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Cauda de poeira da Terra fornece pistas sobre planetas alienígenas

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28 de Julho de 2011
Imagem da Nebulosa de Tarântula (NGC 2070), tomada pelo Spitzer
Créditos: Spitzer/NASA

O telescópio espacial Spitzer navegou através dela há alguns meses, dando pela primeira vez aos pesquisadores uma idéia clara de como é essa cauda. As informações poderão ser de grande ajuda para os caçadores de planetas, que tentam rastrear mundos alienígenas. "Os planetas em sistemas solares distantes provavelmente têm caudas de poeira semelhantes", disse Mike Werner, da equipe do Spitzer. "E, em algumas circunstâncias, as características dessa poeira poderão ser mais fáceis de ver do que os próprios planetas. Então, precisamos saber como reconhecê-las".

É extremamente desafiador - e, geralmente, impossível - fotografar exoplanetas diretamente. Eles são relativamente pequenos e muito apagados, escondendo-se no brilho das estrelas que orbitam. "Uma cauda de poeira como a da Terra poderia produzir um sinal maior do que o próprio exoplaneta. E isso poderia alertar os pesquisadores para um planeta pequeno demais para ser encontrado por outras técnicas", afirmou.

Cauda de poeira da Terra - A Terra tem uma cauda de poeira não porque o próprio planeta seja particularmente empoeirado, mas sim porque todo o Sistema Solar é. O espaço interplanetário está repleto de fragmentos de poeira de cometas e asteróides que colidiram. Quando a Terra orbita através desse ambiente empoeirado, forma-se uma espécie de cauda atrás do nosso planeta, de forma parecida com o que ocorre com folhas caídas na rua durante a passagem de um carro.

"Conforme a Terra orbita o Sol, ela cria uma espécie de concha, uma depressão, dentro da qual as partículas de poeira caem, criando um espessamento da poeira - a cauda - que a Terra puxa atrás de si pela ação da gravidade", explicou Werner. "Na verdade, a cauda acompanha nosso planeta em todo o seu caminho em torno do Sol, formando um grande anel empoeirado".

crédito: D.Golimowski/NASA/ESA
Imagem da poeira ao redor da estrela Beta Pictoris, fotografada pelo telescópio Hubble
Imagem da poeira ao redor da estrela Beta Pictoris, fotografada pelo telescópio Hubble

As recentes observações do Spitzer ajudaram os astrônomos mapear a estrutura dessa cauda e descobrir como se parecerão as semelhantes dos planetas extrassolares.

Caudas de planetas extrassolares - Tal como o nosso próprio Sistema Solar, outros sistemas planetários estão mergulhados em poeira, que forma um disco que rodeia a estrela central. E, como a Terra, os planetas extrassolares interagem gravitacionalmente com seu disco de poeira, canalizando-o e desenhando nele características estranhas.

"Nos discos de poeira de algumas estrelas há colisões, deformações, anéis e deslocamentos, nos dizendo que os planetas estão interagindo com a poeira", explicou Mark Clampin, do Centro Goddard, da Agência Espacial Norte-Americana (NASA). "Assim, nós podemos seguir o rastro de poeira até os planetas. Até agora, vimos cerca de 20 discos de poeira em outros sistemas planetários. E, em alguns desses casos, seguir a poeira valeu a pena".

Clampin, Paul Kalas e seus colegas encontraram um planeta em torno da brilhante estrela Fomalhaut, no céu austral, depois de terem encontrado um anel de poeira ao seu redor. A forma do anel levou-os até seu objetivo. "Nós suspeitamos que a borda fina no interior do anel era formada por um planeta limpando gravitacionalmente os detritos em seu caminho", disse Clampin. "Nós achamos o planeta seguindo estas pegadas no pó".

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Julho de 2011

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