ENTREVISTA

Argentina: uma rica casuística ufológica

Por Christian Stagno | Edição 165 | May de 2010

Quem acompanha a Ufologia Mundial, principalmente através da Revista UFO, está informado sobre a recente e persistente onda ufológica que se espalhou por toda a América do Sul, com destaques para Colômbia, Venezuela, Peru e Argentina [Veja edições UFO 155, 157, 162 e 163], como também pelo Sul do Brasil [Veja edição UFO 164]. Na Argentina, dezenas de grupos ufológicos estão espalhados pelo país e são conduzidos por investigadores experientes e renomados, que trabalham no monitoramento e identificação de ocorrências, desenvolvimento de metodologias e intercâmbio permanente de informações. Alguns deles fazem parte do conselho editorial da UFO, como Carlos A. Iurchuk (La Plata), Luis Alberto Reinoso (Rosário), Guillermo Gimenez e Roberto Banchs (Buenos Aires).

Na área central do imponente Delta do Paraná, a cidade argentina de Vitória, na província de Entre Rios, possui fantástica e assustadora casuística regional e, justamente por isso, é considerada um autêntico nicho de investigação e pesquisas quando o tema é relacionado a UFOs. É exatamente a partir daquele local que duas das mais respeitáveis ufólogas mundiais iniciaram o trabalho de campo, há décadas, e permanecem constantemente em busca de respostas e provas da presença alienígena na Terra. Falamos de Silvia Perez Simondini e Andrea Simondini, respectivamente mãe e filha, fundadoras do grupo Visión OVNI, um dos mais ativos do país vizinho.

Caçadoras de extraterrestres

Silvia milita na área desde 1968, após ter sido testemunha de alguns avistamentos não convencionais. É diretora do Museu Ufológico de Vitória, juntamente com a filha, que também é membro-fundadora da Comissão de Estudos do Fenômeno OVNI da República Argentina (Cefora), entidade que reivindica ao governo a liberação dos arquivos secretos oficiais sobre ocorrências ufológicas. Andrea, que começou na Ufologia nos anos 90, tem contato muito próximo com instituições científicas e oficiais, é especialista em investigação de campo e realizou inúmeros trabalhos e pesquisas sobre mutilações inexplicáveis de gado. A dupla é conhecida como “As Caçadoras de UFOs”, graças ao instinto investigativo, aliado ao empenho, seriedade e determinação com que se dedicam às pesquisas.

Na Cefora, elas trabalham incessantemente para reunir 100 mil assinaturas e solicitar ao governo a abertura dos arquivos relacionados ao Fenômeno UFO. Nessa empreitada, estão sintonizadas com a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já e acompanham as conquistas da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), colhendo subsídios e decisões do Governo Brasileiro que possam servir de argumento junto às autoridades argentinas. Silvia e Andrea não medem esforços na busca por evidências que atestem a veracidade do Fenômeno UFO. Estão permanentemente pesquisando e trocando informações com estudiosos de credibilidade reconhecida, buscando novos conhecimentos e o aprimoramento constante das metodologias de análises, principalmente em tempos de fotos e imagens digitais facilmente fraudadas. Segundo elas, os avanços e a facilidade de acesso às tecnologias podem contribuir muito para as investigações, mas também induzir ao erro o ufólogo mais desatento.

Mãe e filha têm bons relacionamentos com profissionais da imprensa, que, inclusive, são colaboradores em diversos trabalhos de campo. Recentemente, para coroar os anos de trabalho e dedicação da dupla, foram convidadas a fazer parte da Equipe UFO como consultoras e aceitaram prontamente mais essa missão. Aproveitamos agora a oportunidade para entrevistá-las e colocá-las em conexão permanente com nossos leitores, a fim de conhecermos os preciosos detalhes de suas mais importantes pesquisas. A quantidade de casos existentes na Argentina é impressionante e atesta, juntamente com a casuística mundial, a inquestionável atuação de inteligências extraterrestres em nosso meio. Fatos preocupantes, registrados até hoje em diversas regiões do país, envolvem o fenômeno das mutilações em animais e são amplamente abordados na entrevista a seguir.

Silvia, como e por que você começou a se interessar por Ufologia? Bem, eu tive minha atenção desperta para o fenômeno em 18 de agosto de 1968, quando assisti a um avistamento que marcou minha vida, na cidade de Caleta Oliva, província de Santa Cruz. Em plena luz do dia, às 17h50, ouvi uma gritaria e sai de casa. Foi quando vi todo mundo apontando para o céu e, ao olhar para o alto, percebi que havia no ar uma nave com uns 40 m de diâmetro, de cor prateada, que ficou imóvel por um tempo e logo depois expulsou de seu interior cinco “pratinhos”, idênticos ao grande, mas menores. Imediatamente, a frota seguiu para a região de Comodoro Rivadavia. Isso foi registrado pela imprensa nacional, que documentou a passagem dos objetos em toda a costa atlântica, até Mar Del Plata. Posteriormente, meu interesse pelo Fenômeno UFO cresceu e comecei a adquirir e devorar literatura sobre o assunto e a assistir conferências etc, até que, em 1991, organizei uma equipe de investigação, batizada de Visión OVNI. Naquele ano, em Vitória, assumi e expus publicamente minha adesão à Ufologia e passei a trabalhar na investigação de campo. O que mais me fascinava e intrigava era a procura por evidências e dados sobre os variados relatos, o que se tornou meu principal objeto de estudos nas ocorrências.

