
Disse Monteiro Lobato, o grande escritor brasileiro e mestre da literatura infantil mundial, que “tudo no começo é sonho e nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira”. Com este autor não foi diferente. Meu sonho de ir à Antártida começou quando eu era menino, em uma noite estrelada de inverno, deitado sobre um monte de café no terreiro da Fazenda Belo Horizonte, em Cristais Paulista (SP). Captei, naquele momento, o sentido das palavras escritas pelo grande aviador e explorador almirante Richard Byrd, sobre a sensação de comunhão com o cosmos que o possuía quando contemplava o firmamento repleto de estrelas da longa noite polar na Antártida. Pelo código Morse, que aprendi aos 13 anos, acompanhava emocionado pelo rádio da fazenda a expedição da Marinha Norte-Americana que Byrd comandara em 1946. E sonhei que um dia eu iria ao Continente Gelado.
Estudei, preparei-me, adquiri competência profissional em meteorologia e, com 30 anos, a Marinha Norte-Americana, por meio de um companheiro de Byrd, o também almirante George Dufek, convidou-me para acompanhar duas missões da Operação Deep Freeze [Gelo Profundo]. Na primeira, entre janeiro e abril de 1961, viajei no quebra-gelo Glacier, que partiu da Nova Zelândia e explorou um setor desconhecido da costa da Antártida. Na segunda, saí novamente da Nova Zelândia, mas de avião, e visitei em novembro de 1961 as três bases mantidas pelos Estados Unidos na Antártida, McMurdo, Byrd e Amundsen-Scott. Mais tarde, entre 1982 e 2000, fiz outras 10 viagens — nove delas a serviço do Programa Antártico Brasileiro e uma no veleiro Rapa Nui, em apoio ao projeto de invernagem antártica de Amyr Klink.
Sonhos de juventude
Essas 12 viagens superaram de longe os meus mais ousados sonhos de juventude. O que jamais imaginara, porém, era que a primeira delas me introduziria nos mistérios cósmicos por trás dos discos voadores. Da mesma forma, jamais sonhara que a primeira expedição brasileira resultaria no conhecimento de um personagem importante para nossa pesquisa da presença alienígena na Terra. Curiosamente, a Estação Antártica Comandante Ferraz, a base brasileira no continente gelado destruída em 2012, seria instalada precisamente onde, 23 anos antes, eu avistara o meu primeiro UFO. Chego mesmo a pensar que os eventos ufológicos não acontecem por acaso. Como disse um dos seres extraterrestres que contataram o jovem Eromar Gomes, caso sobre o qual falaremos mais adiante, “não existem fatos chamados coincidência sobre a crosta terrestre”.
Em outros artigos publicados pela Revista UFO já fiz a detalhada descrição sobre o avistamento que ocorreu em março de 1961 [Veja edição UFO 177, agora disponível na íntegra em ufo.com.br], de forma que aqui farei apenas um breve resumo do que presenciei. Tratava-se de um objeto oval multicolorido e luminoso, de tamanho em torno de 6 m, com longa cauda cilíndrica e curtos raios, ou barras de luz, em forma de V na frente. O artefato estava a cerca de 200 m, em voo horizontal e lento a aproximadamente 80 km/h, em total silêncio. Em dado momento, dividiu-se em duas partes simétricas e desapareceu.
Pouca gente estava no convés do navio no momento e houve apenas mais cinco testemunhas, das 280 pessoas a bordo. Alguns marinheiros achavam que podia ser uma ogiva de foguete reentrando na atmosfera, outros que seria um foguete de sinalização e um deles que seria um meteorito — não concordei com nenhuma das explicações e estranhei a falta de percepção daqueles homens em relação aos detalhes. Como poderia ser um meteorito explodindo, se no desdobramento ambos os pedaços eram iguais e ovais e tinham os raios laterais? Apesar do aumento súbito de luminosidade, não houve projeção de matéria, como aconteceria em uma explosão.
