Edição 159
DESTAQUE

O que pensa o internauta brasileiro sobre os UFOs - Parte II

Por
01 de Nov de 2009
J. Allen Hynek, pioneiro da Ufologia Mundial sobre cuja obra foi baseado este trabalho
Créditos: Manchete

Na primeira parte deste trabalho, publicada na edição UFO 157, de setembro, iniciamos a apresentação do perfil e do pensamento dos internautas brasileiros em relação à vida em outros planetas. Vimos que 42% deles acreditam que estamos sendo visitados por outras espécies cósmicas, e que aproximadamente um em cada 5 usuários da internet acredita ter visto algo nos céus que não seria de origem humana ou natural – talvez um disco voador. Além disso, também perscrutamos a distribuição demográfica dos internautas que acreditam e dos que não acreditam que estamos sendo visitados por civilizações extraterrestres, chegando a interessantes resultados, que você pode conferir também no Portal UFO [ufo.com.br]. Para efeito de otimização de nosso trabalho, na primeira parte, dividimos a amostra estudada em quatro segmentos: crédulos que já viram, que correspondem a 13% do total consultado; crédulos que nunca viram, 29% dos respondentes; incrédulos que já viram, apenas 6%; e incrédulos
que nunca viram, 52% da amostra.

Na segunda e última parte deste estudo consideraremos dois importantes aspectos da questão. Primeiro, vamos entender o que exatamente relatam as pessoas que responderam afirmativamente ao questionamento feito, quanto a terem observado alguma coisa estranha nos céus – independente de acreditarem ou não que estamos sendo visitados por civilizações de outros planetas. E, segundo, trataremos de alguns assuntos específicos dentro da temática ufológica, apresentando as opiniões dos internautas que coletamos sobre temas como o Caso Varginha e quais seriam as reações das pessoas na situação hipotética de um contato dito oficial com outras espécies cósmicas.

Conforme já explicamos na edição UFO 157, com relação aos presumidos avistamentos ufológicos informados pelos internautas pesquisados nesta amostra, na maioria dos casos os próprios ufólogos tendem a apontar enganos ou fraudes que o cidadão comum comete em tais observações. Os objetos vistos podem ser balões, aviões, helicópteros, meteoritos, estrelas, planetas, satélites artificiais etc. Mas nem sempre tais artefatos permitem explicar o que realmente ocorreu. Por isso, em uma pesquisa de opinião de natureza quantitativa, como esta, temos que ter muito cuidado em indicar a realidade ou não do fenômeno, uma vez que nenhum dos casos coletados foi estudado individualmente. Ressaltamos que estamos lidando aqui com o fato de as pessoas acreditarem ter observado algo de diferente no firmamento, cerca de 20% dos entrevistados ou um em cada 5, não que tais fatos efetivamente se deram.

Classificando as manifestações

Cabe ainda enfatizar algumas considerações importantes sobre esta pesquisa, antes de compartilharmos seus resultados com os leitores. Principalmente que, ao elaborarmos as perguntas, usamos como base o livro Ufologia: Uma Pesquisa Científica [Editorial Nórdica, 1972], de Joseph Allen Hynek, um dos primeiros cientistas a levar a sério e a investigar de forma sistemática os avistamentos de objetos voadores não identificados. Na obra, Hynek divide os avistamentos de supostos UFOs em seis categorias: luzes noturnas, discos diurnos, observação visual com detecção de radar e os encontros imediatos, que podem ser de primeiro, segundo e terceiro graus. Hoje há diferentes formas de classificar as manifestações ufológicas, como a adotada pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), responsável pela Revista UFO.

Hynek considerava um encontro imediato a presença de objetos ou luzes não identificadas a pelo menos 160 m do observador – daí o termo encontro imediato, traduzido por alguns autores como encontro próximo. Para ele, um encontro imediato de primeiro grau caracteriza-se por ser “uma experiência bastante próxima, porém sem efeitos físicos tangíveis”, sem ação sobre o meio ambiente. Já o de segundo grau refere-se a “efeitos físicos mensuráveis no solo e em matérias animadas e inanimadas”, ou seja, com ação sobre o meio ambiente. E o de terceiro grau é aquele em que “entidades animadas – freqüentemente denominadas de humanóides, ocupantes ou ufonautas – são relatadas nas proximidades dos objetos”. O cientista deixa bem clara, também, a distinção entre encontros de terceiro grau e experiências dos chamados contatados, pessoas que afirmam ter contato contínuo com seres de outros planetas [Veja detalhes no livro Contatados, código LIV-018 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br].

