ARTIGO

O Experimento Filadélfia teria levado um navio de guerra à invisibilidade

Por Marcos Malvezzi Leal | Edição 183 | 01 de Novembro de 2011

O destróier USS Eldridge, que não apenas ficou invisível durante o experimento, como teve vários de seus tripulantes desaparecidos para sempre
Créditos: Editoria de arte sobre foto de US NAVY

O Experimento Filadélfia teria levado um navio de guerra à invisibilidade

A história — real ou mitificada — do Experimento ou Projeto Filadélfia foi provavelmente mencionada pela primeira vez pelo astrônomo amador e escritor Morris K. Jessup. Segundo ele, não apenas a desastrosa experiência teria custado a vida de vários tripulantes a bordo do navio da Marinha norte-americana USS Eldridge, mas ainda a exposição e a insistência em estudar o episódio podem ter culminado na morte de seu divulgador. Tudo começou após a publicação do livro The Case for the UFO [O Caso UFO, 1955], quando Jessup recebeu duas cartas de um homem desconhecido que se identificou como Carlos Miguel Allende, que deixou apenas o endereço de uma caixa postal na Pensilvânia.

Nas cartas, Allende comentava o livro e dava detalhes de uma experiência secreta que teria sido conduzida pela Marinha dos Estados Unidos na Filadélfia, em 1943. Durante o experimento, segundo o misterioso autor das mensagens, um navio se tornara invisível e fora teleportado e trazido de volta do mesmo modo, acarretando efeitos colaterais terríveis para alguns dos tripulantes. A proeza fora possível graças ao uso da Teoria do Campo Unificado de Einstein. Allende afirmava ter testemunhado a experiência enquanto estava a bordo de outro barco, e que parte dela fora relatada em um jornal local. Sem o conhecimento de Jessup, um exemplar de seu livro foi enviado ao Escritório de Pesquisas Navais da Marinha norte-americana, com anotações feitas à mão, nas margens, trazendo comentários sobre um suposto conhecimento acerca dos UFOs, seu meio de locomoção, cultura e natureza dos seres que os pilotavam. Os termos, porém, não pareciam de cunho científico e eram, à primeira vista, incoerentes.

Experiência catastrófica

Após um exame do livro, dois oficiais entraram em contato com Jessup e lhe convidaram para uma reunião secreta, na qual lhe mostraram o livro anotado. O astrônomo concluiu que o autor dos comentários era o mesmo das cartas que falavam do Experimento Filadélfia. Ela teria sido conduzida por um tal doutor Franklin Geno e consistiria na aplicação militar da Teoria do Campo Unificado — ou Teoria Geral da Gravitação. Resumidamente, a tese postula a interação de forças que compreendem a radiação eletromagnética e a gravidade. Com equipamento altamente especializado e energia suficiente, seria possível “curvar” a luz em torno de um objeto, tornando-o praticamente invisível.

A Marinha, claro, só poderia considerar esse artifício de tremendo valor em tempos de guerra, particularmente porque os Estados Unidos tinham entrado na Segunda Guerra Mundial e, segundo Allende, seus militares aprovaram e desenvolveram o projeto. Para realizá-lo, o navio USS Eldridge (DE-173) foi equipado com um potente gerador no Estaleiro Naval da Filadélfia e os testes começaram no verão de 1943, tendo um sucesso relativo. No dia 22 de julho daquele ano, o Eldridge ficou quase totalmente invisível, enquanto algumas testemunhas afirmaram ter visto uma espécie de “névoa esverdeada” envolvendo-o. Após o experimento, porém, alguns tripulantes se queixaram de náuseas.

crédito: disclose
O marinheiro Al Bielek, que alega ter sido tripulante do US Eldridge e ter participado do Experimento Filadélfia
O marinheiro Al Bielek, que alega ter sido tripulante do US Eldridge e ter participado do Experimento Filadélfia

Em 28 de outubro de 1943, o experimento foi repetido. Dessa vez o Eldridge não só ficou invisível como de fato desapareceu da área em meio a um raio de luz azul. Quase no mesmo instante, a Base Naval de Norfolk, na Virgínia, a 600 km de distância, afirmava estar registrando o navio, que teria aparecido por vários minutos na área para depois desaparecer e reaparecer na Filadélfia, no mesmo local de onde se desmaterializara — um suposto caso de teletransporte acidental. Mas o preço fora alto: todos os membros da tripulação sofreram profundos efeitos fisiológicos, e alguns até terríveis enjoos e problemas mentais desencadeados pela experiência — foram detectados inclusive casos de esquizofrenia. Alguns dos tripulantes do Eldridge simplesmente desapareceram e outros teriam se fundido com a estrutura metálica do navio.

