ARTIGO

Esquenta a situação em Riolândia

Por A. J. Gevaerd | Edição 140 | 01 de Março de 2008

O mais intrigante é que os pés de cana estavam dobrados. Eles não foram quebrados nem esmagados contra o solo
Créditos: paulo bach

Esquenta a situação em Riolândia

A pequena Riolândia, cidade com 8.500 habitantes no noroeste do estado de São Paulo, tem vivido dias e noites emocionantes desde 20 de janeiro passado, quando foi relatado por um empresário local o avistamento de um UFO de grandes proporções, que teria resultado no amassamento de uma vasta área de um canavial próximo. O caso ocorreu entre 03h00 e 03h30 daquele dia 20, um domingo, na Pousada Piapara, um empreendimento modesto às margens do Rio Grande, que divide São Paulo de Minas Gerais, a 13 km do centro de Riolândia. As testemunhas principais foram o comerciante Maurício Pereira da Silva, 39 anos, arrendatário da pousada, e Durval Ambrizzi Júnior, representante comercial, 58 anos, que estava hospedado em um trailer na propriedade. Ambos acordaram no meio da noite ouvindo um barulho estranho e alto, como se os pés de cana da plantação ao lado estivessem sendo quebrados ou amassados por algo. Ao tentarem ver de onde vinha o som, Silva observou um objeto cilíndrico emanando luz, cujo tamanho estimou entre 30 e 40 m de comprimento, e Ambrizzi viu apenas as luzes. Um não sabia que o outro estava vendo, já que estavam em locais diferentes da pousada. “Aquilo vinha vindo como se estivesse rolando a certa altura das canas, fazendo um barulho bem alto dos pés serem quebrados”, declarou Silva.

Na manhã seguinte, junto das esposas, Silva e Ambrizzi descobriram um inusitado amassamento na plantação de cana vizinha, numa extensão estimada entre 3.600 e 5.200 m2. Especialistas em geologia, meteorologia, biologia e no cultivo deste tipo de lavoura estiveram no local e descartam a ação de forças naturais e mesmo humanas para produzir aquele estranho efeito. “O mais intrigante é que os pés de cana estavam dobrados. Eles não foram quebrados nem esmagados contra o solo”, disse o engenheiro agrônomo Carlos de Luca, um dos que examinaram o fenômeno. O episódio ganhou grande repercussão na mídia, inicialmente da região – que tem um elevado índice de ocorrências ufológicas registrado desde a década de 60 – e depois em todo o país.

Enviados da Revista UFO estiveram no local em várias ocasiões, sendo que, em 26 de janeiro, uma equipe da publicação avaliou detalhadamente a situação, examinou as evidências e entrevistou as testemunhas. O caso então recebeu atenção internacional. Em nossa edição 139, de fevereiro, toda a ocorrência foi descrita no artigo UFO Provoca Efeitos Físicos em São Paulo. Nele, o engenheiro de telecomunicações Jorge Nery, do Instituto de Astronomia e Pesquisas Espaciais (Inape) e um dos mais novos integrantes da Equipe UFO [Veja seção Mensagem do Editor], declarou que “estamos diante de um fato ufológico autêntico, que precisa ser estudado. Aquilo não é normal e necessita explicação”.

Se esta era a situação no final de janeiro, ela ganhou tons bem mais intensos e dramáticos ao longo das semanas seguintes, quando os avistamentos foram se diversificando e aumentando em número de testemunhas. Até 27 de fevereiro, quando esta edição foi fechada, já se contabilizavam cerca de três dúzias de avistamentos de diferentes fenômenos luminosos – quase sempre noturnos, mas também diurnos –, testemunhados por mais de 400 pessoas, entre moradores da pousada e vizinhos, ufólogos, jornalistas e curiosos de todos os tipos. Entre estes últimos estão, principalmente, os moradores de Riolândia, que antes estavam divididos quanto ao que se registrava no local, e hoje aceitam que há algo muito sério ocorrendo lá. Inúmeras tentativas de se registrar o fenômeno também foram realizadas, principalmente durante vigílias ufológicas para este fim, algumas com sucesso.

