Edição 128
DESTAQUE

Crítica a Jan Van Ellam: As profecias apocalípticas na visão de dois pseudocéticos

Por
01 de Dec de 2006
As polêmicas previsões de Jan Val Ellam
Créditos: Arquivo UFO

Nos chamados meios acadêmicos, quando alguém anuncia uma nova descoberta ou comunica uma nova teoria, é comum que a comoção tome conta de todos. Imagine, então, quando nos círculos ufológicos, cheios de incertezas, devaneios e fantasias, alguém afirma que as respostas antes tão longínquas para o Fenômeno UFO estão agora à mão. Discussões acirradas e uma verdadeira guerra de ordem intelectual apenas mantêm acesas as chamas do bom conhecimento, e têm contribuído para que as ciências proporcionem às pessoas suas inúmeras utilidades. Somente quem é mal informado não admite a discussão, a crítica e a atuação do contraditor. Este comportamento equivocado é próprio de áreas do conhecimento descomprometidas com o método científico e afastadas de um mínimo de racionalismo.

As previsões em torno da aparição bombástica de gigantescas naves extraterrestres, cenário para o simultâneo retorno de Jesus, publicadas em entrevista concedida por Jan Val Ellam – pseudônimo literário de Rogério de Almeida Freitas – à Revista UFO, causaram tanta comoção nos meios ufológicos que resolvemos escrever a presente crônica. Sua publicação serve também para anunciarmos uma postura pessoal que, no mínimo, irá propiciar aos adeptos de atitude contrária às declarações do entrevistado um suspiro de alívio. É necessário ver com ceticismo alguns jargões repetidos por místicos e supostos sábios, magos iniciados e alegados espiritualistas, que giram em torno de expressões como “as pessoas têm de ver todos os lados”, “os estudiosos não se podem fechar a outras linhas”, “temos de ter a mente aberta”, “o verdadeiro buscador é aquele que não considera apenas a ciência como caminho que leva à realidade” etc.

Ainda que engajados firmemente e há décadas em algo como a Ufologia, não hesitamos em vir a público comentar a referida entrevista e as alegações do entrevistado. Fomos estimulados por pensadores como Richard Dawkins, que estão pregando aos meios acadêmicos a urgente reação dos homens de linha racionalista e pragmática contra o avanço incontido de superstições e posturas marcadamente crédulas. O fato inegável é que, se a verdade nunca é completamente atingida pelo homem, e isso permite que diversas linhas de pensamento sejam consideradas, a Ufologia – tanto no Brasil e no resto do mundo – está irremediavelmente tomada pelo interesse no misticismo e no sobrenatural, por parte de um público ávido apenas por suposições e especulações recheadas de estranheza e divagações fantásticas.

Adquirindo luz própria — Embora alguns estudiosos insistam em estabelecer relação entre Ufologia e Espiritismo – e a Revista UFO, em sua edição 103, já trouxera uma matéria neste sentido, assinada pelo referido autor Jan Val Ellam –, discordamos completamente desta possibilidade. Que sejamos considerados não evoluídos pelos que se opõem a esta posição. Não importa. Como também não nos interessam quaisquer colocações, crenças, suposições, hipóteses, artigos, livros, congressos e práticas que relacionem propalados aspectos místicos, ocultistas, transcendentais e religiosos com a Ufologia. Se alguns acharem que os autores “não são iluminados” por manifestarem tal posição, concordamos. Não somos mesmo iluminados. Preferimos buscar adquirir luz própria, ainda que aos trancos e barrancos, aprendendo com os homens de pensamento útil.

Suscitou a publicação deste artigo um e-mail da Revista UFO, em que se descrevia o conteúdo da edição 126, ainda em gestação na gráfica e prestes a ser lançada nas bancas. Na mensagem, anunciava-se que a publicação veicularia uma extensa entrevista com Ellam, e antecipava alguns trechos. “Uma bomba de proporções poucas vezes vistas na Ufologia Brasileira e Mundial. Se é que algum dia houve algo assim...”, era uma das afirmações em destaque no e-mail, por si só já bombástica. Mesmo cientes de que o mais correto, de nossa parte, seria aguardar o lançamento da anunciada edição, não queríamos, porém, que um eventual atraso no processo anulasse a finalidade desta manifestação. É que a “bomba”, uma previsão corajosa de Ellam, continha afirmações realmente explosivas, entre elas a detonação de um artefato nuclear no Oriente Médio, em 04 de outubro de 2006.

Não é a previsão que nos espanta. Espanta-nos o espanto demonstrado no editorial do Portal UFO, como fator de grande importância para este trabalho, que é estabelecer uma visão sobre o comportamento dos que fazem e representam a Ufologia

Diante do risco de UFO 126 ser distribuída somente após tal evento, não tivemos outra alternativa se não a de escrever este artigo, em 25 de setembro, com base no curioso e-mail que a antecedeu. O texto foi imediatamente publicado no Portal UFO [ufo.com.br]. O recebimento posterior da íntegra da entrevista para análise, por gentileza do editor A. J. Gevaerd, em nada mudou nossa opinião. Ao contrário, ela se viu reforçada! Assim, o material que o leitor tem em mãos é uma versão praticamente inalterada e com conteúdo básico intocado do artigo, agora para publicação na versão impressa da revista. Quando foi redigido, já afirmávamos que as predições não se concretizariam, como de fato, no caso da primeira, já sabemos não ter ocorrido.

