Edição 128
DESTAQUE

HAARP: Perigos da guerra psicotrônica

Por
01 de Dec de 2006
Foi o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan quem lançou o projeto Guerra nas Estrelas, hoje transformado no HAARP
Créditos: Luca Oleastri

Até que ponto se estenderiam os poderes de um país que dispusesse dos meios para destruir de uma só vez todos os satélites estrangeiros que ameaçassem sua segurança nacional, e ao mesmo tempo criar uma espécie de escudo virtual para proteção de boa parte da Terra? E se tal artefato, operando com emissões de poderosíssimas ondas eletromagnéticas, funcionasse também como um transmissor capaz de manipular a ionosfera, interceptando as comunicações do mundo todo e substituindo-as por suas próprias? Indo mais além, até que ponto tal nação poderia controlar o comportamento humano, se esse transmissor eletromagnético funcionasse na faixa de freqüência do cérebro humano, que é extremamente baixa, possibilitando que seus operadores enviassem pensamentos dirigidos diretamente à cabeça das pessoas, manipulando, excitando, deprimindo ou reprimindo, induzindo rendição, obediência, suicídio etc?

Guerra nas estrelas — Infelizmente, nenhuma dessas perguntas é absurda, nem são elas propriedades exclusivas da ficção científica. Já existe e se encontra em operação – até agora parcial – um poderoso transmissor que, segundo o ativista pelas liberdades civis norte-americano Jerry E. Smith, além de outros também engajados na mesma pesquisa, é capaz de fazer exatamente tudo isso. Tal transmissor poderia ainda – de modo particularmente preocupante – manipular do pensamento e a emoção das pessoas por meio de ondas eletromagnéticas. Autor do livro Armas Eletromagnéticas [Editora Aleph, 2005. Código LIT-023 do Portal UFO – ufo.com.br], Smith foi uma das principais estrelas do 33º Congresso Brasileiro de Ufologia Científica, realizado em Curitiba (PR), de 12 a 15 de outubro passado. Suas revelações, tanto na obra quanto em sua palestra, são surpreendentes. Ele garantiu que a arma mencionada acima existe, e pertence aos Estados Unidos!

Em funcionamento desde 1995, tal dispositivo tem o nome HAARP, iniciais em inglês de Programa de Pesquisa de Alta Freqüência Auroral Ativa [High Frequency Active Auroral Research Program]. Ele é a maior e mais potente instalação do Departamento de Defesa (DoD) norte-americano. O projeto vem há tempos sendo considerado por alguns pesquisadores bem informados como o protótipo de um sistema de armas superdesenvolvido, baseado na superfície do planeta, inspirado ou parte integrante do programa de defesa popularmente conhecido como Guerra nas Estrelas [Star Wars, em alusão a série de filmes criados pelo produtor e diretor George Lucas, no final dos anos 70], instituído durante o governo Ronald Reagan (1981-1988), mas que aparentemente não foi para frente. Em Armas Eletromagnéticas, Smith lembra que, em 1983, o então presidente norte-americano convocou a elite científica de seu país para que passasse a dirigir seus esforços “para a causa da humanidade e da paz mundial, a fim de nos conferirem os meios para tornar as armas nucleares impotentes e obsoletas”.

Reagan se referia a um escudo mundial antimíssil para impedir ataques de países não alinhados. A proposta foi denominada tecnicamente Iniciativa para a Defesa Estratégica [Strategic Defense Initiative, SDI]. Grande parte da pesquisa para construção da SDI já foi há muito tempo abandonada, enquanto certas operações continuam até hoje dissimuladamente, segundo Smith, sob o disfarce de experimentos científicos orientados para fins civis inofensivos – mas sendo, em sua essência, um programa militar que culmina justamente com o HAARP. É interessante observar aqui que, de acordo com outro autor norte-americano, o falecido coronel do Exército Phillip Corso, em seu livro The Day After Roswell [O Dia Após de Roswell, Pocket Books, 1998], a SDI seria, na verdade, não um programa para defender os EUA contra possíveis ataques de nações inimigas, como a ex-União Soviética. Mas um programa conjunto com os próprios soviéticos para criar um sistema de defesa virtualmente impenetrável por forças externas a ambas nações, e ao mesmo tempo um poderoso armamento para destruir eventuais forças invasoras extraterrestres. Corso argumenta ainda que, ironicamente, a tecnologia para a criação desse escudo teria sido desenvolvida a partir de instrumentação e armas avançadas resgatadas dentre os destroços de uma nave extraterrestre acidentada em Roswell, Novo México, em 1947. É o feitiço se voltando contra o feiticeiro?

