Edição 68
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Quando UFOs seguem aviões

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01 de Nov de 1999
Não há estatística oficial, mas estima-se que a cada semana pelo menos duas aeronaves comerciais sejam seguidas por UFOs no Brasil. Há épocas em que esta incidência aumenta bastante, também sem explicação
Créditos: ilustraçâo sipa press

O aparecimento de UFOs no espaço aéreo brasileiro vem aumentando a cada ano. Milhares de pessoas já viram discos voadores e extraterrestres no vasto Território Nacional. No entanto, os ufólogos acreditam que somente uma pequena parte desses casos seja conhecida. Algumas testemunhas não revelam suas experiências por receio, outras acham que o que viveram foi algo divino, e ainda há os que não sabem pelo que realmente passaram. Mas existem – felizmente – os que relatam em detalhes os fatos que presenciaram, fornecendo à Ufologia mais material e ânimo. Dentre as ocorrências que são relatadas destacam-se os depoimentos de pilotos civis e militares e de controladores de tráfego aéreo lotados nos aeroportos espalhados pelo país. A divulgação de incidentes envolvendo aviões comerciais seguidos por UFOs, assim como a confirmação de que a Aeronáutica brasileira pesquisa o fenômeno [Veja matéria à página 10 desta edição], somente colocam o assunto ainda mais em evidência – uma situação que os órgãos oficiais sempre tentaram a todo custo evitar.

Quando fatos como esses vêm à tona, a Ufologia sai enriquecida com testemunhos de militares de altas patentes e de tripulações aeronáuticas treinadas, que passaram por experiências extraordinárias nos céus de nosso país. Alguns destes acontecimentos tornaram-se clássicos na Ufologia Brasileira e até mundial, como o episódio acontecido com um avião da VASP, em 08 de fevereiro de 1982 – o famoso Vôo 169. Era alta madrugada quando a tripulação do Boeing 727 que ia de Fortaleza (CE) para São Paulo (SP) deparou-se com um objeto brilhante do lado esquerdo da aeronave. O comandante Gerson Maciel de Britto, um experiente piloto que acumulava 26 mil horas de vôo à época do incidente, contatou o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) para informar o fato e pedir sua confirmação. O UFO seguiu o avião da empresa paulista desde Petrolina (PE) até o Rio de Janeiro, apesar do mesmo ter feito escala em Belo Horizonte (MG). Britto não obteve do Cindacta, em sua primeira tentativa, confirmação da presença daquele intruso na área de sua rota – apesar de outros Boeings voando próximos estarem observando o mesmo fenômeno. No entanto, após alguns minutos, foi o Cindacta que contatou o avião da VASP para informar ao comandante que finalmente estava detectando o UFO em suas telas de radar.

Ainda assim, Britto não recebeu qualquer informação de como haveria de proceder diante daquela situação. Segundo ele, a cabine de comando foi tomada por uma luz azulada, instante em que a tripulação pôde ver bem de perto o perfil do UFO. O notável neste episódio – e algo inédito na casuística ufológica – e que o comandante tentou estabelecer contato telepático com os eventuais tripulantes do estranho objeto. “Quando mentalizava alguma forma de contato, o UFO aproximava-se e até passava à frente do 727,” declarou Britto. “Sem, no entanto, colocar em risco a segurança do vôo,” completou.

O comandante também tomou outra atitude inédita num caso deste gênero: acordou e convocou todos os passageiros a bordo – em torno de cem – a observarem a enigmática nave e testemunharem junto à tripulação o que se passava. O caso teve enorme repercussão nacional e mundial. Mas um mês depois desse acontecimento, o comandante viu ainda outros dois objetos enquanto percorria exatamente a mesma rota – embora não por tanto tempo como na primeira vez. De acordo com Britto, os objetos nesta ocasião estavam em direção contrária ao seu avião, sendo primeiramente observados no radar de bordo. Passaram pelo Boeing em alta velocidade, mas mesmo assim pôde-se perceber que ambos tinham formato circular. De repente, os objetos surgiram novamente, só que em velocidade mais baixa e no mesmo sentido da aeronave, para depois desaparecerem. O Cindacta, entretanto, não registrou nada em seus radares – ou não admitiu tê-lo feito. Ocorrências como as do comandante da VASP, atualmente aposentado, acumulam-se nos arquivos da Aeronáutica Brasileira – a maioria sendo mantida como confidencial. Outro fato intrigante, bem mais recente, aconteceu durante o vôo da VARIG de número 250, que partiu do Rio de Janeiro com destino a Belém (PA).

