ARTIGO

Xamanismo, o código extraterrestre e as abduções

Por Mauricio Eloy | Edição 245 | 01 de Abril de 2017


Créditos: NABEEL AFSAR

Xamanismo, o código extraterrestre e as abduções

O xamanismo é uma estrutura sócio-mágico-espiritual complexa, surgida com o aparecimento da espécie cro-magnon e os primeiros Homo sapiens, ainda no período Paleolítico. Já naquela época, os xamãs, fossem homens ou mulheres, utilizavam-se de recursos naturais como plantas alucinógenas. Aqui cabe informar ao leitor que o termo alucinógeno, tão popular, é usado pela medicina e pela psicologia tradicional muitas vezes de uma forma pejorativa — em antropologia se usam as palavras psicoativos ou psicotrópicos.

A antropologia entende que a experiência com essas plantas não provoca alucinação, mas vivências reais. Usa-se, então, o termo “miração”, que significa olhar, ver e experienciar. Além dos psicoativos, os paramentos e os sons utilizados ajudam, em certa medida, a promover a indução a um estado alterado de consciência, possibilitando que o xamã faça sua “viagem” em busca de objetivos específicos. São “facilitadores” para acessar ou “voar” para mundos além da realidade, acompanhados, guiados e protegidos por um ou mais animais representativos, denominados de “animais de poder”.

Nesse estado alterado de consciência, o xamã exercita a cura, o relato de histórias, a organização cultural e a orientação sexual das pessoas de sua tribo ou daquelas que o procuram, entre outras atividades. Atualmente, o xamanismo é praticado por culturas indígenas das Américas, Austrália, Canadá, Estados Unidos e pelos povos dito primitivos da Sibéria, China, Índia, Tibete e norte da Europa, entre outros. Há também um xamanismo urbano, mais centrado em questões de cura e que trabalha com estruturas psicológicas. Essa linha foi iniciada e divulgada pelo antropólogo Michael Varner nos anos 80 e difere do xamanismo arcaico, mais profundo e completo.

40 mil anos de história

Na era moderna, há uma tentativa de resgatar o xamanismo sem que haja a preocupação de entender e de se aprofundar no seu formato arcaico ou primordial. Suspeita-se de que a trajetória espiritual das práticas xamânicas, em um passado distante, tenham sofrido um bloqueio ou uma pausa, embora os motivos que podem ter provocado esse acontecimento não estejam claros.

O fato é que, depois disso, o xamanismo se fragmentou em outras categorias, ficando o arcaico ou natural preservado somente entre alguns poucos e grandes xamãs, conhecidos como “xamãs feiticeiros”, que mantiveram a tradição em estruturas fechadas. No entanto, essas estruturas, em menor intensidade e de maneira controlada, se espalharam de forma gradativa por regiões da China, Japão, Tibete, Índia, Austrália, norte da Europa e Américas. Foi especificamente nos anos 70 que começou o culto intelectual e por meio de medicinas alternativas, apoiado no chamado Movimento da Nova Era — esse processo se intensificou nos anos 80 e, de certa maneira, ganhou corpo nos dias atuais, unido a movimentos espiritualistas de várias outras áreas.

crédito: RAFAEL AMORIM
O xamanismo sempre esteve vivo na tradição de inúmeros povos da Terra, especialmente os nativos
O xamanismo sempre esteve vivo na tradição de inúmeros povos da Terra, especialmente os nativos

Com base em estudos detalhados sobre o xamanismo tradicional é possível presumir, e de certa forma identificar, os primeiros contatos de humanos com extraterrestres, já no período que abarca o aparecimento do cro-magnon. Os xamãs tradicionais, quando em suas viagens há 40 mil anos, logo no início das práticas xamânicas, teriam contatado seres sobrenaturais, espíritos e possivelmente também extraterrestres, que foram registrados em pinturas e desenhos em cavernas, pedras e paredes rochosas.

Estudos levam a concluir que a curiosidade dos extraterrestres em relação à raça humana tenha sido despertada a partir de tais contatos, e que os extraterrestres tiveram um foco especial em nossa criatividade. Isso fica evidente em livros como La Mente en La Caverna: La Conciencia y Los Orígenes Del Arte [A Mente na Caverna: A Consciência e as Origens da Arte, Akal Editores, 2005], de David Lewis Williams, e A Pré-história da Mente [Unesp, 2002], de Steven Mithen, que apontam que o cro-magnon apresentava uma criatividade mais sofisticada e elaborada do que os neandertais. Isso está evidente nos desenhos encontrados nas cavernas de todos os continentes, por sua qualidade naturalista de representação ritual.