Infelizmente, meu relato tem sido reproduzido de forma errada ou mesmo falseada em alguns livros de Ufologia, apesar das minhas reclamações. Um deles disse que o UFO estava “rompendo espessa camada de gelo que cobria as águas da baía”. Não, o objeto voava acima da água e ela não estava coberta de gelo, tinha apenas alguns blocos esparsos. Tal tipo de informação inexata ou mesmo fabricada causa enorme prejuízo para a pesquisa ufológica, desacreditando-a nos meios científicos. Pensando nisso, escrevi uma carta ao Polar Record, tradicional publicação periódica de assuntos polares, editada pelo Scott Polar Research Institute e Universidade de Cambridge, recolocando a informação nos seus verdadeiros termos. Ela foi publicada no número 228, de janeiro de 2008, sob o título A Further Antarctic Myth [Mais Um Mito Antártico], uma das raras ocasiões em que uma publicação científica deu voz ao assunto ufológico.
Outros avistamentos
Em julho de 1965, repetidas observações de UFOs na Antártida colocaram ambos os assuntos nas manchetes da imprensa mundial. A Marinha Argentina divulgara no dia 06 daquele mês um comunicado intitulado Observação de Objetos Voadores Não Identificados na Antártida Argentina. Segundo as agências telegráficas, era este o primeiro documento oficial na história em que um governo fazia referências a discos voadores. Na base argentina das Ilhas Orcadas, o primeiro observatório permanente na região antártica, criado em 1904, foram obtidos registros magnetográficos sem explicação natural. Bases do Chile e da Inglaterra confirmaram os avistamentos ufológicos na Ilha Decepção. Na época, com ajuda de informações privilegiadas, escrevi o artigo Discos Voadores: Estranhos Objetos à Procura de Explicações, publicado no jornal Folha de São Paulo de 12 de julho daquele ano.
Em maio de 1968, em Paris, estabeleci relações com o Group d’Etude des Phénomènes Aériens [Grupo de Estudo de Fenômenos Aéreos, GEPA], criado pelo general Lionel Chassin, ex-comandante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e dirigido por René Fouéré, que publicou em seu periódico Phénomènes Spatiaux o meu relato da observação na Baía do Almirantado. Cientistas franceses ajudaram-me a esclarecer certas características físicas de meu avistamento — as barras de luz — como produzidas possivelmente por campos magnéticos altamente canalizados atuando sobre a luz.
Após três anos de viagens e trabalho pelas Américas e Europa, regressei ao Brasil. Movido por um crescente interesse em conhecer mais sobre o Fenômeno UFO, ingressei na Associação de Pesquisas Exológicas (APEX), um grupo de investigações com sede em São Paulo, criado por estudiosos pioneiros da astronáutica, Ufologia e parapsicologia, como o biólogo professor F
lávio A. Pereira e o médico doutor Max Berezowski, ambos já falecidos. Em 1970 e 1973 tive mais duas interessantes experiências ufológicas — uma em Ibiúna, com o avistamento de um pequeno retângulo de luz alternante, e outra na já citada Fazenda Belo Horizonte, onde houve uma tentativa de sequestro ou abdução.
Caso Eromar Gomes
Em 1978, avolumou-se extraordinariamente o número de casos que vínhamos pesquisando na APEX e o mais notável deles levou-me, por meio de experiências insólitas, porém concretas, a uma nova abertura na Ufologia. Naquele ano fomos procurados na entidade por um rapaz de nome Eromar Gomes, um jovem da cidade de Governador Valadares, Minas Gerais, de pouca instrução. Gomes veio à APEX em busca de ajuda, por se julgar perseguido por trigêmeos que o teriam levado a um disco voador. Segundo seu relato, uma vez dentro da nave os alienígenas ficavam sob uma luz e se transformavam em seres pequenos com cabeça grande com protuberâncias e sem olhos. “Milhões de anos de pesquisa nos deram o poder da transfiguração em qualquer forma de vida humana ou animal”, explicaram os ETs a Gomes.
