Thiago Luiz Ticchetti
Entrevista
Thiago Luiz Ticchetti

O inglês Philip Mantle investiga a presença alienígena na Terra há mais de 25 anos e é considerado um dos mais experientes estudiosos do Fenômeno UFO em todo o mundo. Seu currículo é impressionante. Já fez parte da poderosa British UFO Research Association [Associação Inglesa de Pesquisa Ufológica, Bufora], entidade da qual foi diretor de investigações, e escreveu, juntamente com Carl Nagaitis, um livro de referência sobre abduções intitulado Without Consent [Sem Consentimento, Prentice Hall, 1994], em que aborda contatos reais e seqüestros na Inglaterra. Ainda na década passada escreveu com o pesquisador alemão Michael Hesemann a obra Beyond Roswell [Além de Roswell, Marlowe & Company, 1998], na qual discutiu o famoso caso e a possibilidade de o polêmico filme de Ray Santilli, de uma suposta autópsia extraterrestre, ser verdadeiro.

Sua folha de serviços prestados à Ufologia vai muito além. Mantle ainda escreveu o livro UFOs na Rússia: Antes e Depois da Queda do Comunismo, recentemente lançado no Brasil pela Revista UFO, tradução do inglês UFOs in URSS, junto com o pesquisador russo naturalizado norte-americano Paul Stonehill [Código LIV-023 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. Na obra, Mantle e Stonehill descortinam a espantosa casuística ufológica russa – antes soviética – e apresentam ao leitor situações completamente desconhecidas dos públicos ocidentais. Finalmente, em 2007, o entrevistado ainda escreveu Alien Autopsy Inquest [Investigação Sobre a Autópsia Alienígena, Publish America, 2007], uma pesquisa a fundo sobre as verdades e mentiras do famoso filme da autópsia alienígena de Santilli.

Sondas ufológicas em Leeds

O interesse pelo paranormal praticamente nasceu com Mantle. Ele costumava falar sobre fantasmas desde a época da escola e visitar a igreja espiritualista local. No final dos anos 70 um livro o deixou muito intrigado, e ao saber que UFOs haviam sido vistos em Cradle Hill, em seu país, foi até lá com um amigo investigar. Para sua surpresa, puderam observar estranhas luzes no céu à noite. Entretanto, a única coisa que viu e para a qual realmente não teve explicação foram duas sondas ufológicas sobre um bairro de Leeds, em 23 de julho de 1984, às 22h00. Ele estava dirigindo para casa quando notou as luzes, também avistadas por muitas outras pessoas. “Eu escrevi cartas para vários órgãos buscando respostas, mas aqui estou, 30 anos depois, ainda procurando por elas. Após o incidente eu vi um pequeno anúncio no jornal Yorkshire Evening Post sobre uma reunião em Leeds, organizada por Mark e Graham Birdsall [Antigo consultor da Revista UFO]. Foi aí que entrei de cabeça na pesquisa ufológica. Tínhamos reuniões mensais e nelas eu absorvia tudo o que podia como se fosse uma esponja.”

Mantle já perdeu as contas de quantos casos ufológicos pesquisou, mas obviamente a filmagem da autópsia alienígena de Santilli tem destaque em sua carreira. Em 1995 o mundo foi sacudido pelo o que parecia ser finalmente a prova de que os Estados Unidos resgataram um UFO acidentado em Roswell, em 1947 – e mais, que haviam gravado em filme o que seria a autópsia de um de seus tripulantes. A Ufologia Mundial ficou extasiada e Mantle foi o primeiro a divulgar a película num congresso em Londres – a mesma que, algumas semanas depois, era exibida em um congresso em Curitiba. Ray Santilli aparecia para o mundo como o “dono” do filme, mas, alguns anos e muitas investigações depois, o pesquisador inglês descobriu que tudo não passou de uma grande fraude, confirmada pelo comparsa que a dirigiu, Spyros Melaris, e posteriormente pelo próprio Santilli [Veja edição UFO 122]. Foi um choque, mas também uma advertência para os ufólogos, que contou com participação ativa de Mantle.

Além da decepção com a fraude, ele também se diz surpreso com a atitude de certos ufólogos, que estavam de posse de informações que poderiam ter levado à descoberta da trama muitos anos antes – sobre um, em especial, Mantle diz ainda hoje não conseguir entender as razões que o levaram a esconder determinados fatos. Ele também se mostra desapontado com algumas pessoas à frente de organizações ufológicas. A inveja e a política interna foram os motivos de sua saída da Bufora, anos atrás, entidade que hoje está à míngua e existe somente na internet, uma fonte de informações tida pelo pesquisador como vergonhosa. “Sim, você pode encontrar muita coisa nela, mas um idiota qualquer pode criar um site, dar-lhe um nome fashion e enchê-lo de lixo ufológico”.

Abduções e implantes não são ETs

Grande adepto da investigação de campo, Mantle acredita que “nada substitui o testemunho colhido in locu e pessoalmente de quem teve a experiência ufológica”. Para tanto, ele criou o projeto Signal Found [Sinal Encontrado], um séria iniciativa que investigaria relatos de pousos de naves extraterrestres na Grã-Bretanha, que pouca gente sabe que é idéia sua. Porém, o ego de participantes do projeto criou empecilhos para seu sucesso. “Há ufólogos que agem como colecionadores de selos e não dividem suas informações”. Apesar de sua intensa atividade em todos os segmentos da Ufologia, Mantle tem posições questionadas quanto a certos aspectos do fenômeno. Para ele, por exemplo, abduções e implantes ainda não podem ser comprovados como extraterrestres e devem ser analisados por profissionais, não por ufólogos, “Já entrevistei vários abduzidos e não tenho dúvidas de que tiveram experiências realmente incomuns, mas se estão ligadas à Ufologia, esta é outra história”.