Criatividade, a chave de tudo?

A cultura humana se desenvolveu de forma gradativa e adquiriu maior velocidade a partir do aparecimento do cro-magnon. Essa aceleração se deveu, em boa parte, às descobertas advindas do xamanismo, de seu sistema complexo e criativo no modo de interagir com a natureza e com o sobrenatural. Nos rituais de caça, por exemplo, os xamãs registravam o evento de maneira naturalista em suas pinturas rupestres — essas figuras tinham a função de antecipar o resultado da caça, mostrando detalhadamente quais animais seriam enfrentados e de que maneira. Os desenhos rupestres certificam que para o xamã não havia distinção entre realidade, imaginação e o mundo sobrenatural.

Considerando-se as virtuais comunicações entre extraterrestres e humanos, suspeita-se da possibilidade de que, em um passado remoto, tenha havido experiências genéticas e manipulação do DNA de algum símio, cujo resultado teria dado origem ao Neandertal, extinto na ocasião do aparecimento do cro-magnon. Especula-se também que essa extinção tenha ocorrido em virtude do insucesso da experiência. No entanto, tais experimentos não foram interrompidos e milhares de anos depois teriam ocorrido outras interferências, como mesclagem de raças ou informações codificadas implantadas no DNA do Homo sapiens.

Tal intervenção teria ocorrido pouco antes do aparecimento de civilizações como a Suméria e o Egito, bem como nas civilizações do final da Era Pré-histórica e das civilizações antigas da Mesoamérica. Acredita-se que essa ação extraterrestre no planeta, juntamente com os rituais e o envolvimento profundo no xamanismo, tenham acelerado o potencial intelectual humano. Este, somado à criatividade inerente à espécie, evidenciou-se no desenvolvimento de novas técnicas de engenharia que possibilitaram a construção de grandes monumentos arquitetônicos, existentes ainda nos dias atuais.

Em estado alterado de consciência, o xamã exercita a cura, o relato de histórias, a organização cultural e a orientação sexual das pessoas de sua tribo ou daquelas que o procuram, entre outras atividades. Também podem ir a mundos extraterrestres

Claro que a dinâmica dessa evolução diverge da linha proposta por Charles Darwin, uma vertente de pensamento defende também a hipótese de que as antigas civilizações seriam muito mais antigas do que a cronologia adotada pelos historiadores contemporâneos, e acrescenta recentes descobertas arqueológicas e novas tecnologias de datação elaboradas pelo professor Ioannis Liritzis, um dos mais respeitados cientistas da atualidade.

Liritzis inventou e aperfeiçoou uma técnica chamada termoluminescência, capaz de datar fenômenos ou processos geológicos, como é apresentado no bem documentado livro Aurora Egípcia [Madras, 2013], do professor de história e filosofia da ciência Robert Temple, e no revolucionário A Serpente Cósmica [Cultrix, 2009], do egiptólogo independente John Anthony West, e ainda em As Digitais dos Deuses [Record, 1999], do jornalista, pesquisador e escritor britânico Graham Hancock. Os autores corroboram a tese de que antigas civilizações, como o Egito, por exemplo, podem ter idade superior a 12 mil anos, levando-se em consideração testes de termoluminescência feitos na Esfinge e na Grande Pirâmide.

Pegada encontrada no México

O arqueólogo e antropólogo Marcel F. Homet, em seu livro Os Filhos do Sol [Ibrasa, 1959], junto com a arqueóloga mexicana Silvia González, sustentam uma idade próxima a 40 mil anos para o homem americano mais antigo — baseando-se em uma pegada encontrada no México, colocam em xeque a ideia da época em que ocorreu da transição dos povos da Europa para a América via Estreito de Bering, e até mesmo se de fato houve essa passagem. Considerando-se a distância existente entre a atual tecnologia terrestre e muitas das tecnologias alienígenas, e ainda os relatos de abduzidos, que ressaltam o interesse extraterrestre pela genialidade humana, com especial atenção para sua capacidade criativa, não seria de se estranhar que há séculos ou milênios o ser humano esteja sendo observado e, secretamente, venha tendo o seu DNA manipulado.

