O que se passa na cabeça deles?

A. J. Gevaerd
5 minutos de leitura
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Créditos: Johan Berger

Uma significativa quantidade de ufólogos em todo o mundo considera importante ter noção exata dos aspectos métricos, mensuráveis ou dimensionais dos UFOs: quantas janelas tinha a nave observada, que tamanho aparente apresentou, qual era a relação entre seu comprimento e sua largura, a que velocidade se deslocou, de onde surgiu e para onde seguiu etc. Esses estudiosos têm contribuído muito para engrossar estatísticas sobre o Fenômeno UFO — existem em todo o globo, hoje, vários bancos de dados alimentados com essas informações.

No entanto, se servem como referência sobre as constantes observações de veículos extraterrestres em nossos céus, tais dados pouco ou nada acrescentam à outra discussão, considerada por grupo menor de ufólogos como verdadeiramente mais importante: de onde vêm nossos visitantes, o que querem de nós e como podemos entendê-los? Mas a pesquisa ufológica de um grupo não inviabiliza a do outro. Ao mesmo tempo em que precisamos de dados métricos, mensuráveis ou dimensionais sobre os UFOs, precisamos também ousar mais em tentar conhecer o âmago de sua manifestação — e para isso é imprescindível nos debruçarmos sobre a origem de nossos visitantes, seu interesse por nossa espécie e, finalmente, o que um contato com eles representará para a humanidade terrestre.

Não há equilíbrio entre as categorias de estudiosos que se dedicam a estas distintas questões — a primeira é muito mais numerosa que a segunda. E há um agravante: por sua natureza subjetiva e pelas enormes dificuldades de se encontrar matéria-prima para investigação da natureza íntima dos UFOs e seus tripulantes, geralmente as informações nessa área são provenientes dos meios místicos, muitas vezes contaminadas com esoterismo de baixa qualidade.

Com a natural recusa dos ufólogos ortodoxos — ou científicos — em se dedicarem à investigação desses aspectos, por alegarem não ter subsídios para fazê-lo, as questões relativas às origens, intenções e consequências do Fenômeno UFO sobre nossa espécie vão ficando para depois, indefinidamente. Em vez de um esforço concentrado dos indivíduos que se dedicam aos aspectos materiais e os que preferem os aspectos não materiais da manifestação ufológica, vemos distanciar-se cada vez mais o verdadeiro entendimento de seu significado.

Além da superficialidade

Os porquês e comos parece que custarão muito a vir. No entanto, alguns estudiosos dos aspectos não materiais dos UFOs têm levantado sua voz quanto aos temas relegados ao futuro. Surpreendentemente, são pessoas originadas do mais refinado meio científico que, arquitetando ideias e compondo cenários, têm conseguido vislumbrar o fenômeno além de sua superficial materialidade. Fazem suas análises tendo como ponto de partida o que se sabe do comportamento de nossos visitantes, agora e no passado, seu modus operandi em aproximação ao ser humano e as condições que cercam suas observações.

E mais: como cientistas, empregam um leque de disciplinas — da física à antropologia, da matemática à sociologia etc — para avaliar os resultados de suas investigações e aplicá-los à realidade terrena. Uma boa dose de análise estatística e o saudável emprego da lógica também levam estes ufólogos de vanguarda a oferecerem substancial contribuição ao entendimento das manobras que fazem várias civilizações com relação à Terra.

“A resposta está bem mais perto do que pensamos, e dentro de nosso ambiente planetário encontramos muitas peças deste quebra-cabeças”, diz um dos principais representantes dessa categoria de ufólogos — que sequer usam esse título —, o ex-professor da Universidade da Califórnia, especialista em futurismo e consultor em tecnologias emergentes, James J. Hurtak, que tem um artigo publicado nesta edição. Para ele, a busca por respostas sobre a presença alienígena na Terra passa irremediavelmente por uma análise dos Ts — os próprios terrestres.

TÓPICO(S):
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Ademar José Gevaerd (Maringá, 19 de março de 1962 – Curitiba, 9 de dezembro de 2022) foi um ufólogo brasileiro, editor da Revista UFO, publicação do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), entidade do qual também foi fundador e presidente. Também é director brasileiro da Mutual UFO Network (MUFON). Ele representou o Brasil no Center for UFO Studies e foi diretor para a América Latina do Annual International UFO Congress. Esteve em diversas redes brasileiras de TV, além do Discovery Channel, National Geographic Channel e no History Channel, tendo discursado em muitas cidades do Brasil e em outros 50 países, além de ter realizado mais de 700 investigações de campo dos casos de Ovnis no Brasil. Era considerado um dos maiores ufólogos do mundo, uma das personalidades máximas do Brasil nesse assunto, membro de várias associações internacionais de ufologia. Considerado um dos mais respeitados ufólogos, é conhecido por seu empenho em tentar amparar todo fenômeno ufológico com o maior número possível de provas e testes. Ainda na década de 1980, foi convidado pelo Dr. J. Allen Hynek para representar no Brasil o Center for UFO Studies (CUFOS). Gevaerd sofreu uma queda em casa, no dia 30 de novembro de 2022, vindo a morrer no dia 9 de dezembro de 2022 no Hospital Pilar em Curitiba.