Aeronave Não Identificada – O comandante Marcos Bantel relatou que a decolagem ocorreu no horário previsto, às 19:30 h do dia 19 de junho deste ano, “com céu estrelado e sem Lua.” Por volta da 21:00 h, quando o aparelho sobrevoava o sul do Estado da Bahia, a tripulação do avião da VARIG ouviu pelo rádio a comunicação mantida entre uma aeronave da TAM com o Centro de Controle de Tráfego Aéreo do Aeroporto de Recife (PE), responsável pelo monitoramento aeronáutico daquela área. De acordo com o comandante Bantel, o piloto da TAM perguntava sobre a existência de um terceiro avião, que estaria do seu lado esquerdo. O centro comunicou que havia apenas duas aeronaves no setor: a da TAM e, do seu lado direito, a da VARIG. Neste instante, Bantel olhou para o lado esquerdo da aeronave e viu uma estranha luminosidade acompanhando o avião. Entrou em contato com o centro de Recife e confirmou o fato mencionado pelo outro piloto. “Troquei informações com o comandante da TAM para me certificar de que estávamos vendo o mesmo objeto,” explicou Bantel à Revista UFO.

O comandante da VARIG disse também que o objeto luminoso estava a pelo menos 100 km de distância de seu avião, sendo que podia vê-lo claramente dada a intensidade de seu brilho. “Este é um fato bastante interessante, pois um avião de 30 m de comprimento que esteja a 36 km de distância torna-se de difícil visualização, enquanto o UFO estava bastante claro,” afirmou o piloto. “O estranho objeto deveria ter pelo menos cerca de 200 m de largura,” avaliou Bantel. O comandante informou ainda que, de repente, o UFO adquiriu cor vermelha, diminuiu de tamanho e brilho e desapareceu no horizonte. O avistamento durou aproximadamente 10 minutos e o caso não recebeu qualquer pronunciamento por parte dos órgãos oficiais. Bantel, no entanto, a exemplo de Britto, relatou o fato à Revista UFO e aceitou que o episódio se tornasse público, tanto que o programa Fantástico exibiu uma entrevista com o comandante em junho passado.

Outro objeto voador de enormes proporções também foi visto pelo piloto gaúcho Haroldo Westendorff, bicampeão brasileiro de acrobacias aéreas, no dia 05 de outubro de 1996. Westendorff relatou que naquela manhã fazia um vôo panorâmico sobre a Lagoa dos Patos, em Pelotas (RS), quando avistou à sua esquerda um UFO com forma cônica e de extremidades arredondadas. Segundo o aviador, o objeto girava em torno de seu próprio eixo sem emitir qualquer som ou fumaça e seguia na direção do Oceano Atlântico. Westendorff disse que ao se aproximar um pouco do aparelho pôde notar que tratava-se de uma pirâmide com oito lados, sendo que cada um possuía três espécies de gomos salientes. A base da nave tinha cerca de 100 m de diâmetro e a altura era de 50 ou 60 m. No topo havia uma cúpula ovalada de contornos arredondados e de cor marrom escura. O UFO também foi visto pelo operador da torre de controle do Aeroporto de Pelotas.

crédito: cortesia m. bantel
O Comandante da Varig Marcos Bantel, na cabine de comando de um Boeing da empresa. No detalhe, o piloto gaúcho Haroldo Westendorff em seu avião particular. Ambos tiveram encontros com UFOs no Brasil
O Comandante da Varig Marcos Bantel, na cabine de comando de um Boeing da empresa