Você não teve nenhum contato com a Ufologia antes de 1968? Até essa data realmente não tive nenhuma aproximação com o tema, à exceção de um caso ocorrido no carnaval de 1955, quando era ainda muito nova. Vi, em um bairro de Buenos Aires, duas esferas parecidas com bolas de futebol e com muita luminosidade, atravessando a rua em baixíssima altitude. Esse fato despertou a minha atenção, mas não estudei nada sobre a pesquisa de UFOs na época.

E como viveu os anos posteriores a esse avistamento, antes de começar suas investigações sobre UFOs? Após a experiência em Caleta Oliva, apenas no ano de 1970 fui assistir a conferências de Fábio Zerpa e Antonio Las Heras [Pioneiros da Ufologia Argentina], mas somente como espectadora. Antes de iniciar minhas próprias pesquisas, me dediquei a ter contato com investigadores, na expectativa de adquirir, antes de qualquer coisa, mais conhecimentos sobre o tema.

A princípio, os grupos ufológicos devem ter clara informação sobre as rotas aéreas nas cidades, nacionais e internacionais. Em Buenos Aires, por exemplo, existem muitos aeroportos de grande movimentação e que recebem vôos sob cronograma programado e com antecedência, privados ou governamentais, que muitas vezes são confundidos com eventos anômalos


Falando em Fábio Zerpa, personagem muito carismático da Ufologia Argentina, como avalia seu trabalho? Zerpa é sinônimo de Fenômeno UFO na Argentina. Damos muito valor a todo trabalho feito por ele. Pude conhecê-lo profundamente e, de fato, foi a figura central do nosso último congresso em Vitória. Foi ele quem despertou publicamente o assunto, sem desprezar a ação de outros grandes pesquisadores, como Oscar Galíndez, Guillermo Roncoroni e Nicolas Ojeda, homens que fizeram história na área. A revista Cuarta Dimensión, lançada e editada por Zerpa, foi um projeto a partir do qual nasceram muitos ufólogos e uma fonte de consulta que não falta em nenhuma biblioteca. Como muitas coisas na Argentina, por questões econômicas, a publicação acabou, mas deixou uma marca que ficará para sempre na Ufologia do país.

Quem as inspirou e influenciou na metodologia adotada no início dos trabalhos? É bom esclarecer que, naquele momento, quando começamos, ainda não conhecíamos pessoalmente outras pessoas dedicadas ao tema, que também eram muito boas no que faziam. Após nos aproximarmos de alguns pesquisadores, tivemos contato com Luis Burgos, por exemplo. Lembramos que fomos a La Plata, local onde morava o então integrante da Federação Argentina de Ovniologia (FAO), Carlos A. Iurchuk [Consultor da Revista UFO], nos reunimos e durante horas expusemos alguns casos vividos e investigados em Vitória. Outros ufólogos que nos influenciaram muito foram Antonio Ribera e Vicente-Juan Ballester Olmos [Consultor da UFO], da Espanha, J. Allen Hynek, Jacques Vallée e Andreas Faber Kaiser, através de muitos livros. Naquele momento, lia-se muito na Argentina a respeito das pesquisas no exterior.

Andrea, você deve ter ingressado na Ufologia por influência de sua mãe, não é? Como se deu isso? Minha mãe influenciou indiretamente minha entrada no assunto. Nunca me falava de UFOs nem de assuntos relacionados, mas eu via os livros, revistas dela e comecei a ler. Tanto assim que, quando estava no quarto ano do colégio, eu e algumas colegas começamos a escrever um livro. Recortávamos fotos que eram publicadas na revista espanhola Ciclope. Com o tempo, consegui recuperar a coleção completa, que tinha sido destruída. Logo depois, tive minhas próprias experiências de avistamentos em Buenos Aires, que me impressionaram e me marcaram profundamente, definindo, inclusive, minha formação profissional.

Quais foram essas experiências? A mais importante aconteceu quanto deveria ter uns 11 ou 12 anos e voltava do centro comercial do meu bairro, em Buenos Aires. Foi quando vi passar voando um “trenzinho” que fazia ziguezague. Fiquei realmente surpresa e isso fez com que eu me interessasse mais profundamente pelo Fenômeno UFO. Durante outras noites, na mesma época do verão, costumávamos subir ao terraço de casa para tomar ar fresco e olhar o céu, e presenciamos fenômenos em diversas oportunidades. Um dos mais importantes aconteceu quando vi um ponto vermelho que se movimentava de forma errática no espaço, para logo depois fazer um vôo por detrás de um prédio e sumir em disparada. Lembro que gritava de emoção e dava as mãos para minha mãe.

Como esses eventos influenciaram sua formação profissional? Desde muito jovem, todas essas experiências, mais a leitura que fazia, me levaram inexoravelmente a pesquisar mais profundamente o tema, do meu jeito, já que ainda era uma criança, e depois adolescente. Quando resolvi qual seria minha carreira, no colégio secundário, sabia que tinha que desenvolver um currículo. Naquela época, as escolas técnicas no país eram destinadas aos homens, até que achei uma, a Enet 27, Industrial de Química, que aceitava mulheres. Sabia que era meu lugar, porque precisava conhecer as leis físicas e químicas para poder pesquisar com propriedade as coisas. Na universidade segui engenharia química, mas também percebi minha vocação pela política desde cedo, no Partido da União Cívica Radical, onde fui ocupando cargos. Em princípio, dentro da comunidade jovem e, logo depois, nos demais setores do partido. Acabei sendo candidata a deputada por minha cidade, o que fez com que mudasse, no quarto ano de engenharia, para a carreira de direito. De qualquer maneira, com o tempo, a pesquisa ganhou espaço e acabei me formando em comércio. Avalio mercados.

