Extraterrestres? A ideia de que não estamos sozinhos no universo deixou há muito tempo de ser apenas especulação da ficção científica. Hoje, para grande parte da comunidade científica, a existência de vida fora da Terra não é apenas possível, mas provável. Essa conclusão não se baseia em crenças ou desejos humanos, e sim em evidências acumuladas ao longo de décadas de observação astronômica, avanços em astrobiologia e uma compreensão cada vez mais profunda da vastidão do cosmos.

Um dos pilares desse raciocínio é o chamado princípio copernicano, que afirma que a Terra não ocupa uma posição privilegiada ou especial no Universo. Em outras palavras, não há razão científica para supor que o nosso planeta seja único. Durante séculos, a humanidade acreditou estar no centro de tudo; hoje sabemos que a Terra é apenas um pequeno mundo orbitando uma estrela comum, situada na periferia de uma galáxia entre bilhões de outras. Se as leis da física e da química são universais — como tudo indica —, então os processos que deram origem à vida aqui também podem ocorrer em outros lugares.
O tamanho do Universo reforça ainda mais essa ideia. A Via Láctea sozinha abriga centenas de bilhões de estrelas, muitas delas acompanhadas por sistemas planetários. Desde os anos 1990, astrônomos já confirmaram a existência de milhares de exoplanetas, e as estimativas atuais sugerem que planetas são a regra, não a exceção. Entre eles, muitos orbitam a chamada “zona habitável”, região onde a temperatura permitiria a existência de água líquida na superfície. Quando se considera que existem bilhões de galáxias além da nossa, cada uma com bilhões de estrelas, a probabilidade de que a vida tenha surgido apenas uma vez começa a parecer extremamente baixa.

Outro ponto fundamental é que os ingredientes básicos da vida são abundantes no cosmos. Elementos como carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio são encontrados em nuvens interestelares, cometas, asteroides e na atmosfera de planetas distantes. Moléculas orgânicas complexas já foram detectadas no espaço profundo, indicando que a química necessária para a vida ocorre naturalmente, sem depender de condições exclusivas da Terra. Além disso, a água — essencial para a vida como a conhecemos — já foi identificada em luas geladas, como Europa e Encélado, e em reservatórios subterrâneos de Marte.
A própria vida terrestre também ensina uma lição importante. Durante muito tempo, acreditou-se que a vida só poderia existir em ambientes amenos, semelhantes aos da superfície do nosso planeta. No entanto, descobertas recentes revelaram organismos vivendo em condições extremas: em fontes hidrotermais superaquecidas no fundo dos oceanos, em lagos altamente ácidos, sob quilômetros de gelo ou expostos a níveis intensos de radiação. Esses extremófilos mostram que a vida é muito mais resiliente e adaptável do que se imaginava, ampliando significativamente o número de ambientes onde ela poderia surgir em outros mundos.

Diante de tudo isso, surge uma pergunta inevitável: se a vida extraterrestre é tão provável, por que ainda não a encontramos? Essa questão está no centro do famoso Paradoxo de Fermi, que resume o dilema de forma simples: “Se eles existem, onde estão?”. A resposta pode estar nas enormes distâncias envolvidas, nas limitações tecnológicas atuais ou no fato de que a maior parte da vida no Universo pode ser microbiana, e não inteligente ou tecnologicamente avançada. Encontrar microrganismos fora da Terra já seria uma descoberta revolucionária, mas identificá-los exige instrumentos extremamente sensíveis e observações prolongadas.
Além disso, a vida inteligente pode ser rara ou ter uma existência curta em termos cósmicos. Civilizações tecnológicas podem surgir e desaparecer antes mesmo de desenvolver meios de comunicação interestelar detectáveis. Também é possível que civilizações avançadas não tenham interesse em se comunicar, ou utilizem tecnologias que ainda não somos capazes de identificar.
Apesar dessas dificuldades, a busca continua avançando rapidamente. Novos telescópios espaciais, como o James Webb, estão começando a analisar a composição atmosférica de exoplanetas, em busca de bioassinaturas — gases ou padrões químicos que possam indicar atividade biológica. Missões a Marte, às luas geladas de Júpiter e Saturno e estudos mais detalhados de asteroides e cometas fazem parte de um esforço científico global para responder a uma das perguntas mais antigas da humanidade.

Assim, quando cientistas afirmam que alienígenas provavelmente existem, eles não estão dizendo que já temos provas definitivas ou que visitas à Terra sejam inevitáveis. Estão, sim, reconhecendo que, diante da imensidão do Universo, da abundância de planetas e da resistência da vida, a ideia de que estamos completamente sozinhos parece cada vez menos plausível. A questão talvez não seja se a vida extraterrestre existe, mas quando — e de que forma — finalmente conseguiremos encontrá-la.