“Na verdade, depois que a gente viu aquele ‘negócio’ sobre o canavial, o ‘barulho’ não parou mais por aqui”, disse o arrendatário da Pousada Piapara, referindo-se a uma grande quantidade de avistamentos que passaram a ocorrer nas noites seguintes, tirando-lhe o sossego. Sua esposa, Márcia Cristina Ribeiro Santos, 30 anos, diz que está apavorada com os fenômenos e quer se mudar dali com a família. “A gente já não dorme mais de medo. Eu não quero mais ficar ali”, afirmou. Os enviados desta publicação, que estiveram no local desde o primeiro episódio, em 20 de janeiro, confirmam o temor e a situação. Numa visita da Equipe UFO à pousada, de 08 a 10 de fevereiro, novos casos foram avaliados e as novas evidências, examinadas. “É realmente espantoso o que está acontecendo em Riolândia. Não há dúvida de que existe uma atividade ufológica diária por lá”, disse o especialista em internet Ismael Vieira, responsável pelo suporte ao Portal UFO.

De fato, Maurício Pereira da Silva informou que, desde o acontecimento inicial, ele, seus familiares e alguns amigos têm permanecido acordados até tarde durante muitas noites, observando o céu. “Às vezes alguém aparece aí com algum equipamento melhor, quando então as luzes são registradas”, afirmou Silva, que acrescentou que os fatos ocorrem geralmente após as 02h00, mesmo em noites chuvosas, como tem sido a maioria delas naquele pedaço do Brasil. O fato mais espetacular deu-se na madrugada de 08 de fevereiro, por volta das 03h00, e envolveu o próprio empresário e seu irmão Antonio Pereira da Silva, 59 anos, bancário em São José do Rio Preto (SP). Ambos estavam sentados no portão da Pousada Piapara observando o canavial do lado sul da propriedade quando viram um espetáculo de luzes. Três objetos discóides e coloridos, cada um do tamanho de um ônibus, vieram do horizonte e pararam a uns 500 m do local. Eles se apresentavam em formação e estavam alinhados – o da direita estava mais acima, o da esquerda mais abaixo e, o do centro, numa posição intermediária.

Espetáculo de luzes — De repente, segundo o bancário, três outras luzes, menores e esféricas, porém também brilhantes, se aproximaram dos artefatos anteriores – duas do lado direito e uma do lado esquerdo. “Nunca vi nada igual àquilo, nem aqui na pousada, nem em lugar nenhum”, declarou. De repente, dos seis objetos, cinco desceram sobre o canavial – os três discóides e duas das esferas – e passaram a “vasculhar a plantação, parece que atrás de alguma coisa lá”. O sexto aparelho ficou no mesmo lugar, no céu. Os UFOs discóides, todos do mesmo tamanho, tinham uma cor permanente durante sua trajetória de aproximação, e quando pararam começaram a alternar a coloração, principalmente do amarelo para o azul escuro e depois para o vermelho intenso – cores já observadas antes em fenômenos da região. Durante o momento em que os objetos abaixaram sobre a plantação, parte da área ficou iluminada. Silva relatou ter visto tons de azul que não conhecia serem emanados dos objetos. “Eu nunca tinha visto aquela cor, que parecia azul, mas não sei definir bem o que era”.

Todo o espetáculo durou mais de uma hora, sendo que, de tempos em tempos, uma das esferas que haviam descido até a altura das plantas subia e voltava a descer. Quando outros membros da família acordaram, já não puderam ver mais nada. O local fica na área frontal da pousada, voltada para o sul, e ficou consagrado como ponto de observação a partir deste caso. Ao amanhecer, Silva contatou a prefeitura de Riolândia e comunicou o fato, pedindo providências. “Alguém tinha que saber o que estava ocorrendo e dar uma resposta para aquilo”. O prefeito Maurílio Viana da Silva (PSB), que já havia dado declaração anterior de que os sinais deixados na plantação, no caso de 20 de janeiro, eram “estranhos e inexplicáveis”, e que estava “deixando que quem entende do assunto investigue o caso”, sugeriu ao empresário chamar os ufólogos. Foi o que ele fez, ligando para Nery e para este editor, que iniciaram suas ações de pesquisa. O prefeito chegou a recepcionar os estudiosos que foram ao local, garantindo todo apoio necessário da prefeitura para a condução das investigações – um gesto raramenteobservado antes numa autoridade.