Quando surgiu a idéia de criar o grupo Visión OVNI? Na verdade, o Visión OVNI nasceu por uma necessidade investigativa, pelo fato de estarmos permanentemente atrás do fenômeno para conseguir evidências, filmes, fotografias e publicá-las. Gente interessada no assunto vinha até Vitória e nos acompanhava em noites de vigílias. Minha mãe mudou-se para a cidade na intenção de acompanhar as ocorrências de perto e isso fez com que pessoas da região, como Nestor Gaioli e Pablo Puchet, integrantes originais de nossa equipe, se aproximassem para se aliarem e fortalecerem um trabalho sério e profundo.

crédito: Cortesia Liliana Núnez
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Na Patagônia Argentina e na Antártida os avistamentos ufológicos são comuns, como este caso da Ilha Decepción, no sul do continente, quando um UFO foi flagrado durante erupção vulcânica

Como são realizadas as investigações? Nossa busca, desde o princípio, foi orientada para a ciência. Permanentemente requeremos a presença, opinião e trabalho de organizações científicas, com pessoas especializadas e atuação reconhecida. Paralelamente, fomos nos aprimorando em fazer perícias. Sempre tivemos claro que nosso objetivo como equipe era o de realizar a melhor análise possível, para que as universidades e outros órgãos atestassem, com o veredito institucional, a legitimidade dos nossos procedimentos. Realizamos, entre outras, captações na Faculdade de Agronomia da Universidade de Buenos Aires. Hoje em dia, o Visión OVNI é uma organização nacional, com investigadores realizando suas atividades em diversas províncias. Entre eles estão Elías Kolev, Daysee Moreyra, Raúl Avellaneda, Mercedes Casas, Antonio Galvagno, Walter Vergara, Laura Barrera, Ricardo Montemurro e Alejandro Isoba. Buscamos consolidar um sistema de pesquisas regionalizado, numa aproximação com os casos que devemos investigar. Também contamos com o importante auxílio de colaboradores por toda a Argentina, reunidos ao longo das investigações de cada caso.

Vocês têm alguma programação de vigílias? Como são organizadas? A base da equipe está em Vitória, Entre Rios, onde realizamos vigílias praticamente todas as noites, com os integrantes que moram na cidade. A cada dois meses realizamos vigílias trianguladas na região de Vitória e Rosário, cidades separadas pelo Rio Paraná, onde há muitas manifestações ufológicas. Essa estratégia nos deu a possibilidade de determinar com mais precisão os locais de aparecimento de fenômenos luminosos, tais como Laguna do Pescador e Laguna Grande, a partir da observação de ocorrências simultâneas nas duas localidades. Outra espécie de vigília que fazemos tem características diurnas. Iniciamos em 2009, com fotografia e vídeo, para estudar profundamente os fenômenos que se registram em câmeras digitais e obtivemos muito boas conclusões sobre como conseguir diferenciar insetos, aves, partículas do ambiente etc — que, na maioria das vezes, são confundidos com UFOs. Este ano trabalharemos fortemente com este tipo de material coletado.

Andrea, como consegue conciliar as pesquisas de campo com a vida em uma cidade grande, como Buenos Aires? Nem sempre é possível, principalmente na capital. Normalmente tenho que percorrer cerca de 70 km para encontrar um espaço aberto, onde as luzes da cidade não impeçam a visão. Esses lugares costumam ser no sul da província, em Punta Piedra, perto da cidade de La Plata, ou ao norte, em Escobar, que tem uma rica casuística. Com menos freqüência, também costumo participar de vigílias em outros locais.

Atualmente, há vigílias sendo realizadas em grandes centros urbanos, algumas vezes com sucesso tão ou mais relevante quanto em zonas periféricas e rurais. Qual a diferença entre as duas modalidades e quais conhecimentos o investigador urbano deve possuir para evitar erros de interpretação? A princípio, os grupos devem ter uma clara informação sobre as rota aéreas, nacionais e internacionais. Em Buenos Aires, por exemplo, existem muitos aeroportos de grande movimentação que recebem vôos privados ou governamentais, sob cronograma programado com antecedência, muitas vezes confundidos com fatos anômalos. Outro conhecimento que devem possuir é sobre fenômenos óticos e reflexos, comuns entre as luzes nas cidades. Movimentos celestes, posição dos planetas, reconhecimento dos satélites, chuva de meteoros, informações astronômicas etc, que precisam estar na cabeça de todo investigador, em qualquer jornada desse tipo. É muito importante também contar com um plano exato do campo visual, com as orientações dos pontos cardeais.

Andrea, como foi criado o Museu Ufológico em Vitória, Entre Rios? Pensamos que seria importante compartilhar com as pessoas os casos registrados e as evidências obtidas ao longo dos anos. Depois de criado o museu, tivemos a colaboração muito especial de um pioneiro da pesquisa ufológica argentina, Nicolas Ojeda, que, ao se retirar da vida investigativa, nomeou minha mãe como depositária de todo seu material, obtido durante décadas. Neste acervo estão casos investigados e literatura de todo tipo. No quinto ano de criação do museu, e devido ao volume de material próprio, mais o que chega de distintos locais do mundo, a estrutura cresceu e conta com três salas, uma delas para conferências, onde as pessoas podem assistir aos vídeos produzidos sobre os casos investigados.

