Edição 94
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Visão remota

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01 de Dec de 2003
Podemos usá-la para pesquisar outros planetas?
Créditos: benjamin shean

Na seção Diálogo Aberto da edição 92 da Revista Ufo foi publicada uma entrevista com o pesquisador norte-americano Courtney Brown, sobre a possibilidade de contatos com seres extraterrestres através do uso de uma técnica conhecida como visão remota [Remote viewing]. No início da matéria encontra-se a explicação de que o procedimento é “um fascinante campo de estudo surgido há pouco mais de uma década”. Na verdade, o estudo sistemático do que se chamou de visão remota iniciou-se bem antes disso e teve trabalhos publicados já na década de 70. Assim, para levar ao leitor esclarecimentos sobre esta técnica e seus resultados, apresentamos esse texto.

Em 1973, os físicos norte-americanos Russel Targ e Harold E. Puthoff iniciaram as pesquisas sobre a visão remota no Stanford Research Institute [SRI, atualmente SRI International], em Menlo Park, na Califórnia. Targ havia trabalhado anteriormente com estudos sobre os raios laser, tendo sido o inventor do oscilador de plasma sintonizável em freqüências de microondas. Puthoff era detentor de patentes na área da tecnologia laser e de aparelhos de ótica, sendo autor de um compêndio sobre física quântica, amplamente adotado em universidades dos EUA. Antes de ingressar no SRI, Puthoff foi também oficial da Marinha norte-americana e trabalhou em pesquisas realizadas nos laboratórios do Departamento de Defesa daquele país. A expressão visão remota foi utilizada para denominar o fenômeno que estava sendo estudado, pelo fato de ser considerada neutra.

Os leitores familiarizados com a nomenclatura parapsicológica logo poderão identificar que a técnica é provavelmente aquilo que se chama na área de clarividência, ou, com menor probabilidade, de telepatia. Embora Targ e Puthoff não empregassem com freqüência a expressão, o que foi pesquisado na SRI foi percepção extra-sensorial (ESP). Mais propriamente, em termos do que propicia acertos, trata-se daquilo que o famoso e pioneiro parapsicólogo Joseph Rhine denominou de percepção extra-sensorial geral (GESP), ou seja, clarividência, telepatia ou precognição. Mas que acertos são estes?

Antecedentes — Em 30 de março de 1972, um artista plástico de Nova York chamado Ingo Swann escreveu uma carta para Puthoff. Swann era conhecido por ter capacidade de produzir freqüentemente fenômenos paranormais. Na missiva, Swann descrevia o bem sucedido trabalho de psicocinesia (PK) que realizara com a parapsicóloga Gertrude Schmeidler, do Departamento de Psicologia da universidade City College. Em junho deste mesmo ano, Swann foi submetido a um teste no SRI. O experimento consistia em tentar atuar ou influenciar com a mente um magnetômetro condutor dentro de uma caixa blindada por um escudo magnético de metal, situada no subsolo do edifício. Iniciado o teste, após 5 segundos, o campo magnético registrado começou a se alterar e a freqüência de oscilação dobrou por um período de cerca de 30 segundos.

Mas além do surpreendente efeito, algo mais inspirador ocorreu. Quando indagado sobre o que tinha feito para influenciar o magnetômetro, Swann respondeu que havia tido uma visão direta do interior do aparelho e que, aparentemente, o ato de olhar aquelas partes resultara na produção dos efeitos registrados. Ao descrever isso, esboçou em um papel um diagrama do interior do magnetômetro tal como ele o “viu”, chegando inclusive a tecer comentários sobre uma placa feita de uma liga de ouro que de fato lá se encontrava. É importante frisar que Swann estava naquele edifício pela primeira vez, além do que, é bastante improvável que alguma vez em sua vida tivesse acesso a um instrumento tão específico como o magnetômetro condutor. Esse instrumento é o equivalente eletrônico de uma agulha de bússola supersensível, capaz de registrar campos magnéticos da ordem de um milionésimo do que se verifica no campo terrestre. Esse aparelho fazia parte de um equipamento construído para detectar quarks.