crédito: ARQUIVO UFO
A professora Ruth Probio e seu filho Pedro Henrique prestaram depoimento à Revista UFO. Ela viu luzes várias vezes, e Pedro chegou a filmá-las
A professora Ruth Probio e seu filho Pedro Henrique prestaram depoimento à Revista UFO. Ela viu luzes várias vezes, e Pedro chegou a filmá-las

Antes e depois desta espantosa ocorrência, moradores de Riolândia já estavam relatando luzes estranhas no céu, tanto na área urbana quanto na rural, quase sempre esféricos e de coloração predominantemente azul e vermelho intensos. Numa cidade pequena, isso gera um rumor de consideráveis proporções e, assim, muitos habitantes já não sentem mais desconforto ao tratar do assunto – alguns o fazem até com bastante desprendimento. “Afinal, o que a gente está vendo não é mentira. Está acontecendo mesmo”, declarou o pedreiro José Machado de Souza, 55 anos, que testemunhou na cidade a passagem de um UFO na mesma noite em que se deu o primeiro caso na pousada, em 20 de janeiro. Sua posição reflete a de boa parte dos moradores da pacata Riolândia, mas é recente. Desde que a imprensa começou a tratar do tema, mudando a rotina diária dos riolandenses, muitos viam com suspeita os fatos relatados por Silva. Mas, aos poucos, com o acúmulo de depoimentos feitos por habitantes mais antigos e conhecidos do local, o ceticismo foi dando lugar à aceitação. “Se a cidade ainda estava bastante dividida quanto ao surgimento de fenômenos, as últimas observações que fizemos dissiparam as dúvidas”, declarou à Revista UFO a professora Ruth Probio, 40 anos, que também é testemunha de alguns avistamentos, junto de seus familiares e amigos.

Surgem novos casos — Foi neste clima que as atenções passaram a se concentrar menos na Pousada Piapara e mais no município, permitindo que se registrassem alguns importantes acontecimentos em muitas outras áreas ao redor de Riolândia. Um deles ocorreu na madrugada de 07 de fevereiro, às 05h00, pouco mais que 24 horas depois do avistamento dos seis objetos por Maurício Pereira da Silva e seu irmão, e acabou por corroborar seus testemunhos. Nesta noite, uma luz distante que fazia movimentos sinuosos foi filmada na cidade e testemunhada por mais de uma dúzia de pessoas de vários pontos. Uma das observadoras foi a professora Ruth, que estava com o marido Henrique Adão Costa e o filho Pedro Henrique Probio, de apenas 10 anos. O menino, um jovem astuto e inteligente, manuseou a filmadora da família – da marca JVC – e é autor de duas filmagens interessantes do fenômeno luminoso. O avistamento começou quando eles se preparavam para viajar e Costa chamou Ruth para olhar algo estranho no céu. “Parecia uma estrela, mas era muito mais brilhante e estava bem próxima da gente”.

UFO no céu claro — O que chamou a atenção de Ruth e de seu marido foi o fato de que o céu estava bem estrelado, mas o objeto mesmo assim se destacava nitidamente, movimentando-se sem parar. O avistamento durou até perto das 07h30. Durante a observação, ela ligou para seu pai, Antonio Probio, 74 anos, que mora a alguns quarteirões dali e pôde observar o fenômeno. Ela também pediu para o filho começar a filmagem. A câmera estava preparada. Ruth ainda ligou para seu irmão Jorge Moisés Probio, locutor de rodeios, que também observou o fato de outro ponto da cidade. A professora e sua família adquiriram grande experiência ufológica, pois também testemunharam uma luz intensa na noite de 08 para 09 de fevereiro, quase simultaneamente a uma vigília ufológica que ocorria na Pousada Piapara, da qual participaram vários ufólogos, jornalistas, cinegrafistas etc, todos munidos de equipamentos [Veja a seguir]. Nesta ocasião, a professora foi alertada quanto ao UFO no meio da noite, por um sobrinho que a informara que “aquela ‘coisa’ voltou a aparecer no céu”. Eram 04h00 de 09 de fevereiro, quando ela juntou a família e foram todos de carro para uma estrada não pavimentada – chamada de Corredor – a apenas cerca de um quilômetro de onde mora e uns 700 m da área urbana de Riolândia.