E como funciona a instituição? Lá estão exibidas peças e restos de metais de casos famosos, como o de Ubatuba, no Brasil (1957), Tacuarembó, no Uruguai (1973), um estranho artefato caído na chácara de um coronel da Marinha Argentina (1969), e o que se converteu na “estrela” do museu, uma peça de um UFO acidentado em Rincón Del Doll, na Província de Entre Rios, em 1991. Lá também pode ser vista uma esfera, que aparentemente seria proveniente da missão russa Soyuz 7, de outubro de 1969, e que teria caído em Casilda, Província de Santa Fé, também em 1991. E há ainda o fenômeno das mutilações de gado, que pode ser conhecido por meio dos casos pesquisados, e, como acontece em qualquer museu, também temos fotografias de diferentes locais, nacionais e internacionais. O local é visitado por aproximadamente 6.000 pessoas por ano, número que corresponde exatamente à capacidade máxima possível.

Essa peça especial, a qual se referem, foi enviada a alguma instituição para ser analisada? Qual foi o resultado? Enviamos para análise em dois laboratórios metalúrgicos, um em Rosário e o outro em Buenos Aires. Na análise espectrométrica, a composição química é básica, o tipo de aço é inoxidável, resistente a altas temperaturas e ataques químicos. A prova com magnetismo foi positiva, o ímã funciona, mas não é possível distinguir os cristais ferrosos. A peça é saturada de cromo e molibdênio [Metal encontrado em quantidades mínimas no organismo, e prontamente absorvido no estômago e intestino delgado, também utilizado na indústria em forma de ligas metálicas]. Os resultados informam ainda que se trata de um aço inox magnético, com liga de cromo-molibdênio superior a 4%. Contém ainda silício, titânio, carbono, enxofre, fósforo, manganês e níquel. Os dois peritos que realizaram as análises não emitiram nenhuma opinião referente ao material, mas, sob sigilo, admitiram que se trata de uma liga estranha e desconhecida para ambos.

A Argentina possui intensa casuística. Na década de 60, foi marcante o caso da Ilha da Decepção, na Antártida, onde a Marinha Argentina realizava estudos. Uma das referências dele foi o então tenente Daniel Perissé, que expôs à população uma série de fotografias com objetos estranhos. A partir dessa ocorrência inusitada, a Marinha criou uma comissão para estudar o Fenômeno UFO


Alguém já apresentou uma resposta para a origem do material? Este é um assunto difícil, porque nenhum profissional arrisca nos dar informes conclusivos. Apenas mencionam a participação dos elementos e em qual porcentagem, mas não concluem se têm características desconhecidas ou se pertencem a determinado grupo de elementos. Chegamos a enviar os resultados à Força Aérea Argentina (FAA), em Córdoba, mas não obtivemos respostas de ninguém. Nem sequer atendem ao telefone. Infelizmente, temos vários exemplos como este por aí.

Para vocês, quais são os casos mundiais mais importantes e melhor documentados? Sem dúvida alguma, Roswell deve ser um deles, pela quantidade de informação que gerou e gera até hoje. Outro caso que nos impressionou muito foi o de Varginha, pela quantidade de testemunhas e excelente pesquisa realizada pelos ufólogos brasileiros, que nos permitiu conhecê-lo além da crônica jornalística. Um caso ocorrido na cidade de Manises, na Espanha, foi de grande interesse, pela participação dos pilotos das companhias aéreas [Veja edição UFO 164]. A explosão de um UFO em Ubatuba é um deles. Temos um fragmento no museu, que foi analisado na Universidade de Brasília (UnB) e no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). A onda ufológica do México, no final dos anos 90 e início de 2000, introduziu a imagem como um novo fator de avaliação das ocorrências ufológicas. Além destes casos, são tantos os fatos importantes ocorridos no mundo que é muito difícil destacar todos da forma como merecem.

E entre os episódios argentinos, quais seriam os mais relevantes? O país possui intensa casuística e acontecimentos muito bons. Na década de 60, o caso da Ilha da Decepção, na Antártida, onde a Marinha Argentina realizava estudos científicos, foi marcante. Uma das referências dele foi o então tenente Daniel Perissé, que expôs à população uma série de fotografias com objetos estranhos. A partir dessa ocorrência inusitada, a Marinha criou uma comissão para estudar o Fenômeno UFO. Outro caso muito interessante foi registrado nos anos 70, no Dique La Flórida, na Província de São Luis, onde cinco pescadores viram um UFO pousar. Segundo eles, de dentro da nave saiu um estranho ser que se aproximou e fez um gesto de saudação. O Caso Trancas, na Província de Tucumán, e outro, que contou com o testemunho de funcionários do Cassino de Mendoza, também são bem lembrados, bem como o Caso Platner, que envolveu uma vítima de abdução na Província de La Pampa.

Poderiam citar outros, mais recentes? Nos anos 90 foram registrados vários fatos importantes, mas há dois considerados referências, ambos do ano de 1995. Um deles é o caso de Joaquim V. González, ocorrido na Província de Salta, na região da Serra Colorada, onde caiu um objeto deixando diversas evidências, entre elas a vegetação queimada. Algumas fotos foram feitas, partes da fuselagem foram recuperadas pelo Exército de Fronteira e muitas testemunhas foram identificadas. Há também o Caso Polanco, que foi outro que deixou muitas pistas. Nele, um avião da Aerolíneas Argentinas, pilotado por Jorge Polanco, foi interceptado por um UFO. Uma aeronave do Exército de Fronteira, a maior altitude, foi testemunha do fato, também detectado pelo radar do aeroporto, onde houve depois queda de energia. A falha no fornecimento de energia foi ainda verificada em outros pontos da cidade de Bariloche, onde tudo se deu [Veja edição UFO 164].