A central do Cindacta em Curitiba (PR), quando informada da situação através de rádio, afirmou não estar registrando nada trafegando num raio de 200 km do avião de Westendorff. Diante disto, o piloto resolveu voar em torno da nave e observá-la melhor. Nesse momento, a parte superior do disco voador se abriu e de dentro saiu um objeto com formato de dois pratos sobrepostos, que adquiriu enorme velocidade, indo em direção ao mar. Westendorff disse ainda que alguns segundos depois a nave emitiu raios avermelhados em forma de ondas de calor. Em seguida, começou a girar mais rapidamente em torno de si, alcançando grande velocidade e sumindo rumo ao espaço. Bem mais recentemente, em 18 de fevereiro deste ano, por volta das 21:30 h, o piloto de um avião da Transbrasil também viu estranhas luzes no sul do país, sobre Garopaba (SC). No dia seguinte, outro aviador, de uma companhia não identificada, também presenciou igual fenômeno praticamente no mesmo horário e local.

Depoimentos de pilotos que viram UFOs acompanhando seus aviões crescem de maneira significativa, e quando são relatados estimulam outros profissionais a também virem à público descrever experiências igualmente extraordinárias. Neste processo de feedback acaba-se descobrindo fatos que aconteceram há vários anos e até décadas. Em 1987, por exemplo, outro Boeing 727 da VASP foi seguido por um objeto discóide quando sobrevoava a cidade de Recife. Outro avistamento bastante interessante – e até perigoso – ocorreu em 02 de maio de 1989 com o piloto Manoel Luiz Christovão. Ele disse que levava um casal de passageiros da cidade de Iguatemi (MS) para Arapongas (PR), quando avistou uma enorme luz circular de cor verde, que parecia flutuar a aproximadamente 100 m do solo. Christovão contou que nesse momento estava a cerca de 10 km do Aeroporto Municipal de Alberto Bertelli, na localidade de destino.

O piloto entrou em contato com uma outra aeronave que estava na cabeceira da pista, perguntando ao comandante se ele sabia o que era aquela esfera luminosa. Curiosamente, o piloto disse que não estava vendo nada. Christovão permaneceu em sua rota para efetuar o pouso, sendo que o UFO posicionou-se à sua frente. Ele percebeu então que seu avião iria se chocar com a luz e tentou realizar algum tipo de contato, mas foi em vão. Diante disso, o piloto teve que fazer uma manobra bastante arriscada na tentativa de evitar a colisão. Para sua surpresa, no entanto, ao terminar aquele movimento o UFO estava novamente diante dele. Apesar de várias tentativas, Christovão não conseguia se livrar do objeto. “Cheguei a conclusão de que eles podiam ler meus pensamentos, pois se posicionavam à minha frente antes de eu terminar cada manobra que realizava,” explicou o piloto. Para tentar acabar com tal situação, Christovão posicionou o avião para realizar o pouso, iniciando a descida à pista – mas o UFO se mantinha imóvel logo adiante da aeronave, sem fazer qualquer ruído. Entretanto, quando a colisão já era tida como certa, o objeto adotou alta velocidade e desapareceu em direção leste. As manobras para desviar da esfera de luz duraram aproximadamente 10 minutos.