Apoteótico regresso cósmico — Na frase mencionada acima, contida no referido e-mail, aquele “algo assim” é a afirmação de que em pouco tempo haveria um contato entre seres extraterrestres e a humanidade. “Muito menos tempo do que os mais otimistas imaginam”, segundo o espiritualista Ellam. De acordo com as “mensagens” que andou recebendo, nos próximos meses – entre novembro e abril de 2007 – se dará o tão ansiosamente aguardado contato com inteligências superiores, quando centenas de naves se aproximarão da Terra para uma grande, incontestável e inequívoca manifestação, tendo Jesus à frente como autêntica autoridade celeste em seu apoteótico regresso, segundo o entrevistado. Repetindo: centenas de naves.

De céticos a crédulos, de pesquisadores a curiosos, de populares a autoridades, qualquer pessoa pode sentir-se totalmente à vontade para afirmar que nenhum outro acontecimento teria sido nem será tão importante e impactante para a espécie humana que o anunciado por Ellam. Só que ele afirma que o fato é esperado “a qualquer momento”, e se consultarmos o histórico da Ufologia, esse “a qualquer momento” vem se postergando há décadas, pois que é um termo manifestado por outros que o antecederam Ellam. E uma vez que suas declarações saíram do âmbito privado para o público, sua responsabilidade extrapolou qualquer estimativa e nos inspirou ainda mais a redigir esta crônica.

Nenhum ineditismo na previsão — E como já foi afirmado, fizemos questão de documentar nossa posição antes dos fatos preditos. Esclarecemos, no entanto, que não temos nenhuma intenção de direcionar este texto a qualquer aspecto pessoal do responsável pelas afirmações feitas. Porém, convenhamos, basear-se apenas e tão somente em mensagens de caráter mediúnico para anunciar a volta de Jesus e a chegada de um batalhão de naves extraterrestres para tentar evitar nosso auto-extermínio, é uma afronta à nossa inteligência. Não sabemos se isso é uma irrestrita e cega confiança em supostos informantes galácticos ou se uma inocente coragem em sua carga máxima. Provavelmente ambas, acrescidas de férrea credulidade. Jan Val Ellam alega compromisso apenas com sua consciência, mas ignora que o alegado contato, caso não aconteça, trará irremediáveis prejuízos à tão cobiçada credibilidade para o tema.

O entrevistado não fez nada de inédito ao anunciar sua previsão de caráter nitidamente escatológico. Quando o e-mail da Revista UFO foi encerrado com uma emocionada expressão sobre o ineditismo da previsão, antecipou tanta confiança nela – bem como no fato previsto –, que a publicação pareceu ter esquecido das inúmeras vezes em que pessoas, de todas as partes e em diversas ocasiões reivindicaram o privilégio de tal prodígio, “se é que algum dia houve algo assim”, como está na mensagem. Em notícias posteriores distribuídas pela internet, o mesmo o e-mail, depois transformado em editorial, comenta sobre sua importância e justifica que, segundo seus próprios termos, “há picaretas aos montes, na Ufologia Mundial e Brasileira, em projetos e seitas de todos os tipos, fazendo esse tipo de afirmação e não oferecendo nada de apoio a elas”.

Como se vê, qualquer comentário a respeito do ineditismo da previsão de Ellam ficaria superado. O questionamento “se é que algum dia houve algo assim” está respondido pela própria publicação. Isso também nos permite evitar relacionar todas as milhares de vezes em que supostos videntes, em várias áreas, anunciaram a revelação pública do eterno mistério dos discos voadores e a aparição de gigantescas naves alienígenas. Inclui-se nesta categoria também o filme Independence Day [1996], a série televisiva V – A Batalha Final [1984], o clássico do cinema O Dia em que a Terra Parou [1951] e muitos outros. Bem como anunciaram a volta de Jesus.

Canais espirituais e ufológicos — “Nunca quis nem quero aparecer, e trabalho para divulgar informações que recebo por julgá-las importantes para muitas pessoas”, declara o entrevistado em UFO 126, o que leva a supor que ele deve ter consciência do que significa sua devotada atitude. Pois a turma simpatizante às suas declarações não poupou os mais efusivos elogios, enaltecendo sua coragem. “Agora, o que comecei a receber desde março passado tem sido tão pesado e tão contundente que precisarei revelar a tantos quantos queiram me ouvir. Estou lidando com fatos e não com questões produzidas somente por fenomenologia mediúnica”, também disse Ellam. Ele não deixa claro a quais fatos se refere, embora admita sua manifestação mediúnica, na qual aposta seu “patrimônio moral”, conforme lhe confere a revista.

Face a estas declarações, resta-nos partir para as duas principais premissas do editorial publicado no Portal UFO, que favoreceriam a possibilidade do contato oficial e definitivo vir mesmo a acontecer. Primeiro, o que teria sido oferecido pelo vidente em apoio a ela. Segundo, a credibilidade da fonte ou o peso da previsão ter partido de quem partiu. Conforme o texto no site, Jan Val Ellam teria reconhecidamente um dos discursos mais consistentes a oferecer sobre Ufologia e Espiritualidade. Pelo que sabemos, é a sua subjetividade e seus “métodos” estritamente pessoais. Tanto o editorial quanto todas as suas afirmações versam sobre essa consistência em torno dos “seus canais espirituais e ufológicos”, conforme os descreve, que lhe dão as informações sobre os divulgados acontecimentos.