“Ao chegarmos ao local, já havia um monte de gente lá, porque as pessoas foram acordando umas às outras e avisando sobre o que estava acontecendo”, declarou Ruth. O fenômeno observado era semelhante ao descrito por outros moradores, em várias datas. Era uma luz que surgiu no horizonte e passou a se aproximar do grupo, alternando entre aumentar de tamanho e sumir de vez em quando. Ruth disse que o objeto parecia estar observando o grupo e que dava a impressão de “querer chegar perto da gente”. Num dos momentos em que o artefato desapareceu, ele tornou a reaparecer na direção da Pousada Piapara, agora revestido de uma quantidade maior de luzes ao redor, maravilhando as testemunhas. “Não sei o que era aquilo, mas me pareceu mesmo ser o que todos falam, algo de outro planeta visitando a Terra”, estimou a professora. “Temos muito verde, muita água e muitas belezas que podem atrair estes visitantes”. Outros moradores da pequena Riolândia viram fenômenos inusitados na mesma madrugada, de vários pontos da cidade. Os rumores de que o município estava sendo alvo de visitantes espaciais tomava corpo.

Comitiva de ufólogos visita a região — Ao longo da sexta-feira, 08 de fevereiro, e continuando no dia seguinte, vários ufólogos, jornalistas e curiosos chegaram à Pousada Piapara, alertados pelas notícias de que naquela madrugada tinha havido diversas observações ufológicas, sendo as principais a dos seis objetos e a da luz que apareceu para o grupo de moradores de Riolândia. Não é sempre que se tem na Ufologia Brasileira um fenômeno sendo observado com tamanha intensidade e regularidade, e naturalmente os estudiosos não podem perder uma chance dessas para tentar registrar os fatos. Os que compareceram ao local não se arrependeram da distância percorrida desde suas cidades, nem de enfrentar a madrugada chuvosa. Os primeiros a chegar foram integrantes do Instituto de Astronomia e Pesquisas Espaciais (Inape), de Araçatuba (SP): o advogado Gener Silva, o engenheiro Jorge Nery, o repórter cinematográfico Luis Carlos Teodoro e o estudioso João Paschoal. Depois chegaram o técnico de segurança do trabalho Sivaldo Daniel Pereira [Veja UFO 139] e o técnico em eletrônica Cristian Dionízio de Oliveira, ambos de Valentim Gentil (SP). Em seguida, chegou este editor, o especialista em informática Ismael Vieira e os estudantes Michel e Thiago Vieira, de Maringá (PR).

Além deste grupo, moradores da pousada e convidados se espalharam nas áreas norte e sul da propriedade, respectivamente a que fica de frente para o Rio Grande e a que fica de frente para o canavial onde, na madrugada anterior, os seis objetos foram vistos. O grupo iniciou sua vigília ufológica às 21h00, e somente interrompeu por volta das 04h30, após ter sido testemunhado um interessante fato muito semelhante ao que estava sendo visto – quase na mesma hora – pelos moradores de Riolândia, na estrada próxima da cidade, o Corredor. “Eram mais ou menos 02h00, quando observamos cuidadosamente, no sudeste, um estranho fenômeno produzido por uma luz muito brilhante e multicolorida, de matizes fortes e impressionantes, que piscava frenética e regularmente, durante vários minutos”, declarou Gener Silva. Estudioso de astronomia, ele ainda informou que a luminosidade foi acompanhada longamente por binóculos e registrada pelas câmeras fotográficas e filmadoras dos presentes. “Conhecemos o efeito ótico causado pela refração das luzes das estrelas, que assumem cores variadas pelo efeito de lente produzido pela atmosfera carregada de umidade. Mas posso afirmar que o que observamos nada tem a ver com este efeito”.

Interesse pelos canaviais — O cinegrafista Teodoro, com 16 anos de experiência e atuando presentemente na TV Tem, de São José do Rio Preto (SP), também observou e filmou o objeto com uma câmera digital marca Sony, modelo PD-150. Ele declarou ter visto a mesma luz, mas observou que ela executava um movimento ascendente. “Era um ponto de luz vermelha intensa que estava inicialmente próxima do canavial e começou lentamente a subir”, disse. O profissional acrescentou que passou a registrar os fatos quando um clarão muito forte surgiu no horizonte. “Eu estava com o equipamento de gravação posicionado e filmei aquilo. Mas infelizmente a câmera não registrou o fenômeno com muita definição”. Com ele concordam Jorge Nery e Sivaldo Daniel Pereira. Ambos viram um ponto de luz muito intenso e incomum, no mesmo horário. Para Nery, a ascensão do artefato se deu em ângulo inclinado, com duração de 20 minutos. “Parecia uma sonda ufológica pequena que subiu no ar rapidamente. Não poderia ser uma estrela e, ademais, aquilo estava muito próximo”. O objeto apresentava uma intensa mudança de cores, principalmente entre o vermelho e o azul bem fortes.