A partir da descrição de Swann, de poder “ver” o que se passava no interior do magnetômetro, apesar da blindagem, iniciaram-se experimentos em que o artista plástico tentava descobrir quais eram os diferentes objetos que eram colocados dentro de uma caixa de madeira. Era o início das experiências de visão remota, ou “ver a distância”. Os resultados foram estatisticamente significativos. Num exemplo interessante, em determinada ocasião o representante de um possível financiador do projeto de pesquisa quis participar do teste. Ele colocou um objeto dentro da caixa e conferiu a descrição que Swann fez dele: “O que estou vendo é pequeno, marrom e irregular, assim como a folha de uma planta ou algo parecido. Só que dá a impressão de ter muito mais vida, como se estivesse até se mexendo!” O objeto era uma mariposa viva, cujo perfil lembrava o de uma folha.

Posteriormente, Swann foi ainda submetido a outros tipos de testes, que essencialmente não diferem dos realizados por Rhine na Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA), berço da parapsicologia moderna.

crédito: irva
Pioneiros na pesquisa da visão remota: [A partir da esquerda] Harold Puthoff, Ingo Swann e Russel Targ. No detalhe, Lyn Buchanan
Pioneiros na pesquisa da visão remota: [A partir da esquerda] Harold Puthoff, Ingo Swann e Russel Targ. No detalhe, Lyn Buchanan

Exceto pelo emprego de aparelhagem mais sofisticada. Num teste, Swann deveria identificar entre duas opções de objetos escolhidas aleatoriamente. Tinha que identificar se o que tinha sido ativado era um laser vermelho de hélio e neônio ou um laser verde de argônio. Noutras vezes, teria que identificar qual o recipiente que continha uma fonte de raios beta emitidos pelo elemento químico promécio 147 e qual o que continha um bastão de laser de rubi.

Mas os testes foram aborrecendo Swann, que certo dia disse: “Estou cansado desses experimentos parapsicológicos. São tão chatos! Por que não tentamos algo mais estimulante?” E declarou ter feito algumas experiências na Sociedade de Pesquisas Psíquicas Americana (ASPR) em que deslocava seu ponto de vista para locais distantes e descrevia o que então tinha pela frente. “Era um trabalho divertido e esses estudos foram estatisticamente significativos. Acho que sou capaz de observar o que se passa em qualquer lugar do mundo, se me derem certas coordenadas como longitude e latitude. Vamos planejar um experimento dentro desse esquema”, desafiou os pesquisadores.

Visão a Distância — Assim, o primeiro tipo de experimento de visão remota realizado no SRI baseou-se na sugestão de Ingo Swann. Tratava-se de escolher coordenadas de latitude e longitude e solicitar a ele que descrevesse a qual ponto geográfico correspondiam as coordenadas. O número de acertos foi tão espetacular que Targ e Puthoff ficaram em dúvida se estavam diante de um caso de visão a distância paranormal ou se os resultados poderiam se dar pelo fato do sujeito ter memorizado a localização de pontos geográficos correspondentes a um número elevado de coordenadas. Teria Swann memorizado os locais que correspondiam a uma infinidade de possibilidades de coordenadas de latitude e longitude? Outra alternativa seria o sujeito obter de forma subliminar – como hiperestesia ou comunicação intuitiva – informações do experimentador, que sabia as localizações geográficas tentadas.

Para descartar essas hipóteses não paranormais foi criado o Projeto Scanate, sendo esse termo originado da condensação das palavras scanning by coordinate, ou explorar com o auxílio de coordenadas. E para esse novo tipo de experimento foram tomadas algumas precauções. Os experimentadores – que permanecessem juntos ao sujeito do teste paranormal – não teriam conhecimento da localização dos pontos geográficos a serem perscrutados. Além disso, não bastaria ao sujeito dizer que ponto geográfico encontrado no mapa correspondia às coordenadas dadas. Ele deveria fazer uma descrição detalhada do local, descrever habitações, estradas, ruas, pontes, enfim minúcias do local. Apesar destes mecanismos de controle experimental, os resultados continuaram a ser significativos.

Como era de se esperar, a divulgação preliminar das descobertas nestes experimento de ESP suscitou o questionamento de céticos. Mas Targ e Puthoff tinham um procedimento padrão diante de tal situação: em vez de se envolverem em discussões teóricas intermináveis com quem não aceitasse seu trabalho, propunham que estas pessoas participassem dos experimentos. Falando de um ponto de vista parapsicológico, há aqui semelhança com a atitude de vários ufólogos, que sugerem aos céticos que participem de pesquisas de campo, que façam vigílias e acompanhem sessões de hipnose regressiva etc. Vejamos um exemplo, dentre vários.