No processo de produção deste estudo, infelizmente, ainda não foi possível relacionar os avistamentos coletados de acordo com a classificação de J. Allen Hynek, mas as perguntas foram elaboradas tendo como base seu critério de classificação. E o que podemos adiantar é que a maior parte dos avistamentos está nas categorias de luzes noturnas e discos diurnos. Entretanto, pelo menos uma pessoa entrevistada declarou ter tido um contato de terceiro grau, em um universo de 1.960 internautas consultados na amostra. Num exercício de projeção, de acordo com a pesquisa, podemos estimar em aproximadamente 33 mil o número de internautas brasileiros que poderiam afirmar terem tido este mesmo tipo de experiência. Para se chegar a este número, consideramos a população brasileira em 190 milhões de pessoas, das quais 34% são usuárias da internet, ou cerca de 65 milhões, e dividimos este valor por 1.960. Isso, claro, partindo do pressuposto de que podemos aceitar o que as pessoas acreditam terem vivido, sem uma investigação. 33 mil deverá ser um “número teto” para a presente estimativa.

Já em relação à quantidade de internautas que acreditam ter visto algo diferente nos céus, também com base nos resultados desta pesquisa, nossa estimativa aponta tal número em 12.650.000 pessoas. Porém, se aplicarmos o filtro de 90% de enganos ou fraudes – ou seja, o valor padrão com que trabalham os ufólogos, de um caso real para cada 10 relatados –, temos 1.265.000 internautas que poderiam ter visto algo sem explicação, possivelmente discos voadores. E estamos nos referindo somente à população de internautas de nosso país, e não considerando a maior parte da população não internauta – 66% –, principalmente os segmentos mais pobres e mais idosos, assim como moradores de zonas mais desabitadas, onde os ufólogos costumam dizer que ocorre a maioria dos casos ufológicos. Estamos falando aqui de uma população predominantemente urbana, jovem e mais afluente economicamente, em geral habitantes de áreas de maior concentração populacional.

A pergunta que usamos para coletar informações de possíveis avistamentos na pesquisa foi objetiva: Você já viu algum objeto que, na sua opinião, não se pareça com algo da natureza (meteoros, planetas, nuvens e estrelas) ou fabricado pelo homem (aviões, helicópteros e satélites artificiais)? Para os que responderam sim à esta pergunta, indagamos posteriormente, igualmente de forma direta: Quantas vezes você já viu um objeto desse tipo? Os que responderam uma vez correspondem a 54%, os que viram duas vezes são 23% e os que viram três ou mais vezes, 22%. O passo seguinte foi determinar a hora em que os avistamentos se deram – para o caso de mais de um avistamento por pessoa, pedimos que informasse a hora em que o último episódio se deu. Para esta pergunta, 5% dos entrevistados afirmaram que sua experiência ocorreu de manhã, entre 06h00 e 12h00. Já 8% viram os objetos no período vespertino, das 12h00 às 18h00. A maior parte dos respondentes viu à noite, entre de 18h00 e 24h00, cerca de 55%. Por fim, 23% tiveram suas experiências de madrugada, no período compreendido entre 24h00 e 06h00.

crédito: Arquivo UFO
Tabela A
Tabela A

Dado curioso é que 9% dos entrevistados afirmaram não se lembrar de quando viram o que consideram algo não identificado. No entanto, como se vê, a maioria dos avistamentos de objetos ou luzes que os respondentes não conseguiram reconhecer o que eram ocorreu no período noturno, que está de acordo com os resultados obtidos em pesquisas ufológicas em todo o mundo, amplamente amparados na literatura existente. Um exemplo disso são os documentos do extinto Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Sioani), órgão oficial de investigação que a Força Aérea Brasileira (FAB) instalou no IV Comando Aéreo Regional (COMAR), em 1969. Em seu boletim número 02, recentemente liberado oficialmente através da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, 60% dos casos analisados ocorreram à noite. O mesmo documento aponta que 14% dos episódios aconteceram de dia, 13% ao alvorecer e outros 13% ao anoitecer, segundo os critérios do órgão [Baixe o documento no Portal UFO, no endereço: ufo.com.br].

