A maioria dos cientistas acredita em vida extraterrestre. Sabe por quê?

Muitos cientistas aceitam que não estamos sozinhos no universo. Quando pensamos em alienígenas, muitas vezes imaginamos naves gigantescas, marcianos verdes ou seres estranhos rastejando em planetas distantes. Mas a realidade é muito maior do que isso.

Thiago Ticchetti
6 minutos de leitura

Extraterrestres? A ideia de que não estamos sozinhos no universo deixou há muito tempo de ser apenas especulação da ficção científica. Hoje, para grande parte da comunidade científica, a existência de vida fora da Terra não é apenas possível, mas provável. Essa conclusão não se baseia em crenças ou desejos humanos, e sim em evidências acumuladas ao longo de décadas de observação astronômica, avanços em astrobiologia e uma compreensão cada vez mais profunda da vastidão do cosmos.

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Um dos pilares desse raciocínio é o chamado princípio copernicano, que afirma que a Terra não ocupa uma posição privilegiada ou especial no Universo. Em outras palavras, não há razão científica para supor que o nosso planeta seja único. Durante séculos, a humanidade acreditou estar no centro de tudo; hoje sabemos que a Terra é apenas um pequeno mundo orbitando uma estrela comum, situada na periferia de uma galáxia entre bilhões de outras. Se as leis da física e da química são universais — como tudo indica —, então os processos que deram origem à vida aqui também podem ocorrer em outros lugares.

O tamanho do Universo reforça ainda mais essa ideia. A Via Láctea sozinha abriga centenas de bilhões de estrelas, muitas delas acompanhadas por sistemas planetários. Desde os anos 1990, astrônomos já confirmaram a existência de milhares de exoplanetas, e as estimativas atuais sugerem que planetas são a regra, não a exceção. Entre eles, muitos orbitam a chamada “zona habitável”, região onde a temperatura permitiria a existência de água líquida na superfície. Quando se considera que existem bilhões de galáxias além da nossa, cada uma com bilhões de estrelas, a probabilidade de que a vida tenha surgido apenas uma vez começa a parecer extremamente baixa.

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Outro ponto fundamental é que os ingredientes básicos da vida são abundantes no cosmos. Elementos como carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio são encontrados em nuvens interestelares, cometas, asteroides e na atmosfera de planetas distantes. Moléculas orgânicas complexas já foram detectadas no espaço profundo, indicando que a química necessária para a vida ocorre naturalmente, sem depender de condições exclusivas da Terra. Além disso, a água — essencial para a vida como a conhecemos — já foi identificada em luas geladas, como Europa e Encélado, e em reservatórios subterrâneos de Marte.

A própria vida terrestre também ensina uma lição importante. Durante muito tempo, acreditou-se que a vida só poderia existir em ambientes amenos, semelhantes aos da superfície do nosso planeta. No entanto, descobertas recentes revelaram organismos vivendo em condições extremas: em fontes hidrotermais superaquecidas no fundo dos oceanos, em lagos altamente ácidos, sob quilômetros de gelo ou expostos a níveis intensos de radiação. Esses extremófilos mostram que a vida é muito mais resiliente e adaptável do que se imaginava, ampliando significativamente o número de ambientes onde ela poderia surgir em outros mundos.

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Diante de tudo isso, surge uma pergunta inevitável: se a vida extraterrestre é tão provável, por que ainda não a encontramos? Essa questão está no centro do famoso Paradoxo de Fermi, que resume o dilema de forma simples: “Se eles existem, onde estão?”. A resposta pode estar nas enormes distâncias envolvidas, nas limitações tecnológicas atuais ou no fato de que a maior parte da vida no Universo pode ser microbiana, e não inteligente ou tecnologicamente avançada. Encontrar microrganismos fora da Terra já seria uma descoberta revolucionária, mas identificá-los exige instrumentos extremamente sensíveis e observações prolongadas.

Além disso, a vida inteligente pode ser rara ou ter uma existência curta em termos cósmicos. Civilizações tecnológicas podem surgir e desaparecer antes mesmo de desenvolver meios de comunicação interestelar detectáveis. Também é possível que civilizações avançadas não tenham interesse em se comunicar, ou utilizem tecnologias que ainda não somos capazes de identificar.

Apesar dessas dificuldades, a busca continua avançando rapidamente. Novos telescópios espaciais, como o James Webb, estão começando a analisar a composição atmosférica de exoplanetas, em busca de bioassinaturas — gases ou padrões químicos que possam indicar atividade biológica. Missões a Marte, às luas geladas de Júpiter e Saturno e estudos mais detalhados de asteroides e cometas fazem parte de um esforço científico global para responder a uma das perguntas mais antigas da humanidade.

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Assim, quando cientistas afirmam que alienígenas provavelmente existem, eles não estão dizendo que já temos provas definitivas ou que visitas à Terra sejam inevitáveis. Estão, sim, reconhecendo que, diante da imensidão do Universo, da abundância de planetas e da resistência da vida, a ideia de que estamos completamente sozinhos parece cada vez menos plausível. A questão talvez não seja se a vida extraterrestre existe, mas quando — e de que forma — finalmente conseguiremos encontrá-la.

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