E quais os casos que vocês consideram mais expressivos na sua região, Vitória? Houve e ainda há muitos fatos de grande impacto. Cremos que os mais relevantes sejam o da queda de um UFO em Rincón Del Doll, no ano de 1991, à 30 km da cidade. Pertencia a uma frota de cinco UFOs, dos quais um explodiu em pleno ar e caiu ao solo. Um dos fragmentos da nave está no museu. No mesmo ano houve o Caso Luzes da Água, acontecido na Lagoa do Pescado e Lagoa Grande. Tivemos acesso a fotografias de luzes que apareciam na região e voavam, dando rasantes na água para, logo depois, desaparecerem dentro dela. Muitas testemunhas da ilha comentam o fenômeno, que impulsionou a pesquisa ufológica e ainda é tema de estudos. Outra ocorrência é o Caso Colman, de 16 de outubro de 1992, em um quartel da cidade, onde um UFO foi visto pousando. Da nave, foram lançados raios sobre a testemunha, queimando seu rosto, a roupa e uma árvore. Foram avistados três tripulantes, denominados “Cara de Cabra”, que pareciam colher amostras do solo. Dois anos depois, foi registrado o Caso Estância Sol, no dia 11 de agosto, no município de Febres, à 25 km de Vitória. O UFO atropelou um cercado e fez desaparecer três metros de cerca de arame, que, durante as pesquisas, encontramos fundida dentro de uma das três marcas deixadas pelo objeto. Foram feitas análises das evidências e obtidas amostras de elementos que contaminaram o meio ambiente, como titânio, silício, molibdênio, entre outros.

Fascinante. Há mais ainda? Sim, não podemos nos esquecer das mutilações de gado. Foram registrados em Vitória ocorrências diversas, que perduram até a atualidade, sendo que o ano de 2009 foi muito expressivo para este tipo de manifestação. No entanto, o mais marcante e insólito foi o caso de uma porca mutilada que conseguiu sobreviver, apresentando feridas no maxilar, no olho e na região interna do ouvido.

crédito: Daniel Cayton
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A Argentina é uma das recordistas mundiais nos casos de mutilação de animais, supostamente por seres extraterrestres


















Que tipos de manifestações são as mais pesquisadas pela equipe Visión OVNI? A partir de 2004, começamos a expandir nossa pesquisa, partindo de pedidos das autoridades municipais, policiais e pessoas de outros pontos do país. Em outubro daquele ano, fomos investigar uma denúncia de mutilação de animais na localidade de Colônia Elias, na Província de Entre Rios. Descobrimos a complexidade do caso no local, ante o relato de uma família que dizia observar um animal de grande altura, abundante pelagem e com garras, que atacava o galinheiro e desaparecia dando grandes saltos. Também vale citar o Caso Noetinger, de agosto de 2005, quando um UFO iluminou um homem enquanto realizava tarefas rurais. Ele perdeu os sentidos e, depois de tempo indeterminado, acordou em cima de um galpão. Esse fato coincidiu com o avistamento de três UFOs e com a interrupção no fornecimento de energia elétrica na região. Em outubro do mesmo ano apareceram marcas de pouso em Los Cardales, oportunidade em que foi realizada uma perícia detalhada das mesmas.

Os ataques a animais estão entre as ocorrências mais abundantes investigadas por vocês? Sim, o fenômeno das mutilações de gado é um assunto preocupante, já que possui implicações sociais e econômicas cada vez mais importantes. Existe gado designado à quota Hilton [Destinados à exportação] e animais para criação genética, e as mutilações resultam na não procriação desses espécimes. Nossa equipe foi a que deu a conhecer esta fenomenologia argentina ao mundo. Posteriormente, e até hoje, nos encontramos percorrendo o país em busca de evidências. Nesse sentido, houve um espantoso fato, no ano passado, de testemunhas que puderam observar um animal sendo abduzido por um UFO. Esse caso é o que concentra grande parte de nossa pesquisa atual.

Como investigam as mutilações? É possível concluir como e por quem são feitas? Analisamos, com base na casuística mundial, se é possível a procedência extraterrestre, colhendo elementos relacionados a cada ocorrência, cada vez são mais evidentes. Em princípio, nosso protocolo de trabalho — chamado “24 horas” — apenas analisa animais conhecidos, vivos e mortos, que apresentem os cortes nesse período de tempo. Por outro lado, é necessário haver observação de luzes na região e elementos físicos para análise, como desaparecimento de água em tanques, banhados, lagoas e bebedouros de animais, além de vegetação afetada, interrupção no fornecimento de energia, entre outras características. O fenômeno tende a ser aéreo, ou seja, as vítimas são tiradas de seus locais de origem e, logo após, colocadas no mesmo lugar ou em outro, inclusive a vários quilômetros de distância. Já encontramos animais pendurados em árvores, entalados nos postes de divisão de fazendas, dentro de tanques de água ou debaixo de árvores com as ramas na sua vertical quebradas, indicando que caíram do alto nesses lugares.

Então, a hipótese extraterrestre é perfeitamente possível. Sim, nós trabalhamos exatamente sob esta perspectiva e as investigações demonstram que os fatos são inexplicáveis. A falta de evidência da presença humana é uma das variáveis que mais verificamos, já que nunca foram achadas marcas de pegadas, rastros ou elementos de descarte nos locais onde se encontraram os corpos. A ausência de testemunhas nos cenários também é gritante. Não existe evidência de movimentação de pessoas, móveis e luzes, a não ser em pouquíssimas exceções, estatisticamente desprezíveis. Houve algumas testemunhas que ouviram o mugido de animais, para logo depois encontrarem os mesmos nessas condições. Obviamente ainda não existe a prova que nos permita afirmar a hipótese extraterrestre, mas as perícias que estamos realizando e os indícios reforçam a hipótese. Em termos pessoais, estamos certas da ação alienígena.