Acredita-se que tal capacidade criativa pode ser herança do desenvolvimento empreendido pelos xamãs e adquirido quando de suas jornadas, que proporcionaram também o descortinamento de habilidades naturais, que teriam sido aprimoradas nos rituais de iniciação e aplicadas em diversos setores do conhecimento humano, em especial na agricultura, o que teria dado início à estrutura social humana e, gradativamente, teriam sido também aplicadas a todos os outros setores do conhecimento.

crédito: IMAGE BANK
O xamã, como em um sonho tecnológico atual, pode deslocarse para onde quiser
O xamã, como em um sonho tecnológico atual, pode deslocarse para onde quiser

Se partirmos do pressuposto teórico de que os extraterrestres estiveram na Terra em um passado distante com o objetivo de usar o ser humano como mão de obra para a extração de minério, como defendem alguns, podemos concluir que nesse projeto os extraterrestres perceberam que o Homo sapiens, possuidor de uma criatividade acima da média, poderia ter também alguma outra utilidade. Talvez pudessem resolver alguma defasagem criativa existente nos extraterrestres que se misturaram aos humanos, ou que desenvolveram híbridos com o intuito de mitigar tal defasagem.

Por algum motivo que ainda não está claro, o segundo projeto de nossos visitantes extraterrestres, feito com os neandertais, não teve sucesso ou não se manteve por muito tempo. Anos depois, os alienígenas partiram da Terra e os seres humanos seguiram seu rumo, usando sua força criativa até chegarmos ao mundo que conhecemos hoje. E ainda hoje vivemos graças à nossa inerente criatividade.

Pobres tempos modernos

A origem do cro-magnon ainda é cercada de incertezas. O que chama a atenção é que o xamanismo, assim como a criatividade, é natural do ser humano, e que justamente com o cro-magnon tenha surgido o primeiro Homo sapiens. Ao longo do tempo, determinados grupos de tribos mantiveram o sistema xamânico primordial, exercido ainda de forma original em lugares isolados por povos que hoje são chamados de primitivos e por tribos indígenas. Infelizmente, a maior parte dos nativos de nossa época vive em condições desumanas e é diariamente dizimada, levando consigo o conhecimento — que perdura há mais de 30 mil anos — de um sistema eficaz e significativo para a manutenção da raça humana.

Hoje existe um neoxamanismo, com o qual muitos terapeutas profissionais exercem um importante trabalho centrado na cura e em aspectos psicológicos, mas sem a tradição e os rituais arcaicos vinculados principalmente à herança siberiana. Os siberianos dominavam a técnica de utilização de psicotrópicos para a alteração do estado de consciência, o que torna mais fácil o aprofundamento nos mundos subterrâneos ou paralelos. Parte da recusa em desenvolver-se o xamanismo arcaico, dito “feiticeiro”, deve-se ao doloroso processo de entrega à morte e recomposição atreladas à influência química dos psicotrópicos, o que pode trazer sérias consequências físicas e psíquicas.

Ainda assim, é de suma importância entender e preservar esse elevado conhecimento, que guarda a capacidade de revelar possíveis relações culturais, biológicas e espirituais inter-humanas e extraterrestres. Vale lembrar que o xamã não é um médium e não recebe nada que seja externo a ele. O xamã escolhe quem ou o que ele quer contatar, sejam espíritos, seres sobrenaturais, mundos paralelos ou extraterrestres. É o xamã quem vai ao encontro dos objetivos por ele determinados. Trata-se de uma jornada e, portanto, os psicoativos têm função mais eficaz na subida ou descida a tais mundos. São eles que provocam uma reação química direta na estrutura biológica do corpo, proporcionando a comunicação diretamente com a alma.

Diante desse conhecimento tão antigo e precioso, cabe aqui indagar: seria o xamã arcaico o “Homo natural”, em uma analogia com o Homo sapiens? Aquele que estruturou toda a base de existência da humanidade, certificando seu caminho espiritual por meio da cura, das artes, agricultura, desenvolvimento mítico, elaborações de rituais, relações com a natureza, religião e da tecnologia que se iniciou com o advento da pedra lascada e, principalmente, da pedra polida, do desenvolvimento de utensílios, da elaboração da agricultura? E destaque-se aqui a estruturação da técnica por meio da qual o xamã, alterando seu estado de consciência, pode acessar mundos paralelos, estâncias espirituais, comunicar-se com extraterrestres, antecipar a física quântica e até mesmo acessar nossa mente e nosso DNA. Essas jornadas nos dão a referência e o mecanismo para se chegar a conhecimentos que a ciência e as religiões, por terem um comportamento linear muito diferente da estrutura do xamanismo, não acessam com facilidade.