Montado no sudeste do gélido Alasca, mais especificamente na região de Gakona, o HAARP consiste em um campo de antenas interligadas funcionando como se fossem uma só. Se o organograma do projeto for cumprido à risca, quando estiver pronto, em 2007, a arma será a maior estação transmissora de ondas de rádio do mundo, com poder de irradiação de 3,6 bilhões de watts. O propósito do gigantesco arranjo de antenas é injetar esse volume colossal de energia na região superior da atmosfera, conhecida como ionosfera, numa extensão de aproximadamente 19 km de comprimento por 3 km de largura, a uma altitude entre 80 e 144 km, aquecendo a atmosfera. Tecnicamente, o HAARP é o que se chama de “aquecedor atmosférico”. Já parcialmente operante, segundo alguns pesquisadores, ele tem ainda as funções de radar e de condutor de tomografia em profundidade da Terra, perscrutando o subsolo em busca de bases e possíveis esconderijos inimigos.

Manipulação da mente humana — Se for efetivamente utilizado como propósitos bélicos, praticamente não haveria limites para o que o imenso sistema de antenas poderia fazer, desde controle meteorológico – criar furacões e enchentes – até desencadear erupções em vulcões e provocar terremotos, sem mencionar a manipulação das emoções e percepções humanas, projetando até imagens holográficas no céu e causando pânico ou êxtase na população. Alguns pesquisadores sugerem ainda que o HAARP tem capacidade de causar estragos ainda mais graves, como a reversão magnética polar, provocando um colapso no campo magnético terrestre. Se verdadeiro, isso desproveria temporariamente o planeta de sua magnetosfera, destruindo toda a vida terrestre, exceto a de seres que vivem em abismos marinhos –, além de causar uma oscilação na rotação da Terra, bem como outras formas de destruição ambiental. Em termos simples, ele usa a atmosfera como arma.

O HAARP é sem dúvida nenhuma um programa militar, e não um experimento científico. Sua construção tem finalidades bélicas. Seus resultados são imprevisíveis - Jerry E. Smith

O problema da oscilação na rotação do planeta já foi detectado em 1988 por cientistas trabalhando no Observatório Naval dos Estados Unidos e no Laboratório de Propulsão a Jato, este localizado em Pasadena, na Califórnia. A causa, embora desconhecida, pode ter sido uma espécie de precursor modesto do HAARP, chamado de “Pica-Pau Russo”. Em 1952, cientistas soviéticos iniciaram uma série de reuniões com seus colegas norte-americanos para discutirem uma possível troca de informações sobre perigos biológicos e níveis de segurança de radiação eletromagnética. Os encontros foram realizados na sede dos Laboratórios Sandia, no Novo México, mas os cientistas norte-americanos não acreditaram nos dados oferecidos pelos soviéticos – que estavam, à época, muito mais avançados nessa área de pesquisa. Aproveitando-se da negligência dos EUA, a ex-União Soviética começou a realizar experiências usando funcionários da Embaixada dos Estados Unidos em Moscou, como cobaias. Os soviéticos projetavam um feixe de microondas contra o prédio, focando particularmente o escritório do embaixador. O bombardeio eletromagnético foi descoberto em 1962, e os testes foram estudados pela Agência Central de Inteligência (CIA). A intensidade do sinal transmitido não foi anunciada, mas uma década depois, o DoD finalmente admitiu a realização do experimento, ressalvando, porém, que seus efeitos foram relativamente baixos.

O tal Pica-Pau Russo começou a funcionar como uma série de transmissões intermitentes em 1976. Como se tratavam de sinais eletromagnéticos que causavam interferência sobre as radiotransmissões que se encontravam na faixa de 3 a 30 megahertz, e eram ligados e desligados em uma taxa de 10 Hz por segundo, provocavam as batidas características que lhe renderam o apelido. O que exatamente os soviéticos pretendiam com essas transmissões, não se sabe. Mas é evidente que um sinal assim codificado e transmitido em faixa de ondas comerciais poderia exercer forte efeito sobre o sistema nervoso central. Se, como pensam alguns cientistas, esse modesto transmissor – em comparação ao HAARP – pudesse ter causado a vacilação rotativa da Terra descrita, o que provocaria então um colosso como o HAARP, em grande escala, talvez capaz de bombardear todo o planeta?