Os aludidos canais espirituais, na verdade, são comunicações com entidades ou espíritos, e as tais vias ufológicas ficaram na retórica ingênua, pois o que é chamado de ufológico – relativo ao estudo de objetos voadores não identificados – são os mesmos canais, nitidamente mencionados, como se o vidente contatasse entidades de outros planetas, mental ou espiritualmente. Em nível de valor, não há a mínima diferença. Nem há diferença entre tal comportamento e os modos de atuação de quaisquer místicos ou religiosos que fazem, fizeram ou farão futuras previsões.

Honestidade e sinceridade — O circo voltou a pegar fogo, sem dúvida. Semelhantes episódios de anunciados contatos oficiais, no melhor estilo “Jesus está voltando”, já foram alardeados no passado por pessoas igualmente idôneas, com currículo sério e de formação profissional e pessoal acima de qualquer suspeita – ao lado de outras com passado um tanto nebuloso. Deu no que deu, ou melhor, nada aconteceu. Nem o mundo acabou, nem ETs invadiram a Terra. E agora não será diferente, mas pior, pois a profecia vem anunciada pela única publicação brasileira sobre o assunto, o que torna o picadeiro ainda mais volátil – o mesmo que encharcar a lona com gasolina. Em seu editorial, UFO alega que “não toma partido nem positiva nem negativamente”. Ora, esta é uma neutralidade conveniente. Entretanto, não adianta alegar uma aparente isenção, porque a veiculação em nível nacional de uma notícia desse porte, com o destaque que foi dado, implica assumir integralmente a co-responsabilidade pela repercussão advinda do fato, aconteça o que acontecer. Repetindo: co-responsabilidade pela repercussão, e não pela declaração.

crédito: Peter Tumer
O primeiro dos vaticínios de Ellam não se confirmou em outubro
O primeiro dos vaticínios de Ellam não se confirmou em outubro

No que diz respeito à credibilidade do anunciador das previsões, não é difícil comentar. Se credibilidade for restrita ao conceito de honestidade e sinceridade, não temos a menor dúvida, nem podemos ter, de que Jan Val Ellam tem, de fato, total credibilidade. Mas o problema é outro, e ele consiste no fato de o maior veículo de comunicação ufológica do mundo achar que credibilidade seja restrita à boa índole da pessoa. UFO esbarrou, mas se distanciou. Ou se apresenta alguma consistência, quem sabe ao menos uma breve evidência que respalde este desgastado e nada inédito tipo de previsão, sem que se exiba exclusivamente subjetividade e crença, ou não haverá credibilidade alguma.

Ellam afirma ainda que o grande encontro seria antecedido por conflitos no Oriente Médio, com a explosão de “uma ou duas” bombas nucleares, com data marcada: de 02 a 05 de outubro. Só essa notícia já seria suficiente para colocar seu autor em regime de vigilância permanente pelas agências internacionais de segurança – se já não está! Não que ele saiba de alguma coisa, mas porque “lhe disseram” que assim seria. No texto, entretanto, o entrevistado alega que as bombas podem ou não explodir. Se tivesse acontecido a explosão, não haveria surpresa, pois ela já estava prevista. Mas se não acontecido, só poderia ter sido por obra e graça de entidades superiores, que agiram a tempo de evitar o pior. Ora, assim é fácil fazer previsão: algo pode ou não acontecer, um candidato pode ou não se eleger, hoje pode ou não chover etc.

Os alegados irmãos cósmicos de Ellam, também lhe informaram que não podem interferir em nosso livre-arbítrio, mas vão “tentar influenciar as pessoas envolvidas no processo para evitar a catástrofe”, segundo suas palavras. De qualquer forma, eles virão depois das explosões? Por que não antes? Eles não têm como saber antecipadamente os rumos dessa história? Eles não são o nosso futuro? Ou vão tentar corrigir o estrago depois de feito e assistir à derrocada da civilização de camarote? Obrigado, mas não precisamos de platéia para isso. As nossas perguntas se perdem em meio à incoerência e aos tantos furos nas alegadas mensagens, razão pela qual não vamos dissecá-las por inteiro, até por falta de espaço.

“Ainda não estávamos prontos” — As tintas da entrevista, carregadas de falsa modéstia, escancaram uma crença absoluta nos fatos preditos, mas deixam uma providencial saída de emergência, caso não se concretizem. “Se estiver enganado, pagarei o preço dos meus erros, o peso do desprezo alheio”, alerta o entrevistado. Mas enganar-se em relação a que, exatamente? Ao conteúdo das mensagens ou à sua fonte? Pelo que dá a entender, Jan Val Ellam aposta todas as suas fichas em ambas as possibilidades. Mas, então, onde estaria o engano? É como se dissesse: se nada disso acontecer, a culpa é deles, não minha, eu só fui o mensageiro. Isto está certo? Parece que não. É como não culpar o motorista embriagado que atropela pedestres na calçada, pois o culpado tem que ser o fabricante da bebida.

Só faltou ao entrevistado dizer que apenas os “preparados espiritualmente” poderão contemplar o momento anunciado. Nesse caso, quem é preparado espiritualmente, e para o quê? Se o encontro acontecer, este texto acaba aqui. Caso contrário, certamente “forças ocultas” serão acusadas de terem impedido mais uma vez que a humanidade tome conhecimento da volta do Messias – ou de um Ashtar Sheran qualquer. Ou ainda pode-se alegar que “ainda não estávamos prontos” para um encontro dessa envergadura. Quem estiver lendo esta crônica sabe o resultado, e então tudo será passado, mais uma história indexada nos anais folclóricos da Ufologia Brasileira.