Os deuses astronautas

Em 1969, a ciência fez a sua maior conquista até então quando levou seres humanos à Lua. A famosa frase do astronauta Neil Armstrongficaria eternizada como um eco: “Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”. Com a chegada do homem à Lua, o início da conquista do espaço estava delineado. Coincidentemente, foi naquele mesmo final de década em que apareceram livros que rastrearam, até o passado antigo, a presença de seres extraterrestres nos visitando e influenciando nossa cultura. O mais popular deles, Eram os Deuses Astronautas? [Melhoramentos, 1969], de Erich von Däniken, aponta essa possibilidade por meio de achados arqueológicos que seriam indícios de que seres extraterrestres teriam se envolvido culturalmente com civilizações antigas, com destaque para Suméria, Egito e a Mesoamérica.

Já o autor Zecharia Sitchin, conhecedor de idiomas e escritas antigos, apresentou com muita propriedade documentos e materiais arqueológicos em seu livro 12º Planeta [Publicações Europa América, 1976], e com seus estudos interpretativos de inscrições cuneiformes forneceu detalhes de uma relação profunda com os extraterrestres na formação da civilização suméria. Outro autor em destaque, Robert Temple, mais envolvido com a arqueologia, astronomia e história, delineou em seu magnífico O Mistério de Sírius [Madras, 2005] que as tribos da África Antiga possuíam detalhes precisos a respeito do sistema estelar de Sírius, que seria descoberto pelos astrônomos apenas no início da era moderna.

crédito: BRITISH MUSEUM
Monumentos megalíticos, como Stonehenge, no passado, foram usados para rituais xamânicos. É dito que concentram muita energia
Monumentos megalíticos, como Stonehenge, no passado, foram usados para rituais xamânicos. É dito que concentram muita energia

Há um levantamento feito no final da década de 60 e início dos anos 70, que indica que 15 autores, com maior ou menor relevância, publicaram livros defendendo a tese de que seres extraterrestres visitaram a Terra em um passado distante, a chamada Teoria dos Antigos Astronautas, e que, de certa maneira, participaram da estrutura cultural dos territórios nos quais estavam — todos eles, sem exceção, apontam os monólitos antigos como meio de comunicação astronômica entre a Terra e o céu.

Xamã, monólitos e as linhas Ley

Paul Devereux, sem seu livro O Xamanismo e As Linhas Misteriosas [Estampa, 1993], nos fala sobre os menires, monólitos e principalmente sobre os caminhos feitos de pedras na pré-história e na Antiguidade, chamados de “linhas Ley”. Essas linhas, diz o autor, são trilhas espirituais desenvolvidas pelos xamãs, estruturas bem elaboradas e organizadas com uma relação direta com o sistema nervoso central — a do voo mágico do xamã, provocado por um estado alterado de consciência.

Tais estruturas megalíticas, ou linhas desenhadas para serem executadas, teriam que passar por orientação aérea, e o xamã, em seu estado de voo, auxiliado por seu animal de poder e por determinados espíritos, poderia orientar as pessoas a desenvolverem as linhas Ley com precisão e de forma detalhada. Como fez o artista plástico brasileiro Vik Muniz quando da criação de seu belo trabalho artístico que deu origem ao documentário O Lixo Extraordinário [2011]. Com as atuais pesquisas sobre as linhas Ley fica evidente um surpreendente domínio de astronomia em toda a complexidade dos desenhos. Será que os xamãs dominavam a astronomia? Ou recebiam eles as orientações astronômicas diretamente dos extraterrestres, quando em estado de transe?

Mesmo não se interessando pela existência de UFOs, Devereux nos dá mais uma referência sobre as técnicas xamânicas que podem apontar para um entendimento e um meio de comunicação com seres de outros planetas, supondo que todos os desenhos, como os de Nazca, no Peru, Stonehenge, na Inglaterra, e mesmo as Grandes Pirâmides, tenham sido concebidos por meio de uma visão aérea — é como se todas estas linhas Ley e as estruturas de monólitos tivessem sido desenvolvidas para serem vistas do céu.