Mantle foi um dos primeiros ufólogos do mundo a divulgar casos ocorridos atrás da chamada Cortina de Ferro, que beiram o inimaginável. Entre eles, cita um azarado piloto soviético que por duas vezes teve que se ejetar após o encontro com esferas misteriosas, que chegaram a lhe causar queimaduras no rosto. O ufólogo afirma que este episódio não foi um acontecimento isolado. Ele fala também da presença de UFOs sobre a usina nuclear de Chernobyl, em 1986, quando houve o vazamento de material radioativo que causou a contaminação do solo, doenças, mutações e centenas de mortes. E narra o caso de seis caças soviéticos derrubados na década de 60 na fronteira com o Irã e o Afeganistão, que causaram a morte de 12 pilotos, além de episódios ocorridos durante a Guerra Fria e dos arquivos da KGB – está tudo em seu espantoso livro UFOs na Rússia.

Por toda a sua dedicação à Ufologia, Philip Mantle conta com o respeito da Comunidade Ufológica Mundial. Ele é consultor da Revista UFO e, em fevereiro, virá ao Brasil pela primeira vez para participar da próxima edição da série Congresso Brasileiro de Ufologia Científica, organizado anualmente pelo Núcleo de Pesquisas Ufológicas (NPU) com o apoio desta publicação. Seu trabalho pela franca e irrestrita divulgação da presença alienígena na Terra deve servir de inspiração para todos os estudiosos, como se verá nesta entrevista exclusiva, em que reforça suas crenças e descobertas e fala sobre o que muitos desconhecem.


A internet é um desperdício. Ela pode ser uma ferramenta útil, mas um idiota qualquer pode criar um site, dar um nome chamativo e publicar muito lixo, desvirtuando a natureza da fenomenologia ufológica. Não há substituto para o velho, árduo e bom trabalho de investigação de campo. É muito difícil você encontrar alguma coisa na internet que seja útil se não souber o que procurar


Philip Mantle, primeiramente uma pergunta incômoda: por que você deixou a Bufora depois de tantos anos?
Eu deixei a entidade por questões políticas. Infelizmente, havia pessoas dentro dela que tinham inveja do meu currículo na Ufologia e queriam ter o mesmo reconhecimento, mas sem trabalhar durante anos, como eu trabalhei. Eu e muitos outros deixamos a Bufora ao mesmo tempo e como conseqüência ela hoje está desaparecendo. Atualmente a entidade atua muito mais na internet do que na investigação de campo. Quando eu saí tínhamos mais de mil associados, 100 investigadores, congressos anuais de grande sucesso, encontros mensais, uma publicação bimestral e dinheiro no banco. Hoje nada disso existe mais. Mas, mesmo assim, desejo muito sucesso à Bufora, da qual participei com muito orgulho.

Você acredita que as organizações ufológicas, a exemplo da Bufora, estão mais preocupadas com prestígio do que com a pesquisa ufológica? De maneira alguma. As organizações ufológicas têm um papel muito importante, mas as pessoas que as lideram é que são o problema. Muitas delas “crescem” dentro das entidades, mas ficam muito mais envolvidas com seus assuntos pessoais, em vez de se dedicarem à verdadeira Ufologia. É como se fossem colecionadores de selos, nada mais. E algumas simplesmente se recusam a compartilhar suas pesquisas e descobertas. Uma atitude patética, mas é a realidade.

Apesar deste dissabor, você continua engajado no projeto Signal Found. Poderia nos descrever como funciona? Sim. É um projeto de longo prazo em que pesquisamos aterrissagens de UFOs na Grã-Bretanha. Este tipo de evidência é muito importante e bem mais difícil de ser negada devido aos efeitos físicos que provoca. Eu já averigüei alguns casos, mas a falta de informação sobre ocorrências do gênero mina o projeto. Minha esperança é a de publicar um relatório com tais casos, o que levará muito tempo. Um dos problemas no levantamento de dados, como eu disse, está na atitude de muitos que se consideram ufólogos, os que tratam deste assunto como algo particular e não dividem suas informações. É frustrante, mas creio que terei que passar por isso.

Concordo plenamente, mas saiba que a Revista UFO está aberta às suas pesquisas e dará apoio ao projeto. Você acredita que a atitude que descreve seja uma das verdadeiras razões para que a Ufologia não deslanche como deveria? Certamente. Se houvesse uma rede de informações, de compartilhamento e de troca de experiências, a Ufologia seria muito mais forte e teria um peso muito maior.

E a internet? Ela não serviria para essa troca? A internet é um desperdício. Ela pode, sim, ser uma ferramenta útil, mas um idiota qualquer pode criar um site, dar um nome chamativo e publicar muito lixo ufológico, desvirtuando a natureza da fenomenologia ufológica. Não há substituto para o velho, árduo e bom trabalho de investigação de campo. É muito difícil você encontrar alguma coisa na internet que seja útil se não souber o que procurar. Em minha opinião, a melhor saída hoje é participar de grupos ufológicos e escolher os melhores livros e revistas disponíveis sobre o assunto. Do convívio com outros pesquisadores é que surge a experiência, além, é claro, de muita investigação de campo. Certamente a internet também é uma ferramenta importante, mas nada é mais rico do que o contato com as testemunhas e investigar os casos in locu.

Você, que ainda faz este valioso trabalho, conte-nos qual foi o caso mais impressionante que pesquisou pessoalmente. Dentro das minhas possibilidades, procuro priorizar a investigação de campo. Hoje estou afastado devido a uma doença, mas tenho vários colegas que me ajudam em trabalhos de campo. Um exemplo de caso ufológico muito importante ocorreu no início dos anos 80. Eu e Mark Birdsall investigamos a aterrissagem de um UFO em Normanton, West Yorkshire, que ocorreu em plena luz do dia e teve como testemunhas um adulto e várias crianças. Todos viram um objeto pousar num campo e foram lá dar uma olhada. Ao lado da nave havia três humanóides que, quando perceberam que estavam sendo observados, fugiram para trás do veículo. Segundo as testemunhas, o UFO era prateado e tinha o formato de um chapéu mexicano que, ao decolar, não emitiu som algum.

crédito: ARQUIVO UFO
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Cena do comentado filme de uma suposta autópsia de um ser extraterrestre que teria sido resgatado no acidente de Roswell, desmascarada por Mantle

Sua trajetória ufológica é marcada pelo caso da suposta autópsia alienígena de Ray Santilli. Em 1999, eu o entrevistei e você declarou que ainda existia a possibilidade de a filmagem ser verdadeira. O que aconteceu para que mudasse de idéia? Você deve saber que o vídeo apareceu em 1995, mas eu só tive a oportunidade de vê-lo 18 meses depois. Realmente, na primeira vez que o assisti achei que fosse verdadeiro. Na ocasião tinha que pensar rápido e pedi ao Santilli se poderia mostrá-lo num congresso que seria realizado pela Bufora. Para a minha surpresa, ele aceitou. Era minha intenção que o filme fosse conhecido, mas só depois pude procurar mais informações sobre ele. Até aquele momento não havia o envolvimento das emissoras de TV na divulgação da película, o que depois virou uma febre mundial. O plano de Santilli era vender a filmagem para várias redes, o que ele acabou conseguindo, mas eu não sabia daquilo na época. Só queria divulgá-lo para o bem da Ufologia, como uma evidência que considerava séria e contundente.