Ufonautas mais à vontade

Pode se especular, conforme alguns autores, que o fato de a maior parte dos avistamentos ter ocorrido no período noturno pode estar ligado a menor luminosidade ambiente, quando as pessoas confundiriam com mais facilidade artefatos naturais ou artificiais conhecidos, ou que os eventuais tripulantes dos UFOs se sentiriam mais à vontade para se manifestarem – talvez, quem sabe, as duas coisas. De qualquer forma, um aspecto interessante da questão foi levantado pelo doutor Hynek, e se refere ao fato de as pessoas estarem predominantemente sozinhas quando observam algum objeto não identificado. Em seu livro, já citado, ele considerava realizar uma análise mais profunda dos eventos somente quando havia duas ou mais pessoas envolvidas, e descartava situações em que havia apenas um observador, por acreditar que a chance de engano poderia ser maior. Para Hynek, quanto mais pessoas compartilhavam do mesmo avistamento, maior a sua credibilidade.

Assim, em nossa pesquisa, perguntamos aos internautas com quantas pessoas eles estavam quando viram os objetos relatados – e se viram mais de uma vez, que indicassem quantas pessoas os acompanhavam no último caso. Uma parte dos respondentes, 38%, afirmou estar sozinha quando teve a experiência, ao passo que 33% disseram estar com mais uma pessoa e 13% com mais duas pessoas. Um grupo de 16% dos entrevistados disseram estar acompanhada de pelo menos mais três pessoas durante o avistamento. São resultados expressivos. Já outra pergunta importante neste trabalho foi a que se referiu aos formatos dos objetos avistados, e foram oferecidos três deles, pré-estabelecidos: o discóide ou típico prato invertido, o cilíndrico como um charuto e o triangular. No questionário usado, foi deixado um espaço em branco para as pessoas responderem com os formatos que não estivessem listados.

Discos voadores no cotidiano da Terra

Foi uma grande surpresa constatar que quase metade das respostas dadas pelos internautas não se enquadrou em nenhuma das alternativas oferecidas, cerca de 46% dos casos – e surgiu aí um universo de formatos de objetos, descritos pelos respondentes. Mas, novamente, ainda não foi possível classificar as respostas que se encaixassem nesta condição, apenas as que se referiam aos formatos listados. Destas, 31% dos entrevistados disseram ter visto um objeto que parecia um prato invertido, 13% viram artefatos de formato cilíndrico, como um charuto, e 10% afirmaram ter visto algo de forma triangular. Portanto, o tipo de UFO mais visto, dentre as alternativas pré-determinadas, foi o clássico disco voador. Os formatos cilíndrico e triangular correspondem a uma incidência mais residual, sendo a ordem invertida dentro dos segmentos – a forma cilíndrica é mais vista entre os crédulos e o formato triangular é mais visto entre os incrédulos, segundo a classificação inicial deste trabalho. Resta-nos constatar, entre os 46%, se algum outro formato suplanta o do prato invertido, e isso é algo que faremos em breve.

crédito: Arquivo UFO

Outra importante pergunta do questionário se referiu ao local em que o entrevistado estava quando teve sua experiência – ou, mais uma vez, onde estava quando teve sua última experiência, no caso de várias. As alternativas foram apenas duas, em área urbana e em área rural. Os critérios do que é urbano ou rural ficaram a cargo dos respondentes, mas entendemos como área urbana aquela com certo grau de povoamento e número mínimo de imóveis situados em localização próxima uns dos outros. E, por zona rural, um menor grau de povoamento e maior distância entre residências, com presença de terreno cultivável ou propício a atividades pecuárias. Partindo da premissa de que a maior parte da população internauta reside em áreas urbanas, tivemos 63% que afirmaram terem tido seus avistamentos nesta condição, e 37% em área rural.

