseriu nas mesmas o logo da NG para passar maior credibilidade, além de nomes famosos de pesquisadores para o enredo. Foi isso. Stonehenge continua sendo ela mesma, nada de montagem ou pedras falsas. E o “Dia dos Inocentes” acontece diariamente por todos os lados, graças as estórias de Internet. Todo cuidado é pouco e qualquer crença sem averiguação responsável, é traiçoeira e ilusória.

Stonehenge é de propriedade da Coroa e gerida pelo patrimônio inglês, enquanto o terreno circundante é do National Trust. O monumento pré-histórico continua sendo Patrimônio Mundialpela Unesco e mantendo sua posição de destaque na arqueologia moderna.