O veterano e pioneiro ufólogo brasileiro doutor Berezowski submeteu o rapaz à hipnose, e quando nas respostas começaram a aparecer termos como “troposfera” e “ionosfera”, ele me chamou para participar das sessões, que foram todas gravadas, devido a tais termos serem ligados à minha profissão. Logo me surpreendeu a natureza e conteúdo das falas de Gomes quando sob hipnose — aliás, suposta hipnose, pois a entidade que dele se utilizava como uma espécie de canal logo anunciou, com voz pausada e às vezes emendando palavras, que “o contato não está sob hipnose terrestre, mas em um estado cataléptico induzido por nós”. Nós quem, perguntamos. “Extraterrestres, como vocês denominam”, respondeu a voz. Pedimos provas do contato e elas nos foram prometidas, para cada um de nós ao seu tempo — e de fato elas vieram, bem concretas.
Um dos aspectos mais extraordinários da comunicação com aquela entidade era que ela ou seu operador lia os pensamentos dos pesquisadores, como os meus, pois às vezes as respostas vinham antes de terminarmos de formular as perguntas
As entidades que contatavam Eromar Gomes nos explicaram que haviam modificado a frequência dos neurônios do rapaz para manter a comunicação conosco, na APEX, algo que provavelmente não aprovaríamos, mas que era o único meio possível. Informaram-nos que sua nave de comunicação estaria na troposfera, ou ionosfera terrestre, e era, quando avistada, o que nós chamávamos de disco voador. O computador que usavam para comunicação, segundo eles, “não era fabricado”, mas o conjunto de suas mentes trabalhando unidas. “Somos milhões de corpos e uma só mente”, disseram. De acordo com as entidades, “técnicos especializados” faziam a tradução de idiomas. As palavras seriam extraídas do “banco de dados” no cérebro do contatado, daí uma das dificuldades na transferência de conceitos.
Segundo eles, também a propulsão das naves era feita por meio da mente. Eles vinham de um mundo em extinção, um planeta que se chamaria Borus, à distância de 472 milhões de anos-luz “até o posto de troca de naves”. Essa baldeação me lembra a teoria do físico e engenheiro espacial norte-americano Paul R. Hill, que simplifica as equações da Teoria da Relatividade pelo conceito da velocidade efetiva, permitindo viagens intersiderais práticas, utilizando propulsão por campos de força e em etapas de aceleração e desaceleração de 100 G.
Lendo pensamentos
Um dos aspectos mais extraordinários da comunicação com aquela entidade era que visivelmente ela ou seu operador lia os pensamentos dos pesquisadores, como os meus, pois às vezes as respostas vinham antes de terminarmos de formular as perguntas — por exemplo, eles interpretaram em minha mente meu envolvimento em pesquisa espacial e começaram a me passar informações sobre voos da NASA. Informações sobre naves alienígenas na Lua e contatos com tripulantes da Apollo 14, por exemplo, foram passadas, para nosso espanto — segundo disse a entidade, seu povo teve encontro direto com o comandante daquela missão, Alan Shepard.
No momento em que tal comunicação ocorria, naquela sala de pesquisas da APEX, tive um lapso de memória e teimei com a entidade que Shepard não havia sido o comandante da Apollo 14, mas ela insistia, dizendo “Alan Shepard” repetidas vezes. Para identificá-lo e mostrar que estava errada, disse que Shepard era tido como o mais witty dos astronautas norte-americanos, faltando-me a palavra em português na hora, ao que a entidade prontamente acudiu: “Sim, espirituoso”. Exatamente! Com isso tive a prova de que positivamente captaram meu pensamento. A propósito das missões Apollo, a entidade que se manifestava por meio de Eromar Gomes nos disse ainda que os astronautas eram coagidos a manter silêncio sobre os contatos na Lua, e a uma pergunta minha acrescentaram: “Por que uma nação em que o povo se julga livre não pode ter acesso a todos os segredos, como o Projeto Blue Book, sobre a realidade da nossa existência?”