Complexo de antenas — Atualmente, o sistema é controlado pelo Escritório de Tecnologia Tática, um dos oito centros técnicos da chamada DARPA, a poderosa Agência de Projetos para Pesquisa de Defesa Avançada [Defense Advanced Research Projects Agency]. Esta, por sua vez, é subordinada ao DoD. O DARPA atua em alto nível, em busca de formas de tecnologia em que o risco e os resultados são elevados, e em que o sucesso pode permitir avanços marcantes para as funções e missões militares tradicionais. A agência assinou em 2002 um acordo com a Força Aérea e a Marinha Norte-Americanas para administrar o programa HAARP. Em 17 de fevereiro de 2003, a empresa BAE Systems North America anunciou ter feito um acordo definitivo com a Advanced Power Technologies (APTI) para adquirir a corporação por 27 milhões de dólares. A APTI foi a empresa contratada inicialmente para construir o sistema, tornando-se detentora de sua propriedade intelectual [Patente]. Pouco mais de um ano depois, a BAE Systems anunciava ter firmado um contrato de 35 milhões de dólares com a Marinha para completar o Instrumento de Pesquisa da Ionosfera [Ionospheric Research Instrument, IRI], coração do HAARP.

crédito: Marco Antonio Federico
Jerry E. Smith é autor de Armas Eletromagnéticas e de denúncias do uso militar do espaço exterior nos EUA
Jerry E. Smith é autor de Armas Eletromagnéticas e de denúncias do uso militar do espaço exterior nos EUA

Smith assevera que, quando estiver completo, o IRI será um sistema formado por 180 enormes torres de antenas interligadas, com equipamentos de transmissão acoplados em cada uma delas. Em janeiro de 2002, a parte operacional do IRI consistia de apenas 48 dessas torres, dispostas em um arranjo retangular de 8 colunas por 6 fileiras. A capacidade de potência total desse sistema transmissor era de 960 quilowatts. É provável, embora ainda não confirmado, que o IRI já tenha sido completado. Se for verdade, tem com potência irradiada estimada a cifra de 3,6 megawatts. Pesquisadores independentes descobriram que as instalações do HAARP foram operadas por equipes especializadas praticamente todos os dias de 2005. Pelo que se sabe, técnicos da BAE Systems e seus contratados passavam o dia instalando as novas antenas e conectando-as aos transmissores, além de usarem a calada da noite transmitindo sinais para verificar a qualidade da instalação e do equipamento.

Transmissões de alta freqüência — O DARPA anunciou a conclusão dessa fase do HAARP em 09 de março de 2006. Ainda de acordo com o que escreveu Smith em Armas Eletromagnéticas, a posição oficial do coordenador do DARPA, doutor Sheldon Z. Meth, é a de que o sistema proporcionará mais capacidade para pesquisas experimentais e condução de programas de pesquisa para exploração de tecnologias emergentes com relação à ionosfera e à ciência do rádio, com vistas a aplicações avançadas na área de defesa nacional. Ele revelou que foi a Lei de Designação de Recursos Financeiros para o Ano Fiscal de 1990, dos Estados Unidos, que forneceu os fundos para a criação do HAARP, administrados conjuntamente pelo Laboratório de Pesquisas da Força Aérea Norte-Americana (USAF) e pelo Escritório de Pesquisas Navais, “a fim de explorar tecnologias emergentes sobre a ionosfera e o rádio de alta potência, destinadas a novas aplicações em sistemas militares”, diz Meth.