Não é a previsão que nos espanta. Espanta-nos o espanto demonstrado no editorial do Portal UFO, como fator de grande importância para este trabalho, que é o de estabelecer uma visão sobre o comportamento dos que fazem e representam a Ufologia. Seu caráter sensacionalista de alerta, para uma previsão partida de alguém dotado da comentada credibilidade, é justificado exatamente em virtude de tal caráter. Como se a Revista UFO, independentemente de referendar ou não a certeza de que o evento ocorrerá, tivesse a obrigação de divulgá-lo. Nada haveria a se contestar, mas apenas até o ponto em que a publicação não tomasse partido quanto ao fato. Acontece que toma, apesar de alegar que não. Na introdução do referido editorial é destacado que Ellam teve acesso a informações, e isto bastaria para afirmar total crença nas mesmas.

A tendência se torna mais evidente quando essas informações, conforme expressão literal do editor de UFO A. J. Gevaerd, “são originárias de seus mentores espirituais e extraterrestres”. Entendemos que nenhum jornalista ou editor deveria simplesmente sair a disparar notícias sem ter fontes confiáveis e seguras que as avalizasse, ainda mais se estas são provenientes “do além”, do “éter” do “astral superior” ou que outro nome tenha. Está patente nas previsões de Ellam uma atitude crédula e de fundo inegavelmente religioso, apesar da total ausência de demonstração de que mentores espirituais e extraterrestres fornecem qualquer tipo de informação a quem quer que seja. Ser crédulo e religioso é direito inalienável dos cidadãos. Contudo, se não pudéssemos tecer quaisquer observações sobre o modo de operar e de expressar dos ufólogos, a Constituição Brasileira teria proibido expressamente a atuação de outras linhas ou correntes de pensamento.

Correntes de pensamento — A Constituição garante a liberdade de crença, e também a liberdade de não crença. E a partir do momento em que crenças são intelectualizadas em publicações escritas, sujeitarão suas afirmações, mormente em termos de fatos, a comentários críticos. Essa é a virtude de outro princípio constitucional – a liberdade de pensamento e de expressão. E a razão do maior princípio imposto pela filosofia da ciência – o de que, sem crítica, não há conhecimento. Se alguns pensarem ao contrário, que registrem logo “sua” Ufologia como uma religião codificada, ou como instituição religiosa. Aliás, parece que só está faltando isso... Quando as pessoas usam seu direito de expressar, em razão de suas crenças, mas falam de fenômenos e acontecimentos, de fatos e situações, de estudos e pesquisas, o direito das outras linhas de questioná-las é simples questão de eqüidade.

“Centenas de naves se aproximam da Terra para grande manifestação nos próximos meses e tudo ocorrerá entre novembro e abril de 2007”, garante o médium. Trata-se de uma afirmação contundente, que aprisiona o tempo. Todavia, esse período de seis meses, para um acontecimento de tão grande monta, pode ser encarado como um sintoma comum a todos os outros cidadãos que no passado anunciaram eventos semelhantes, de caráter bíblico-apocalíptico. Este é um fato que coloca a previsão de Jan Val Ellam no mesmo nível das previsões incertas e nada incisivas, que involuntariamente deixam o médium ou vidente em situação bem cômoda. Se a própria Ufologia diz que são raríssimas as observações de UFOs em grandes cidades ou aos olhos de muita gente, viria a calhar que, depois de tanto espaço de tempo entre uma ocorrência e outra, conforme alegado pelo entrevistado, um fato assim viesse a acontecer de novo, pegando a todos de surpresa.

Quem faz afirmações fortes e contundentes, deve aceitar que o meio também possua a faculdade de comentá-las, com igual força e contundência

Por poucas vezes um fenômeno de cunho ufológico teria sido observado simultaneamente por milhares de pessoas, em grandes cidades e sobre estádios de futebol lotados, mesmo que sua procedência até hoje permaneça indefinida. Os ufólogos sabem da inconstância e imprevisibilidade das ocorrências ufológicas, e até hoje não conseguiram decidir se o aspecto fugidio e eventual do fenômeno deve-se a ondas de interesse provocadas pela mídia ou a qualquer outro fator, seja atmosférico ou físico. Assim, é não apenas cômodo mas generoso, a quem faz a profecia, dar-se um prazo bem elástico para que em alguma parte do mundo ocorra a observação de um prodígio qualquer deste tipo, que a justifique.

Precisão cirúrgica questionável — Por outro lado, tal como os que adotam o dogma de que “os desígnios de Deus são insondáveis”, é singelo contra-argumentar que os processos e modos de operar de espíritos e extraterrestres superiores não estejam à altura de nossa compreensão. Mas o que é ainda mais difícil de compreender são as razões pelas quais seres tão evoluídos escolheram um sensitivo terrestre para avisar fatos tão estrondosos e, incoerentemente, não informaram a data. “São 20 anos recebendo um fluxo de informações que impressiona a mim mesmo, cujos dados precisos e objetivos, apontam cirurgicamente [Grifos dos autores] para o?período compreendido entre a segunda quinzena de novembro de 2006 e o?mês de abril de 2007”. Ora, os seis meses alardeados são um espaço de tempo considerável, ainda mais quando se sabe que, com a ampliação dos sistemas globais de comunicação, alegadas incursões de discos voadores ocorrem quase que ciclicamente, mesmo que ainda sem períodos certos.

Entretanto, continuamos a notar nas afirmações do entrevistado outros pontos que dizem respeito diretamente aos interesses deste trabalho, quanto às peculiaridades filosóficas do pensamento ufológico. Enquanto traçávamos estas linhas, comentamos em tom informal que talvez Jesus e seus arautos extraterrestres também estivessem sujeitos à oscilação do espaço-tempo prevista pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein. E pensamos: que chato que os ETs cheguem após as explosões no Oriente Médio, pois se isso provocar uma reação em cadeia planetária, pela intervenção de países que dominam a energia atômica, Jesus terá notado que seu retorno fora mal previsto por Deus. Chegara tarde demais. Seis meses não são seis horas.