Perguntei também à entidade, por ocasião de outra reunião de pesquisas na APEX, se tinham base na Antártida — e responderam que sim, pois dali podiam extrair energia da água por meio de poços artesianos. Imediatamente lembrei-me dos chamados “Poços Rodriguez”, uma invenção de um norte-americano do Batalhão de Construções Navais chamado Juan Rodriguez, para extrair água da calota polar. O processo consistia em injetar vapor no gelo, perfurando um poço de 60 m de profundidade, no fundo do qual se acumulava a água derretida, extraída por uma bomba de submersão.
Um detalhe que aumentou minha confiança naquele tipo de comunicação foi a entidade dizer que o diálogo se dava por ondas — a descrição que ela deu me fez pensar mais em ondas do tipo sonoro do que eletromagnético. Eu trabalhei na NASA com método acústico de sondagem de vento e temperatura na mesosfera, de 45 a 90 km de altitude, usando granadas transportadas por foguetes Nike Cajun, explodidas a intervalos regulares, e com uma rede de microfones para captação do som no solo. Assim, a explicação do extraterrestre fazia sentido para mim.
Encontro no campo
Fin
almente, em uma sessão de hipnose regressiva foi combinada uma experiência de campo para termos a prova que pedíramos sobre a realidade da existência real dos alienígenas. Aliás, sobre o procedimento de hipnose, na verdade, bastava Eromar Gomes fechar os olhos para entrar em uma espécie de transe e estabelecer o elo de comunicação com a entidade, sem que ele, Gomes, tivesse consciência do que estava falando. Não há como descrever aqui, na íntegra, a história enrolada e confusa de como tal arranjo foi feito, de como as pessoas participantes foram sendo selecionadas ou sobre os fenômenos de ordem parapsicológica envolvidos no processo.
Foi preciso a união de dois contatados para que a experiência de campo ocorresse, Gomes e mais um que chamarei de Hugo, residente em Limeira, no interior paulista. Àquela altura, já participavam do grupo de pesquisa iniciado na APEX os irmãos Firmino, Hamilton, Maurício e Julinho Prado e um cunhado, Assis Moacir Duch, então operador de rádio da Polícia Civil e técnico em eletrônica. Duch sofria de cegueira de nascença e teve papel fundamental tanto na pesquisa do Caso Eromar Gomes como em cinco de minhas viagens à Antártida no navio oceanográfico Professor Besnard, da Universidade de São Paulo (USP) — foi ele quem obteve e instalou a bordo as máquinas radioteleimpressoras para recepção dos dados meteorológicos que eu necessitava para meu trabalho de previsão do tempo e apoio à segurança da navegação durante as longas e perigosas viagens antárticas.
Duch se tornou a pessoa mais popular e querida a bordo do Besnard, pois também consertou todos os rádios, a bússola giroscópica e acertou todos os relógios. E na pesquisa ufológica serviu de contato mental alternativo com os ETs, que lhe disseram: “Dentre todos aqui, você é o que mais acredita na sua vontade, porque também vê pela mente”. Ele esteve frente a frente com os seres e hospedou um deles em sua casa, para desespero da esposa. Também visitou mentalmente a nave e a manobrou, acionando seus controles. Ainda mais, deu-nos a descrição de outra pessoa, uma moça, que deveríamos procurar e levar à Limeira, como parte da experiência de encontro com o contatado Hugo. Bastaria o que visto até aqui para o leitor dar-se conta do que um contato extraterrestre pode envolver, desafiando a lógica. Porém, houve mais.
Local marcado para o contato
Saímos de São Paulo para Limeira ao anoitecer de 18 de novembro de 1978, em dois carros com sete pessoas ao todo. Gomes seguiu comigo, em um Fiat 147. A história de como um terceiro carro se juntou à comitiva no caminho é outro componente de natureza parapsicológica da experiência e alongaria demasiado o presente relato. Assim, as coisas começaram a acontecer bem antes de chegarmos à Limeira, onde entendíamos ser o local marcado para o contato. Na Rodovia dos Bandeirantes, fomos primeiro sobrevoados por um estranho avião e depois meu automóvel quase foi abalroado por caminhão, em um cruzamento que não existia.