Um cético convidado a tomar parte do trabalho forneceu coordenadas de latitude e longitude de um determinado ponto da costa leste dos Estados Unidos. Quando o desafio teve início, nem os experimentadores, nem o sujeito sabiam a localização geográfica do alvo – que posteriormente constatou-se estar a quase 2.000 km de distância do local do teste. Swann simplesmente fechou os olhos e começou a relatar o que estava “vendo”. “Parece que há uma espécie de ondulação no terreno, uns aterros. Há uma cidade para o norte. Dá para ver prédios mais altos e um pouco de névoa suja de fumaça. Eu diria que é um lugar estranho, com gramados como o que a gente encontra ao redor de uma base militar”. E continuou: “Aqui e ali parece haver, espalhados, uns velhos abrigos à prova de bomba. E há um mastro de bandeira, sem dúvida. Estradas a oeste. É possível que passe um rio a distância para os lados do leste. A cidade com suas edificações se prolonga para o sul. Penhascos a leste”. De vez em quando, Swann abria os olhos e desenhava um mapa referente ao que estava visualizando.

Acertos Impressionantes —
“Ao norte há uma cerca. Uma construção em forma de círculo, talvez seja uma torre. Há prédios ao sul. Será uma antiga base para o lançamento de mísseis interceptadores ou algo parecido?”, completou. O cético desafiante recebeu o relato de Swann e afirmou que havia correspondência detalhe por detalhe, ponto por ponto, como o alvo que selecionara. Além disso, as escalas de distância desenhadas no mapa correspondiam à realidade do alvo. Enfim, o sujeito descreveu minúcias do local. No entanto, alguém poderia contestar os resultados do experimento dizendo que as descrições eram fruto da memória que Swann teria do local, acrescido de um conhecimento anterior de pormenores da área, obtida em experiências anteriores. Para refutar as descobertas, céticos poderiam afirmar que Swann teve acesso a fotos do alvo, assistiu a algum filme que o mostrasse ou que talvez até já esteve lá. Isso tudo além da possibilidade de acusação de conluio fraudulento envolvendo o sujeito e os pesquisadores.

Quando se trata da pesquisa de fenômenos paranormais, o controle de variáveis para descartar hipóteses que sugerem alternativas que não estão de acordo com paradigmas científicos atuais deve ser efetuado de modo exaustivo. Afinal, no diálogo com os céticos é fundamental que tenhamos dados experimentais e argumentos para fazer frente à máxima de que afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias. De qualquer forma, lembremos que ser cético é obrigação de todo cientista – embora alguns auto-denominados céticos não tenham postura científica e sejam, na verdade, dogmáticos. Levando-se isso em conta, e com os resultados significativos encontrados nos experimentos preliminares sobre visão remota, o método foi aperfeiçoado e tomou sua forma definitiva, que é a mais conhecida no trabalho realizado no SRI.

crédito: dortmund university
Entre os exercícios de visão remota, o indivíduo teria que identificar um recipiente contendo uma fonte de raios beta emitidos pelo elemento promécio 147, e qual tinha um bastão de laser de rubi
Entre os exercícios de visão remota, o indivíduo teria que identificar um recipiente contendo uma fonte de raios beta emitidos pelo elemento promécio 147, e qual tinha um bastão de laser de rubi

Começou-se então a utilizar experimentos chamados duplos-cegos, em que o sujeito e os experimentadores desconheciam o alvo. O teste se iniciava com o sujeito e um experimentador trancados numa sala do SRI, onde recebiam a instrução de aguardar por 30 minutos antes de começarem a descrição do alvo distante. Enquanto isso, o diretor da Divisão de Ciência Teórica e Aplicada da Informação do SRI escolhia de forma aleatória um dentre vários envelopes que continham o local a ser perscrutado. O envelope era entregue para dois a quatro pesquisadores da instituição que, sob mútua observação, seguiam imediatamente para o local escolhido. Permaneciam neste ponto durante 15 minutos. Neste mesmo período de tempo, o sujeito que se encontrava no SRI descrevia o que estava “visualizando”, sendo a narrativa registrada em um gravador. Se quisesse, poderia desenhar o que estava “vendo” num papel.