Jesus veio, portanto existiu — Natural e respeitosa ironia à parte, esta é uma das técnicas que tornam o estilo de afirmações como as de Ellam ainda mais subjetivo e, de certo modo, mais arriscado. Sua base é a certeza absoluta em duas questões: a existência de seres extraterrestres e sua vinda à Terra. Mais uma vez, como se tais questões fossem absolutamente aceitas, em termos de probabilidade. Mas o entrevistado não está só, como já pudemos demonstrar. O editorial publicado no Portal UFO comenta que, em recente conferência em Campo Grande (MS), o sensitivo manifestou-se contra a repulsa religiosa, científica e governamental à questão da presença alienígena na Terra. Explicou também as razões para que, “mesmo após décadas de sua comprovação, ainda haja resistência a tal realidade”. Que “décadas de sua comprovação” e qual é “tal realidade”?

O texto não usa aspas, mescla-se e comunga com a opinião do médium, afirmando claramente que a realidade da presença alienígena na Terra está comprovada há décadas. O instinto messiânico é um dos complexos humanos. E como vimos, de ufólogos e sensitivos também. Nem sempre significa necessariamente algum tipo de transtorno. Pode simplesmente caracterizar um modo de pensar, notadamente quando certas pessoas têm consciência de seu papel de formadores de opinião. E ressaltamos: este é um direito inquestionável deles. Mas que não pode exigir o silêncio da crítica. Quem faz afirmações fortes e contundentes, deve aceitar que o meio também possua a faculdade de comentá-las, com igual força e contundência. Ellam, em trechos que serão tratados adiante, parece ter a maior tranqüilidade quanto a isso, ao frisar que cumpre sua missão e faz o que acha correto.

Nas manifestações do médium, vem como uma de suas premissas maiores a figura respeitável da principal divindade cristã, Jesus. Quando o médium afirma seu retorno precedido das gigantescas naves, o considera como questão indiscutível – Jesus veio, portanto existiu. E se em sua existência prometeu voltar, a volta se dará. Eis o caráter tipicamente místico-religioso da linha de pensamento que fundamenta a previsão: Jesus existiu, prometeu a volta e voltará agora. Os ETs, unidos ao mundo espiritual, montam o palco e as monumentais naves adornam a cena.

Não é nossa intenção comentar, discutir, questionar ou negar crenças religiosas. No entanto, analisamos o estilo de pensamento e os fundamentos das afirmações neste âmbito, quando estas não levam em consideração as inúmeras divergências, os incontáveis argumentos e as investigações de pesquisadores e pensadores que não aceitam que Jesus tenha sequer existido. É o que queremos frisar. Não cabe aqui entrar em tal assunto, nem detalhá-lo. Pretendemos, tão somente, realçar a postura dogmática e crédula que parte da premissa de que todos aceitam, acreditam e consideram certas questões como se fossem indiscutivelmente provadas e adotadas. É o risco da falta de informações mais amplas e isentas, que correm aqueles que preferem ater-se à leitura e à homogeneidade das opiniões que lhes são afins.

Cidadania planetária — Jan Val Ellam prossegue na entrevista solicitando que as pessoas reflitam sobre o que ele está dizendo, porque fala das revelações narradas por seres mais evoluídos do que nós. Em função de suas atividades profissionais, o editorial de UFO considera que ele está longe de ter o perfil de um guru ou um místico. Informa ainda que no exterior ele é conhecido como idealizador do Projeto Orbum, definido como “um manifesto que trata da cidadania planetária”, como já mencionamos [www.orbum.org]. Entendemos que alguém que idealiza um projeto de “cidadania planetária” age com o modo típico de um guru, ainda que a expressão não tenha qualquer sentido pejorativo. O que caracteriza a semelhança das seitas e de seus idealizadores, os tais gurus, é exatamente o desenvolvimento das idéias únicas dos seus fundadores, marcadas por algo singular e de destaque, que se torna a base principal sobre a qual se assentam estes movimentos. No caso em análise, é a suposta revelação de ETs mais evoluídos, considerados “nossos irmãos mais velhos”, que vêm aqui para uma intervenção em momento perigoso para a raça humana. E simultaneamente à volta de Jesus, o que constitui o ápice de um momento declaradamente apocalíptico.

crédito: UN
Qual seriam as providências que as Nações Unidas deveriam tomar, caso estivéssemos realmente a ponto de um encontro cósmico?
Qual seriam as providências que as Nações Unidas deveriam tomar, caso estivéssemos realmente a ponto de um encontro cósmico?

A junção desses dois fatores é óbvia demais, coincidindo com o interesse cada vez mais crescente pelo mistério e pelo misticismo popular. Ainda que nada inédito, esse interesse caminha forte ao lado da quebra inevitável dos dogmatismos religiosos tradicionais, acompanhada pela assustadora possibilidade de o mundo explodir, concretizada pelo fortalecimento de um outro tipo de dogmatismo mais radical e absoluto representado pelas facções dominantes no Oriente Médio. A idéia preocupante do Juízo Final, que para algumas teorias talvez seja a maior representação daquilo que os analistas de linha freudiana chamam de “pulsão de morte”, está em alta. O final dos tempos é um recurso psicológico para nós, humanos, que sabemos do fim, mas nos recusamos encará-lo e aceitá-lo. Daí os livres intérpretes afirmam que final dos tempos é expressão que insinua ainda haver esperança. Eles afirmam que o final dos tempos não o seria final do mundo, porque haverá, no mínimo, um arrebatamento. Nos meios ufológicos, exatamente como ocorre nas sendas religiosas, o mundo pode até acabar, mas alguém virá para nos levar para outras paragens.