Túneis virtuais no céu — Ele prossegue explicando que é de máxima importância o HAARP entrar em operação total para a realização de pesquisas experimentais, que inclui conduzir investigações para caracterizar os processos físicos que podem ser iniciados e controlados na ionosfera e no espaço exterior via interações com ondas de rádio de alta potência. Entre estas estão a geração de ondas de rádio de freqüência muito baixa [Very Low Frequency, VLF] e de freqüência extremamente baixa [Extremely Low Frequency, ELF], para comunicação com submarinos e outros receptores submersos, além da redução da quantidade de partículas carregadas nos cinturões de radiação. Isto teria a finalidade de garantir a operação mais segura dos sistemas de veículos militares dentro e fora da atmosfera. Meth também diz que o HAARP proporcionará o controle da densidade eletrônica e de propriedades refrativas em regiões selecionadas da ionosfera, para se criar canais de propagação de ondas de rádio, assim como a geração de emissões ópticas e de luz infravermelha no espaço, como forma de calibrar sensores espaciais.

O projeto do HAARP inclui também um conjunto de aparelhos para diagnósticos óticos da atmosfera e um transmissor avançado, moderno e de alta freqüência, com potência de irradiação de aproximadamente 960 quilowatts, cerca de um terço dos 3,6 megawatts planejados inicialmente. “O presente conjunto de transmissão de alta freqüência demonstra-se extremamente confiável e flexível, e testemunha a possibilidade real de execução dos objetivos inicialmente propostos”, concluiu Meth. Programas básicos de pesquisa e de desenvolvimento exploratório do HAARP estão sendo realizados no momento presente e de forma rotineira.

Apesar de definido publicamente como um projeto de pesquisa científica desmilitarizada, a verdade é que o programa é uma arma poderosíssima. Smith nos alerta para o fato de que no site do DARPA, bem como no relatório intitulado Applications and Research Opportunities Using HAARP [Oportunidades de Aplicações e Pesquisa com o uso do HAARP], é usado o termo “aplicações” para definir ou incluir programas para explorar tecnologias emergentes relacionadas à ionosfera e à ciência do rádio ligadas à defesa norte-americana. Por “aplicações” também se entende o desenvolvimento de um vasto leque de sistemas militares. Então, certamente, não se trata de um programa civil com fins pacíficos e já está claro que o HAARP não é apenas voltado à pesquisa pura.

Como o título do relatório define, o programa envolve a transição de pesquisa da ionosfera para tecnologia e aplicações, ou seja, enriquecimento ou melhoramento da ionosfera. Das quatro aplicações que o DARPA menciona, só três são descritas, e de modo sucinto. Primeiro, a geração de ondas de rádio de VLF e ELF, descritas acima, tanto para comunicação submarina quanto para a redução da quantidade de partículas carregadas nos cinturões de radiação ao redor da Terra, para garantir a operação segura dos sistemas das espaçonaves norte-americanas. Segundo, o controle das propriedades refrativas em regiões específicas da ionosfera, com a intenção de criar canais de propagação de ondas de rádio. E terceiro, a geração de emissões ópticas e de luz infravermelha para a calibração de sensores espaciais usados nos satélites dos EUA. A quarta aplicação da HAARP não é conhecida. “Ou o doutor Meth deliberadamente a omitiu, ou esta outra função do programa tem uma razão que não pode ser admitida”, diz Smith. Suspeita-se que o sistema tenha também o objetivo de servir como um escudo protetor da Terra contra eventuais visitas alienígenas indesejadas.

Ameaças assimétricas — O segundo ponto citado acima é o modo como o HAARP controlaria as comunicações de rádio em escala global. Já se sabe que a injeção de energia na ionosfera altera sua forma, possibilitando a criação de tubos e “túneis virtuais” no céu, os quais são denominados guias de propagação de onda ou tubulação de onda. O terceiro ponto é, nas palavras de Smith, “uma dor de cabeça para entender”. Especialista no assunto, ele compreende o efeito de aquecer a atmosfera até ela brilhar, mas não vê como se pode exercer emissão óptica no espaço vazio.

crédito: NASA
A tripulação ônibus espacial Columbia, todos mortos no acidente que marcou sua reentrada na atmosfera
A tripulação ônibus espacial Columbia, todos mortos no acidente que marcou sua reentrada na atmosfera

