Estudo investiga o mistério de luzes no céu, olhando para o passado

O vídeo da NBC abre uma janela promissora: ao “olhar para trás”, podemos encontrar pistas para fenômenos de luzes no céu que persistem até os dias de hoje, mas que talvez tenham sido pouco explorados.

Thiago Ticchetti
7 minutos de leitura

Durante décadas, relatos de espetáculos visuais — bolas de luz, objetos triangulares, laser-azuis rasgando o céu, “orbes” pairando — têm mobilizado ufólogos, astrônomos amadores e investigadores de fenômenos aéreos não-identificados (PANs). A maioria das investigações concentra-se em contemporaneidade: câmeras, radares, testemunhos recentes. Contudo, surge uma abordagem menos linear: em vez de focar só no “agora”, pesquisadores começaram a escavar o “antes”.

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Em meados do século XX, cientistas já registravam luzes misteriosas no céu — muito antes da era dos satélites.

Em vídeo recente da NBC News sobre o “Study investigates the mysteries of lights in the sky by looking to the past”, é apresentada uma pesquisa que revisita placas de levantamento astronômico de meados do século XX (1940-50) com o objetivo de verificar registros de luzes incomuns. Esse método abre caminho para três vertentes de investigação:

  • Verificar se fenômenos semelhantes aos atuais já ocorriam — e se foram documentados.
  • Avaliar se o “ruído” moderno (satélites, drones, lasers) ofusca ou distorce os registros visuais.
  • Utilizar dados históricos para iluminar possíveis padrões de recorrência, pontos geográficos ou comportamentais.
  • Para o cenário de ufologia, esta proposta representa um divisor: não mais “somente” relatos contemporâneos, mas resgate de documentação antiga como suporte ou contraponto.
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As luzes do céu continuam a se repetir — mudam as eras, mas o mistério persiste.

O que a investigação propõe

Os pesquisadores analisaram placas fotográficas de levantamentos do céu, as astrophotographic survey plates, produzidas entre as décadas de 1940 e 1950. Essas placas eram originalmente destinadas a astrometria e fotometria: mapeamento das posições e intensidades de estrelas e outros objetos celestes. A investigação se pergunta: entre estes arquivos, pode haver registros de luzes ou UFOs que hoje, vistos à luz da ufologia ou da ciência de fenômenos aéreos não-identificados, merecem reinterpretação?

As vantagens desta abordagem incluem:

  • Contexto livre de distratores modernos: menos satélites, menos drones, menos iluminação artificial e menos “ruído” tecnológico para confundir.
  • Cadência histórica: permite verificar se os fenômenos tinham periodicidade, recorrência ou distribuição geográfica.
  • Validação cruzada: se uma luz estranha aparece em placas de 1950 e é relatada oralmente ou por jornais locais, fortalece a hipótese de que o fenômeno não é puramente contemporâneo.

No vídeo, embora não sejam divulgados detalhes extensos (por exemplo, quais placas exatamente, localizações, número de eventos catalogados), o destaque é que pesquisadores “voltaram no tempo” para buscar pistas — uma ideia que, para a comunidade ufológica, abre um leque de investigação ainda pouco explorado.

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Cientistas revisitam registros astronômicos das décadas de 1940 e 1950 em busca de luzes inexplicadas.

Implicações para ufologia e investigação de luzes no céu

  • Recorrência e persistência histórica: O simples fato de que existe um esforço para vasculhar o passado sugere que os fenômenos de “luzes no céu” não são exclusividade da era de drones ou satélites comerciais. Isso fornece respaldo à hipótese, defendida por muitos ufólogos, de que tais fenômenos possuem uma longa trajetória. Para quem produz conteúdos sombrios sobre ufologia, essa historicização fortalece a narrativa de mistério que atravessa décadas ou séculos.
  • Redução de explicações “modernas triviais”: Muitos fenômenos contemporâneos são atribuídos a drones, satélites Starlink, foguetes, lanternas chinesas. Ao investigar épocas anteriores, quando essas tecnologias eram praticamente inexistentes, reduz-se o “ruído” das explicações convencionais. Portanto, um registro de luz inexplicada em 1952 tem menos “candidatos” triviais que um em 2025. Isso não elimina explicações meteorológicas ou astronômicas, mas eleva o nível de “anomalia” do caso.
  • Validação de padrões geográficos ou de frequência: Se as placas históricas indicarem que determinadas regiões ou rotas do céu experienciaram “fluxos” de luzes anômalas, por exemplo, numa faixa de latitude ou próxima a instalações militares, os ufólogos ganham pistas para “mapear” zonas-quentes. Isso conecta diretamente com interesse do usuário, que investiga casos como Operação Prato (Colares 1977), Caso Varginha 1996, etc: são conjunturas em que o passado já revelou fenômenos que merecem reconstrução.
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Um simples ponto de luz em uma placa antiga pode reescrever parte da história dos fenômenos aéreos não identificados

Desafios e críticas da abordagem

É importante manter uma análise crítica — essencial mesmo para conteúdo ufológico sério:

  • Qualidade das placas: placas antigas podem ter defeitos, riscos, artefatos de revelação ou emulsão que geram falsos positivos (pontos brilhantes, riscos de poeira, traços de processamento);
  • Contexto observacional: muitas placas não foram feitas para detectar fenômenos de baixa duração ou luminosidade moderada — seu uso contrafactual exige cuidado metodológico;
  • Identificação de fontes alternativas: ainda que data seja antiga, fenômenos como meteoros, re-entradas, satélites (mesmo que menos numerosos) existem, e devem ser descartados com rigor;
  • Falta de catalogação robusta no vídeo: o material divulgado pelo vídeo da NBC menciona o método, mas não oferece dados detalhados (quantos eventos, quais regiões, qual grau de certeza). Isso significa que, para o público ufológico, o vídeo funciona como “porta de entrada” para investigação, não como relatório final;
  • Tentação de “sobreinterpretação”: para manter credibilidade, no conteúdo que você produzir, será importante separar fatos (placas foram revisadas) de hipóteses (essas luzes podem ser fenômenos ufológicos) e evitar conclusões precipitadas.

Assista ao vídeo da NBC

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