Aqui se encerrou a pesquisa em relação a questão dos avistamentos. A partir deste ponto, veremos o que os participantes deste trabalho responderam quanto ao Caso Varginha, atendendo a determinadas perguntas que fizemos, e sobre um eventual contato oficial e definitivo entre a população de nosso planeta e civilizações que venham de fora dele. Para esta etapa, todos os respondentes da pesquisa foram incluídos. Mas, antes de apresentarmos os resultados obtidos, há algumas considerações de caráter conceitual que precisam ser feitas, pois foi a partir delas que elaboramos duas perguntas relativas ao referido contato oficial. A primeira indagação é: Se um dia a questão dos discos voadores se tornar um assunto institucional, ou seja, sua existência ser reconhecida oficialmente pelos governos mundiais, e eles e seus tripulantes passarem a fazer parte do dia-a-dia das pessoas, através de contatos diretos e francos, o que aconteceria? E a segunda: Muito se fala sobre um possível clima de pânico que tomaria conta da população, caso isso ocorra, mas seria este um comportamento generalizado?

As perguntas têm fundamento, pois uma coisa é certa na espécie humana: diante do desconhecido, o medo se manifesta. Afinal, este é um sentimento de autopreservação. É o medo que faz a presa fugir do predador, que faz com que não se ande sozinho em um bairro perigoso tarde da noite etc. E diante da ocorrência de um contato com espécies cósmicas supostamente superiores à nossa, pelo menos tecnologicamente, o medo de que se inicie um processo de invasão ou de escravização por parte dos visitantes é real e legítimo. Entretanto, à medida que o desconhecido vai se tornando conhecido, o medo tende a se dissipar. Estes são fatos. E ao entrarmos na análise da reação dos seres humanos frente a um eventual contato oficial com outros seres extraterrestres, é interessante fazermos duas perguntas:

A variedade de reações humanas
Teriam todos os seres humanos as mesmas reações perante tais visitantes, ou elas seriam diferentes, considerando os valores culturais, morais, religiosos e sociais de cada povo terrestre?

A variedade dos tipos de aliens
Seriam os visitantes pertencentes a uma só espécie ou de diferentes povos espaciais, com valores culturais, morais, religiosos e sociais igualmente distintos entre si?

A análise deste eventual contato oficial interestelar, partindo destas duas premissas, naturalmente ocorre em uma dinâmica muito complexa, resultando em dezenas de variáveis, cujas causas e conseqüências podem tornar impossível a tarefa de montar qualquer modelo ou cenário. Tentar esgotar estas premissas é algo igualmente impossível, e por isso a intenção deste trabalho, agora, é apenas a de lançar algumas conjecturas.

Símbolos e signos da vida coletiva

A Terra é um planeta habitado que, no período de tempo conhecido como início do século XXI, tem aproximadamente seis bilhões de seres humanos. Apresenta flora e fauna muito diversas, mas que têm espécies se extinguindo em ritmo acelerado, devido à ação predatória do ser humano. Os Homo sapiens, seus habitantes, estão presentes há aproximadamente 100 mil anos no planeta – que, por sua vez, tem idade estimada em 4,6 bilhões de anos. Seguindo a Teoria Criacionista, alguns acreditam que o homem foi gerado por um ser superior há pouco mais de 6.000 anos, que o fez a partir do barro, como nos narra a Bíblia. Para os que abraçam a Teoria Evolucionista, o Homo sapiens teria vindo de um ancestral comum a outro ramo de animais, os macacos.

crédito: Arquivo UFO
Tabela A
Tabela B

À medida que foi se espalhando pela superfície do planeta, o homem foi adquirindo a capacidade de adaptação ao seu meio, uma das características mais marcantes da espécie. Com o tempo constituiu comunidades que continham diferentes símbolos e signos para regular a vida coletiva. E desses diversos signos e símbolos é que surgiram as variadas culturas que hoje existem em todo globo, resultantes da adaptação de cada grupo humano ao meio e de seu relacionamento com ele. Nem mesmo a tão aclamada globalização, termo que designa uma pretensa conjunção econômica do planeta – que se tornou possível graças aos imensos avanços tecnológicos dos últimos 100 anos –, conseguiu unir o planeta culturalmente. Há, hoje, milhares de sistemas culturais, sociais e religiosos distintos, que pregam diferentes formas de olhar o mundo que habitamos. E ainda que dentro de uma cultura específica, os indivíduos reagem de diferentes formas a um mesmo estímulo, uma vez que as histórias de vida de cada um também interferem, e significativamente, no processo da percepção da vida no planeta.