Antigravidade e magnetismo

Horrorizados, os oficiais da Marinha cancelaram o projeto e os membros sobreviventes foram veementemente alertados para jamais mencionarem a experiência. Em The Case for the UFO, Morris Jessup examina o Fenômeno UFO e teoriza a respeito do meio de propulsão que os discos voadores usariam. Ele especula que o uso da antigravidade combinada com o eletromagnetismo poderia ser responsável pelo comportamento observado dos UFOs. Tanto que, no livro, o astrônomo lamenta que a pesquisa sobre voos espaciais se concentrasse na área da astronáutica, dando pouca atenção a outros meios teóricos de voo mais práticos e mais frutíferos. As teorias de Jessup expostas em seu livro teriam levado o desconhecido Allende a lhe escrever as cartas, alertando-o sobre o perigo do uso da Teoria do Campo Unificado. Além disso, dizia o autor das mensagens que observara, a bordo do barco USS Andrew Furuseth, o Eldridge desaparecer e reaparecer.

Jessup respondeu às cartas pedindo mais informações, tais como data e local específico onde teria ocorrido o fantástico evento. A mensagem seguinte de Allende só veio vários meses depois, e embora a letra do autor fosse a mesma, ele agora se identificava como Carl M. Allen e dizia estar impossibilitado de fornecer os detalhes solicitados, mas que poderia, talvez por meio de hipnose, tentar se lembrar de eventos que tinha testemunhado e de informações que lhe tinham sido passadas. Tudo foi muito enigmático, mesmo para um homem que pesquisava discos voadores nos anos 50!

Mas Jessup não deu prosseguimento à correspondência. Quando compareceu ao Escritório de Pesquisas Navais a pedido dos oficiais, o autor afirmou que não tinha ideia de quem lhes teria enviado o exemplar de seu livro, que chegara em um envelope de papel pardo. As anotações feitas nas margens eram extensas e escritas em três cores diferentes de tinta, aparentando ser uma espécie de correspondência entre três pessoas, uma das quais se identificando como Jemi. Os autores das notas se referem entre si como “ciganos” e falam de dois tipos diferentes de pessoas que vivem no espaço. O texto, pouco científico, às vezes questionava o mérito das diversas suposições de Jessup e fazia referências ao Experimento Filadélfia, sugerindo um conhecimento específico do tema.

Em determinado trecho, um dos ciganos garante aos outros dois que o autor de The Case for the UFO “não tem conhecimento, só está especulando” sobre o assunto de que trata. Observando o estilo da escrita e comparando com as cartas que recebera de Carlos Allende ou Carl Allen, Jessup concluiu que o mesmo indivíduo era um dos três autores das anotações.

crédito: us navy
O destróier USS Eldridge, que não apenas ficou invisível durante o experimento, como teve vários de seus tripulantes desaparecidos para sempre
O destróier USS Eldridge, que não apenas ficou invisível durante o experimento, como teve vários de seus tripulantes desaparecidos para sempre

Posteriormente, os oficiais navais procuraram Jessup novamente para informá-lo de que o endereço da caixa postal dada por Allende era, na verdade, de um sítio abandonado. Acrescentaram ainda que uma empresa de pesquisas chamada Varo Corporation estava preparando uma cópia impressa da versão anotada de The Case for the UFO, incluindo as duas cartas que Jessup recebera. Quando a edição ficou pronta, três exemplares foram dados ao autor, enquanto cerca de 100 foram distribuídos entre o pessoal da Marinha. Jessup passou a escrever sobre o assunto, mas seu próximo livro teve um índice de vendas muito baixo e a editora recusou os livros seguintes. Ele começou a entrar em estado de depressão, que parecia se agravar rapidamente. Numa viagem de carro entre Nova York e a Flórida, em 1958, ele sofreu um acidente grave e demorou a se recuperar. Mais ou menos um ano depois, em 1959, foi encontrado morto dentro de seu carro, possivelmente asfixiado — ao que tudo indicava, tinha cometido suicídio.

Viagem pelo hiperespaço

Não totalmente convencido da veracidade do Experimento Filadélfia, o renomado pesquisador franco-americano Jacques Vallée documentou um experimento realizado a bordo do navio USS Engstrom, enquanto atracado próximo ao Eldridge, em 1943, que poderia ter os detalhes de seus procedimentos deturpados, gerando a história perpetrada por Allende. A experiência consistia na técnica conhecida como degaussing — tornar um navio eletronicamente invisível a torpedos e minas magneticamente operados. A técnica foi empregada na Segunda Guerra Mundial pela Grã-Bretanha e é uma tecnologia militar ainda em uso atualmente. Embora o degaussing proteja barcos contra torpedos, ele não tem efeitos sobre o radar.