A idéia de que o HAARP tem a função de evitar a entrada de naves alienígenas na atmosfera não é infundada. Um dos futuros usos para os quais o projeto foi desenvolvido será a exploração de princípios científicos que podem conduzir ao desenvolvimento de um sistema de proteção contra as chamadas “ameaças assimétricas emergentes”, um termo novo, mas muito em alta nos meios da elite científica dos EUA. O que exatamente são ameaças assimétricas? Steven Lambakis, James Kiras e Kristin Kolet esclarecem em seu texto Understanding Asymmetric Threats to the United States [Compreendendo as Ameaças Assimétricas aos Estados Unidos, NIPP Publications, 2002] que o termo refere-se a muitas coisas e, portanto, não possui uma definição básica. Por definição, quem usa o conceito explica que “inimigo assimétrico” é aquele que procura explorar alguma fraqueza do poder militar dos Estados Unidos por meio de uma abordagem surpresa, ardilosa e indireta. Ou seja, formas de ataque contra as quais os EUA não teriam defesas. Contra elas, o Governo de Washington desenvolve táticas que não admite publicamente, porque são moralmente repreensíveis ou restringidas por acordos legais.

Nesse sentido, o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos pode ser descrito como “assimétrico”, e seus mandantes como “inimigos assimétricos”. Dada a gravidade da ação e a imprevisível capacidade destes agentes, é teoria corrente no meio ufológico norte-americano que o HAARP não teria o objetivo de oferecer proteção para veículos de exploração espacial dos EUA, como os ônibus espaciais, a Estação Espacial Internacional ou mesmo os satélites do país. Alega-se que programa é ele próprio uma ameaça assimétrica contra as propriedades de outros países que resolverem também explorar o espaço, ou ainda de outros planetas, naves extraterrestres adentrando nossa atmosfera. Surgido como um modismo dos meios intelectualizados daquele país, as tais ameaças assimétricas são, hoje, uma das maiores preocupações de suas autoridades.

Tocha de fusão — Na esteira de revelações sobre esse novo conceito, vem à tona a situação do ônibus espacial Columbia, tecnicamente chamado pela NASA de veículo orbitador. O Columbia foi o primeiro dos ônibus espaciais a entrar em órbita ao redor da Terra, sendo considerado a capitânia da frota. Mas houve uma tentativa anterior, que nunca voou, o Enterprise, assim batizado em alusão a nave do seriado clássico Jornada nas Estrelas [Star Trek, criado por Gene Roddenberry nos anos 60]. De 1981 a 1991, quatro outros veículos semelhantes se juntaram ao Columbia: a Challenger, que explodiu pouco após o lançamento, em 1986, o Discovery, a Atlantis e o Endeavour. Este último foi construído como substituto para o Challenger, em 1991. No dia 01 de fevereiro de 2003, durante a reentrada na atmosfera, o Columbia também explodiu, matando os sete astronautas a bordo, e a NASA suspendeu o vôos dos ônibus espaciais, iniciando uma investigação da tragédia. Afinal, o que poderia ter causado a destruição do Columbia? Entra nesta polêmica um nome intimamente associado ao programa HAARP, o do doutor Bernard J. Eastlund, há muito tempo envolvido em uma vasta gama de pesquisas experimentais. No ano de 1970, numa reunião sobre ciência aeroespacial, Eastlund e o doutor William C. Cough apresentaram uma proposta para a criação de algo que chamaram de “tocha de fusão”, cuja idéia seria gerar uma estupenda quantidade de calor – até 50 milhões de graus centígrados – que pudesse ser controlada e manipulada. Na obra de Smith, lemos que a tal tocha “poderia ser utilizada para inúmeros propósitos, como a rápida abertura de túneis e a mineração mecânica em camadas profundas da crosta terrestre”.

Em 1985, o doutor Eastlund requisitou a patente de um método revolucionário para a produção de um escudo de partículas relativísticas numa altitude acima da superfície da Terra. A patente era de um sistema para estabelecer, numa altitude de pelo menos 1.500 km acima da superfície terrestre, uma região de alta densidade e plasma de grande energia. Ele previa etromagnética circularmente polarizada seria transmitida em uma primeira freqüência paralela às linhas de um campo magnético ao redor do planeta, de tal modo que poderia ser capaz de gerar uma força especular para erguer o referido plasma até a altitude inicialmente mencionada. O aquecimento seria continuado em uma segunda freqüência, para que o plasma atingisse o ápice das mencionadas linhas de força desse campo, de tal forma que pelo menos uma parte dele seja capturada e levada a oscilar entre postos distintos das ditas linhas de força.

crédito: Aleph Editora
O livro de Smith, Armas Eletromagnéticas, um libelo contra a guerra psicotrônica
O livro de Smith, Armas Eletromagnéticas, um libelo contra a guerra psicotrônica