No caso da porca que sobreviveu, foram realizadas análises laboratoriais ou consultados veterinários? A porca mutilada foi examinada por especialistas tanto da Faculdade de Veterinária da Universidade de Buenos Aires, onde realizamos as análises de tecidos, material fecal, sangue, entre outros, como da Universidade de General Pico, na Província de La Pampa. Na observação microscópica de duas amostras de pele não se encontrou epiderme. Foram observados focos necrosados e fibras musculares degradadas. A técnica utilizada foi o método de coloração hematoxilina-eosina, que marca o dano do corte [Técnica básica, dicrômica e geral, uma vez que possui dois corantes, a hematoxilina, que cora todos os núcleos de todas as células, e eosina, que cora o citoplasma das células]. Na observação da pele do focinho foi encontrado detrito celular e células epiteliais descamadas, sendo este o diagnóstico. Outros procedimentos também foram realizados, mas os resultados não indicaram alterações nem indícios expressivos de algo fora do padrão.

Curioso. E o que dizem os profissionais? Eles estranham o corte, o fato do animal ter sobrevivido ao impacto de tais feridas e os valores comuns nas análises de diferentes amostras. Não encontraram nada nos resultados que pudesse explicar as feridas. Ainda existe muito a ser estudado nesse caso.

Vocês podem dar mais detalhes sobre o caso de abdução da vaca, a qual se referiram? As testemunhas são um casal que passava alguns dias de descanso em Puerto Gaboto, na Província de Santa Fé. Eles observaram e fotografaram um UFO com um ponto branco como que pendurado nele, na diagonal. O interessante é que as testemunhas viram o que fotografaram, e este é um diferencial importante no qual concentramos a pesquisa. Foram realizadas diversas entrevistas por parte de nossos ufólogos e solicitamos a colaboração de pesquisadores reconhecidos, como Yohanan Díaz, do México [Consultor da Revista UFO] e Marco Barraza, do Peru. Os relatos do casal são muito objetivos e contundentes, e a análise das fotos atestou a autenticidade das imagens, numa seqüência que permite, inclusive, fazer a previsão do movimento das pessoas durante o fato.

Uma ocorrência impressionante é o Caso Colman, de 16 de outubro de 1992, ocorrido em um quartel da cidade, onde um UFO foi visto pousando. Da nave foram lançados raios sobre a testemunha, queimando seu rosto, a roupa e uma árvore. Foram avistados três tripulantes, denominados “Cara de Cabra”, devido à sua aparência incomum. Os seres pareciam colher amostras do terreno


Há material sendo apurado ou analisado cientificamente? Sim, enviamos tudo para diferentes fontes de estudo, objetivando obter distintos pontos de vista. Fizemos consultas cruzadas ao ufólogo Ariel Sanchez Rios, da Comissão Receptadora e Investigadora de Denuncias OVNI (Cridovni), do Uruguai, e aos pesquisadores do Comitê de Estudos de Fenômenos Aéreos Anômalos (Cefaa), do Chile, além dos técnicos da empresa Bigelow, através de Melissa Godoy. Ela nos confirmou estar fazendo a análise do caso, e estamos aguardando o resultado dessas perícias. Por outro lado, estamos à procura do dono do suposto animal. Este é um caso realmente intrigante.

Existe algum catálogo sistematizado que reúna as ocorrências ufológicas verificadas na Argentina? A elaboração da casuística anterior à década de 90 estava limitada às observações que as testemunhas relatavam e, baseados nisso, foram traçados diversos parâmetros, como os meses de maior incidência de casos, entre junho e julho, e os horários mais propícios para observações, das 19h00 às 21h30, de 00h30 às 02h00 e das 05h00 às 06h30. Também foram identificadas características específicas, como formato de prato e metálico, entre os anos de 1960 e 1970, ocorrência de marcas e contatos de terceiro grau, entre as décadas de 70 e 80, e o aparecimento de luzes no ar, solo e água, a partir da década de 90.

Até que ponto esses dados são confiáveis? Com o surgimento e mais facilidade de acesso à tecnologia, e ante o início do fenômeno conhecido como “UFOs fantasmas”, muitos parâmetros foram quebrados e, com eles, as estatísticas. Apesar disso, esses novos componentes na pesquisa exigem sempre mais responsabilidade por parte dos pesquisadores, já que as fotografias que hoje são enviadas por pessoas, obtidas com câmeras digitais, são muito duvidosas. As análises também requerem investigação mais detalhada, pois os programas de edição de imagens são acessíveis à população e de fácil utilização. É muito difícil ter como positivo um caso partindo dessas análises. Particularmente, consideramos com mais credibilidade os casos com testemunhas diretas, tendo em vista que as estatísticas estão se mantendo estáveis. Vale lembrar que muitos pesquisadores incorporam na casuística os UFOs fantasmas.

Quais cuidados são necessários aos pesquisadores para não endossarem fraudes em fotografias ou filmagens? A fotografia, como respaldo de evidências, tornou-se uma faca de dois gumes. O ponto não é tanto a fraude em si, porque é fácil ser desmascarada com alguns softwares específicos e, fundamentalmente, com as testemunhas, por meio de questionários elaborados. Elas sempre acabam confessando a farsa ou terminam sendo desmistificadas. O problema é com o material enviado por pessoas aparentemente de boa fé, que fotografam e filmam algo acidentalmente, mas depois, ao baixarem as fotos no computador, vêem pontos aleatórios que acabam definindo como sendo discos voadores. Todavia, num olhar mais atento e técnico, logo se descobre tratarem-se de pássaros ou insetos. Temos um assessor de imagens, Salvador Carta, que faz trabalhos de análise impecáveis.