Técnicas arcaicas do êxtase

Mircea Eliade, historiador, filósofo e mitólogo, um dos mais importantes estudiosos e o primeiro a fazer um estudo completo sobre o xamanismo desde seus primórdios até a idade moderna, apresentou uma definição muito interessante em sua obra O Xamanismo e As Técnicas Arcaicas do Êxtase [Martins Fontes, 1998], que diz respeito a toda influência que a prática exerceu sobre a cultura humana, incluindo o yoga, a meditação, os cantos religiosos, a agricultura, o teatro, as artes plásticas, a dança, entre tantas outras criações e manifestações de nossa cultura. A palavra “técnica” nos dá um precedente para entender que o xamanismo se dá por meio de uma tecnologia apontada por Eliade, a “técnica do êxtase”, que, pelo efeito de uma substância psicoativa presente em plantas de efeitos psicotrópicos, interfere no processo químico de nosso DNA e provoca mudanças no estado de consciência, levando o xamã à plenitude de suas funções.

Alguns biólogos vêm estudando as relações e mudanças que os psicoativos podem exercer em nosso DNA, e os resultados geraram revelações surpreendentes. Bruce Lamb, biólogo também envolvido em pesquisas sobre o xamanismo, em seu livro O Feiticeiro do Alto Amazonas [Rocco, 1985], nos diz que “talvez, em algum nível inconsciente e desconhecido, o codificador genético forneça uma ponte para as lembranças biológicas de todas as coisas vivas, uma aura de consciência ilimitada se manifestando na mente ativada”.

O antropólogo Terence McKenna e seu irmão Dennis McKenna, neurobiólogo, sustentam em The Invisible Landscape: Mind, Hallucinogens and the I Ching [A Paisagem Invisível: Mente Alucinógenos e o I-Ching, Harper One, 1994] que existem informações estocadas em nosso material neurogenético e que elas poderiam se tornar disponíveis para o nível consciente. Terence McKenna é também um dos maiores estudiosos do xamanismo e dos psicoativos, e defende a teoria de que os símios, em um passado distante, começaram a usar cogumelos com tais capacidades — a partir de então, os psicotrópicos foram um fator determinante na evolução racional e para o desenvolvimento do que somos o resultado.

Provas de vida extraterrestre

No livro A Serpente Cósmica [Madras, 1983], o antropólogo canadense Jeremy Narby, pouco conhecido no Brasil, levantou indícios de que os psicoativos usados pelos xamãs poderiam acessar dados deixados em nosso DNA. Nas palavras do autor, “mensagens deixadas por entidades ou várias entidades, igualmente talentosas”. O doutor Paul Davies, do Centro Australiano para Astrobiologia da Universidade McQuarrie, um dos mais renomados cientistas da atualidade, escreveu que “o espaço não é o único lugar para se olhar em busca de provas de vida extraterrestre”. Ele acredita na existência de um possível “cartão postal cósmico” deixado por extraterrestres em nosso DNA.

O xamanismo também é um sistema tecnológico por excelência, uma vez que usa as denominadas 'técnicas do êxtase', espiritualmente avançadas, provocando por meio de psicoativos naturais a alteração do estado de consciência e seus efeitos

A mensagem contida nesse cartão só poderá ser revelada quando o ser humano desenvolver uma tecnologia apropriada para isso. Davies acredita também que os extraterrestres dominam a inteligência artificial. Diz ele: “Eu acho que é inevitável que a inteligência biológica seja um fenômeno transitório, um momento passageiro na evolução do universo”. Em seu artigo, escreve que, “se encontrarmos com uma inteligência extraterrena, eu acredito que ela seja muito provavelmente de natureza pós-biológica”.

Tecnologia do xamã

Os cientistas Vladimir I. Shcherbak, da Universidade Nacional do Cazaquistão, e Maxim A. Makukov, do Instituto Astrofísico Fesenkov, alegam que um há um código inteligentemente embutido em nosso DNA, uma fórmula matemática e semântica cuja presença não se encaixa na teoria evolucionista darwiniana, mas, muito pelo contrário, a desafia. Eles batizaram a descoberta de “SETI biológico”, em referência ao programa de busca por vida extraterrestre inteligente. Como vemos, a ciência está revelando descobertas significativas para o entendimento sobre o ser humano, e o DNA pode ser a porta de entrada para confirmar a presença extraterrestre em nossa cultura e a nossa própria evolução espiritual.

Raramente um xamã poderá ser abduzido, mas ele poderá identificar uma pessoa abduzida e até mesmo contatar os extraterrestres que a levaram. Este autor acredita que se as abduções de alguma maneira prejudicam ou atrapalham a vida e o lado psicológico do indivíduo, o xamã poderá intervir nesse processo, uma vez que ele possui um modo para se locomover através de realidades paralelas.

