O deputado americano Tim Burchett voltou a defender maior transparência sobre os Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs) após participar de uma reunião de mais de duas horas no Pentágono. Segundo o parlamentar, o encontro ocorreu em alto nível e reforçou sua convicção de que o processo de divulgação de informações sobre o tema continua avançando, embora ainda enfrente resistência dentro da estrutura do governo dos Estados Unidos.
As declarações foram feitas durante participação no podcast Planet Tyrus, da Fox News. Burchett afirmou que não pode revelar quem participou da reunião nem discutir seu conteúdo, mas classificou o encontro como significativo.
“Participei de uma reunião no Pentágono esta semana. Foi uma reunião de alto nível. Não posso dizer quem estava lá nem o que foi discutido, mas ficamos reunidos por mais de duas horas”, afirmou.
Segundo o congressista, o processo de divulgação sobre UAPs é real, porém encontra obstáculos dentro da burocracia federal. “A divulgação é real. O problema é que o ‘deep state’ está bloqueando grande parte disso”, declarou.
Burchett utiliza a expressão “deep state” para se referir a funcionários de carreira e setores permanentes da burocracia governamental que, segundo ele, dificultam o acesso do Congresso a determinadas informações relacionadas aos UAPs. A existência de um “Estado profundo” com esse papel é objeto de intenso debate político nos Estados Unidos e não constitui um fato estabelecido.
Críticas à falta de transparência
Durante a entrevista, Burchett voltou a criticar o nível de sigilo mantido em torno do tema. Segundo ele, integrantes da própria burocracia de Defesa afirmaram que até mesmo o presidente dos Estados Unidos teria acesso restrito a determinadas informações. “Estava em uma audiência de segurança quando um funcionário me disse que até o presidente só recebe essas informações quando há necessidade de conhecê-las. Em que tipo de mundo estamos vivendo?”, questionou.
Para Burchett, essa estrutura dificulta o trabalho de fiscalização exercido pelo Congresso e compromete a transparência sobre programas relacionados aos UAPs.
Outro ponto abordado pelo congressista envolve o receio de militares em reportar encontros com objetos não identificados.
Segundo Burchett, pilotos das Forças Armadas relataram que, durante muitos anos, evitaram registrar oficialmente esses episódios por medo de sofrer consequências na carreira.
Ele afirmou ainda que alguns militares chegaram a destruir imagens obtidas durante os voos para evitar investigações administrativas e avaliações psicológicas. De acordo com o parlamentar, aqueles que formalizavam os relatos eram submetidos a longos interrogatórios, que passavam a integrar seus registros funcionais.s.
Declarações ocorrem em meio às novas divulgações
As declarações acontecem poucos dias após o Departamento de Guerra dos Estados Unidos publicar a quarta remessa de documentos do programa PURSUE (Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters).
A nova divulgação acrescentou 40 arquivos ao acervo oficial, incluindo vídeos militares, fotografias, documentos históricos e relatórios produzidos por diferentes órgãos do governo americano, como Pentágono, CIA, FBI, NASA e Departamento de Energia. Com isso, o total de materiais disponibilizados publicamente chegou a 334 arquivos.
Embora Burchett afirme que ainda existam informações relevantes protegidas pelo sigilo governamental, nenhuma nova evidência foi apresentada durante a entrevista. Ainda assim, suas declarações reforçam que o tema permanece em discussão nos mais altos níveis do governo dos Estados Unidos e continua mobilizando parlamentares que defendem maior transparência sobre os UAPs.