O campo seria então contido dentro destas linhas e derivaria de tal maneira que formasse uma concha ou escudo de partículas ao redor de uma porção da Terra. Eastlund finalmente conseguiu a patente em 1991. Na prática, seu método criaria uma zona fatal para os instrumentos eletrônicos de qualquer veículo que tentasse atravessar esse escudo de partículas. Literalmente, o sistema fritaria qualquer componente eletrônico de objetos como um satélite inimigo ou míssil nuclear, ou ainda de uma nave ou sonda extraterrestre que tivesse partes eletrônicas em seus sistemas. É provável que o HAARP já esteja utilizando o método patenteado pelo doutor Eastlund, e se especula reservadamente que sua zona fatal tenha sido a responsável pela explosão do Columbia, em 2003. Eis uma ligação sinistra entre tragédias conhecidas – cujas causas ainda não tinham sido totalmente esclarecidas –, e os programas que estão sendo inventados nos EUA para manipular forças inimagináveis. O Columbia teria sido uma vítima desta ligação, mas o acidente revela seu potencial e cria suspeita sobre sua futura utilização.

Pulso eletromagnético — O método desenvolvido e patenteado por Eastlund também conta com a utilização do chamado pulso eletromagnético [Eletromagnetic Pulse, EMP]. Segundo alguns pesquisadores, os EUA teriam utilizado uma arma empregando este princípio na famigerada Operação Tempestade no Deserto, durante a primeira Guerra do Golfo, em abril de 1992. Muitos pesquisadores estão convencidos de que o HAARP pode causar efeitos do tipo EMP nas camadas superiores da atmosfera. Suas transmissões excitariam partículas beta ou elétrons na magnetosfera, fazendo-as se moverem com mais rapidez, quase à velocidade da luz, e mudarem rapidamente de direção. Isso é o que danifica os componentes eletrônicos de uma espaçonave ou de um míssil voando pela região sendo bombardeada pelo sinal do HAARP. Essencialmente, o escudo de partículas relativísticas imita os efeitos de um pulso eletromagnético, sendo porém contínuo e até mais destrutivo. O EMP é aquela emissão intensa de radiação liberada imediatamente após uma explosão nuclear. É essencialmente o conjunto de um campo elétrico e de um magnético se afastando da explosão. Ele queima circuitos eletrônicos, destruindo sistemas de comunicações, computadores e outros sofisticados instrumentos eletrônicos. Suas implicações não são totalmente conhecidas, mas alguns especialistas afirmam que o EMP liberado por uma grande explosão nuclear sobre a região central dos Estados Unidos poderia causar um blecaute elétrico em todo o país.

Além disso, é possível que danifique circuitos de mísseis, tornando-os incapazes de atingir seus alvos. O primeiro pulso foi registrado durante um teste nuclear na Ilha Johnston, em 1962. No caso do ônibus espacial, uma investigação independente disponível no site Columbia Sacrifice [www.columbiassacrifice.com], concluiu que “o Columbia provavelmente se deparou com alguma coisa que destruiu a maior parte de seu equipamento aviônico, seu sistema de orientação e programas de vôo, precisamente às 13h47m32s, durante a reentrada na atmosfera”.

Na opinião do físico e consultor da Revista UFO, Claudio Brasil, no entanto, a hipótese de que o HAARP teria derrubado o Columbia soa exagerada. “As filmagens do lançamento mostram a espuma do tanque de combustível se desprendendo e acertando a fuselagem da nave, o mesmo que ocorreu com o Discovery em seu primeiro vôo após a explosão do Columbia, que só não se transformou em uma nova tragédia porque os astronautas repararam os danos no espaço”. O engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e também consultor de UFO, Ricardo Varela, também acha a afirmação quanto à explosão do ônibus espacial insustentável. “Nós mesmo temos um mini HAARP no Brasil, um transmissor de alta freqüência apontado para a ionosfera, localizado na cabeceira da pista do aeroporto de São Luiz (MA). Ele não causa danos a qualquer tipo de avião”.