Face à esta complexa cadeia de símbolos e signos, é difícil acreditar em uma reação uniforme da raça humana para a eventual ocorrência de um contato oficial com outras espécies cósmicas – e mais ainda em uma reação uniforme da raça humana se tivéssemos que conviver com seres extraterrestres entre nós. Certamente haveria inúmeros tipos de reação, sendo o medo, num primeiro momento, o mais comum. Afinal, este seria um evento que faria as pessoas lidarem com o desconhecido de uma forma sem precedentes na história. Mas o temor, muito provavelmente, logo seria canalizado de diferentes formas, pelas distintas culturas terrestres.

A princípio, é possível pensarmos em cinco tipos básicos de comportamento humano frente a um contato oficial com alienígenas. Antes de relacioná-los, cabe aqui uma descrição do processo que foi utilizado, o que se denomina de tipos ideais weberianos em sociologia, idéia que foi implantada pelo cientista social alemão Max Weber [1864-1920] e que consiste na tipificação de elementos em “estados ideais”. Os modelos apresentados não são necessariamente puros, ou seja, é possível haver a combinação, em uma só pessoa, de características de dois ou mais “tipos ideais”. Entretanto, estes servem para descrever situações específicas que são referência dentro da teoria de Weber. E os cinco tipos ideais que podemos estimar que ocorreriam na hipótese de um contato oficial com outras espécies cósmicas são os apresentados a seguir.

Atitude racional
A reação deste grupo de pessoas seria a de depurar o contato oficial para se tentar entender, a partir de informações recebidas dos visitantes, após o contato, questões cruciais para sua continuada existência. Uma delas diz respeito a como chegaram até a Terra. Nossa ciência atual diz que a transposição de distâncias interestelares é uma tarefa que, se realizada pelos seres humanos, levaria muitos anos, devido à limitação imposta pela velocidade da luz, de 300.000 km/s. Sendo assim, pessoas pertencentes a este grupo, e conhecedoras desta informação técnica, tentariam entender qual foi a tecnologia empregada pelos visitantes para vencerem o obstáculo e chegarem à Terra. Na mente dos indivíduos de atitude racional, a tendência é acreditar que a tecnologia que a raça humana emprega atualmente é o máximo que uma civilização conseguiria atingir.

Outras questões que as pessoas deste grupo colocariam dizem respeito a, primeiro, quando e por que os visitantes alienígenas não entraram em contato conosco antes, e, segundo, por quais motivos resolveram entrar em contato oficialmente com nossa espécie agora? Há alguma razão específica? E mais: vieram em paz ou não? Somente após a elucidação destes pontos é que as pessoas com atitude racional, segundo a definição sociológica de tipos ideais de Weber, tomariam alguma atitude em relação ao contato. E sua reação tenderá a não ser uma atitude de medo, mas de curiosidade. Tais indivíduos também estariam propensos a crer que a vida cotidiana e o modo de pensar da sociedade mudariam com sua interação com outras espécies cósmicas, mas não de forma radical.

Atitude indiferente
Em um mundo em que o sistema capitalista se tornou o monopólio da vida econômica e a preocupação com a sobrevivência é cada vez maior, há uma parcela de pessoas muito mais preocupadas com pequenos aspectos da vida cotidiana ou “micro” (trabalho, família, bens pessoais, dinheiro etc) do que com seus aspectos maiores ou “macro” (política, economia, ciência, enfim, o mundo que as cerca). Não se quer dizer aqui que os aspectos micro não sejam importantes, pois, afinal, eles permeiam a vida de todos nós. No entanto, a importância dada à esta característica é supervalorizada pelos indivíduos de tal grupo. Tudo o que não corresponda aos aspectos macro é rotulado por eles de “cultura inútil”, e somente os itens mais imediatos e cotidianos são considerados importantes.