Eromar Gomes, com binóculo, notou uma estrela suspeita no céu e disse que eram eles, seus “amigos extraterrestres”. Paramos no acostamento do km 82, às 20h30. A estrela de cor amarelo forte aproximou-se e adquiriu o perfil clássico de disco voador, de cor escura, com uma cúpula em cima e outra menor embaixo. O rapaz, então, levantou o braço e falou no estilo pausado que já caracterizava os diálogos deste tipo de contato: “À esquerda, a nave patrulha. À direita a sonda”. Só então observamos um segundo objeto de forma prismática, com lindas cores e girando sobre o próprio eixo, mais alto no céu — era uma espécie de sonda ufológica. Todos olhamos boquiabertos e esquecemos as máquinas fotográficas e filmadoras. Estava concretizado ali o contato prometido como prova dos fatos, por parte da entidade representando aquele grupo de seres extraterrestres. Mas havia mais a ocorrer.
Naquele momento surgiu uma nova comunicação através de Gomes: “Não fiquem aí parados, temos uma programação a cumprir”, disse a entidade. Mais tarde, impressionantemente, levamos uma chamada de atenção dela: “Vocês não acreditam no que buscam? Então por que não usaram seus equipamentos fotográficos para documentar a nossa presença? Só não chegamos mais perto para não causar um congestionamento no trânsito”.
Entramos nos veículos e continuamos para Limeira escoltados pelos dois objetos não identificados, que se posicionaram a cerca de 1.500 m do solo. Os acontecimentos no destino também terão que ser muito resumidos para caberem neste texto. Hugo demorou muito para chegar à sua casa e, enquanto esperávamos, uma segunda sonda ufológica surgiu. Subitamente, notei um estranho vento em rajadas e nuvens no céu limpo e estrelado, e então veio a explicação através de Eromar Gomes: “Nossa alta rotação está causando efeitos atmosféricos, vamos nos afastar. Mas vocês devem permanecer aí esperando”.
Campo de experimentos
Hugo chegou à sua casa depois da meia-noite e após muitas negociações e outras insólitas experiências dentro da residência, iluminada por lâmpada de luz azul, ele concordou em levar-nos ao campo de experimentos onde tinha seus contatos, mas disse que a “área estava fechada por outros seres do espaço até as cinco horas da manhã”. Ele tinha fama de fazer curas espirituais na cidade e possuía um automóvel modelo Chevette dourado e novo, que dizia nunca ser abastecido. Formando agora uma comitiva de quatro carros, partimos para o tal campo, dentro de um canavial próximo.
Quando estávamos no meio da plantação, surgiu o que parecia ser um fusca com faróis acesos, que vinha em nossa direção. Mas percebi que não era um carro de fato quando o objeto fez uma curva de 90° em um lugar onde não havia estrada — e dele partiram dois raios luminosos finos que atingiram Gomes no peito, jogando-o no solo. Hugo disse de maneira jocosa que o rapaz havia apenas tropeçado e completou: “Vou dar um passe nele e recarregar sua bateria por um ano”.
Mesmo reconhecendo a dificuldade de transmitir o conceito, a entidade nos garantiu que tal prática viria de um estágio avançado de evolução, onde já teria ocorrido a superação da fase de egoísmo na qual ainda se encontra o ser humano terrestre
Nós, então, colocamos Gomes no meu automóvel e ele voltou a si muito assustado ao perceber que havia expelido sangue pela boca. Quando estabelecemos o contato com a entidade, ela nos disse: “Vocês devem sair daí o mais rápido possível e não deixar Eromar com o Hugo em hipótese alguma”. Foi-nos explicado que eram grupos diferentes de seres. Os que acompanhavam Hugo seriam os responsáveis, também, pela tentativa de abalroamento na rodovia e que, se não fo
sse pela proteção que os de Gomes nos haviam dado, teríamos sido dizimados pelos ataques das entidades de Hugo no canavial. Logo decidimos ir embora e, no regresso a São Paulo, a nave maior e a sonda novamente nos escoltaram dos ares.