Como você descobriu que a filmagem era uma fraude? Ao longo de muita investigação, acabei entrevistando o homem que liderou a equipe que produziu o filme. Seu nome é Spyros Melaris e ele atualmente está escrevendo um livro em que conta toda a história desta grande e bem elaborada farsa, que enganou tanta gente. Ainda hoje há quem pergunta se o filme é verdadeiro, mas quem crê nisso – ou que a película exposta na TV contenha algum fragmento verdadeiro supostamente escondido em algum lugar – está enganado. Levei 14 anos para checar a fundo o filme e para mim este é um assunto encerrado.

Em um artigo sobre a fraude, na sua página na internet, você afirma ter ficado decepcionado com a atitude de um determinado ufólogo. Quem é ele e por quê? Sim. Num congresso ufológico realizado em outubro de 2007, reencontrei o colega ufólogo alemão Michael Hesemann [Antigo consultor da Revista UFO]. Como todos sabem, ele é um grande estudioso de vídeos e fotos de UFOs, e também investigou a filmagem da autópsia alienígena de Santilli de 1995 a 1997. Ficamos amigos na época, tratamos intensamente do caso e chegamos a publicar um livro a respeito juntos, logo em 1998, no furor do momento e quando ele ainda era tido como verdadeiro. Ora, após o evento de 2007, quase uma década depois, ele me enviou um e-mail dizendo que em 1996 recebeu uma mensagem afirmando que o filme era uma fraude e que Melaris era o produtor. O que me deixou atônito foi que ele nunca disse isso a ninguém antes, muito menos a mim, levando todos a crerem que o material fosse verdadeiro. Em sua defesa, quando o interpelei, Hesemann foi evasivo e falou que não tinha certeza se acreditara na mensagem recebida e que, então, preferiu deixar tudo como estava. Mas sua explicação não entra na minha cabeça e esta foi uma grande decepção.

Lamentável. Mas, deixando as fraudes e decepções de lado e olhando o fenômeno ufológico como um todo, o que você acha que é a maior evidência de que estamos recebendo visitas de extraterrestres? Esta é uma questão muito difícil de ser respondida, se não impossível. Existem algumas evidências físicas que são difíceis de ignorar, como fotos e registros em radares. O testemunho de algumas pessoas também é bem consistente e forte indicativo da realidade da manifestação, como no caso do pouso em Normanton que mencionei.

Qual é o caso ou evidência ufológica mais impressionante que você conhece? Esta é outra pergunta difícil de ser respondida. No topo da minha lista está a fantástica manifestação de luzes e sondas que ocorre em Hessdalen, uma determinada região da Noruega e é investigada há duas décadas pelo Projeto Hessdalen [Veja detalhes no DVD Portal, código DVD-032 da coleção Videoteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. O que ocorre lá é simplesmente espantoso. Outros casos dignos de nota e que intrigam ufólogos e céticos até hoje são o de Normanton e o da Floresta Rendlesham, também chamado de Caso Bentwaters. Neste evento, de dezembro de 1980, um objeto triangular aterrissou numa base militar inglesa e norte-americana, e alguns soldados que faziam guarda no depósito de armas avistaram o fenômeno. Um deles disse que o objeto era tão brilhante que não se podia olhar diretamente para ele. O fantástico neste caso é que houve séria interferência do UFO nas armas nucleares mantidas naquela instalação. Estes seriam meus casos favoritos.

Por favor, fale mais sobre os fatos ocorridos em Hessdalen. Os avistamentos mais comuns lá são de luzes que aparecem no céu, em grande quantidade e diversidade. É verdade que a maioria destes casos em todo o globo pode ser facilmente explicada, mas em Hessdalen as luzes até hoje não têm explicação, de tão abundantes e desafiadoras. Na década de 80 elas chamaram a atenção de ufólogos do mundo inteiro e foram o primeiro fenômeno ufológico estudado minuciosa e cientificamente, usando-se tecnologia de ponta pelo Projeto Hessdalen, que contou inclusive com muitos cientistas. A primeira aparição conhecida ocorreu em dezembro de 1981, mas de lá para cá elas progrediram bastante. Algumas vezes as luzes chegavam a ficar paradas no céu por mais de uma hora para depois se moverem lentamente, até pararem de novo. Em outras apareciam em disparada, sendo suas velocidades registradas pelos radares em cerca de 8,5 km/s.

Eu já entrevistei vários alegados abduzidos e não tenho dúvidas de que tiveram experiências realmente incomuns, mas se estão ligadas à Ufologia, esta é outra história. Temos que definir bem isso, e para tanto é necessária a consulta aos profissionail. Estou convencido de que a chamada experiência de abdução pode ser uma forma de alteração do estado de consciência do indivíduo


O documentário Portal, da coleção Videoteca UFO, mostra alguns destes acontecimentos e filmagens estarrecedoras. O que mais você pode nos dizer sobre as luzes de Hessdalen?
Bem, muita coisa. Elas têm várias formas e isto fica evidente quando são fotografadas. As mais comuns lembram uma bala de revólver, uma bola de futebol americano e um pinheiro de Natal de cabeça para baixo. Estes são formatos incomuns, eu sei, mas são uma prova do quanto é desafiador este tema. Suas cores vão do amarelo ao branco com o vermelho prevalecendo em algumas vezes. O Projeto Hessdalen foi lançado em 1984 para pesquisar tudo isso, surgido a partir de uma parceria de ufólogos com as universidades de Oslo, Bergen e Trondheim e o Departamento de Pesquisa e Defesa da Noruega. O projeto contou até com a presença de J. Allen Hynek, em 1985. Resumindo, hoje, mesmo depois do fim da iniciativa, a população local ainda vê luzes que nunca tiveram uma explicação científica [Mais informações: www.hessdalen.org].