De qualquer forma, é certo que houve acobertamento dos fatos por parte da NASA, e as explicações oficiais da agência para a explosão são, no mínimo, questionáveis. Alguns pesquisadores e sites independentes, dedicados a estudar e monitorar o funcionamento do HAARP, afirmam que, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o gigantesco transmissor operou em plena potência no decorrer do mês seguinte. Especula-se ainda que o programa estava sendo usado também para controlar a mente dos norte-americanos a respeito do que havia acontecido. Já outros acreditavam que o HAARP foi usado para tomografia de penetração na Terra, tentando mapear o sistema de cavernas e túneis no Afeganistão, onde Osama bin Laden supostamente se escondia.

Cinturão de Van Allen — Marshall Smith, cientista que já trabalhou para a NASA, mantém uma constante vigília sobre o HAARP. O site Brother Jonathan Gazette [http://brojon.org] afirma que o programa estava operando no modo de partículas relativísticas por 90 minutos quando o ônibus espacial Columbia tentou a reentrada, e continuou operando nesse modo por mais 90 minutos após a perda do sinal do orbitador. Diz a investigação do citado site Columbia Sacrifice que a ocorrência de algo que afete todos os sistemas de orientação e controle durante um vôo espacial geralmente é considerada impossível, e o Columbia tinha todos os sistemas de suporte necessários para completar a missão. Isso significa que algo completamente anormal e inexplicável afetou os equipamentos a bordo, algo que não foi apenas um defeito mecânico ou eletrônico, que afetaria uma ou duas unidades apenas.

crédito: US Navy
 Projeto militar norte-americano HAARP, construído perto de Gakona, Alasca, é projetado para ter ação sobre todo o planeta Terra
Projeto militar norte-americano HAARP, construído perto de Gakona, Alasca, é projetado para ter ação sobre todo o planeta Terra

Ainda segundo o site, estudos apontam para apenas duas possibilidades. A primeira seria um EMP de uma explosão nuclear perto do Columbia durante a reentrada. Isto certamente ocorreria se o míssil carregando a ogiva fosse lançado na hora certa para interceptar o curso de vôo do Columbia. Entretanto, de acordo com relatórios sobre explosões nucleares em grande altitude, ocorridas nas décadas de 60 e 70, os efeitos de tais detonações seriam vistos por centenas de quilômetros, e não houve nenhum relato de atividade anômala no céu naquele dia. Em segundo lugar, o Columbia teria passado por uma região de partículas beta em alta velocidade, que imitavam os efeitos de um EMP. Todos os textos acadêmicos sobre este assunto afirmam que é possível produzir tal efeito com a finalidade de defesa contra mísseis balísticos. Particularmente, sabe-se que durante a Guerra Fria vários países tentaram criar um sistema assim para se protegerem de ataques de mísseis balísticos intercontinentais. O sucesso desses sistemas é desconhecido e a informação é considerada secreta.

Os ônibus espaciais, a Estação Espacial Internacional e os satélites espiões voam abaixo dos Cinturões de Van Allen, descobertos no fim da década de 50 por James Van Allen. Eles cercam a Terra e consistem em áreas nas quais o campo magnético do planeta retém uma radiação cuja origem permanece desconhecida e os cientistas não sabem como foram formados. Mas para colocar em órbita um satélite geossíncrono – que tem seu período de revolução igual ao período de rotação da Terra – ou para lançar um veículo à Lua, Marte ou qualquer outro lugar do Sistema Solar, e ainda além dele, o mesmo teria de atravessar todos os Cinturões de Van Allen. Um dos argumentos usados por pessoas que não acreditam que o homem tenha ido à Lua é que seria impossível chegar lá, pois a radiação teria matado ou incapacitado os astronautas na viagem. Porém, o próprio Van Allen, ainda vivo, descarta tal argumentação como absurda. Ele, aliás, é um grande defensor do projeto HAARP.

Uma das aplicações do HAARP, que é reduzir a quantidade de partículas carregadas nos cinturões de radiação, para garantir a segurança das operações dos sistemas das espaçonaves, pode ser positiva para os vôos espaciais. Mas, claro, se não houver conseqüências ecológicas desastrosas de sua ação. Se o HAARP puder reduzir a radiação pesada nesses campos, seria benéfico para os astronautas. Mas os riscos também são potenciais. A vida na Terra é possível porque a ionosfera nos protege dos raios cósmicos mortais e da nociva radiação solar, assim como a camada de ozônio nos protege da luz ultravioleta. Se os Cinturões de Van Allen oferecem proteção adicional contra o vento solar [Radiação pesada que parte do Sol em todas as direções], como alguns cientistas especulam, um enfraquecimento deles poderia prejudicar componentes eletrônicos e organismos vivos na Terra, além de afetar a corrente telúrica do planeta – um fluxo elétrico de freqüência extremamente baixa que ocorre naturalmente em grandes áreas subterrâneas e subaquáticas da superfície ou perto dela. Uma dissipação dos cinturões pode afetar o comportamento dos pólos magnéticos do planeta.

