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Cientistas rastreiam origem de misteriosa rajada de ondas de rádio

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06 de Janeiro de 2017
A Constelação de Auriga foi confirmada como a origem da rajada rápida de rádio
Créditos: Alan Dyer

Desde 2007, os astrônomos detectaram 18 estranhos fenômenos cósmicos que vieram a batizar como rajadas rápidas de rádio, ou FRB na sigla em inglês. Cada uma dura somente frações de segundo, e liberam mais energia do que nosso Sol irradia em 10.000 anos. Ao lado de fenômenos naturais ainda desconhecidos, alguns cientistas chegaram a aventar a possibilidade de as FRBs poderem ser transmissões de avançadas civilizações alienígenas. Contudo essa possibilidade foi descartada diante da magnitude do fenômeno, e somente veículos sensacionalistas e mistificadores fazem comentários nesse sentido.

As FRBs são muito difíceis de estudar devido a sua curtíssima duração, geralmente sendo descobertas de maneira fortuita por telescópios apontados para a direção do céu em que ocorreram. Tampouco a tempo de alertar outros telescópios, e isso torna extremamente difícil tentar determinar a localização e distância dessas fontes de rádio. Porém, três novos estudos, um a ser publicado no periódico Nature e outros dois no The Astrophysical Journal Letters, conseguiram determinar a localização da fonte de um desses fenômenos. A FRB 121102 tem características únicas porque tem se repetido, e foi pela primeira vez observada em novembro de 2012 pelo radiotelescópio de Arecibo, Porto Rico.

O mesmo instrumento a detectou novamente em 2014, e em 2016 o Arranjo Muito Grande (VLA), no Novo México, a detectou nove vezes, e outras observações foram feitas pela rede europeia VLBI. Essas observações forneceram dados para que pesquisadores, utilizando o telescópio Gemini Norte no Havaí descobrissem que o sinal vem de uma galáxia anã a 3 bilhões de anos-luz de distância, na Constelação Auriga. Os astrônomos ficaram surpresos com esse fato, mas mesmo sendo muito pequena e com poucos sóis essa galáxia está formando estrelas em um ritmo muito elevado, sugerindo que as FRBs estão de alguma forma ligadas à existência de estrelas de nêutrons. Estes objetos se formam quando estrelas massivas explodem, e seus restos colapsam diante da própria gravidade, se tornando extremamente densos.

BUSCANDO AS ORIGENS DO FENÔMENO

crédito: Gemini Observatory
A galáxia de origem de FRB 121102, a 3 bilhões de anos-luz de distância
A galáxia de origem de FRB 121102, a 3 bilhões de anos-luz de distância

Estrelas de nêutrons giratórias irradiam flashes de luz extremamente precisos, e são conhecidas como pulsares, e isso pode dar pistas quanto à natureza regular de FRB 121102. Esse local está agora sendo estudado nos espectros do rádio, da luz visível, raios-X e raios gama, para obter o máximo de informações possível. Vale lembrar que em novembro de 1967 uma fonte de rádio emitindo pulsos extremamente regulares a cada 1,3373 segundos foi descoberta, e apelidada de LGM-1, iniciais do inglês para pequenos homens verdes. Embora alguns afirmassem ter encontrado uma civilização alienígena, logo ficou claro que esse era um fenômeno natural, o primeiro pulsar descoberto, agora chamado B1919+21. Quanto às FRBs, muita pesquisa ainda é necessária, mas a determinação da origem de FRB 121102 é um importante passo. Os cientistas ainda apontam outras possíveis origens para elas, todas comuns em galáxias anãs, como rajadas de raios gama de longa duração, fachos muito brilhantes de luz de alta energia, e supernovas superluminosas.

Infográfico de uma estrela de nêutrons

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crédito: Revista UFO
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