Fantástico, mas vamos falar um pouco do fenômeno da abdução, sem dúvida um dos aspectos mais intrigantes da Ufologia. Segundo uma pesquisa feita nos Estados Unidos, milhões de pessoas já teriam sido abduzidas por extraterrestres. O que acha disso? Acho que este é um tema espinhoso, que talvez devesse ser melhor analisado por profissionais médicos. Veja, eu já entrevistei vários alegados abduzidos e não tenho dúvidas de que tiveram experiências realmente incomuns, mas se estão ligadas à Ufologia, esta é outra história. Temos que definir bem isso, e para tanto é necessária a consulta aos profissionais a que me referi. Após muito estudar a questão, estou convencido de que a chamada experiência de abdução pode ser uma forma de alteração do estado de consciência do indivíduo ainda não totalmente compreendida pela ciência. Eu abandonei este campo de pesquisa anos atrás, quando cheguei ao meu limite e percebi que não temos confirmação da ação de seres extraterrestres nestes casos.

Percebo que você não acredita em abdução, mas como este é um assunto controverso, preciso insistir. Casos como o do casal Betty e Barney Hill, de Travis Walton e de Antonio Villas-Boas, pessoas idôneas, simples e que não tinham ligações com o assunto na época de suas experiências, não o perturbam? Seus relatos não são provas suficientes para crer pelo menos na possibilidade de as abduções serem feitas por alienígenas? Em minha opinião, as evidências não dão base para se concluir isso. As abduções ocorrem sim, não há dúvidas sobre isso, mas a natureza e origem destas experiências são mais obscuras do que o espaço sideral.

Então, pelo seu ponto de vista, devemos concluir que o recurso da regressão hipnótica seria ineficiente? Ele pode ser uma ferramenta útil, mas somente se utilizada por profissionais. A regressão deve ser considerada apenas em última instância, mas muitos ufólogos a tem usado antes de qualquer outro tipo de recurso, indiscriminadamente.

Também não se pode falar de abdução sem mencionar os supostos implantes alienígenas. O maior especialista no assunto, o doutor Roger Leir [Consultor da Revista UFO], afirma categoricamente que tem retirado cirurgicamente pequenos objetos dos corpos de abduzidos. Segundo ele, tais artefatos, analisados em laboratórios especializados, são diferentes de qualquer tipo de material encontrado no planeta. Você já estudou este aspecto da Ufologia? Sim, e sabemos que são de fato objetos físicos. Mas não creio que tenham origem extraterrestre. É um assunto muito interessante para ser estudado, mas, ao contrário do que afirmam alguns pesquisadores, vários dos quais conheço e valorizo, os implantes não parecem ter qualquer espécie de tecnologia definida ou visível. Os artefatos não lembram nada que pudesse parecer um transmissor ou receptor, por exemplo. Como não acredito que as abduções tenham ligação com alienígenas, os implantes também não têm origem extraordinária. Ou, para ficar mais claro: eles não são colocados nas pessoas por extraterrestres.

Mas por quem, então? Qual é sua teoria sobre isso? Você acha que estas pessoas estariam colocando os implantes em si mesmas? É simples. Se as pessoas não estão sendo abduzidas por alienígenas, eles não podem estar colocando implantes em seus corpos. Quando crianças, caímos e nos machucamos com freqüência, deixando marcas aqui e ali sem que percebamos. Quantas pessoas já não olharam para sua perna e encontraram um machucado ou um sinal roxo sem saber como ele apareceu? Eu, por exemplo, tenho uma marca em cada perna. Lembro-me de como me machuquei e ganhei uma delas, mas não a outra. Qual a explicação mais lógica para estes casos, que foram acidentes ou a ação de aliens?

Certo. Mas falemos de outro assunto, então. Você também é bastante conhecido por ter trazido ao Ocidente casos espantosos de discos voadores no que antes era chamada de Cortina de Ferro, a extinta União Soviética. Seu livro UFOs na Rússia, da coleção Biblioteca UFO, junto de Paul Stonehill, é um sucesso. Fale-nos mais sobre o desafio que foi apurar tais ocorrências ufológicas e publicá-las. A casuística ufológica daquela parte do mundo é assombrosa, e muitos casos só foram conhecidos no Ocidente após a publicação de nosso livro. Boa parte do problema se deve à barreira lingüística, mas hoje sabemos que a Rússia tem uma das mais altas incidências ufológicas do mundo. Eu e Stonehill, que nasceu na Ucrânia, ficamos estupefatos com a quantidade de ocorrências de avistamentos de UFOs e contatos com seus tripulantes, e por isso decidimos escrever o livro – e também para dar uma amostra de como era feita a pesquisa ufológica na antiga União Soviética, atual Rússia. Queríamos prestar um tributo aos pesquisadores daquela parte do globo, pois é bom lembrar que eles, sob o antigo regime, podiam sofrer severas penas se descobertos. Nenhum ufólogo do Ocidente teve que
trabalhar sob estas circunstâncias.

Certamente, aqueles eram tempos difíceis. Mas você acredita que hoje ainda seja possível conseguir informações inéditas na antiga União Soviética? A Rússia atual é igual a qualquer país do Ocidente. A maioria das informações vem da internet e Ufologia não é mais um assunto censurado. Mas a burocracia da antiga Cortina de Ferro era tão grande que certamente ainda há muita coisa a ser descoberta. Por exemplo, ainda existe um grande mistério que permanece envolto em sombras, o incidente de Tunguska, uma enorme explosão que ocorreu naquela região em 1908. Seus efeitos ainda são visíveis até hoje e os cientistas continuam divergindo quanto à sua causa. Se a explosão como aquela ocorresse numa metrópole, teríamos milhares de mortos.

