Os reais desafios da pesquisa ufológica

A. J. Gevaerd
4 minutos de leitura
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Créditos: Rafael Amorim, exclusivo para a Revista UFO

Estão certos aqueles que pensam que a Ufologia é uma atividade fascinante e enriquecedora. Pois, afinal, o pesquisador do Fenômeno UFO lida com circunstâncias e ocorrências provocadas por seres que provêm de outras partes do universo, e nada poderia ser mais instigante e apaixonante do que algo dessa natureza. Entretanto, enganam-se redondamente aqueles que imaginam que a Ufologia seja algo fácil de ser praticado, que requer pouco sacrifício e que mais oferece de diversão do que saca de esforço de quem se lança nesta aventura. Sim, nada poderia estar mais distante da verdade quando falamos em praticar a verdadeira Ufologia, aquela que, partindo de uma posição isenta, busca entender sem preconceitos o Fenômeno UFO em suas mais variadas vertentes.

Mas se as dificuldades são inerentes ao tema, correm em paralelo a elas o potencial de satisfação que seus resultados proporcionam ao praticante. A investigação de um caso ufológico, especialmente aqueles chamados de graus elevados, quando envolvem pouso, avistamento de tripulantes ou até mesmo contato com eles, é algo extremamente prazeroso e pode se revelar um elemento de transformação mesmo para os ufólogos mais experientes — porque mesmo a estes a emoção da aventura de se penetrar em um universo desconhecido se mostra inescapável. Entretanto, eis aí um segundo risco para a verdade dos fatos, que é ter o investigador imiscuído com o fato investigado, perdendo, assim, a imparcialidade e o pragmatismo tão necessários a sua tarefa.

Os tais casos de graus elevados, aliás, são justamente os mais complexos e espinhosos de serem levantados e analisados, porque reúnem um número imensamente maior de variáveis do que as ocorrências ufológicas mais corriqueiras, como as de meras observações de naves em voo a curta ou a grande distância. Neste aspecto, a regra é clara: quanto mais profundo é o contato do Fenômeno UFO com o cenário terrestre, aqui significando tanto o meio ambiente quanto testemunhas e eventualmente abduzidos e contatados, mais energia investigativa deve ser dispendida em seu approach investigativo.

Um dos fatores que torna tais eventos ufológicos bastante complicados de serem examinados e entendidos está no próprio comportamento do fenômeno e, em escala ainda maior, das inteligências por trás dele. Não são poucos os estudiosos da Ufologia, a exemplo do franco-americano Jacques Vallée, referência no assunto, que nos alertam para o fato de que o Fenômeno UFO tenta ocultar a si mesmo ou, não raro, se manifesta dissimulado aos seus observadores. Ou seja, muitas vezes o desenrolar de um contato de grau elevado é bem diverso daquele que a testemunha recorda e relata, o que torna necessário o emprego de métodos mais incisivos de investigação — e seu tratamento nos níveis psicológico e antropológico não está descartado.

São poucos, hoje, os ufólogos em todo o mundo que dispõem de preparo para lidar com ocorrências de contato direto com ETs, pelas razões apresentadas acima. Mas, mesmo assim, o resultado de seu trabalho tem, ao longo de décadas, nos mostrado que o encontro frente a frente com seres provenientes de outros pontos do universo é uma realidade inegável — que não pode permanecer na obscuridade, mesmo que o tema ainda requeira aperfeiçoamentos.

TÓPICO(S):
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Ademar José Gevaerd (Maringá, 19 de março de 1962 – Curitiba, 9 de dezembro de 2022) foi um ufólogo brasileiro, editor da Revista UFO, publicação do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), entidade do qual também foi fundador e presidente. Também é director brasileiro da Mutual UFO Network (MUFON). Ele representou o Brasil no Center for UFO Studies e foi diretor para a América Latina do Annual International UFO Congress. Esteve em diversas redes brasileiras de TV, além do Discovery Channel, National Geographic Channel e no History Channel, tendo discursado em muitas cidades do Brasil e em outros 50 países, além de ter realizado mais de 700 investigações de campo dos casos de Ovnis no Brasil. Era considerado um dos maiores ufólogos do mundo, uma das personalidades máximas do Brasil nesse assunto, membro de várias associações internacionais de ufologia. Considerado um dos mais respeitados ufólogos, é conhecido por seu empenho em tentar amparar todo fenômeno ufológico com o maior número possível de provas e testes. Ainda na década de 1980, foi convidado pelo Dr. J. Allen Hynek para representar no Brasil o Center for UFO Studies (CUFOS). Gevaerd sofreu uma queda em casa, no dia 30 de novembro de 2022, vindo a morrer no dia 9 de dezembro de 2022 no Hospital Pilar em Curitiba.