Claro que pedimos, através dos contatos, uma explicação para a experiência inquietante e aparentemente absurda em que a prova de campo havia se transformado — seria então uma lição para vermos que esse tipo de pesquisa ufológica apresenta riscos tanto para nós como para eles, os extraterrestres. E que não devíamos acreditar na palavra dos carismáticos ou falsos profetas a serviço das incertezas do espaço. Disse-nos ainda a entidade que existem conflitos de interesse entre os seres de diferentes origens cósmicas que visitam a Terra — e sobre isso não cabe dúvidas, como bem mostra o pesquisador e autor inglês Timothy Good, a melhor e mais confiável fonte existente de informações na área. Ela nos explicou também que a aparente agressividade contra os humanos pode resultar de uma defasagem de evolução entre civilizações, assim como nós na Terra antes dizimávamos os indígenas e hoje procuramos estudar e preservar suas culturas.
“Um só corpo e um só espírito”
A entidade declarou também a todos nós, pesquisadores da APEX, que pelas leis universais todos os povos têm direito à sobrevivência, que a agressão é tolerada somente dentro de limites e que cabe aos mais fortes ajudar e proteger os mais fracos. “Os transgressores seriam julgados pela federação dos mundos ou dos planetas”. Assim, existiriam ETs benevolentes ou do que a entidade chamou de “sistema construtivo”, e os malévolos, nocivos ou iníquos — alguns seres que nos visitam aceitariam até trocas comerciais com os humanos. Uma estrutura social do tipo “milhões de corpos e uma só mente” — que, segundo a entidade extraterrestre, seria a forma adotada pelos seres de Borus —, poderia resultar, aqui na Terra atual, em uma péssima ideia de sociedade, coletivizada e autoritária.
Mesmo reconhecendo a dificuldade de transmitir o conceito, a entidade, representando os seres que contatavam Eromar Gomes, nos garantiu que tal prática viria de um estágio avançado de evolução, onde já teria ocorrido a superação da fase de egoísmo na qual ainda se encontra o ser humano terrestre. A ideia não é de todo estranha para nós. Lembrando uma missa católica, por exemplo, durante o ofertório, se repete o refrão “em Cristo um só corpo e um só espírito”. Da mesma forma, ainda tratando de religião, a primeira carta de São Paulo aos Coríntios diz que “fomos batizados em um único espírito, para formarmos um único corpo”.
Explicando ainda de outra forma, nas palavras deles, transmitidas por intermédio de Duch: “É um estado de consciência onde o que chamam renúncia gera ao mesmo tempo retorno”. E ainda: “Trabalhar de forma harmônica com o todo, que, por sua vez, possui a consciência de todas as consciências individuais”. Seria algo comparável ao corpo humano, em que células e órgãos coexistem harmonicamente, apesar de terem funções até contraditórias entre si — enfim, não é a maioria quem decide, mas se uma mente difere, todas as demais se concentram nela para ver onde está a razão. E também, quando é gerado um ser naquele mundo, a mente coletiva se concentra no ser que vai nascer. Quando o novo ser nasce, “é festa em nosso sistema inteiro”, disseram.
Diálogo difícil
Uma das maiores dificuldades que encontramos nas comunicações com os seres de Borus foi em relação às questões científicas. Em parte, isso pode ter sido consequência da deficiência do intermediário ou canal, ou seja, a falta de cultura e de vocabulário do contatado. Mas acredito que o antropocentrismo também teve sua parte, uma vez que nem as leis da física que conhecemos e nem mesmo a matemática pareciam constituir uma linguagem universal, como julgáramos. Alguns exemplos que cito a seguir foram tomados das transcrições literais das gravações dos diálogos e mostram a natureza do problema e o desencontro de conceitos.