Como as pessoas costumam reagir quando recebem um resultado negativo para uma imagem, inicialmente considerada ufológica? Quando estão dispostas a aceitar a realidade, agradecem pela resolução da dúvida. Porém, às vezes, algumas se aborrecem quando lhes informamos que não se tratavam de UFOs. Ainda assim, a verdade está acima de tudo.

Qual é o objetivo da Cefora?
A Comissão de Estudos do Fenômeno OVNI da República Argentina (Cefora) é constituída por pesquisadores nacionais de diferentes províncias. Trata-se de um comitê criado numa convocatória voluntária de muitos ufólogos, com a intenção de solicitar ao governo argentino a liberação dos documentos ufológicos em poder de toda e qualquer organização militar, científica e governamental, de caráter local, provincial e nacional [A página do Cefora na internet está disponível no endereço www.cefora.com.ar]. Nossa meta é reunir 100 mil assinaturas para apresentação à Câmara dos Deputados da nação, junto com dois anexos, compostos por casos investigados no país, nos quais há o conhecimento da intervenção de órgãos oficiais, e os casos envolvendo militares dos países que já liberaram informações, como por exemplo o Brasil. Esses elementos serão levados junto de um Projeto de Declaração, com um cuidadoso texto, para evitar que o expediente perambule e se perca por mais esferas federais desnecessariamente.

Além da internet, como vocês divulgam o trabalho da Cefora e buscam conscientizar a população? A comissão oferece conferências em diversos pontos da Argentina, mostrando os casos que serão apresentados perante as autoridades e colhendo assinaturas para realizar a petição. Certamente, estamos no caminho para conseguir os objetivos propostos e, mesmo organizados há pouco tempo, já temos milhares de assinaturas. É uma grande participação da sociedade, que demonstra uma conscientização cada vez mais apurada. Começamos a perceber o interesse de alguns setores políticos em acompanhar esta nossa iniciativa, fundamental para conseguir os resultados esperados. Neste ano, por exemplo, temos uma agenda muito intensa de conferências, não somente gerenciadas pela Cefora, como também fomos convidados por autoridades de diferentes organismos, municípios e pelo público em geral, para contribuir com este movimento de liberação de informações.

crédito: UFO Photo Archives
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Os registros fotográficos de UFOs na Argentina também são constantes, indicando forte ação de inteligências alienígenas no país vizinho



Percebem alguma repercussão positiva disso no meio ufológico?
Sim, as pessoas agora se atrevem a denunciar novos casos abertamente, avaliando a seriedade dos pesquisadores que integram a comissão. Isso nos deixa muito contentes.

Existe um comando no movimento? A Cefora é uma organização horizontal, constituída por uma comissão diretiva integrada por 16 membros, que desenvolvem tarefas específicas. Continuamos reunindo colaboradores de vários países, que consolidem a credibilidade do trabalho desenvolvido e também adotem, como objetivo central, a busca pela liberação das informações sobre UFOs. Tomamos decisões em conjunto, tentamos também ser executivos e damos liberdade ao membro encarregado de um tema específico para a sua resolução, quando se tratam de assuntos da sua compreensão primordial, ficando as questões de fundo no âmbito resolutivo da comissão diretiva. Nosso slogan é “Cefora somos todos”. Portanto, não existe uma pessoa em particular que esteja à frente do movimento.

Com certeza, muitos admiradores e pesquisadores brasileiros, assim como os leitores da Revista UFO, gostariam de auxiliar ou participar desta campanha. Pode-se aderir a ela, mesmo do exterior? Como ajudar? Sem dúvida que todas as adesões são bem-vindas. Recebemos constantemente e-mails com listas de assinaturas de um grupo na França, por exemplo, que também cobra a liberação de informações a diferentes esferas governamentais da Argentina. Essa é uma boa maneira de ajudar, mas também estamos abertos a sugestões. Podem nos escrever e participar através da página da equipe Visión OVNI na internet, acessível no endereço www.visionovni.com.ar.

Vocês estão acompanhando a liberação dos arquivos ufológicos no Brasil? Sim! Para nós, o processo no Brasil é muito importante e um exemplo a ser seguido, passo a passo. Como existe uma relação estreita entre os governos do Brasil e da Argentina, aspiramos que o que está acontecendo no seu país contribua com o nosso pedido de liberação de informações, aqui na Argentina. Em nosso site, sempre publicamos as brilhantes conquistas da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), através da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já. Sabemos também do incomensurável esforço que teve de ser feito para unificar a comunidade pesquisadora em torno deste objetivo, e do pioneirismo de uns poucos, no início. Em nosso país, estamos dando os primeiros passos e acreditamos que a experiência brasileira nos incentiva a caminhar seguros nas ações que desenvolvemos. Certamente, colocamos as conquistas brasileiras como exemplo ante as autoridades argentinas que estamos contatando, uma referência muito forte e positiva para nós.

Qual está sendo a reação do governo argentino à sua campanha? O governo ainda não demonstra nenhuma reação pública quanto a este processo, mas sim em esferas secundárias. É parte de nossa estratégia envolver diferentes setores políticos, de distintas regiões, para conseguir uma representação de caráter federal. Ainda não está entre nossos objetivos realizar ações com agendas programadas de reuniões com autoridades nacionais. Preferimos seguir gradualmente, mas de maneira firme e ininterrupta.