Qual você acha que foi a causa do incidente de Tunguska? Bem, alguns acreditam que uma nave extraterrestre explodiu na região, mas esta é apenas uma das teorias [Veja detalhes no DVD UFOs: Conexão Russa, código DVD-027 da coleção Videoteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. Dentre muitas outras destaco a do astrônomo soviético Ari Shternfeld, que calculou algo incrível. No início do século XX os cientistas esperavam duas grandes oposições, ou seja, o posicionamento de dois corpos celestes quando a longitude entre eles difere 180 graus. Utilizando o posicionamento de Vênus e da Terra, Shternfeld decidiu calcular hipoteticamente quando uma espaçonave teria que decolar do vizinho para chegar ao nosso planeta com o menor gasto de energia. Sua conclusão foi incrível: a melhor data para que uma espaçonave saísse de Vênus e chegasse à Terra seria 30 de junho de 1908, justamente o dia da explosão em Tunguska. É claro que esta teoria nunca foi comprovada, mas é uma grande coincidência. O mesmo se daria com cálculos para Marte e a Terra naquela data.

crédito: ALEXANDRE JUBRAN
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Inúmeros pilotos perderam suas vidas em tentativas de interceptação a discos voadores na extinta União Soviética, forçando o governo a determinar a proibição de tais atos

Mas então, segundo Shternfeld, a espaçonave teria acelerado demais e caído na taiga siberiana? Ou, de acordo com outra teoria pouco conhecida, ela não teria caído na taiga e sim decolado dela. O engenheiro russo E. Krutelev publicou sua análise do fenômeno em Tunguska no jornal Rabochaya Tribune, em 1991. Ele está convencido de que o que ocorreu lá não foi a destruição de uma nave alienígena, mas sim sua decolagem. E baseia sua teoria no testemunho de moradores que ouviram o barulho de um “trovão” se movendo para o norte, além de material colhido no local. Parece incrível? Pois S. Privalikhin, morador do local na época, compartilha desta opinião. Segundo conta, ele teria ouvido um barulho como o de um canhão e logo depois visto um objeto alongado voar horizontalmente, deixando um rastro de fogo. Ao mesmo tempo, I. Starichev, que estava às margens do Rio Kama, naquela área, também observou o artefato.

Tunguska pode ter sido um dos eventos mais inusitados que conhecemos, mas certamente existem outros casos russos tão ou mais espantosos. Você teria outro em sua lista de pesquisas para nos narrar? Sim, os manuscritos russos são muito interessantes e ricos. Por exemplo, no ano de 904 a.C., o então príncipe Oleg começou sua campanha contra os gregos, marchando de Kiev em direção à Constantinopla com um exército de milhares de homens e navios, e contando também com misteriosos “aparelhos voadores”. O combate já durava semanas, o que estava deixando Oleg aborrecido, e então ele ordenou que seus “cavalos”, como eram chamados, decolassem e atacassem os gregos pelo céu. O que seriam aqueles objetos? Outro documento antigo, descoberto na biblioteca da Universidade de Kazan e pesquisado pelo historiador russo M. D. Strunina, revela a existência de UFOs na Rússia da Idade Média. Segundo o manuscrito, um garoto chamado Yasha estava colhendo frutas numa floresta quando se deparou com um ser vestido de branco, que se apresentou como Timofei e o convidou a entrar numa espaçonave em forma de balão. Yasha ficou três anos no planeta de seu anfitrião, que lhe ensinou ciências e “mágicas”. Na despedida, Timofei lhe deu duas moedas, uma de ouro e outra de prata. Está tudo em meu livro UFOs na Rússia

Avançando algumas centenas de anos desde estes casos chegamos à Segunda Guerra Mundial, quando os foo-fighters foram vistos tanto pelos aliados quanto pelos países do chamado Eixo. O que os arquivos russos falam sobre isso? Falam muito! Há dezenas de relatos interessantes. Em novembro de 1944, sobre a Polônia, por exemplo, Lev Petrovich Ovsischer, navegador de um avião bombardeiro, observou junto com seus colegas um estranho objeto brilhante sobre Varsóvia. O UFO pairou a grande altitude por mais de 15 minutos e sua luminosidade era incrível. Nenhuma das testemunhas havia ouvido falar de discos voadores até então. Outro incidente bem interessante ocorreu em 26 de agosto de 1943 em Kursk, local de uma das maiores batalhas entre tanques na Segunda Guerra. O tenente Gennady Zhelaginov estava observando o céu após mais um ataque aliado contra as defesas alemães quando viu um objeto alongado a grande velocidade passando sobre as linhas germânicas. Ele era azul-escuro, mas no centro havia uma cor alaranjada.

Você apurou em suas pesquisas se Stalin, o grande ditador, tinha interesse por discos voadores? Sim. Segundo o Russian UFO Research Center [Centro de Pesquisas Ufológicas da Rússia, RURC], o engenheiro de foguetes Sergey Korolyov foi chamado ao Kremlin em 1947 pelo próprio Stalin. O mundo tinha recebido a notícia de que os Estados Unidos haviam capturado um disco voador acidentado e Korolyov foi encarregado de verificar o fato. Foram dadas a ele duas intérpretes, pilhas de jornais e livros estrangeiros e três dias para sua investigação. O engenheiro chegou a pedir ao ditador para levar o material para casa, a fim de estudá-lo com mais calma e pedir opiniões a outros cientistas. A resposta foi negativa. Stalin colocou-o num apartamento em Moscou para terminar seu serviço, incomunicável. No final do prazo, exigiu a análise de Korolyov sobre os UFOs, e sua resposta foi que não se tratavam de armas estrangeiras e não representavam ameaça à União Soviética. Stalin foi tranqüilizado, mas não por muito tempo [Veja detalhes no DVD Revelações Ufológicas da Rússia, código DVD-008 da coleção Videoteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br].