Durante nossa comunicação, buscamos fundamentá-la em torno de temas científicos e perguntamos, por exemplo, como os ETs calculavam a superfície de uma circunferência? Que fórmula matemática empregavam para isso? A resposta não fez qualquer sentido para nós: “Medimos a circunferência partindo do conhecimento do centro, em três raios. Dividida em três raios, saberemos quanto mede a superfície desde a localidade do centro, e podemos calcular até mesmo o peso através de medidas”. Perguntamos, ainda, como calculavam o tamanho de uma área irregular, algo bem básico para qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento matemático. Mas novamente a resposta foi, para dizer o mínimo, inconclusiva, além de muito confusa: “Calculamos os quadriláteros e a massa central. Saberemos, pois, que a medida consiste em uma quantidade de gramas, sabendo assim peso e medida”.
Os seres extraterrestres, por meio da entidade, nos informaram que conheciam bem nossa matemática desde “o princípio Crivo de Eratóstenes até a medida da luz em graus Fahrenheit”. Informo ao leitor que o Crivo de Eratóstenes é um algoritmo usado para encontrar números primos. Porém, mesmo demonstrando conhecimento de nosso processo matemático, não nos foi possível compreender as respostas que nos deram. Assim, seguimos em frente e perguntamos como entendiam os conceitos de massa e de área em seu mundo. Em relação ao primeiro, nos informaram que era “a quantidade de alguma coisa; o peso ou o miolo de alguma coisa”. E quanto ao segundo, responderam que entendiam área como “o tamanho e a distância de alguma coisa”. Aí perguntamos como calculavam o tamanho de algo em uma área irregular, e a resposta que recebemos foi: “Calculamos ao todo por pesos e calculamos o peso em metros”.
Força gravitacional
Em relação ao peso, informaram ainda que o interpretavam como sendo “a solidez de alguma coisa”. E quando perguntamos como faziam para avaliar o peso de algo em seu mundo, não obtivemos resposta. Inquirimos, então, se havia força gravitacional em seu planeta e, em havendo, qual era a origem dela. Os seres de Borus nos disseram que sua força gravitacional era aquela que muitas vezes os protegia de outros corpos e a mesma que os mantinha presos ao solo.
Naquelas impressionantes reuniões de pesquisa na sede da APEX, com os principais membros em contato com a entidade por meio de Eromar Gomes, o diálogo com os seres extraterrestres fluía. Em uma ocasião solicitamos que comparassem a força gravitacional de Borus com a da Terra e nos explicara
m, transcrevendo literalmente suas palavras, “que a força gravitacional em seu planeta se faz impulso sobre nossas cabeças, nos mantendo firmes ao chão, enquanto que a de vocês age em todo lado do corpo. A nossa é aproximadamente um metro e meio acima de nossa cabeça. Sem impulso não podemos ultrapassá-la”. E quando perguntamos qual era a velocidade de subida e descida ao se atirar algo para cima em seu planeta, responderam: “Se lançamos qualquer coisa acima de nossa cabeça será impossível alcançá-la com a nave mais rápida”.
Por ser assunto de grande importância, insistimos nele e pedimos que nos explicassem qual era a origem da força gravitacional da Terra e de Borus. Declararam, então: “A origem da força gravitacional de seu mundo nos leva a crer que seja o ímã da Terra. Em Borus, são os raios dos nossos corpos celestes que giram em torno do nosso mundo”. Não conseguimos captar o sentido das palavras daquela entidade, por mais que tentássemos. Talvez algum leitor mais imaginativo nos ajude a solucionar essas charadas. Seja como for, o que se vê acima, trasladando uma experiência de observação ufológica na Antártida para a pesquisa de um caso de contatismo em São Paulo, é que a Ufologia é bem mais complexa do que imaginamos. As vivências de Eromar Gomes, de Hugo e de tantos outros seres humanos que estiveram frente a frente com outras inteligências cósmicas, assim nos garantem.