Nery, que há mais de um ano vem pesquisando casos na região de Riolândia, acredita que a área seja privilegiada para observações ufológicas, e especulou que a grande quantidade de cana de açúcar plantada no local pode estar atraindo os visitantes. “Eles parecem estar procurando alguma coisa. Mas procurando desesperadamente, porque as luzes entram nos canaviais o tempo todo, como quem busca algo”. Consultado a respeito, o técnico de segurança do trabalho Pereira acredita que o artefato observado na vigília seria uma sonda ufológica, porém a grande distância. “Algumas pessoas alegaram que viram o objeto se aproximar da pousada, mas creio que pareceu ilusão de ótica. O objeto ficou a certa distância e às vezes era encoberto pelas nuvens. Mas que se tratava de algo inusitado, disso não há dúvida”. A noite alternava momentos de céu esplendorosamente estrelado e de encoberto. Neste vai e vem, o ufólogo Cristian Dionízio de Oliveira alegou ter visto outros dois objetos menores além do maior, que foi o observado pelos demais integrantes da vigília. “Em alguns instantes, pareceu que havia outras duas luzes menores próximas daquela que chamava mais a nossa atenção”.

crédito: Thiago Blume Vieira
O consultor da Revista UFO Paulo Poian [Direita] entrevista o repórter cinematográfico Teodoro, da TV Tem
O consultor da Revista UFO Paulo Poian [Direita] entrevista o repórter cinematográfico Teodoro, da TV Tem

Mas esta não foi a única vigília realizada naquele fim de semana. Com a chegada de mais ufólogos na manhã de 09 de fevereiro, sábado, outra tentativa de observação e contato com o fenômeno seria levada a cabo. E assim, um novo grupo se reuniu naquela noite na Pousada Piapara. Mas as péssimas condições climáticas fizeram quase todos desistirem rapidamente. Apenas dois observadores permaneceram além das 04h00: o consultor da Revista UFO Paulo Poian e o estudante Thiago Vieira. E às 05h05 do domingo, dia 10, num momento de estiagem temporária, eles testemunharam outro fenômeno luminoso sobre o mesmo canavial ao sul da pousada, onde ocorrera o show de luzes com os seis objetos. Desta vez a manifestação se deu mais perto, a menos de 200 m de onde estavam. “Era uma sonda com luz branca tenra, descendo do céu levemente, primeiro em linha reta e depois com movimentos espiralados e descendentes, até sumir no canavial próximo. Ficamos sem nos mexer por cerca de 30 minutos, fitando aquele ponto da plantação em busca de detalhes, iluminação, movimentos, ruídos ou mesmo o retorno do objeto ao espaço, mas nada mais ocorreu”, declarou Poian.

Novos testemunhos — O estudante Vieira descreveu que a luz descia e piscava em velocidade constante, e a acompanhou até que se apagasse por completo no canavial. “Era algo redondo e parecia ter uma luz embaixo. Aquele era um lugar perfeito para ela pousar e não ser vista no meio de toda aquela plantação”, disse. Naquela noite, outras observações também foram feitas, apesar da chuva fina e intermitente. Este editor colheu depoimentos dos moradores de Riolândia logo no começo da manhã, que davam conta de que novos fenômenos teriam ocorrido simultaneamente à vigília na pousada. E os acontecimentos se repetiram ao longo do dia, não somente naquela cidade, mas também em outras da região noroeste de São Paulo. Logo cedo, no domingo, se tomou conhecimento de que avistamentos também ocorreram na noite anterior na cidade de Valentim Gentil, a cerca de 70 km de Riolândia, com grande número de testemunhas. Os ufólogos Oliveira e Pereira iniciaram a coleta de informações imediatamente. Fatos semelhantes se deram também nas cidades vizinhas de Fernandópolis e Votuporanga, ao longo da rodovia SP-320, a uma distância média de 80 km de Riolândia. O mais interessante deles, ainda sendo apurado, ocorreu com um vigia noturno de Fernandópolis. Ele não quer ser identificado e nem mencionar onde trabalha, mas alega ter visto sobre um pasto, às 05h30, daquele domingo, 10 de fevereiro, três focos brilhantes se locomovendo em alta velocidade, sem ruído. Os objetos teriam sobrevoado a cidade por nada menos do que 35 minutos.