A burocracia da antiga Cortina de Ferro, imposta pela KGB, era tão grande que certamente ainda há muita coisa a ser descoberta. Por exemplo, ainda existe um grande mistério que permanece envolto em sombras, o incidente de Tunguska, uma enorme explosão que ocorreu naquela região em 1908. Seus efeitos ainda são visíveis até hoje e os cientistas continuam divergindo quanto à sua causa


Houve uma descoberta muito importante, ocorrida em 1953, que você narra em seu livro e que ligaria Stalin à vida extraterrestre. Qual foi ela? Veja, o ditador morreu misteriosamente em março daquele ano, mas histórias sobre sua ligação com UFOs não terminaram com sua morte. Na época, uma expedição arqueológica estava realizando escavações em Kiev e os exploradores fizeram uma descoberta que ficou em segredo até 1993, isto é, até 40 anos depois. O caso só veio a público através de um jornal. Segundo uma das testemunhas – que mesmo depois de tanto tempo preferiu ficar no anonimato –, os arqueólogos encontraram uma tumba a mais de sete metros da superfície, com mais de 500 livros escritos em árabe, grego, sânscrito e eslavo. Os livros teriam pertencido a Stalin e continham desenhos de construções de estações orbitais e hangares para espaçonaves. A MVD, então polícia secreta soviética e precursora da temida KGB, recolheu todo o material e determinou aos exploradores que ficassem quietos. A partir de então, a presença alienígena nunca mais foi tratada com indiferença pelo país.

A preocupação era tão grande assim? Era, e por isso a extinta União Soviética chegou a se antecipar e criou um cenário de uma invasão extraterrestre. Em 1994 o ufólogo russo Yuri Stroganov foi visitado por um ex-agente da KGB chamado Ivan Vasilyevich, que lhe disse ter trabalhado durante muitos anos num grupo secreto de pesquisa para desenvolver possíveis reações a um ataque alienígena. Esse grupo era uma unidade secreta dentro da própria KGB, cujo trabalho consistia em determinar a melhor estratégia para conter uma agressão externa como aquela.

Pelo visto, a possibilidade de uma invasão extraterrestre sempre foi levada a sério. Mas o que atrairia uma civilização mais avançada ao nosso planeta? Energia, minerais, recursos biológicos? Não. A KGB sabia que “bom” e “mau” não eram termos científicos aplicáveis à questão ufológica. Uma civilização muito mais avançada do que a nossa simplesmente ignoraria os seres humanos, não importa qual seja sua intenção. Há incontáveis fontes de energia, minerais e de recursos biológicos no universo. Por que iriam querer os nossos? E também vários planetas desabitados e prontos para seu uso. Aqueles que desenvolveram uma energia que os tornou capazes de viajarem pelo cosmos não precisariam de nossa tecnologia ultrapassada e poluidora.

Mas qual era então o plano dos alienígenas, segundo o pensamento dos analistas da extinta KGB? Os cientistas chegaram à conclusão de que uma suposta invasão extraterrestre ocorreria segundo uma estratégia definida. Primeiramente, haveria na Terra uma “explosão” de organismos vivos diferentes dos que aqui existem, talvez para se infiltrarem ou testarem o novo habitat. Em seguida viriam mudanças genéticas irreversíveis, feitas para se criar um novo sistema social, uma nova psicologia e novas reações humanas. E para se manter este processo despercebido ele seria iniciado sem violência ou coerção. As ferramentas para deter esta invasão alienígena estavam bem claras para a KGB, e estariam nas mãos de físicos, dos chamados contatados e de criadores de novas religiões. O grupo deveria trabalhar buscando detectar os agentes invasores.

crédito: PROJETO HESSDALEN
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O Projeto Hessdalen, realizado na Noruega e retratado no documentário Portal, da coleção Videoteca UFO, foi a primeira iniciativa para se investigar luzes não identificados

Qual era o plano dos soviéticos caso houvesse uma verdadeira invasão alienígena? Como eles imaginavam que conseguiriam conter a agressão? Isso não posso afirmar, mas nos tempos da Cortina de Ferro tudo poderia acontecer. Segundo Ivan Vasilyevich, pouca gente do Ocidente sabia, mas todas as estações orbitais soviéticas poderiam se tornar bombas nucleares. Se fosse confirmada uma invasão alienígena, os agressores seriam atacados antes de chegarem à superfície. E se conseguissem chegar, um ataque nuclear seria iniciado diretamente onde tivessem pousados. Armas químicas e bacteriológicas também seriam utilizadas sem restrições. Vidas seriam perdidas, é verdade, mas a raça humana resistiria e venceria.

Como as forças armadas da extinta União Soviética reagiam à presença alienígena na Terra, que já estava então bem determinada na época? Havia sigilo completo envolvendo as atividades de investigação dos militares soviéticos antes de 1993, ou seja, antes de Mikhail Gorbachev chegar ao poder. Eles investigavam o fenômeno, mas muitas vezes aparentavam publicamente desprezá-lo ou minimizá-lo, mais ou menos como os norte-americanos faziam nos anos 60 e 70, principalmente no auge do Projeto Livro Azul. A estratégia era essa: fazer de conta que não se tratava de coisa séria, enquanto, por trás das cenas, investigavam tudo profundamente.

Você chegou a descobrir se havia um protocolo ou diretriz militar estabelecida para o caso de um UFO ou de seus ocupantes serem encontrados? Sim. A grande onda ufológica que varreu o país entre 1977 e 1978 culminou com a criação do Setka, um programa soviético secreto de pesquisa ufológica. Com os milhares de relatos naqueles anos, o governo viu-se obrigado a ordenar que a Academia de Ciências criasse um órgão para a pesquisa de discos voadores, e ele era o Setka ou Setka-AN, sendo este AN as iniciais de Academia de Ciências em russo, ou Akademii Nauk. As forças armadas tinham outra entidade semelhante, um programa homônimo chamado Setka-MO, sendo que este MO eram as iniciais de Ministerstva Oboroni. O Setka estudou muitos avistamentos ufológicos e chegou a várias conclusões. A mais estarrecedora era a de que os aviões não deveriam se aproximar a menos de 10 km de distância de UFOs, porque eles poderiam ser derrubados.