Ao término de uma série de tentativas, todos os pacotes – sem identificação e contendo as transcrições integrais e sem retoques das narrativas gravadas em fita – eram entregues a um juiz (ou juízes) independente. Este segue sozinho a cada um dos locais selecionados como alvos. Enquanto permanecia num deles, o juiz deveria classificar o conteúdo de cada um dos pacotes de respostas de acordo com a correspondência que havia com o local em que estava. Ele deveria fazer uma lista em que, no alto, figurava a resposta que melhor lhe parecesse descrever o local e, em último lugar, a resposta menos representativa dele. Esse processo de julgamento foi denominado de concordância preferencial.

Exemplificando, após oito experimentos ou tentativas com um sujeito, entrega-se ao juiz oito envelopes sem identificação, cada um deles referente à narrativa da visualização de um local alvo. O juiz irá visitar cada um desses pontos e, estando neles, deverá classificar o conteúdo dos envelopes segundo a correspondência de detalhes do local e as narrativas contidas nos envelopes. Com isso, visou-se estabelecer uma hierarquia de coincidências, a narrativa que mais corresponde ao local, a que está em segundo lugar de correspondência e assim por diante.

Simples e objetivo. Praticamente à prova de fraudes. Mas não poderíamos encerrar esse pequeno sobrevôo em torno das pesquisas de visão remota realizadas no SRI sem mencionar o sensitivo Pat Price. Ex-comissário de polícia e subprefeito de Burbank, na Califórnia, Price foi também presidente de uma companhia de carvão de West Virgínia. Através do resultado dos experimentos de que participou, Price demonstrou ser um dos mais notórios paranormais do SRI, uma verdadeira “estrela psíquica”. Além da descrição minuciosa de detalhes de locais alvo que eram selecionados para ele perscrutar, chegava ao ponto de nomeá-lo. No primeiro experimento realizado com Price, o local alvo era a Torre Hover, situada no campus da Universidade de Stanford. Em sua descrição, em certo momento, ele começa a falar de uma torre e afirma: “Pode-se dizer que se trata da Torre Hover”.

Controle Absoluto —
Era muito grande a capacidade de Price de descrever prédios, atracadouros, estradas, jardins etc. Relatando pormenores de suas estruturas, tipos de material de que eram feitos, cores etc, além de mencionar o ambiente em sua volta, as atividades que estavam sendo executadas naqueles locais e muitos outros detalhes. Mas Price não acertava tudo. Suas descrições continham sempre alguma falha, além de ter errado em determinados segmentos de série de testes. Como aconteceu com todos os sujeitos testados. A história da pesquisa parapsicológica indica que ninguém demonstrou controle absoluto da manifestação paranormal.

Vários sujeitos participaram deste tipo de experimento e seus resultados foram estatisticamente significativos, no sentido de trazer evidências científicas da existência da visão remota. Como precaução suplementar, a direção do SRI, vez por outra, fazia com que os mais céticos em relação aos testes ficassem encarregados de julgar os resultados. Em várias ocasiões, para grande pesar deles, sua concordância preferencial gerou alguns dos melhores resultados obtidos nos trabalhos conduzidos por Targ e Puthoff. O reconhecimento científico do trabalho realizado no SRI possibilitou a publicação de artigos no Proceedings of the Institute of Electrical and Electronics Engineers e na prestigiada revista científica Nature.

Após a análise de como aconteceram as pesquisas iniciais deste fascinante campo da parapsicologia – provavelmente as mais completas e que obedecem padrões científicos rígidos, realizadas por Targ e Puthoff –, vamos retornar ao que foi mencionado no início deste texto, sobre a entrevista com Courtney Brown, publicada em Ufo 92. Brown teria até fundado um instituto que usa a modalidade de visão remota por ele denominada de scientific remote vision (SRV). Ele afirma que através da SRV pôde “visualizar” acontecimentos em outro planeta, e indica ainda que através da técnica seria possível estabelecer contato com ETs.

Em dado ponto de sua entrevista à revista, Brown afirma que “o Pentágono, por exemplo, gastou 20 milhões de dólares para provar, através do Stanford Research Institute, que a alma humana existe mesmo quando naquela época o fato não era aceito”. É verdade que agências governamentais dos EUA investiram milhões de dólares no projeto de pesquisa de visão remota do SRI. No entanto, a pesquisa desse campo não demonstrou cientificamente a existência da alma. Aliás, essa demonstração não se deu em nenhuma pesquisa de ESP. Os estudos na área, desde o uso de baralho Zener até o procedimento Ganzfeld – técnica mais utilizada atualmente –, comprovam a existência de fenômenos paranormais, mas sua explicação é fruto de controvérsia entre os parapsicólogos. Existem desde explicações que os atribuem a uma faculdade espiritual até aquelas que sugerem que os fenômenos paranormais são físicos e exclusivamente materiais.