Pode ser agora a vinda de Jesus, com as hostes magníficas que o precederão e escoltarão, pode ser para já o fim do mundo. Contudo, o homem sairá antes, arrebatado para outro planeta. É isso o que também afirmam os ufólogos místicos, os religiosos, os gurus, os profetas de ontem e de hoje. Tal afirmação equivale à vinda do comandante de 15 milhões de naves, numa profecia supostamente de Ashtar Sheran, ou à passagem do cometa Hale Bopp, que levou os precipitados suicidas da seita Heaven’s Gate [Portão do Céu], ou ao arrebatamento pregado por Claude Vorillon, o Rael. Estão nesta mesma linha ainda Trigueirinho, Carlos Paz Wells etc, apenas para citar alguns dos mais atuais. E Ellam é mais do que atual: é novo. Porém, faz uma previsão velha, e seu vaticínio é tornado mundialmente público pela maior revista de Ufologia.

Mais difícil de compreender são as razões pelas quais seres tão evoluídos escolheram um sensitivo terrestre para avisar fatos tão estrondosos e, incoerentemente, não informaram a data. Ora, os seis meses alardeados são um espaço de tempo considerável, ainda mais quando se sabe que, com a ampliação dos sistemas globais de comunicação, alegadas incursões de discos voadores ocorrem quase que ciclicamente, mesmo que ainda sem períodos certos

Ellam, ao fazer previsões do tipo “pode ser”, estabelece a chamada “conclusão apenas provável”, em termos de raciocínio. Pura intelectualidade lógica, que em nada diz respeito à realidade objetiva. Se quisermos nos aproximar o máximo possível da realidade objetiva, estaremos lidando com o pensamento de cunho científico. E nenhuma das previsões escatológicas ou tanatológicas conhecidas se realizou, porque nunca foram respaldadas cientificamente. Outra conclusão a que se pode chegar é que, ao se trabalhar com a subjetividade de um sensitivo, tudo “pode ser”. Porém, a se usar a razão com pensamento fundamentado em dados, informações e experimentos concretos, que possam ser demonstrados, então não. Não irá acontecer a invasão das naves gigantescas nem o arrebatamento, a intervenção de ETs mais evoluídos, a revelação bombástica da existência inquestionável dos discos voadores, nem a volta de Jesus.

Interpretação equivocada — Ficamos com a explosão “de uma ou duas armas atômicas ou bombas químicas” – estas últimas já amplamente usada por Saddam Hussein –, segundo Ellam, por volta de outubro deste ano. Quanto a isto, só nos restou torcer para que não acontecesse. Ainda assim, ele resguardou-se também perante esta possibilidade, ao enfatizar que seus amigos cósmicos e espirituais tentariam até o último momento influenciar as pessoas envolvidas no processo, com o fim de evitar a catástrofe. Ou seja, se não explodir, como de fato não explodiu, foi pela interferência deles. O que também nos deixa à vontade para especular: se esta influência for bem sucedida, a vinda de Jesus e das gigantescas naves extraterrestres poderão também ser convenientemente adiadas?

A linha de pensamento do médium, bem como suas previsões, expressam-se claramente na entrevista concedida à Revista UFO. Ele faz afirmações bastante contundentes, ao contrário do que tenta fazer crer o editorial que as divulga. Sobre Jesus, por exemplo, Ellam diz que dissociar sua imagem dos fenômenos ufológicos é interpretação equivocada. Com isto, deixa-nos novamente à vontade para comentar sobre quaisquer interpretações – inclusive a dele. Quando afirma que Jesus “não tem absolutamente nada a ver com qualquer religião”, ignora que não se conhece qualquer fundamento sobre Jesus que não tenha como causa e não seja em razão de religiões. O entrevistado ainda diz que Jesus veio à Terra como um ser de nossa própria espécie, “mas de outras moradas da casa do Pai”, interpretando a situação de modo marginal a todas as teologias. Isso gerou a observação, ainda no referido editorial, de que Ellam, por isso, não tem receio de atrair a ira de espiritualistas ortodoxos e doutrinários, que vêem a figura de Jesus de uma maneira quase religiosa!

É difícil saber se há espiritualistas e doutrinários que não vêem a figura de Jesus de uma maneira religiosa – a palavra “quase” ficou sem sentido. Outras salvaguardas podem ser detectadas nas palavras do médium e no referendo da revista. Evitando a pecha de guru, já rechaçada por antecipação, Jan Val Ellam, que já publicou 15 livros, diz que nunca quis aparecer, “mas pelo peso e pela contundência do que comecei a receber desde março de 2006, decidiu que é preciso revelar a tantos quantos queiram me ouvir”. Depois volta a tocar na tecla do prazo, para informar que após a primeira aparição estrondosa, os seres que o inspiram a escrever seus livros voltarão algumas outras vezes em seus gigantescos veículos espaciais. “Mas não pousaram nem interagirão conosco até que chegue o momento certo”. Vê-se assim que o prazo, sutilmente, tornou-se agora bem mais elástico. Se é que existe algum prazo. Na verdade, continua indeterminado, exatamente como antes... no quartel da Ufologia

Afinal, o tão aguardado contato oficial e definitivo com ETs realmente acontecerá?