As pessoas de atitude indiferente estão tão atarefadas e dedicadas aos seus assuntos particulares que, caso haja um contato oficial com inteligências extraterrestres, certamente darão de ombros e dirão “e daí?” E continuarão concentradas em seus afazeres. A não ser, claro, que o contato com outras espécies cósmicas seja de caráter hostil e modifique, de forma radical, a vida de todos no planeta, inclusive as suas.

Pânico
Este é o tipo clássico de reação social a um contato alienígena. Segundo muitos ufólogos, é exatamente esta atitude que os militares temem que ocorra, e assim estaria justificado o renitente acobertamento ufológico que vigora há 60 anos. Idem, a reação de pânico serviria de pretexto para os governos evitarem declarar abertamente a presença e ação de seres extraterrestres na Terra, em nome de uma pretensa segurança mundial. Pavor, medo, insegurança e desespero, além de irracionalidade e pânico totais, esta é a descrição que mais se aproxima deste tipo de reação. E é bem provável que algumas pessoas realmente tenham tal comportamento. Entretanto, a hipótese apontada por este estudo é a de que este será apenas um dos tipos de reação a um contato oficial com outras espécies cósmicas.

Atitude de idolatria
Para as pessoas enquadradas neste grupo, tudo o que os visitantes extraterrestres disserem e fizerem será a mais pura e absoluta verdade, sem discussão nem questionamento. Afinal, uma civilização que tenha viajado trilhões de quilômetros para chegar até nós somente traria palavras e ações mais evoluídas do que as dos pobres e ignorantes seres humanos.

Atitude de hostilidade
A presença aqui de seres de outras partes do universo seria um conceito inconcebível para este grupo de indivíduos. Para eles, a vida na Terra é a única existente no cosmos, e a existência e presença de seres de outros planetas aqui não seria obra divina. Assim, por exclusão, integrantes de outras espécies cósmicas que aqui chegassem só poderiam ser representantes do mal. Devido à esta visão maniqueísta da situação, boa parte das pessoas enquadradas nesta categoria poderia vir de organizações religiosas de caráter conservador, independente da religião professada.

Intercâmbio com seres extraterrestres

Enfim, estes são os cinco tipos ideais de reações presumíveis, seguindo o conceito estabelecido por Max Weber, no caso de um contato oficial com outras espécies cósmicas. Entretanto, cada tipo de reação poderá ter um desdobramento diferente, ou um subtipo, dependendo das intenções da visita que recebermos. Os tipos ideais descritos acima se ajustam mais para um contato oficial com a característica de intercâmbio, ou seja, quando não haveria um propósito de ajuda aos seres humanos em vários aspectos de suas vidas (seja científico, político ou religioso), e nem hostil (no caso de uma invasão). Podemos considerar também que o escopo deste contato poderia variar conforme as civilizações alienígenas que aqui chegassem, cada qual com seus objetivos e modus operandi. Por isso, pode ser mais importante discutirmos as intenções destes visitantes do que a morfologia propriamente dita de seus veículos, como se fez acima.

crédito: Arquivo UFO
Tabela C
Tabela C

Assim como há várias culturas humanas povoando a Terra, provavelmente também devem existir várias culturas alienígenas, que teriam diferentes intenções no caso de contato com os terrestres. Temos a rica casuística acumulada ao longo de décadas para traçarmos um perfil das intenções desses visitantes, e de acordo com o que relatam as testemunhas que vivenciaram eventos ufológicos, há três padrões distintos. Primeiro, os contatos amigáveis, com a intenção de auxiliar a espécie humana em alguns casos. Segundo, os hostis, aqueles que resultaram em ferimentos e morte de seres humanos – embora boa parte seja em processo de autodefesa por parte dos alienígenas. E aqui cabe uma questão: seria o medo um fato universal? E, terceiro, os contatos em que, a princípio, os visitantes não revelam sua intenção, se amigável ou não, como no caso de seres que são observados fazendo experiência com solo, água, plantas etc, e que evitam contato com humanos.