A física quântica começa a abordar a questão das dimensões paralelas abrindo um precedente para que o ser humano entenda que o corpo é possuidor de um complexo mecanismo ainda desconhecido. À medida em que entendermos isso de forma consciente, entenderemos também que a herança do xamanismo é um caminho sagrado e que cada indivíduo traz dentro de si a possibilidade de despertar e trabalhar habilidades que poderiam colocar o homem em sua condição real de espiritualidade, descartando assimos conceitos de que o homem poderia estar atrasado no processo de evolução espiritual — o xamanismo nos dá parâmetros para entender esse processo espiritual.

crédito: AMERICAN NATIVE HERITAGE
Entre os nativos norte-americanos a prática do xamanismo era vista, e ainda é, como algo natural
Entre os nativos norte-americanos a prática do xamanismo era vista, e ainda é, como algo natural

A prática, entretanto, passou por momentos difíceis no decorrer da história, e de várias formas tentaram eliminá-la, desqualificá-la e enfraquecê-la. Para citar apenas um exemplo, na época do governo de Josef Stalin, na antiga União Soviética, entre 1922 e 1953, os xamãs eram esquartejados e queimados com o objetivo de serem eliminados de vez. Muitos deles se refugiaram nas montanhas e conseguiram preservar e garantir a existência desse sistema cultural-mágico-tecnológico que vemos ser resgatado em nossos dias.

O xamanismo também é um sistema tecnológico por excelência, uma vez que usa as denominadas “técnicas do êxtase”, espiritualmente avançadas, provocando, por meio de psicoativos naturais, a alteração do estado de consciência. Mesmo a ciência admitindo a possível existência de outras dimensões ou de vida em planetas distantes, essas viagens só seriam possíveis com o uso de altas tecnologias e de engenharia avançada. Por isso, a ciência, de maneira geral, entende que não há tecnologia capaz em nossos dias para se fazer tal empreendimento e salienta que não existem provas contundentes de mundos sobrenaturais.

Busca do autoconhecimento

Há 35 mil anos, o xamanismo começou a apontar um caminho sofisticado e de conhecimentos elaborados por seres humanos, que foram se aprimorando. O desenvolvimento desse conhecimento nos trouxe a medicina, as artes, o plantio, as construções em pedra, a literatura oral, a astronomia, a meditação. Fica evidente que um dos princípios do xamanismo é a busca incessante do autoconhecimento, o que a prática já apontava nos primórdios do Homo sapiens e que hoje estamos tentando resgatar e organizar novamente, principalmente por meio da física quântica e determinadas filosofias espiritualistas.

A morte e o renascimento, ciclo inerente ao xamanismo, será referência ao longo da história na raiz dos mitos — o morrer e renascer, presentes na cultura de forma geral. Os rituais e a arte talvez nasçam no momento em que o xamã sente a necessidade de se comunicar com o mundo dos espíritos, dos seres sobrenaturais e até mesmo com seres de outros planetas. Assim nasceu a necessidade e o intuito ritualístico de registrar aquilo que viam e presenciavam em forma de desenhos e pinturas nas cavernas, com provável consciência de que a maioria dos desenhos e pinturas se preservaria e que em um futuro distante poderiam ser estudados e decifrados.

Abduções e xamanismo

Os abduzidos passam por processos dolorosos, sejam psicológicos ou culturais. Baseado em pesquisas de vários especialistas e na experiência deste autor com algumas pessoas abduzidas, fica evidente que parte delas não quer a continuidade do projeto encabeçado pelos extraterrestres, porque os sequestros por extraterrestres interferem em quase todos os aspectos da vida daqueles que são levados. Em todas as pesquisas fica claro que a abdução é um processo aparentemente científico e bem delineado, além de ser hereditário. Ou seja, a abdução começa na infância e se estende por quase toda a vida da pessoa, além de também alcançar seus familiares.

Ainda não está claro quais seriam os verdadeiros propósitos das abduções, mas elas se tornam ainda mais relevantes se de fato os extraterrestres estiverem desenvolvendo seres híbridos. Muitos pesquisadores registram relatos e desenhos de abduzidos que retratam seres híbridos meio humanos, meio aliens, desenvolvidos em processo de incubação. É preocupante pensarmos que nós, humanos, somos muitas vezes levados a conceitos reducionistas por parte até mesmo de determinados movimentos espiritualistas e de religiões dogmáticas, que pregam que não somos seres evoluídos espiritualmente o suficiente para termos alguma importância no universo.