Segundo Vallée, um veterano que serviu a bordo do Engstrom comentou que o USS Eldridge poderia realmente ter ido da Filadélfia a Norfolk e voltado no mesmo dia através do canal de Chesapeake e Delaware, que na época era aberto apenas para as embarcações da Marinha, sendo mantido em segredo por causa das recentes incursões dos alemães na área. O uso do canal serviria para explicar a rapidez de locomoção da embarcação. Todavia, se as histórias das cartas de Allende procedem, uma via mais rápida não explicaria o desaparecimento e o reaparecimento súbito do navio, nem os efeitos como raios de luz e névoas luminosas. Seguindo por um caminho mais especulativo e beirando o paranormal, dois homens — Al Bielek e Duncan Cameron — alegam ter sido tripulantes do Eldridge no ano de 1943 e, segundo eles, quando o barco entrou no hiperespaço entre Filadélfia e Norfolk, eles saltaram para fora, não caindo na água, mas indo parar na estação da Força Aérea em Montauk Point, em Long Island.

Os dois tripulantes verificaram, logo depois do suposto episódio de teletransporte, que não só haviam viajado no espaço, mas também no tempo, pois estavam no ano de 1983. As implicações disso, porém, escapariam ao escopo do presente artigo, embora despertem perguntas curiosas acerca dos marinheiros perdidos no tempo — como se mantiveram a aparência de 40 anos antes e se seguiram suas vidas normalmente. E mais: o que diriam seus familiares, quando provavelmente os julgaram mortos, na época? A história é interessante, mas, pelo menos por enquanto, deve ser abordada com cautela.

Experimento Filadélfia na ótica de um cientista brasileiro

Por André Luiz Martins

Esse é um dos assuntos mais polêmicos em um universo de teorias da conspiração. Não há informações seguras quanto ao resultado do chamado Projeto ou Experimento Filadélfia, mas a maioria das fontes parece indicar que foi marcado pela tragédia — alguns tripulantes teriam desaparecido inexplicavelmente, enquanto outros tiveram seus corpos fundidos ao metal do navio. Porém, a informação mais fantástica, se confirmada, seria o teletransporte do navio entre locais distintos da Costa Leste dos Estados Unidos, quase 400 km um do outro, provando a possibilidade da viagem no espaço e no tempo de elementos massivos, como um destróier.

Até que ponto os fatos narrados são reais e onde exatamente começa a ficção científica, ninguém pode dizer ao certo. Notável é que o professor Fran De Aquino, físico da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), aparentemente teria conseguido relacionar a equação da relatividade de dilatação do tempo em função de características eletromagnéticas do meio — o aço do navio — calculando que uma transição temporal semelhante demandaria um campo de 1.360 Volts por metro, com a frequência de onda ELF de 1 Hz, como se pode ver em seu artigo Radiação ELF de Alta Potência Gerada Pelo Aquecimento da Ionosfera Por Modulação de Alta Frequência [High Power ELF Radiation Generated by Modulated HF Heating of the Ionosphere. Veja artigo nessa edição].

No entanto, adverte o professor maranhense que o experimento deve ser feito com cautela porque é extremamente perigoso de ser realizado com pessoas, já que as características de condutividade e densidade do corpo humano são diferentes daquelas presentes no aço do navio. Tal circunstância levaria as pessoas para diferentes transições espaço-temporais, enquanto os efeitos do retorno ao espaço-tempo local seriam totalmente imprevisíveis quando da rematerialização conjunta da tripulação e do navio.

Para continuar lendo este artigo, você deve se cadastrar no Portal UFO. O cadastramento é gratuito e dá acesso a todo o conteúdo do site.

Login

Compartilhe esse artigo:

Sobre o Autor

Marcos Malvezzi Leal

Marcos Malvezzi Leal é professor, tradutor e dedica-se à pesquisa ufológica há mais de 13 anos. É coordenador de traduções da Revista UFO e responsável pela seção Memórias da Ufologia, além de consultor do Núcleo de Pesquisas Ufológicas (NPU), de Curitiba (PR), e intérprete dos palestrantes de língua inglesa convidados pelo Núcleo a se apresentarem no Brasil. Malvezzi é autor do livro Seres – Fantástica Realidade [Editora 21, 2003] e já traduziu quase 200 obras de diversos assuntos, incluindo o livro de Roger Leir Implantes Alienígenas [Código LIV-011 da seção Shopping UFO], Perigo Alienígena no Brasil [Código LIV-014 da seção Shopping UFO], de Bob Pratt, e De Rerum Divinarum Scientia Nova [A Nova Ciência Divina, NPU, 2005], de Giorgio Bongiovanni. Atualmente, trabalha para as editoras Madras e Verus, e para o Instituto Integral da Consciência.

Comentários