Há mais abduções do que todos os avistamentos de UFOs somados

Há mais abduções do que todos os avistamentos de UFOs somados

Pintor consagrado nos Estados Unidos, Elliot Budd Hopkins, nosso entrevistado desta edição, recebeu diversos prêmios
Créditos: ARQUIVO UFO

O campo ufológico é composto por vários outros fenômenos cuja complexidade muitas vezes engana quem vê a Ufologia como algo simples de se compreender. E dentro do emaranhado de acontecimentos anômalos que se unem para formar o que hoje chamamos de Fenômeno UFO, nenhum é tão complexo, misterioso e assustador quanto o fenômeno das abduções. Entre a negativa peremptória — abduções não existem e pronto! — e a aceitação plena e sem critérios, há uma tal quantidade de dados e de nuances, que muitos pesquisadores agora dividem o fenômeno entre físico e psicológico, entendendo que, muitas vezes, a abdução se dá de maneira psíquica, com a vítima sendo levada por aliens, digamos, em espírito, sem que seu corpo se mova um milímetro sequer. E o mesmo parece se dar com casos de avistamentos e contatos.

Embora o fenômeno não seja novo, não faz muito tempo que se passou a olhar para as abduções com seriedade. Até o início dos anos 80, sabia-se da existência delas, mas imaginava-se que eram raras e que só aconteciam em ocasiões muito especiais, embora ninguém soubesse dizer exatamente que ocasiões eram essas. Mas, então, um artista plástico e escultor norte-americano, membro da Academia Nacional de Desenho dos Estados Unidos, se interessou pelo assunto e decidiu pesquisá-lo, mudando completamente aquilo que se sabia sobre abduções.

Uma pessoa normal

Pintor consagrado nos Estados Unidos, celebrado em Manhattan e profundo conhecedor de arte, Elliot Budd Hopkins, nosso entrevistado desta edição, recebeu diversos prêmios, teve suas obras expostas em importantes galerias de seu país e suas peças foram adquiridas por museus de importância internacional, como o Museu de Arte Moderna de São Francisco e o Museu Britânico, apenas para citar alguns. Embora muito conhecido e admirado entre seus pares, Hopkins só se tornou conhecido do grande público quando publicou o livro Intrusos [Record, 1991], expondo experiências de abdução por todos os Estados Unidos.

Ainda que Intrusos não tenha sido o seu primeiro livro sobre o assunto, foi aquele que popularizou o fenômeno das abduções para sempre. Na obra, Hopkins mostra como mulheres estavam sendo sequestradas por alienígenas para terem seus óvulos recolhidos e inseminados, e depois devolvidos aos seus úteros, em um processo de engenharia genética para criação de uma raça híbrida. O filme de mesmo nome, lançado no ano seguinte, não agradou muito ao pesquisador, mas também se tornou um sucesso retumbante. Hopkins disse que não gostou porque “os produtores mudaram a história que estava em meu livro”, e também porque “em vez de eu ser um pintor, fui transformado em psiquiatra no filme. Eles mudaram outros personagens também”.

Porém, ele admitiu que “eles mantiveram essencialmente a verdade sobre a experiência de abdução de uma maneira muito precisa. A emoção que as pessoas sentiram e estavam experimentando foi muito precisamente retratada. E, portanto, o verdadeiro centro do fenômeno de abdução ficou claro para as pessoas”. Talvez por isso o filme tenha feito um tremendo sucesso e até hoje é referência para muitos abduzidos. Foi a partir do trabalho de Budd Hopkins que se teve ideia da proporção dos casos de sequestro por alienígenas, seus efeitos e o quanto o governo escondia sobre o assunto.

Hopkins deu às abduções uma dimensão completamente nova ao investigá-las com obstinação e criatividade e praticamente inventou o método para se perscrutar o fenômeno — que, com o tempo, foi adotado por centenas de pesquisadores espalhados por todo o planeta. Quando começou a se envolver com esse tema, após o avistamento de um disco voador em 1964, o artista e pesquisador não imaginava o que viria pela frente. “Até então eu era uma pessoa normal”, dizia ele.

Porém, depois de seu primeiro contato, sua vida foi gradativamente mudando e ele passou a vislumbrar uma realidade tremendamente maior do que tudo que pudesse ter imaginado. Hopkins iniciou, então, uma pesquisa séria, madura e coerente sobre as inúmeras ocorrências que lhe chegavam às mãos — um trabalho que se tornou referência mundial no meio ufológico. Pouca gente, em todo o planeta, soube mais sobre abduções do que esse senhor, que nos deixou em agosto de 2011.

Pioneirismo inegável

Suas atividades nesse setor foram crescendo e o pesquisador, ainda um tanto inocente, sabia que havia algo bem mais profundo e derradeiro por trás dos milhões de casos de UFOs que eram noticiados naquela época. Mas o quê? “Havia casos que me fascinavam. Outros eram simplesmente aterradores”, admitia o veterano ufólogo. Como descobrir o que significava tanta atividade extraterrestre em nosso planeta?
Foi em meio a essas indagações que ele passou a analisar mais a fundo as abduções. Três décadas depois, Hopkins tornou-se um dos autores mais lidos sobre o assunto, com várias obras publicadas. Trabalhou com mais de 2.000 abduzidos — um número espantoso —, e foi o pioneiro que praticamente erigiu a estrutura de informações que temos sobre o assunto na atualidade. É literalmente impossível abordar as abduções alienígenas sem citar Budd Hopkins.

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