Como todo ufólogo, eu também sonho com um contato oficial com seres extraterrestres. Por esta razão, não poderia deixar de me abster e comentar as declarações de Jan Val Ellam, publicadas em entrevista concedida à edição UFO 126, já que datas específicas e fatos precisos foram divulgados pelo entrevistado. Eventos trágicos foram agendados e supostas verdades ditas, e de forma similar a inúmeros outros casos anteriores, a confiança de Ellam em seus orientadores espirituais ou alienígenas nota-se ser bem forte. A história da Ufologia nos diz que tais comunicados apocalípticos, oriundos de entidades ou ainda de comandantes de alegadas frotas interestelares, existem desde a década de 50. Seu conteúdo não mudou: em linhas gerais, seres superiores estão descontentes com a forma como cuidamos de nosso Planetinha Azul e querem nos dar instruções para evoluirmos enquanto espécie e, assim, subir no bonde da evolução e da integração cósmica.

Para aqueles que ainda não notaram, sim, estou descrente de que irá acontecer o suposto contato oficial e definitivo aludido por Ellam. Aliás, é bom comentar que já passamos por uma das datas apocalípticas dadas em suas declarações, de 03 a 05 de outubro, quando o entrevistado anunciou uma tragédia no Oriente Médio. Nada aconteceu. E vale lembrar que moramos no centro de uma espécie de “guerra atômica galáctica”, em que milhares de mundos são destruídos por segundo apenas em nossa vizinhança, graças às forças estelares! Nosso cantinho, portanto, é seguro e privilegiado. Não quero ser integrado a nenhuma federação de planetas. Quando penso nisso, lembro-me da escola primária, quando a professora dizia que o universo é infinito. Hoje sabemos que esse infinito é um conceito difícil de ser mesurado, e para piorar, ele continua crescendo! Nossos estudos até aqui, na área da astronomia e astrofísica, dizem isso. Se o universo ainda está crescendo, com certeza novas civilizações estão em processo de criação e outras, em processo de destruição. Deve haver até aquelas que seguem um processo de aniquilação, com seus povos se trucidando.

A evolução — O aparente caos de nosso universo – e uso o termo “nosso” porque os cientistas dizem que existem outros – mostra que a destruição é parte do crescimento, é parte da evolução e não faz sentido algum acharmos que nosso planetinha deveria ter qualquer atenção especial por parte de quem quer que seja. Esses mesmos orientadores espirituais ou alienígenas, referidos por Ellam, já nos falam isso desde 1950! Se um dia destruirmos nosso cantinho, seremos cobrados pelas entidades superiores definidas pelo entrevistado, e com certeza levaremos algum tipo de advertência. Quem sabe levaremos uns tapas nos traseiros e seremos novamente colocados na escola? A tal “turminha ruim” que levou à nossa aniquilação terá assento ao lado de uma turminha melhor, e quem sabe aprenderão um pouco com tal convivência. Isso é evolução, é um aprendizado que obrigatoriamente vai existir, independente de uma suposta Federação de Planetas mais próxima desejar nos avisar ou não.

Ricardo Varela, consultor da Revista UFO

A verdade está mesmo prestes a se revelar?

Em quase todas as religiões, desde as mais animistas, acredita-se na volta ou retorno de um criador ou de seu profeta mais proeminente. Jan Val Ellam, pseudônimo literário do escritor espiritualista potiguar Rogério de Almeida Freitas, em entrevista à Revista UFO, mesmo não tendo a primeira intenção acima, oferta-nos as boas novas: “Ele está para chegar...” A música que Roberto Carlos cantava parece um hino próprio para esta ocasião. Mas será que ele, Jesus para o entrevistado, ou eles, seres extraterrestres para os ufólogos, vêm mesmo? A Revista UFO cumpriu o seu papel jornalístico, de foco próprio, ao levar a informação apresentada por Ellam aos leitores. A fonte goza do respeito de uma grande comunidade e se posiciona sabendo dos riscos que corre ao fazer suas afirmações. Não nos cabe, portanto, qualquer tipo de retaliação ao entrevistado e sua mensagem – que, por sinal, não tem tom de ameaça, mas sim de um chamado para a paz.

O Fenômeno UFO atrai as mais diversas correntes de pensamento, e pessoalmente não gosto do perfil apocalíptico de certos grupos que militam na área. Mas não vejo na pessoa do entrevistado ou de suas previsões outra coisa senão uma inegável elevação espiritual. Ele próprio se diz em contato com “fontes superiores de informação”. Podemos questionar a existência ou não dessas fontes, e podemos até mesmo não acreditar em uma linha sequer do que tenha sido publicado. Não há problema algum nisso! O que não podemos é criticar ou julgar o veículo de informação que faz o seu papel, e com critérios rigorosos de seleção de material, levando aos brasileiros um conteúdo sem precedentes. Temos várias formas de entender os eventos que Jan Val Ellam vaticina, e uma delas – a mais fácil – é simplesmente negá-los. Pronto: feito isso, acabou a discussão. É a regra do “não existe, não quero saber e nem sei porque eu li aquela matéria”.