“Eu estava em um canavial quando, de longe, observei três luzes, sendo uma maior e as outras menores. Pensei que fosse brincadeira de crianças, mas os focos passaram a fazer movimentos bruscos e decidi filmar com o celular”, declarou a testemunha, que se recusa a ter seu nome revelado. A filmagem, de baixa resolução, mostra luzes intensas se movendo rápido, deixando apenas traços no ar. O momento da observação coincide com o fato registrado na Pousada Piapara, mais uma vez reforçando a tese dos ufólogos da Revista UFO, de que aquela vasta área vive uma onda ufológica de grandes proporções. Corroborando a afirmação estão outros casos registrados ainda no mesmo domingo e nos dias seguintes em Riolândia, pelo ufólogo brasiliense Roberto Beck. Ele apurou que, naquela tarde, em plena luz do dia, o frentista do único posto de combustível da pequena cidade observou no céu um objeto metálico com luzes, em frente à sua casa.

Fernando Alves de Souza estava com os sogros, a esposa e os filhos quando todos viram brilhando sob o Sol, às 16h00, um objeto grande se aproximar do centro da cidade em vôo constante. Ele parou por uns instantes e expeliu no ar duas esferas luminosas menores. Então, o conjunto formado pelos três objetos voando juntos sumiu em segundos. Atestando a veracidade do caso, o frentista ainda chamou vários vizinhos para também observarem o fenômeno, aumentando consideravelmente o número de testemunhas e a credibilidade deste incidente. Beck, veterano ufólogo com mais de 50 anos de experiência, permaneceu mais de uma semana na cidade, de plantão à espera por novos acontecimentos. Foi ele quem descobriu mais um caso espantoso, que se soma ao interminável repertório ufológico de Riolândia.

crédito: Thiago Blume Vieira
 O bancário Antonio Pereira da Silva, irmão do proprietário da Pousada Piapara, descreve o show de luzes que observou com a família, na madrugada de 08 de fevereiro. “Não era coisa deste mundo...”
O bancário Antonio Pereira da Silva, irmão do proprietário da Pousada Piapara, descreve o show de luzes que observou com a família, na madrugada de 08 de fevereiro. “Não era coisa deste mundo...”

Este outro fato ocorreu ao senhor Ibrantino José Ribeiro, antigo morador da cidade, ao seu neto Augusto Ribeiro da Silva, de apenas 14 anos, e a uma senhora que não quer ser identificada. Todos voltavam de carro da Pousada Piapara para a cidade, pela estrada não pavimentada de 13 km – chamada no interior de “carreador” –, quando observaram dois fenômenos. Logo ao saírem da propriedade com destino à Riolândia, assim que tomaram o carreador, Augusto chamou a atenção de todos para um objeto luminoso e branco sobrevoando o canavial. O menino implorou para o avô não parar o veículo, com medo, e o grupo prosseguiu viagem assustado, enquanto o objeto sumiu de vista. Quase ao chegarem à cidade, cerca de 10 km adiante, viram outro fenômeno luminoso, mas desta vez uma esfera avermelhada.

Testemunhas confirmam fato — Em sua permanência na Pousada Piapara, Beck também descobriu outra testemunha do importante caso de 20 de janeiro, que foi o estopim de toda a onda. Trata-se do lavrador Aparecido Alves Marques de Sousa, 25 anos, que estava pescando com seu irmão naquela noite no Rio Grande, não muito longe da propriedade. A dupla viu, por volta das 03h00, um grande objeto passar por cima do barco em que estavam. “Era uma espécie de vagão de trem, escuro, quadrado e bem grande, que fazia um barulho suave. Aquilo passou bem baixo e por cima do canavial ao lado da pousada, e depois levantou vôo, desaparecendo em seguida”, descreveu o lavrador. Ele informou ainda que, com medo, pensou até que pudesse ser alma penada, e comentou com o irmão: “Vamos sumir daqui porque isto não
é avião, é uma assombração”.