Fazendo a ressalva de que o escopo deste artigo é somente apontar caminhos, este não pretende ser um documento conclusivo sobre o tema, pois o assunto é complexo e ainda há um longo caminho para ser esgotado. E se tivermos um contato oficial com outras espécies cósmicas, ainda estaríamos somente no início do processo de avaliar reações e estimar conseqüências. De qualquer forma, com isso em mente, usamos este trabalho estatístico para fazermos a seguinte pergunta aos entrevistados: Independentemente do que você acredita sobre o assunto vida fora da Terra, imagine que, de forma repentina, uma civilização inteligente vinda de outro planeta entre em contato com todos os povos terrestres, desejando estabelecer comunicação conosco. Neste caso, na sua opinião, qual seria a principal reação que as pessoas teriam?

Lutando para espantar os intrusos

As possíveis respostas elencadas aos respondentes, cada uma representando um tipo ideal descrito anteriormente, foram as seguintes: (a) As pessoas ficariam curiosas e aceitariam entrar em contato e conversar, sem medo. (b) Não dariam importância e continuariam a viver suas vidas como se nada tivesse acontecido. (c) Entrariam em pânico, pois, afinal, nada garante que eles não sejam agressivos. (d) Não somente aceitariam o contato, mas também passariam a acreditar em tudo o que essa civilização dissesse. (e) Teriam receio e, se fosse necessário, lutariam para que essa civilização fosse embora. Também foi dada a oportunidade de o respondente descrever uma outra reação, caso não achasse as alternativas acima apropriadas.

As respostas para esta questão estão apresentadas na Tabela A, e o que se nota com facilidade é que não há diferenças significativas entre os segmentos entrevistados. Aproximadamente metade dos respondentes parece acreditar que as pessoas, de uma forma geral, entrariam em pânico diante de um contato oficial com espécies extraterrestres. E, para completar o quadro, cerca da quarta parte dos entrevistados afirmou que a principal reação da sociedade ante à esta “ameaça” seria manter-se à distância dos forasteiros – ou mantê-los distantes de nós.

Como complemento à esta pergunta, indagamos qual seria a reação do próprio entrevistado quanto a uma situação de contato oficial com outras espécies cósmicas, e repetimos a pergunta de forma distinta, mas mantendo o cenário anterior: Imagine a situação em que uma civilização inteligente vinda de outro planeta entre em contato com todos os povos da Terra, desejando estabelecer comunicação conosco. Qual seria a sua reação à esta situação? As alternativas para essa resposta foram praticamente as mesmas de antes, com adaptações: (a) Ficaria curioso e se for possível aceitaria entrar em contato e conversar, sem medo. (b) Não daria importância e continuaria a viver sua vida como se nada tivesse acontecido. (c) Entraria em pânico, afinal nada garante que eles não sejam agressivos. (d) Não somente aceitaria o contato, mas também passaria a acreditar em tudo o que essa civilização dissesse. (e) Teria receio e, se fosse necessário, lutaria para que essa civilização fosse embora. Idem, foi dada a chance de o entrevistado descrever uma outra reação.

O resultado desta pergunta deu que, de forma geral, os indivíduos já previamente determinados como crédulos, segundo a metodologia discutida na primeira parte deste trabalho, tendem a encarar o contato com outras espécies cósmicas com maior curiosidade do que os incrédulos, e o pânico está um pouco mais presente na própria declaração entre os incrédulos que nunca viram – entretanto, este público teria menor propensão a acreditar em tudo o que fosse dito pelos visitantes. O resultado que se obteve com esta pergunta também mostra que os tipos ideais se encaixaram bem nos cenários apresentados, pois não foram muitos os entrevistados que não se enquadraram nos tipos de reação disponibilizados na pesquisa.

Manias brasileiras e o Caso Varginha

Curiosamente, vemos no resultado desta pergunta uma interessante inversão de posições entre a curiosidade e o pânico. A opinião de boa parte dos internautas que responderam à pesquisa parece ser a de que os outros vão entrar em pânico, mas não eles. Esta é uma típica reação brasileira, já detalhada em muitos estudos de antropologia e que podemos sentir no dia-a-dia. O brasileiro tende a apontar reações que ele sente como sendo a de outras pessoas, e, no momento de fazer uma declaração, busca uma resposta mais “politicamente correta”. Exemplos disto podem ser apontados em questões como racismo e hábitos sexuais, que não cabem ser discutidas aqui. De qualquer forma, o pânico seria a reação principal a um contato oficial, de acordo com os internautas brasileiros consultados.