A ligação comespíritosanimais é bastante convincente para muitos dos abduzidos. Essadimensão xamânica necessita de um estudo mais profundo. Tais fenômenos não podem ser entendidos dentro da estrutura das leis daciência

Essa afirmação deixa claro que há uma carência de entendimento sobre tudo o que construímos e desenvolvemos culturalmente durante os milhares de anos de nossa história. O doutor David Jacobs, Ph.D., afirmava que a hibridização não existe por causa de um possível problema humano, mas sim de um problema extraterrestre [Veja detalhes no livro Infiltrados: O Plano Alienígena para Controlar a Humanidade, código LIV-039 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. Isso se tornaria ainda mais preocupante se houver governantes humanos envolvidos no projeto de abduções, em conjunto com os alienígenas.

É importante lembrar que a hibridização não é o mesmo que relação inter-racial. Nesse contexto nos parece mais um processo de aculturação feito por parte dos extraterrestres com a intenção de adquirir e apreender algo dos humanos — não há uma conivência das partes, principalmente dos abduzidos, por estarem em uma condição passiva. Os ETs parecem saber manipular bem os sentimentos humanos. Com os abduzidos que são conscientes do que está acontecendo, eles trabalham a ideia da comoção e do sentimento, pleiteando que os sequestros serão um bem para a humanidade. A linha de pensamento aqui está centrada na ideia de que as abduções, de forma geral, são um problema de saúde pública e não podemos descartar, também, a questão moral e ética. Isso não determina que todos os ETs sejam mal-intencionados, mas que de forma geral as abduções parecem apresentar problemas aos abduzidos.

Infiltrados na Terra

Jacobs, um dos mais importantes pesquisadores das abduções, com teses defendidas na Universidade de Temple, nos Estados Unidos, nos ofereceu um panorama não muito positivo deste processo. Em seu primeiro livro, A Vida Secreta [Rosa dos Tempos, 1998], que é uma pesquisa detalhada sobre abduções, ele destaca que estamos em desvantagem por não conseguirmos resistir a elas, já que os ETs possuem uma tecnologia muito superior à nossa e têm habilidades extrassensoriais para manipular o espaço e o tempo no decorrer das etapas do processo de abdução.

Seu segundo livro, A Ameaça [Rosa dos Tempos, 2002], apresenta uma visão ainda mais alarmante. Jacobs acreditava na existência de um projeto de exploração da fisiologia humana, com o acasalamento e monitoramento de humanos por intermédio de implantes e transplantes fetais, cujo objetivo é o de promover um cruzamento entre espécies de humanos e extraterrestres via inseminação artificial. Agora, em seu mais recente livro, lançado no Brasil pela Biblioteca UFO, Infiltrados: O Plano Alienígena para Controlar a Humanidade, ele vai muito além.

John E. Mack, médico psiquiatra da Universidade de Harvard, falecido em 2004, também desenvolveu uma pesquisa extensa sobre a problemática das abduções e, apesar de admitir que elas são traumáticas, observava que também podem nos trazer alguma transformação pessoal e produzir uma identidade alienígena que parece ligada à alma do “eu humano” — isso é um dado interessante e pode ter um diálogo significativo com o xamanismo, sendo uma porta de acesso não só à comunicação entre humanos e ETs, mas também uma relação entre o Fenômeno UFO e as abduções.

O xamã escolhe quem ou o que ele quer contatar, sejam espíritos, seres sobrenaturais, mundos paralelos ou entidades extraterrestres. É apenas o xamã quem vai ao encontro dos objetivos e das pessoas por ele determinados, e não o contrário

O professor Mack, atentava para algo de xamanismo nas experiências de abduções, como apresentado no trecho de seu livro Abduções [Biblioteca OVNI, 1997]. Dizia ele: “A ligação comespíritosanimais é bastante convincente para muitos dos abduzidos. Essadimensão xamânica necessita de um estudo mais profundo. Tais fenômenos não podem ser entendidos dentro da estrutura das leis daciênciaocidental, embora, como já disse, sejam bastante consistentes emrelaçãoàs crenças desenvolvidas hámilhares de anospor outras culturas não ocidentais”. Esse modesto artigo visa um início no entendimento daquilo que John Mack observou.