Você levantou algum caso de caça a jato soviético abatido por discos voadores? Sim. Em uma das entrevistas que tive com dois oficiais soviéticos, os coronéis I. K. Ovsischer e A. Dodin, foi-me dito que na década de 60 seis caças ultramodernos para a época foram derrubados na fronteira com o Irã e o Afeganistão e 12 pilotos morreram num aparente ataque de uma nave extraterrestre. Mas quem atirou primeiro? Talvez nunca saibamos.

Há também casos de estranhas esferas que atacaram um piloto soviético nos anos 90, levando-o a se ejetar do avião? Correto. Em 16 de agosto de 1991, Maxim Churbakov, cadete da Escola Militar de Aviação de Yeisk, decolou para o seu terceiro vôo solo, mas depois de 14 minutos sua turbina começou a falhar. O comando em terra não conseguia identificar o problema e ele teve de ejetar. Mesmo tendo perdido uma aeronave de milhões de dólares ele se tornou herói devido ao seu comportamento durante o episódio. Então, apenas alguns dias depois, em 28 de agosto, ele estava voando novamente, desta vez a 4.300 m de altitude, quando viu uma estranha esfera alaranjada sobre as nuvens ao seu lado, o que reportou imediatamente ao controle de vôo. Nesse meio tempo a esfera estava se aproximando dele e aumentando seu diâmetro barbaramente. A luz era tão forte que queimou os olhos do piloto. Momentaneamente cego, só lhe restou se ejetar mais uma vez.

Churbakov não foi o único piloto a ter problemas com esferas voadoras, pelo que sabemos. Você pode descrever mais algum caso? Não, não foi. Um caso similar ocorreu em 1981, quando o piloto V. Korotkov ficou frente a frente com uma esfera de 8 m de diâmetro que acompanhou seu caça Mig por alguns minutos, causando panes elétricas e de comunicação. Quando o objeto foi em direção à cauda, houve uma explosão, a bola de luz desapareceu e o motor voltou a funcionar. Os investigadores da Força Aérea Soviética não conseguiram determinar o que causou o estouro, que chegou a danificar a parte traseira do avião. Por causa destes incidentes, desde 1965 uma ordem do Comando Supremo das Forças de Defesa Aérea do país proibia veemente o ataque ou qualquer tipo de ação hostil contra os objetos voadores não identificados. Mas o grande problema que se enfrentava era a presença dos UFOs em áreas de testes nucleares secretas, de lançamentos de foguetes, de novas tecnologias e de usinas nucleares.

Stalin morreu misteriosamente em março de 1953, mas histórias sobre sua ligação com UFOs não terminaram com sua morte. Exploradores descobriram uma tumba com mais de 500 livros escritos em árabe, grego, sânscrito e eslavo, que teriam pertencido a ele e continham desenhos de construções de estações orbitais e hangares para espaçonaves. A KGB recolheu todo o material


Em UFOs na Rússia você afirma que uma nave alienígena foi vista na época do terrível acidente nuclear na usina de Chernobyl, que colocou o mundo sob alerta. Como isso ocorreu? Aquilo foi de extrema gravidade e o dia 26 de abril de 1986 ficou marcado por um desastre que ceifou a vida de muita gente da pequena Chernobyl. Mas o que pouca gente sabe é que um UFO foi visto naquela mesma noite e houve rumores de que teria sido o causador do acidente. Porém, pelos relatos colhidos, parece que foi justamente o contrário. Valery I. Krahovil, ufólogo e autor de vários livros e artigos, coletou inúmeros depoimentos sobre o caso e, em abril de 1990, localizou Mikhail A. Varitzky, técnico da usina. O que Varitzky lhe disse parece confirmar esta informação: a presença de um UFO causou a redução dos níveis de radiação em Chernobyl, logo após o terrível acidente. Como se vê, às vezes “eles” também nos ajudam, embora tenhamos casos terríveis, como já citei.

Com a queda do Muro de Berlim, o fim da KGB e o estabelecimento da Glasnost, muitos documentos ufológicos acabaram saindo do controle estatal e indo parar nas mãos de grupos privados, que os negociavam com o Ocidente, com quem pagasse mais. O que você pode nos dizer a respeito? Em 1991, Gorbachev acabou com a KGB e a Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA), que sempre foi interessada em tudo que havia no antigo regime, passou a procurar com avidez quem pudesse oferecer documentos ufológicos, principalmente vídeos e fotos. Segundo algumas fontes canadenses, na época, a CIA obteve um arquivo com 250 páginas de relatos de casos e avistamentos ufológicos espantosos. Num dos mais impressionantes, um UFO passou lentamente sobre uma unidade do Exército Soviético que estava conduzindo manobras militares na Sibéria. Por razões desconhecidas foi disparado um míssil terra-ar que atingiu o objeto não identificado. Ele caiu não muito distante dos soldados e cinco humanóides saíram dos escombros. Dois dos homens que sobreviveram ao contra-ataque relataram que os seres, após saírem do veículo danificado, aproximaram-se do batalhão e entraram numa luz que tomou a forma esférica.

O que aconteceu com os tripulantes e com a bola? Ela zuniu bastante e tornou-se muito brilhante, e em poucos segundos explodiu numa incrível luz branca. Naquele momento, 23 soldados que observavam o evento foram “transformados” em pedra. Os únicos que sobreviveram foram os dois que ficaram dentro de uma trincheira. O relatório ainda diz que os destroços do UFO e os soldados petrificados foram levados para uma base secreta em Moscou. Ainda de acordo com o relatório, cientistas afirmaram que a energia da explosão alterou o organismo dos soldados, transformando suas moléculas em moléculas semelhantes às encontradas em pedras vulcânicas.