Ponto de vista — Outra forma de compreender o que ele aponta para nosso futuro é a observação social do fenômeno. O que ele retrata e que nível de comportamento social gera esse perfil de material? Ele não representaria um sintoma de nossa sociedade decadente em busca de soluções rápidas, mágicas e divinas? Talvez. Mas ainda temos dois outros pontos de vista sobre esse episódio. Carl Gustav Jung nos falava do inconsciente coletivo, Rupert Sheldrake se refere a um campo morfogenético e alguns estudiosos botam a culpa das premonições nas ditas ondas ELF, de ultra baixa freqüência. Na verdade, é como se houvesse um grande reservatório de tudo que já foi dito, escutado, estudado, transmitido ou pensado. Talvez o leitor tenha até outro nome para isso. Gosto de pensar que essa onipotência, onisciência e onipresença tem realmente uma outra designação: Deus. E se for isso mesmo, está tudo explicado e vamos ligar a TV e assistir de camarote o desespero de quem deve a alma ao demônio. Não é o seu caso, é? O último ponto de vista a se considerar é uma doença, a esquizofrenia paranóide. Mas, um momento! Não é isso que o John Nash, ganhador do prêmio Nobel em economia, tem?

João Oliveira, consultor da Revista UFO

As improváveis profecias de Ellam

Quando a Revista UFO anunciou na internet que preparava uma reportagem bombástica para sua edição 126, toda a Comunidade Ufológica Brasileira ficou em estado de grande expectativa. Logo após a revelação de seu conteúdo, inicialmente nas listas de discussão da rede mundial e depois no Portal UFO [ufo.com.br] e na edição impressa, as profecias de Jan Val Ellam tomaram conta dos debates ufológicos. Muita gente reagiu favoravelmente à idéia de um anunciado contato oficial e definitivo com seres extraterrestres, mas muita gente foi contrária à hipótese. A publicação sofreu severos ataques, geralmente partindo de pessoas que não enxergaram que ela apenas agiu como um meio de divulgação dos fatos, como qualquer outro veículo de comunicação. Esqueceram-se de que o que devemos questionar são os dados que o Ellam divulgou, afirmando categoricamente a chegada de ETs à Terra, que ele vê como a volta de Jesus.

Em todas as épocas da história humana assistimos ao surgimento de profetas. Alguns ficaram famosos, outros sucumbiram. Diz o velho ditado que “o futuro a Deus pertence”, porém muitas pessoas acreditam que podem adivinhar o futuro através das mais variadas formas. Algumas acreditam ter uma capacidade paranormal que as possibilita enxergar o futuro, outras alegam se comunicar com entidades espirituais ou extraterrestres. Sabemos que a mente humana é um poderoso e complexo processador, e que conhecemos muito pouco acerca de seu funcionamento. Um dos processos cerebrais mais aludidos pelos profetas é o uso do que conhecemos como “canalização”, que, em tese, permitiria ao indivíduo receber algum tipo de informação extra-sensorial. Mas o método não é de todo confiável, pois a pessoa pode captar ao mesmo tempo diversos “canais”, muitos dos quais apenas ruídos de fundo sem valor. A multiplicidade das fontes e os ruídos podem levar o receptor a obter falsas informações, ou ainda a proceder a uma interpretação equivocada das mesmas.

Jan Val Ellam alega que se comunica com entidades superiores, as quais chama de mentores espirituais ou extraterrestres, e que estas lhe teriam informado da aproximação de dois eventos de grande importância para a humanidade, como já foi amplamente divulgado nestas páginas. Falando estatisticamente, não temos dados disponíveis quanto às porcentagens de acertos e erros em suas previsões pregressas. Mas foi uma grande surpresa para todos quando ele anunciou que, entre 03 e 05 de outubro, uma bomba nuclear, química ou biológica iria explodir no Oriente Médio. Como se sabe, o fato não se concretizou. O entrevistado também anunciou o retorno de Jesus, à frente do processo de contato oficial e definitivo com seres extraterrestres, a ocorrer, segundo ele, entre em novembro e abril de 2007 próximos. Certamente, este período será de muita expectativa para todos.

Anúncios de fim de mundo — Há poucas semanas, a Coréia do Norte, cujo regime comunista passou os últimos três anos ameaçando construir a bomba atômica, cumpriu a promessa e fez seus primeiros testes nucleares, provocando a irritação de vários países. O primeiro deles foi em 09 de outubro, apenas poucos dias após a previsão de Ellam para o Oriente Médio, que falhou. Se o entrevistado usar o episódio coreano a pretexto de validar seu vaticínio, certamente perderá muito de sua credibilidade, pois sua afirmação foi de que o fato se daria em meio a um ataque de um povo sobre outro, na Palestina, e a explosão na Coréia do Norte foi teste subterrâneo. Além do que, o país está há mais de 8.000 km do local onde foi prevista a tragédia. A Bíblia descreve sobre o retorno de Jesus em várias passagens, mas não oferece a data para isso, ao contrário de Ellam. Não creio em suas profecias e não vejo a possibilidade de que vá ocorrer o tal grande encontro como ele vaticinou. Com 56 anos, já sobrevivi pelo menos a oito anúncios de fim de mundo, e nunca nada aconteceu. Certamente, o entrevistado será muito questionado daqui uns meses, ao se constatar que também sua segunda previsão não se concretizou. Talvez possa até perder a credibilidade, obrigando-o a sair em definitivo do cenário nacional. Errou na primeira afirmação e seguramente errará nas demais. Quanto a isso, o que se pode dizer é que cada um colhe o que planta. Diz outro ditado que, “quem planta vento, colhe tempestade”. Jan Val Ellam vai colher muitas tormentas. Basta aguardar...

Claudeir Covo,
co-editor da Revista UFO

Está acabando o isolamento cósmico da humanidade?

Já está no ar a Edição 128 da Revista UFO. Aproveite!

Dec de 2006

Fomos visitados