4. Ufologia Integral: como começou e como é feita

Pedro de Campos
8 minutos de leitura
UFO Guarulhos – do livro: Um Vermelho Encarnado no Céu [Lúmen Editorial, 2006]
Créditos: RafaCampos

 

Por Pedro de Campos

 

Quem leu a nossa trilogia ufológica – Universo Profundo [Lúmen, 2003], UFO: Fenômeno de Contato [Lúmen, 2005] e Um Vermelho Encarnado no Céu [Lúmen, 2006] –, por certo deve ter notado algumas características do Fenômeno UFO relatadas por testemunhas. Os casos davam conta de que, num primeiro momento, embora as testemunhas dissessem que o UFO era coisa física, concreta, num segundo instante falavam que era algo ultrafísico, imaterial.

 

Explicando melhor, o que parecia material, no momento seguinte desaparecia. O objeto que estava no céu e era metálico há pouco, num piscar de olhos passava a ser luminoso e faiscante. O inicialmente sólido e consistente, desaparecia de um lugar e reaparecia de imediato em outro. O que podia ser filmado e fotografado, repentinamente sumia e não podia ser mais registrado. O que era visível no radar, sumia de modo instantâneo, embora o objeto continuasse visível no ar. O que voava velozmente, de modo brusco parava no ar, transformava-se em luz pulsante e desaparecia da vista, como se tivesse desmaterializado ou entrado no meio do nada. Em suma: a coisa física e objetiva passava a ser ultrafísica e subjetiva de modo quase instantâneo.

 

Na literatura ufológica de cunho científico, lemos que os UFOs mergulham na água, afundam no solo e penetram nas rochas. Os registros dão conta de que são engolidos em pleno vôo por outros objetos ainda maiores; relatam que UFOs aparecem de forma brusca, depois mudam a luminosidade e ficam nebulosos, em seguida são envolvidos por uma espécie de névoa, a qual parece convertê-los numa outra substância que os faz desaparecer, entrando no mesmo nada de onde vieram. Não há exagero em nossa narrativa, são relatos testemunhais, encontrados inclusive em relatórios militares.

 

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Os operadores de tais objetos, que são descritos como sendo criaturas físicas e concretas, de modo estranho são vistos em seu interior, através das vigias, e até mesmo em seu exterior. Quando em terra, parecem respirar a nossa atmosfera, a qual deveria ser diferente da deles, mas se adaptam a ela com incrível facilidade e conseguem respirar facilmente, sem equipamento  nem traje espacial de proteção; e o mais estranho, numa atitude incomum, de repente “eles” param de respirar, comunicam-se pelo pensamento, passam a volitar e desaparecem no ar, misteriosamente. Testemunhos assim são contados aos montes.

 
Nesses relatos insólitos, as leis da nossa Física ficam subjugadas por completo. Os UFOs parecem brotar e sumir num mundo totalmente desconhecido do nosso, estranho à nossa ciência, mas, ainda assim, um mundo existente e misterioso. Sugestivamente, pelas características insólitas, “eles” poderiam vir de outra dimensão do espaço-tempo, ser constituídos de matéria invisível, ou seja, de uma energia organizada em outra dimensão, a qual se converteria em massa funcional sem que saibamos como. E nessa matéria pelas avessas, viveriam seres menos materiais, constituídos de um plasma ultrafísico, capazes de materializar seus corpos na terceira dimensão sem entendermos o processo.

 

Surgimento das escolas ufológicas

 

A esses paradoxos da Ufologia Científica (ou Militar – a que detém seu foco nos vestígios relativamente concretos da casuística), devemos o nascimento de outras escolas ufológicas. Ou seja, quando nos Estados Unidos, após a Segunda Grande Guerra, os primeiros investigadores de UFOs tentaram comunicações telepáticas com os aliens e tiveram respostas tidas como favoráveis, nasceu a Ufologia Psíquica (aquela que detém seu foco na capacidade de o ser humano emitir pensamentos e receptar os de outrem). Em seguida, quando nessa investigação científico-psíquica entraram as pesquisas teológicas, motivadas pela similaridade de algumas Escrituras Sagradas com o Fenômeno UFO, surgiu então a chamada Ufologia Mística. E cada uma das três escolas reuniu elementos e fundamentou os seus postulados, munindo-se todas de razão.

 

Contudo, alguns estudiosos não aceitaram os resultados de nenhuma delas, combateram os ufólogos e se tornaram céticos, críticos contumazes de tudo o que é divulgado na Ufologia. O ceticismo ufológico considera que a casuística retrata apenas fenômenos naturais desconhecidos ou mal estudados, além de relatos produzidos pela imaginação humana, por fraudes e outras impropriedades. De modo curioso, o cético parece ter prazer em criticar, e quando consegue provar um engano, tem aí o seu clímax, a sua realização. Não obstante, cumpre o seu papel, pois exige dos ufólogos maior empenho e precisão.

 

Outros investigadores, por sua vez, com bom senso e raciocínio lógico, considerando que o Fenômeno UFO tem chances de ser evento alienígena de cunho inteligente, foram a campo para tentar decifração e transitaram por aquelas três escolas, para colher delas os seus melhores fundamentos. Durante as análises, não ficaram restritos à ciência convencional, que já se houvera revelado insuficiente para decifrar os UFOs. Estenderam os seus limites para além das ciências positivas, aproveitando inclusive os postulados filosóficos, teológicos e experiências psíquicas, tentando entender o fenômeno de modo amplo: esses investigadores cunharam a Ufologia Integral (ou Holística).

 

Esses ufólogos, além de fundamentarem-se na Ufologia Científica, podem englobar também em seus estudos as experiências da Ufologia Psíquica e da Mística, procurando no conjunto a melhor interpretação dos fenômenos, mas acrescentando em suas pesquisas uma cultura própria, uma formação acadêmica específica, uma especialidade profissional afim, uma capacitação ou ideologia harmônica e consonante ao Fenômeno UFO. Assim temos que a Ufologia Integral é especializada, mostrando uma das escolas ou as três  associadas com experiências específicas, como: a visão histórica, a arqueológica, a astronômica, a parapsicológica, a comportamental, a esotérica, a espírita, a católica, a reformadora etc. Cada ufologista busca, conforme a sua especialidade, achar o caminho que o leve à verdade, em benefício do saber humano.

 

De nossa parte, temos trocado ideias com os adeptos de várias escolas ufológicas, pois procuramos examinar o Fenômeno UFO de modo integral. Devido às suas características insólitas, mostradas nos livros antes mencionados e na síntese acima esboçada, consideramos não ser oportuno ficarmos adstritos a uma única escola ufológica, nem sermos céticos a ponto de refutarmos os UFOs, ignorando supostas ações alienígenas. Para exercitar a Ufologia Integral, além das atividades ufológicas vividas pelas escolas mencionadas, é preciso também fazer perguntas e obter respostas satisfatórias. É preciso prática, estudo e reflexão para tentarmos decifrar a intrigante questão alienígena.

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Formado em engenharia e administração de empresas transferiu da Itália ao Brasil tecnologia para transmissão de dados via satélite. É autor de diversos livros biográficos, de ufologia e de espiritismo. É congressista, participa de programas de rádio e tevê, escreve para revistas: Ufo, Espiritismo & Ciência, Revista Internacional de Espiritismo - RIE e Jornal O Clarim.