Teoria Quântica —
Targ e Puthoff, por exemplo, sugerem que “certas idéias formuladas na teoria da informação, na teoria quântica e em pesquisas neurológicas serão suficientes para explicar a visão remota”. Já Brown afirma que através da SRV foi possível visualizar tudo o que aconteceu referente ao Caso Roswell. Segundo ele, os membros de seu instituto podem até visualizar o que está acontecendo na Casa Branca em determinado momento. Diz ainda que “poderíamos pegar o escritório de Hitler antes da guerra, o quartel da CIA nos anos 60, a KGB em Moscou antes da Perestroika etc. Já usamos como alvo o planeta Marte...”

Tal afirmação precisa ser comentada, pois a questão aqui envolve uma falha metodológica que leva à invalidação dos resultados obtidos. Não existe comparação entre as respostas dos sujeitos e os objetos usados como alvo. O procedimento básico do trabalho de Brown é solicitar a oito sujeitos que, utilizando-se da SRV, visualizem um dado local e façam a descrição do mesmo, com o auxilio de perguntas e sugestões. Os resultados são obtidos através da avaliação das coincidências entre as respostas dos sujeitos. Mas todos sabemos que fatores sócio-culturais podem explicar essas coincidências, ainda mais se tratando de alvos que estão disseminados no imaginário popular. Se usássemos o método de comparação de respostas, teríamos concluído que a polêmica Santa da Vidraça, como ficou conhecida uma mancha química no vidro de uma residência em Ferraz de Vasconcelos (SP), percebida em julho de 2002, era de fato um milagre. Nessa analogia, se há algumas décadas juntássemos algumas pessoas e as submetêssemos a um experimento de visão remota, tendo como alvo o planeta Marte, iríamos nos espantar com a quantidade de respostas nas quais constariam a visualização de seres verdes...

crédito: kelvin murray
Fenômenos paranormais, como telepatia, precognição e curas misteriosas, podem ser despertadas em testemunhas de manifestações ufológicas
Fenômenos paranormais, como telepatia, precognição e curas misteriosas, podem ser despertadas em testemunhas de manifestações ufológicas

Mas é possível a visualização de alvos em outro planeta através da utilização da visão remota? Talvez! No entanto, é preciso ressaltar que não existe, no momento, comprovação científica dessa possibilidade. Os experimentos realizados por Targ e Puthoff, assim como outros estudos parapsicológicos, demonstram que a ESP não depende de distância – mas essa conclusão se prende ao ambiente terrestre. Não sabemos se isso vale para distâncias extraplanetárias.

Telepatia na Lua —
O astronauta norte-americano Edgar Mitchell, da Apollo 14, que realizou experimentos científicos na Lua em 1971, tentou enviar para a Terra uma mensagem telepática contendo os símbolos do baralho Zener, mas os resultados foram inconclusivos. Já Brown afirma que “...cada vez mais nos assombramos com a exatidão dos resultados obtidos por diversos sensitivos, quando fazemos nosso trabalho tendo como alvo Marte”.

Pelo que se conclui de sua alegação, os resultados são excelentes. Ótimo. Mas em vez de envolver-nos numa cansativa discussão teórica, vou fazer uma proposta baseada na conduta de Targ e Puthoff. O leitor se lembra do que eles faziam diante da incredulidade de um cético? Convidavam-no para participar do experimento. Invertendo um pouco isso, mas conservando a mesma dinâmica, proponho à Revista Ufo que faça a intermediação para a realização de um experimento com duas séries. Eu escolheria aleatoriamente um alvo aqui no Brasil, que Brown e seu grupo deverão visualizar. Eles enviariam a resposta para a revista, que vai designar juízes para se dirigir a vários locais determinados por mim, sendo que um deles é o local alvo. E cada um dos juízes deverá apontar qual local corresponde mais à descrição da visualização. Quero frisar que isso não é um desafio, apenas uma proposta de teste informal. Por ser uma série pequena, não tem valor estatístico, mas pode fornecer algumas indicações. Que tal?

Podemos viajar a outros planetas usando a técnica da visão remota?

Já está no ar a Edição 94 da Revista UFO. Aproveite!

Dec de 2003

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