Terremotos e furacões —
Como essa redução da radiação nos cinturões ocorreria, não se sabe ao certo. Mas há especulações. Parece envolver um processo que os induz a se precipitarem para o exterior, o que seria sentido como uma chuva radioativa na Terra. Mas o que aconteceria quando essa radiação pesada caísse na camada superior da atmosfera? Não seria possível que ela criasse um efeito cascata que se estenda ao solo? E se uma tentativa de sobrecarregar os cinturões fracassar e, em vez de eliminar a radiação excessiva, fortalecê-la ainda mais? Especulando ainda mais longe, seria possível que já tenha ocorrido o impensável, ou seja, que em vez de tornar o ambiente atmosférico mais seguro para o Columbia retornar à Terra, ou por estar ocupado com algum outro teste envolvendo o orbitador, como talvez tenha acontecido com as missões anteriores dos ônibus espaciais, o HAARP tenha acidentalmente contribuído para a destruição do ônibus espacial? Estas são perguntas que não querem calar.

As ondas de freqüência extremamente baixas (ELF) podem ser um componente natural dos fenômenos que produzem terremotos. De fato, foram detectadas, tanto por satélites quanto por sensores em bases terrestres, misteriosas ondas de rádio ou alguma atividade eletromagnética associada a elas antes dos grandes terremotos da Califórnia em 1986 e 1987. O mesmo ocorrer na Armênia, 1988, e no Japão e norte da Califórnia, em 1989.

Uma das maiores preocupações dos cientistas norte-americanos quanto ao HAARP é que quaisquer alterações causadas na ionosfera ou na magnetosfera possam desencadear terremotos no planeta. Já se sabe que o contrário é um fato, isto é, os terremotos podem causar modificações nessas duas camadas da atmosfera. Em um artigo publicado no jornal The New York American, de 11 de julho de 1935, intitulado Terremotos controlados por Tesla, afirmava-se que as experiências de Nikola Tesla (1856-1943) com transmissão de vibrações mecânicas através da Terra eram descritas por ele como “terremotos controlados”. O cientista sérvio radicado nos Estados Unidos chamava a isso de telegeodinâmica, e ele próprio era citado no artigo como tendo dito que “as vibrações rítmicas passam através do solo praticamente sem perda de energia. Torna-se possível assim transmitir efeitos mecânicos extraordinários até às maiores distâncias terrestres. Em uma guerra, esta invenção poderia ser usada com resultados bastante destrutivos”. Cerca de 40 anos antes, Tesla quase destruíra Nova York com um de seus terremotos artificiais, usando um dispositivo construído por ele mesmo para demonstrar o princípio da ressonância harmônica.

Será que o HAARP, usando tecnologia de Tesla, também pode desencadear violentos terremotos, imitando ou excitando as forças da natureza? Será que as tsunami, os furacões desproporcionais, o acentuado degelo polar, a generalizada predisposição humana para a guerra etc, não seriam todos subprodutos de armas militares psicotrônicas como o HAARP, ou de outras ainda mais arrojadas? Não visariam as forças militares talvez uma defesa contra o que elas considerariam invasores alienígenas, ou até um ataque contra tais visitantes extraterrestres, em uma demonstração de poder e soberania ou talvez para preservar a vida na Terra, caso julguem que estamos ameaçados? Como já foi mencionado, não deixaria de ser irônico caso se descobrisse que o avanço tecnológico do polêmico e perigoso HAARP, usado contra qualquer nave ou satélite espião – e possivelmente contra os UFOs – tivesse se iniciado, na verdade, de um malfadado e inesperado contato com esses mesmos extraterrestres?

Está acabando o isolamento cósmico da humanidade?

Já está no ar a Edição 128 da Revista UFO. Aproveite!

Dec de 2006

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