
O incrível acontecimento descrito no final da parte III foi bem pesquisado pelo investigador e engenheiro Enrique Castillo Rincón, que após algum tempo aproveitaria o fato acontecido na Venezuela para fazer uma experiência similar na Colômbia, reunindo para isso uma equipe de sensitivos selecionados, os quais buscariam entrar em contato telepático com alguma inteligência extraterrestre. Os resultados obtidos foram satisfatórios, sendo que novamente o ser denominado Ashtar Sheran voltou a se manifestar. Outra pesquisa digna de conhecimento é a que acompanhei bem de perto, por quase 15 anos, em torno dos irmãos peruanos Sixto Paz Wells, Carlos Roberto Paz Wells e Rose Marie Paz Wells, filhos de José Carlos Paz Garcia Corrochano, fundador do Instituto Peruano de Relações Interplanetárias (IPRI). Numa das muitas experiências que esse grupo alega ter vivido, está uma em particular, que considero a mais interessante em vários aspectos e reporta ao tema que desenvolvemos nesta edição.
Tais acontecimentos teriam ocorrido em 1974, no Deserto de Chilca, Peru, onde uma aeronave de formato lenticular teria pousado e de dentro dela surgira um humanóide que se identificou como sendo o comandante da frota de espaçonaves que vigiam o Sistema Solar. Seu nome seria Antar Sherart, denominação muito parecida a de Ashtar Sheran, que se identificava como comandante da frota de espaçonaves de Ganímedes [Considerado o maior dos satélites de Júpiter]. De acordo as informações fornecidas pela entidade, as sílabas sh e er do sobrenome significariam comando e dignidade, respectivamente, sendo que a sílaba sher faria parte da composição de ambos os nomes, como indicativo da função desempenhada por tais entidades. As sílabas finais – como art e na – determinariam a jurisdição, alçada e competência de seu comando. Esses dois nomes em particular têm provocado muita confusão na comunidade ufológica mundial – em especial na brasileira – pelo fato de serem parecidos.
Escritor famoso, repórter desconhecido
Porém, a figura de Ashtar erroneamente ganhou maior abrangência através do espanhol Juan José Benítez, que antes de ser um escritor famoso era um repórter desconhecido e sem expressão do periódico Gaceta del Norte, de Bilbao. Quando as notícias sobre a entidade interplanetária e os UFOs, vindas da América do Sul, através das experiências dos irmãos Wells, chegaram à Espanha, Benítez foi enviado ao Peru para reunir mais informações sobre o assunto. Isso ocorreu porque a Espanha havia sido bombardeada há pouco tempo com informações de culto aos UFOs, como no Caso Ummitas – ou Umnitas –, e o assunto ainda estava em evidência. Assim, o jovem e pretensioso repórter acompanhou várias experiências de grupos de contatados ocorridas no Peru, Espanha, Venezuela e Colômbia. Foi devido a isso que Benítez escreveu seus dois primeiros livros contando tais aventuras. O primeiro se chamava UFOs: S.O.S. A La Humanidad [UFOs: S.O.S. a Humanidade, Plaza & Janes, 1980] e relatava exclusivamente as experiências dos irmãos Wells, que haviam fundado uma organização chamada Misión Rama – que, aqui no Brasil, ficou conhecida por Missão Rama e, mais tarde, por Projeto Amar. O outro se intitulava 100 Mil Km Trás los OVNIs [100 Mil Km Atrás dos UFOs, Plaza & Janes, 1997] e contava mais situações de grupos de contato, que o próprio Benítez teria investigado.
Grandes confusões e lendas
Foi nessas duas obras que o autor espanhol misturou muitas informações – e inventou outras tantas – que acabaram por dar a Ashtar uma fama que não existia. Isso nos mostra, através de um exemplo real, como dados errados podem provocar grandes confusões e ainda se transformar numa espécie de lenda. Mesmo com muita explicação e esclarecimento não consegue reparar os estragos causados. Outro fato interessante que, acredito, ser de pouco ou nenhum conhecimento, reside no curioso episódio do lançamento no Peru, entre 1973 e 1974, do livro chamado Yo Visité Ganímedes [Eu Visitei Ganímedes, Editora Sírio], de Yosip Ibrahim. Essa obra, segundo o autor, contaria a história real de um grupo de pessoas que teria sido contatado por extraterrestres vindos de Ganímedes – inclusive Ashtar. Os ETs teriam?espalhado idéias de resgate da humanidade e influenciado, assim, quase todo o país e boa parte da América do Sul. Curiosamente, a publicação não chegou ao Brasil.
Dessa forma, com tantas fontes de informação e o nível de contaminação dos acontecimentos, que pode ter sido considerável, é difícil averiguar o que de fato ocorreu naqueles anos. Coincidentemente, a conhecida Misión Rama também surgiu em 1974. Ainda contando um pouco mais sobre Benítez, ao que parece ele teria manipulado um grande número de informações a seu favor, simplesmente para ficar famoso. É difícil admitir a idéia de que ele, como pesquisador que dizia ser, tivesse ignorado a existência do livro de Ibrahim, pois se sabe hoje que a obra chegou a ser bastante comentada no Peru, durante os anos 70.