Já Budd Hopkins, historiador e artista plástico, falecido em 2011, pioneiro entre os mais importantes pesquisadores sobre abduções e que utilizou a hipnose com a ajuda de psicólogos como método de investigação, ao ser perguntado sobre os sequestros por extraterrestres, disse que eles estariam realizando algo que interessa somente a eles. Em entrevista à Revista UFO, em janeiro de 2006, declarou que “as abduções, portanto, demonstram o fim total de nossa privacidade. O significado de tais atos alienígenas é incomensurável. O que eles estão buscando nos seres humanos é algo que lhes interessa muito: material genético e, até certo ponto, material emocional”.

O xamã, ETs e o nosso DNA

O homem é, por excelência, um ser religioso e ritualístico em sua criatividade e afetividade, o que justifica seu caminho espiritual e a sua garantia de vida, independentemente das possíveis interferências extraterrestres, seja na pré-história ou na Antiguidade. Essas duas qualidades se desenvolveram na relação do xamã com a natureza. Devemos observar com detalhe que nosso planeta tem um sistema com grande diversidade de vida, o que pode ser raro na galáxia. Por isso, um dos motivos para as visitas desses seres pode estar atrelado à descoberta de que os xamãs são um elo inerente com a natureza e a todo o ecossistema, além de serem possuidores de técnicas físicas e extrafísicas para o deslocamento entre mundos.

Essas condições podem ter despertado em alguma outra espécie intenções de aproximação para tentarem entender detalhadamente essas qualidades xamânicas. E o DNA foi uma possível porta de entrada. Será nosso DNA um mecanismo pelo qual se pode descobrir o que somos e nossa relação com o universo? A hipótese de que os xamãs, por meio dos psicoativos, consigam entrar em contato com nosso DNA, e que este seja, por sua vez, um meio de acessar toda a complexidade da alma humana, traz à tona as questões sagradas para o ser humano, sobre as quais pouco se discute.

Podemos imaginar que nos primórdios os xamãs feiticeiros, em suas jornadas, travaram contato com extraterrestres como forma de trocarem conhecimento, e que tempos depois houve um rompimento nessa relação, por motivos não revelados. Mas talvez a razão possa ter sido o uso de mão de obra humana por parte dos extraterrestres em um passado remoto. Os xamãs feiticeiros, em desacordo, se refugiaram em algumas culturas fechadas, afastando-se em parte das grandes civilizações, observando as inter-relações culturais dos ETs em nosso planeta, mas sem interferir diretamente.

Os extraterrestres querem penetrar no mais íntimo do ser humano, no nosso DNA, mas não temos certeza de suas intenções. Eles estão desenvolvendo híbridos e talvez até mesmo alguns procedimentos científicos sejam meios para nos confundir sobre as suas reais intenções. Os feiticeiros não podem ser abduzidos ou os extraterrestres não conseguem violá-los porque o xamã tem o controle de seu corpo físico e espiritual, mas eles podem acessar ou se comunicar com os ETs, e até mesmo impedir as abduções, como foi comentado no decorrer do texto. Isso coloca o xamã em uma situação diferente do abduzido, deliberando uma forma de defesa e de rompimento do processo de abdução para aqueles que o desejarem — mas se as abduções são procedimentos que nos trazem algum benefício, os xamãs feiticeiros poderiam nos ajudar a entender a profundidade do que de fato está acontecendo.

Resgatarmos o que éramos

Há um equilíbrio no entendimento sobre os sequestros por extraterrestres por parte dos pesquisadores citados no texto, que acreditam que o procedimento pode ser usado para nos aproximarmos deles e até mesmo resgatarmos o que éramos. Outros pesquisadores entendem que as abduções beneficiam apenas os alienígenas. As duas correntes certificam que os raptos são lineares, padronizados, monitorados e estão ocorrendo em uma situação hereditária durante quase toda a vida e até mesmo por gerações, sem qualquer chance de defesa por parte dos abduzidos.

Se os ETs interferiram em nosso DNA há milhares de anos, eles conhecem bem nossa estrutura biológica, mas isso talvez não seja o suficiente para entenderem nossos aspectos psicológicos, criativos e afetivos. Este autor entente que as abduções poderiam fazer parte de um projeto moderno para adquirir qualidades humanas, com destaque para a afetividade e a criatividade, e que o caminho para se adquirir essas qualidades seria a hibridização. Talvez até como um possível resgate de algo que eles perderam ou na busca de algo que queiram adquirir. Para nós, humanos, talvez seja a chance de reaprendermos aquilo que, talvez, já tenhamos sido em um passado distante.

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Sobre o Autor

Mauricio Eloy

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