Para sondarmos ainda mais o pensamento dos indivíduos que participaram deste estudo inédito, aproveitamos sua realização para lhes indagarmos também sobre um famoso episódio ufológico brasileiro, o Caso Varginha, ocorrido no interior de Minas Gerais em 20 de janeiro de 1996, caracterizado pela observação e depois captura de dois seres supostamente alienígenas por militares do Exército, membros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros [Veja detalhes no livro O Caso Varginha, código LIV-008 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. A pergunta foi igualmente objetiva: Em janeiro de 1996, foi divulgado na mídia um fato ocorrido na cidade de Varginha, em que supostamente foram encontrados (e posteriormente capturados) dois seres de origem desconhecida. Na sua opinião, de onde podem ter vindo tais seres alegadamente observados e capturados em Varginha?

As alternativas de resposta apresentadas aos entrevistados foram: (a) Nunca ouvi falar desses fatos ocorridos em Varginha. (b) São seres do nosso próprio planeta, desconhecidos dos cientistas e da população. (c) São seres extraterrestres. (d) Foram ilusões que as pessoas tiveram. (e) São seres que vieram de dentro do nosso planeta (intraterrestres). Também nesta pergunta foi dada ao entrevistado a oportunidade de oferecer outra resposta, caso não achasse apropriadas as alternativas. As respostas podem ser conferidas na Tabela B, mas, de notório, se observa que o episódio mineiro realmente teve ampla repercussão na imprensa, tanto que 93% dos internautas afirmaram conhecer o episódio. Mas suas opiniões divergem muito de acordo com os segmentos ao quais os respondentes se encontram.

De qualquer forma, pelo total da amostra, há certo equilíbrio entre apontar como resposta as opções seres extraterrestres e ilusões que as pessoas tiveram. Mas há claramente uma resposta majoritária na maioria dos segmentos. Por exemplo, para os crédulos que já viram e crédulos que nunca viram, os seres observados e capturados em Varginha seriam extraterrestres. Já para os incrédulos que já viram, que não tiveram uma resposta majoritária, houve predominância de indicações de que se tratavam de seres do nosso próprio planeta. E para os incrédulos que nunca viram, não passaram de ilusões que as pessoas tiveram. É curioso constatar que, mesmo entre os incrédulos, aqueles que não acreditam que estamos sendo visitados por outras espécies cósmicas, há um determinado número de pessoas que declararam pensar que são seres extraterrestres. Da mesma forma, mesmo entre os crédulos há um percentual significativo de entrevistados que apontaram outras respostas que não ETs.

O consumo de itens ufológicos

Por fim, também aproveitamos a realização da pesquisa para perguntarmos aos entrevistados se já compraram algum produto relacionado a discos voadores e a seres de outros planetas, tais como livros, documentários, publicações etc. Não foi questionada a eventual motivação para tais aquisições, se ocorreram, que poderiam ser a de presentear um amigo que gosta do assunto, por interesse pessoal, para adquirir um artigo que está na moda etc. Nesta pergunta, novamente, o segmento a que o entrevistado pertence também influenciou no resultado. Assim, 18% deles afirmaram já terem comprado algum produto relacionado a UFO e ETs, e 82% disseram nunca ter comprado. Crédulos, de forma geral, afirmaram ter comprado em maior intensidade. Estes também são dados curiosos.

Enfim, a partir do que vimos neste trabalho, a primeira pesquisa de opinião feita no país para avaliar como os usuários da internet vêem a questão ufológica e da vida em outros planetas, em especial nesta segunda parte, podemos traçar um perfil consistente deles, que pode ser constatado na Tabela C. E assim, com a conclusão deste artigo, esperamos ter auxiliado a comunidade ufológica a entender o comportamento desta parcela da população brasileira que está plugada na internet em relação a este fascinante tema. A grande quantidade de informações disponibilizadas aqui certamente poderá auxiliar os ufólogos em suas estratégias de divulgação do assunto, obtendo melhores resultados em seu processo de divulgação da presença alienígena na Terra para toda a sociedade, uma realidade que conta com uma impressionante quantidade de evidências.

Modismo, lenda urbana ou um assnto para se levar a sério?

Já está no ar a Edição 159 da Revista UFO. Aproveite!

Nov de 2009

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