O impacto de um grande asteróide ocorrido há 65 milhões de anos era a teoria que melhor explicava a extinção em massa dos dinossauros. Todavia, descobertas recentes no local do impacto mostram que o choque do objeto ocorreu antes do desaparecimento das espécies e pode significar uma mudança na teoria atual. A cratera deixada pelo impacto, batizada de Chicxulub, mede aproximadamente 180 km de diâmetro e foi descoberta em 1978 ao norte de Yucatán, no Golfo do México. Assim que os especialistas descobriram traços do impacto logo abaixo da camada geológica correspondente ao período cretáceo-terciário, chamado período K-T, identificaram o local como o do possível choque responsável pela extinção em massa ocorrido neste período.
No entanto, diversos cientistas questionam essa interpretação. De acordo com um novo estudo publicado pelo periódico Journal of the Geological Society, o impacto de Chicxulub não ocorreu no período K-T, mas pelo menos 300 mil anos antes. A conclusão é de um grupo de pesquisadores liderados por Gerta Keller, da universidade de Princeton e seu colega Thierry Adatte, da universidade de Lausanne, na Suíça. De acordo com Richard Lane, da Fundação Nacional de Ciência, NSF, dos EUA, Keller e seus colegas continuam a acumular dados que permitirão uma nova reflexão sobre a extinção em massa ocorrida no final do período Cretáceo. “Keller e colegas continuam a reunir informações estratigráficas [ramo da geologia que estuda a sucessão das camadas ou estratos que aparecem em um corte geológico] detalhadas que confirmam uma nova compreensão a respeito do impacto de Chicxulub e a extinção no fim do Cretáceo. Os dois eventos podem não ter qualquer relação”, disse Lane.
Os registros coletados até agora mostram que a grande extinção pode não estar ligada ao impacto do asteróide. “Verificamos que entre quatro e 9 metros de sedimentos foram depositados a cerca de dois ou 3 centímetros a cada mil anos após o impacto. O nível da extinção em massa pode ser observado em sedimentos bem acima desse intervalo”, afirma Keller, sobre estudos feitos próximos à localidade de El Penon. Segundo a cientista, o nível da extinção se localiza somente nos sedimentos acima desse intervalo, indicando que os dois eventos não ocorreram próximos no tempo. Os defensores da teoria atual sugerem que a cratera e a extinção em massa não aparecem nos mesmos registros sedimentários devido aos terremotos e tsunamis que provavelmente ocorreram após o impacto, mas a tese é refutada por Keller. “O problema com essa interpretação é que o complexo do arenito estudado não foi depositado algumas horas ou meses após o impacto, mas durante um longo período de tempo”, explicou.
O estudo também constatou que os sedimentos que separam os dois eventos têm características normais de sedimentação, com túneis criados por criaturas que habitam leito do oceano, erosão e transporte de sedimentos, mas nenhuma evidência de perturbação da estrutura sedimentar. Além disso, os cientistas também encontraram evidências de que o evento de Chicxulub não teve o impacto na biodiversidade como sugerido até agora.
Na localidade de El Penon, por exemplo, os pesquisadores encontraram 52 espécies presentes nos sedimentos abaixo da camada do impacto e contaram as mesmas 52 espécies nas camadas superiores. “Descobrimos que nenhuma espécie foi extinta como resultado do choque”, disse Keller.