O Caso Levelland, ocorrido na noite de 2 para 3 de novembro de 1957, permanece como um dos episódios mais enigmáticos e consistentes da ufologia clássica. Em um período em que o Projeto Blue Book ainda investigava oficialmente objetos voadores não identificados, uma série de relatos independentes provenientes de estradas rurais próximas à pequena cidade de Levelland, Texas, compôs um mosaico impressionante de encontros com um fenômeno aéreo capaz de interferir diretamente na parte elétrica e mecânica de veículos. Longe de serem apenas “luzes no céu”, os eventos afetaram o funcionamento de motores, apagaram faróis e provocaram reações imediatas das autoridades locais, em uma das madrugadas mais documentadas da história ufológica americana.

O primeiro incidente registrado envolveu Pedro Saucedo e Joe Salaz, trabalhadores agrícolas que conduziam um caminhão quando observaram um objeto luminoso descendo rapidamente. Segundo Saucedo, a luz parecia explodir ao redor, e o motor do caminhão simplesmente morreu, deixando o veículo imobilizado até que o objeto se afastasse verticalmente. Minutos depois, outros moradores da região começaram a relatar experiências idênticas, descrevendo objetos ovais ou esféricos que se aproximavam silenciosamente e causavam o desligamento total dos sistemas elétricos de seus carros. A coincidência entre os relatos e sua rápida sucessão fizeram com que o telefone do xerife local começasse a tocar sem parar.

A Multiplicação das Testemunhas
Ao longo de poucas horas, ao menos oito testemunhas confirmadas ligaram para o departamento de polícia, todas relatando fenômenos quase idênticos. Entre elas estavam civis, motoristas experientes, um casal viajante e até um veterano da Força Aérea. Relatos mencionavam um brilho intenso que iluminava todo o interior dos veículos, acompanhado do desligamento simultâneo de motores, faróis e rádios. Em cada caso, a energia retornava assim que o objeto se afastava, como se um campo de força desconhecido tivesse sido ativado apenas durante sua proximidade. A uniformidade dos depoimentos eliminava a possibilidade de coincidência ou histeria coletiva, especialmente porque as testemunhas estavam em localidades diferentes, sem qualquer contato entre si.

A Experiência das Autoridades
O próprio xerife Weir Clem, intrigado pela enxurrada de chamadas, decidiu investigar pessoalmente. Acompanhado de seu auxiliar Fowler, ele dirigiu pelas estradas onde os relatos haviam ocorrido. Em determinado trecho, também vivenciou uma interrupção parcial no funcionamento do veículo logo após observar um objeto brilhante pairando a baixa altitude. Esse detalhe tornou o caso ainda mais sólido, pois não se tratava apenas de civis impressionáveis, mas também de autoridades treinadas, cuja credibilidade e rigor descreviam o fenômeno com precisão.

A Investigação da Força Aérea
Diante da pressão pública e da quantidade de testemunhas, o Projeto Blue Book enviou imediatamente o sargento Leo Robert para investigar. Ele entrevistou moradores, recolheu depoimentos e examinou a área, mas a explicação oficial divulgada posteriormente atribuiu os eventos a “raios globulares”, histeria coletiva e confusões envolvendo fenômenos atmosféricos. A justificativa foi amplamente criticada por pesquisadores e meteorologistas, já que o fenômeno de ball lightning não se comporta de forma prolongada, não se desloca por dezenas de quilômetros, não paira sobre veículos e tampouco provoca interferência elétrica seletiva. A sensação geral entre os especialistas era de que a Força Aérea havia descartado o caso com pressa e sem fundamento técnico.

Os Efeitos Eletromagnéticos
O cerne da importância do Caso Levelland está na presença consistente de efeitos eletromagnéticos. Os veículos experimentavam paralisação instantânea de motores, apagamento total de faróis, pane nos sistemas de ignição e silêncio repentino nos rádios. Tais efeitos desapareciam no exato momento em que o objeto luminoso se afastava, sugerindo uma ação externa temporária, não uma falha interna ou permanente. Esse padrão se alinha perfeitamente ao que a ufologia moderna classifica como CEII — Encontros de Segundo Grau — e ecoa relatos recentes de pilotos militares que afirmam perda de sensores, instrumentos e sistemas durante aproximações de UAPs.
As Hipóteses Consideradas
Diversas hipóteses foram levantadas ao longo das décadas, incluindo fenômenos meteorológicos, testes militares secretos e até interpretações psicológicas. Entretanto, nenhuma se ajusta aos fatos. Não havia tempestades na região; meteoros não pairam sobre estradas nem desligam automóveis; e a tecnologia militar de 1957 simplesmente não possuía dispositivos capazes de gerar interferências eletromagnéticas tão específicas e repetidas sem causar danos permanentes. Assim, a hipótese ufológica permanece como a mais coerente com o conjunto de dados disponíveis.

O Legado do Caso Levelland
Hoje, o Caso Levelland é considerado um marco histórico por sua multiplicidade de testemunhas, consistência de relatos e características físicas mensuráveis. Ele demonstra que certos padrões de fenômenos aéreos anômalos se repetem ao longo das décadas, independentemente de avanços tecnológicos ou mudanças culturais. Também ilustra como investigações oficiais, especialmente durante a Guerra Fria, nem sempre apresentavam conclusões compatíveis com as evidências coletadas. Para a ufologia contemporânea, Levelland continua sendo um caso-modelo de alta credibilidade, frequentemente citado como um dos melhores exemplos de interferência tecnológica causada por objetos voadores não identificados.

O Caso Levelland permanece inexplicado até hoje. A riqueza de relatos, a ocorrência em múltiplos pontos da cidade, os efeitos físicos objetivos e a participação de autoridades fazem dele um dos episódios mais sólidos já registrados. Mais de seis décadas depois, o fenômeno segue servindo como referência para pesquisas modernas sobre UAPs, reforçando a ideia de que a história da ufologia contém pilares que atravessam gerações sem perder sua força investigativa.