Que coisa alarmante. E há uma passagem em seu livro ainda mais aterradora, que conta que por pouco não houve uma guerra nuclear causada por um UFO na extinta União Soviética. Como foi isso? É verdade. Esta informação também veio do arquivo ao qual a CIA teve acesso. Em 04 de outubro de 1982, um UFO perfeitamente geométrico e com mais de 8 km de diâmetro foi visto sobre uma base de mísseis em Byelokoroviche, na Ucrânia. Várias testemunhas confirmaram o fato a David Ensor, correspondente da rede de TV norte-americana ABC, que fez uma investigação nos arquivos. Uma testemunha chave foi o tenente-coronel Vladimir Plantonev, engenheiro de mísseis que estava no bunker da base naquele dia. Ele disse que o UFO não emitia sons e era discóide. A instalação de Byelokoroviche, desmontada na década de 90, tinha mísseis apontados para os Estados Unidos e Plantonev estava diante dos painéis com os dispositivos de disparo, todos ligados a Moscou. Quando o UFO começou a sobrevoar a instalação, as luzes dos lançadores se acenderam, o que indicava que os mísseis estavam prontos para serem disparados e só aguardavam uma ordem direta do alto comando. Por 15 longos segundos a base simplesmente perdeu o controle das suas armas nucleares e quase uma guerra nuclear teve início.

Felizmente não ocorreu, mas mudemos um pouco de assunto. Em 2008 você teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o astronauta Edwin “Buzz” Aldrin, e estamos no ano do 40º aniversário do primeiro pouso na Lua. Em sua opinião, a Apollo 11 foi mesmo escoltada por UFOs, como se diz? Antes de tudo, queria dizer que aqueles que duvidam que o homem esteve na Lua são ignorantes. Aldrin e seus companheiros foram verdadeiros pioneiros e merecem nosso respeito. Agora, se a Apollo 11 foi seguida por UFOs, não sei. Mas nada me surpreenderia. Existem muitas fotos de estranhos objetos tiradas pela NASA durante as missões espaciais, além de gravações de conversas entre os astronautas e o controle em terra. Mas as fotos não são provas contundentes e os diálogos não vêm de nenhum veículo oficial de informação. Igualmente, nenhum astronauta jamais veio a público dizer com todas as letras que a sua missão foi acompanhada por um UFO.

crédito: A. KONRADO
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Até hoje os cientistas divergem quanto à causa da explosão em Tunguska, na Taiga Siberiana, em 1908. Uma das teorias, agora apresentada pelo entrevistado, é de que tenha se tratado da decolagem de um UFO

E as imagens feitas pelo Space Shuttle em órbita da Terra? Elas são impressionantes, assim como as declarações do astronauta Edgard Mitchell, da Apollo 14. As imagens do Space Shuttle estão abertas a interpretações e nada vi nelas que me convencesse de que algo incomum ocorreu no espaço. Já quanto ao astronauta Edgard Mitchell, ele não se refere especificamente ao que viu, e sim à sua própria opinião.

Há registros de encontros entre cosmonautas soviéticos e seres ou naves alienígenas durante as missões daquele país, antes ou depois da queda da Cortina de Ferro? Claro. Um dos mais famosos foi o episódio ocorrido com a espaçonave Salyut 6. Durante quatro dias os cosmonautas Vladimir Kovalenok e Viktor Savinikh observaram um objeto redondo ao lado da cápsula, que em determinado momento aproximou-se a 100 m deles. Com isso, Kovalenok e Savinikh puderam observar os alienígenas por detrás das escotilhas do UFO, e eles tinham olhos bem azuis e pele marrom. Os seres tentaram um contato direto ao saírem de sua espaçonave, mas o comando em terra em Moscou não permitiu que os cosmonautas fizessem o mesmo. Todo esse incrível evento foi filmado. Imagine quando este filme for divulgado [Veja edição UFO 154]...

Não podemos nos esquecer também do caso da sonda Phobos 2, que em janeiro de 1989 entrou na órbita de Marte para fotografar aquela lua marciana e deixar lá um equipamento. O que ocorreu depois é no mínimo muito estranho... Sim, sem dúvidas. A sonda tirou fotos da superfície marciana que mostrava uma sombra elíptica, como se algo acima dela estivesse bloqueando os raios solares. Em 1991, a pesquisadora russa Marina Popovich mostrou as fotos que a sonda tirou antes de perder contato. Era um objeto de mais de 4 km de extensão. As fotos hoje são mundialmente conhecidas, mas sua explicação permanece um mistério. E temos também o caso dos cosmonautas Musa Manarov e Gennady Strekalov, que em 16 de maio de 1996, durante sua rotina de filmagens em órbita de outra espaçonave russa, notaram um artefato em forma de antena abaixo de outra nave que girava sobre seu próprio eixo.

Mais uma vez citando seu livro UFOs na Rússia, gostaria de perguntar quem eram aqueles homens que os soviéticos chamavam de “os sem nome” durante a corrida espacial? Ninguém sabe ao certo, mas vários relatórios russos agora conhecidos dão conta de que dezenas de cosmonautas foram mortos ou estão perdidos até hoje no espaço, desde o começo do programa espacial soviético – e suas identidades permanecem em segredo. Por isso são chamados de “os sem nome”. Mesmo antes de Gagarin, outro cosmonauta foi enviado ao espaço, mas morreu durante o vôo. Como se sabe, os russos estavam obcecados em vencer a corrida espacial e este episódio foi escondido, como muitos outros, igualmente trágicos. Dois cientistas italianos conseguiram gravar os batimentos cardíacos e a respiração daquele infeliz, enquanto ainda vivia. Entretanto, relatos vindos da própria Rússia indicam que havia não um cosmonauta apenas a bordo, mas dois, e o outro seria uma mulher. Era 24 de fevereiro de 1967, sete dias depois do início da missão. Houve um problema na cápsula espacial e eles ficaram sem oxigênio.


Pouca gente sabia, mas as estações orbitais soviéticas poderiam se tornar bombas nucleares. Se fosse confirmada uma invasão alienígena, os agressores seriam atacados antes de chegarem à sua superfície terrestre. E se conseguissem chegar, um ataque nuclear seria indicado diretamente onde quer que viessem a aterrissar

Para finalizarmos, quero agradecer sua atenção e perguntar algo: se você tivesse a oportunidade de ficar frente a frente com um ser alienígena, o que diria a ele? Boa pergunta. Provavelmente faria uma pergunta bem idiota e egoísta. Talvez se eles têm a cura para doenças do coração, já que há 10 anos tive um ataque cardíaco que quase me matou, e que desde então vem me causando problemas de saúde. É uma pergunta tola e individualista, mas seria isso. Eu agradeço a oportunidade e desejo que continuem com seu ótimo trabalho.