O próprio ufólogo Roberto Beck teve seu avistamento durante a temporada que passou em Riolândia. No dia 12 de fevereiro, ele estava realizando uma vigília do lado sul da propriedade, junto de Herbert Brüggemann, o proprietário Maurício, sua esposa e um de seus filhos, quando, por volta das 23h30, todos viram um enorme objeto na forma de um “carrilhão”. “Tinha cerca de 10 m de diâmetro por uns 30 m de comprimento, e era semelhante ao vagão de trem descrito pelo lavrador Aparecido de Sousa”, declarou Beck. O céu estava limpo e estrelado e o objeto passou a não mais do que 200 m de altura, com o corpo escuro e luzes brancas na forma de bastões e separadas uma das outras nas laterais. “O UFO se locomovia lenta e silenciosamente no espaço, e assim que chamei a atenção dos demais para verem, desapareceu repentinamente”.

Números expressivos — Enfim, os casos em Riolândia aumentam em intensidade e em número a cada dia. No momento do fechamento desta edição, a Revista UFO contabilizou números expressivos. Pelo menos seis filmagens independentes dos fenômenos luminosos, feitas por diferentes pessoas, estão sendo analisadas. Perto de 30 testemunhas já foram contatadas e entrevistadas pela Equipe UFO, de um número estimado entre 300 e 400 testemunhas em todos os municípios atingidos. Mais de 40 casos estão registrados, metade dos quais investigados. São inúmeras as ocorrências ainda desconhecidas, que ainda virão a público pela ação da imprensa e dos ufólogos. Todos estes fatores são claros e indicam que estamos diante de uma movimentação ufológica poucas vezes vista na história da Ufologia Brasileira. A situação chegou a tal ponto que autoridades de alguns municípios da região noroeste do estado de São Paulo estão bastante apreensivas, em especial o prefeito de Riolândia, que solicitou a presença de ufólogos no local – coisa rara.

A Revista UFO, através de seus integrantes, está fazendo a sua parte, conversando e entrevistando testemunhas, checando os locais, examinando as evidências e consultando especialistas de várias áreas, para excluir a possibilidade de os fenômenos registrados serem naturais. É assim que se chegou a constatar a veracidade dos fatos, apoiados fortemente pela sinceridade das testemunhas. Uma bela síntese do fator humano envolvido no Caso Riolândia pode ser visto num relatório oferecido pelo ufólogo Poian, que esteve no local: “Verifiquei, comprovei e testemunhei a simplicidade, honestidade e coragem dos moradores da cidade, que sequer imaginavam, antes do início dos acontecimentos, o que era Ufologia e o que são os UFOs, mas que, mesmo assim, aceitaram nos receber, gravar entrevistas e contar seus avistamentos. O que eles perceberam foi que aquela equipe de pesquisadores ali presentes iria ouvi-los e compreendê-los, sem gozações ou ironias. Isso foi feito”.

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Sobre o Autor

A. J. Gevaerd

A. J. Gevaerd nasceu em Maringá (PR), em 1962, e foi professor de química até 1986, quando abandonou a profissão para se dedicar exclusivamente à Ufologia. Em 1983, fundou o Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), a maior entidade do gênero em todo o mundo, com mais de 3.000 associados. Em 1985, Gevaerd fundou a Revista UFO, única publicação sobre Ufologia no país, com 25 anos de existência, e a mais antiga em circulação em todo o mundo. O editor interessou-se por Ufologia ainda muito jovem, com 11 anos, ouvindo histórias de observação de naves e contatos com seres extraterrestres, e começou suas atividades na Ufologia imediatamente, fazendo suas primeiras investigações e vigílias. Fez sua primeira palestra sobre UFOs no colégio em que estudava, aos 15 anos, e de lá para cá realizou mais de 2.000 em todo o Brasil. A partir de 1989, começou a se apresentar também no exterior, tendo realizado pesquisas e mais de 600 palestras em 54 países. É diretor no país, desde 1986, da Mutual UFO Network (MUFON), e, desde 1991, do Annual International UFO Congress, um dos eventos de Ufologia mais concorridos da atualidade. Foi um dos idealizadores da campanha pioneira UFOs: Liberdade de Informação Já, lançada em 2004 pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), da qual é coordenador. O pesquisador tem participação ativa em praticamente todos os círculos mundiais onde o Fenômeno UFO é tratado com seriedade, participando de eventos, debates, programas, campanhas etc.

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