Tráfego à Direita – Dentre as centenas de casos de avistamentos de UFOs por pilotos no Brasil, um episódio causou enorme repercussão. O fato ocorreu em 19 de maio de 1986, quando cerca de 21 objetos foram flagrados no céu do país. Douglas Avedikian, controlador de vôo do Cindacta em Brasília (DF), recebeu o comunicado de um avião Bandeirante da TAM que questionava à central de controle se havia alguma outra aeronave voando em suas redondezas. Avedikian respondeu que não existia mais nenhuma naquela rota. “Mas estou vendo um tráfego se aproximando pela minha direita, em linha de colisão,” relatou o comandante do Bandeirante. Novamente Avedikian disse que o radar não registrava nada. Em seguida, e em pânico, o aviador contou: “Está passando à minha frente. São várias luzes girando muito rápido.” Logo depois, o piloto de um avião da Transbrasil, que naquele momento sobrevoava a cidade de Araxá (MG), afirmou estar vendo as luzes. O Cindacta passou a receber vários telefonemas das torres de controle de Pirassununga, Ribeirão Preto e São José dos Campos, no Estado de São Paulo. Seis aeronaves supersônicas e cinco caças Mirage foram acionados para perseguir os UFOs, mas nada conseguiram. O então presidente da Petrobrás Ozires Silva, que sobrevoava a região de São José dos Campos, também tentou interceptar os objetos, sem qualquer sucesso. Diante de tamanho alarde, o ministro da Aeronáutica à época, Octávio Moreira Lima, afirmou publicamente que no prazo de 30 dias um laudo sobre o fato seria divulgado. Até hoje a população espera o relatório.

Aviões da FAB perseguem UFOs na Paraíba

Estima-se que a Força Aérea Brasileira (FAB) registre centenas de casos de UFOs que entram nos céus do país a cada ano, causando grande agito nas torres de controle dos aeroportos. Em algumas ocasiões em que a situação é crítica, aviões de caça são remetidos para perseguir os objetos voadores não identificados. Um desses casos, acontecido recentemente mas só agora divulgado, deu-se em fevereiro deste ano em João Pessoa (PB), sendo testemunhado por M. B. enquanto participava de um curso para piloto privado no aeródromo da cidade. O caso foi pesquisado por Eloir Fuchs, vice-presidente do Centro Paraibano de Ufologia (CPB), que o repassou à Revista UFO.

M. B. relatou que estava fazendo um vôo num pequeno monomotor, por volta das 16:45 h, quando recebeu um comunicado do Cindacta pelo rádio para que retornasse ao aeródromo. No entanto, não obedeceu a ordem e apenas diminuiu sua altitude para não ser captado pelo radar. Quando estava sobrevoando o mar, a alguns quilômetros da costa, se deparou com um imenso UFO em forma de cilindro com mais de 150 m de comprimento. Naquele momento, dois caças da FAB passaram sobre M. B. a cerca de 1.200 km/h. Segundo ele, os aviões eram do tipo F5 e tentaram interceptar o objeto. Diante disto, o aviador resolveu retornar ao aeródromo e achou extremamente estranho o fato de aeronaves militares, inclusive um helicóptero camuflado, estarem pousadas no lugar – considerando-se que este não é um procedimento comum. Estes aparelhos estavam com o prefixo que as indicavam totalmente coberto por uma tarja preta. Assim que aterrissou, M. B. foi interpelado pelos funcionários do aeródromo, que disseram que alguns militares o aguardavam numa sala atrás do hangar.

Dois oficiais da Aeronáutica quiseram saber o que ele tinha visto. Ao responder, M. B. foi questionado com a mesma pergunta. Ele contou novamente e outra vez foi interpelado com a mesma questão. O interrogatório durou mais de duas horas neste impasse. Até que, exausto, M. B. falou que não havia visto nada. Os oficiais então disseram: “Bom, se você continuar assim nada acontecerá...” Logo depois foram embora, somente permitindo que M. B. saísse após 5 minutos. Passado algum tempo, M. B. foi retirar seu brevê mas não conseguiu, pois o mesmo lhe foi negado sem justificativa plausível. Ameaçando ir à Imprensa, a única resposta que conseguiu do aeródromo foi que não poderia receber o documento porque tinha um problema em uma das mãos – fato verdadeiro, mas que não comprometia sua capacidade de pilotar. Misteriosamente, todos os registros de M. B. no aeroclube desapareceram…

Segredos ufológicos dos militares brasileiros

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Nov de 1999

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