Vocês encontraram brechas na Constituição Federal que possam lhes auxiliar na obtenção e desclassificação de documentos? A Constituição Argentina tem muitos artigos que garantem a liberdade de expressão, liberdade de imprensa e de informação. O mais importante é o de número 14, que dispõe sobre os direitos dos habitantes da nação, conforme as leis que regulamentem seu exercício. Nós nos baseamos neste conceito, do uso e prática de nossos direitos e obrigações, para iniciar nossa solicitação. Também existem outras normas sancionadas por nosso Congresso Nacional que nos permitem reclamar com maior contundência sobre este fato pontual.

A presidente Cristina Kirchner está para liberar arquivos sobre a Ditadura Argentina. Isso não ajudaria, como está ocorrendo no Brasil, a liberação também de documentos ufológicos? Talvez. Há poucos meses, a presidente Cristina Kirchner, através do decreto 04/2010, publicado no Diário Oficial, ordenou o seguinte: “Se exclui da classificação de segurança, estabelecida conforme disposições da Lei 25.520 e seu decreto 950/02, toda aquela informação e documentação vinculada com o acionar das Forças Armadas durante o período compreendido entre os anos de 1976 e 1983, assim como qualquer outra informação ou documentação, produzida em outro período, relacionada com essas ações”. Este é um grande avanço. Ao mesmo tempo, o governo assinala que se excetua “do disposto no artigo 1º do presente decreto, toda a informação e documentação relativa ao conflito bélico do Atlântico Sul e qualquer outro conflito de caráter interestadual”. O texto do decreto esclarece, além disso, que em nenhum caso se deixará sem efeito a classificação de segurança outorgada à estratégica militar à qual se refere a Lei de Inteligência Nacional. Esta liberação, que trata dos expedientes da Ditadura, nos dá a possibilidade de saber da existência de outros, que estão fora desta norma.

Como a imprensa argentina trata das ocorrências ufológicas?
Hoje em dia existem setores da imprensa que não apenas tratam o tema com muito respeito, como também respeitam todo o movimento de liberação de informação. Os principais meios de comunicação nacionais cobrem cada ação que desenvolvemos e se transformaram em nossos grandes aliados entre os meios locais e regionais. Alguns deles vão se despontando, nesse sentido, e alguns profissionais já se tornaram, inclusive, colaboradores da Cefora. Reuniremos ainda mais no futuro.

Trabalhamos com a hipótese extraterrestre para as mutilações de animais e as investigações demonstram que os fatos registrados são inexplicáveis. A falta de evidência da presença humana é uma das variáveis mais verificadas, já que nunca foram achadas marcas de pegadas, rastros ou elementos de descarte nos locais onde se encontraram os corpos de animais atacados


A mídia é o tipo de aliado fortemente competente quando quer, não?
Esta mudança é extremamente importante, porque há pouco tempo os meios de comunicação ridicularizavam as testemunhas e os pesquisadores, somente para conseguirem uma matéria de impacto. Essa mudança de postura, uma verdadeira metamorfose, aconteceu graças ao trabalho insistente de grupos que pesquisam o Fenômeno UFO, que deixaram o ego e a vaidade de lado e botaram os casos em primeiro plano, preservando as testemunhas e as evidências.

Existe alguma publicação especializada no assunto na Argentina, a exemplo da Revista UFO brasileira? Atualmente não existe nenhuma publicação especializada na temática ufológica em nosso país. Já houve várias tentativas muito boas, mas todas fracassaram. Poderíamos citar o periódico Gaceta OVNI, que era excelente. O público argentino consome muito a respeito do assunto, mas parece não comprar publicações. Existe um espaço muito limitado e nenhum editor arrisca entrar em algo com as características excepcionais e idôneas da Revista UFO.

Mas há mercado para absorver uma revista como a nossa? A sociedade em si está preparada, sim. Hoje em dia, existe muita gente que está interessada em informações consistentes e sérias sobre Ufologia, pois foi quebrado um tabu cultural a esse respeito. Claro que seria um trabalho de muita paciência, pois nem todos têm acesso aos níveis de informação que nós possuímos, como consumidores do assunto UFO, devido ao grande desconhecimento que ainda persiste — e até pela pouca abordagem por parte dos meios de comunicação. Mas, se o conteúdo for produzido com seriedade e competência, com credibilidade, como no caso da Revista UFO, acreditamos que, no prazo de dois anos, é possível conseguir um posicionamento interessante no mercado argentino com uma publicação sobre o Fenômeno UFO.

Na opinião de vocês, há algum avanço na Ufologia desde o seu princípio? Para onde caminha e qual a perspectiva que têm com relação a esta disciplina? É incontestável que se conseguiram avanços importantes. Para começar, deixou de haver preconceito ao tema e as pessoas já o incorporaram como uma possibilidade real da existência, independentemente de terem sido testemunhas ou não de acontecimentos. Hoje falamos da liberação dos documentos ufológicos, de avanços baseados em tecnologia alienígena, da possibilidade real de contato. A pesquisa do Fenômeno UFO requer a constituição formal de um campo multidisciplinar de estudos, e acreditamos que o pesquisador deve formar-se muito fortemente em perícia para estudar as evidências que muitas vezes estão disponíveis, mas não podemos revelar, porque não possuímos o conhecimento suficiente para fazê-lo. Porém, não basta a aquisição do conhecimento. Precisamos ter a atividade registrada, oficializada e, obviamente, paga. Somos conscientes de que nenhum trabalho investigativo pode ser desenvolvido seriamente sem a organização logística, sem contar com o instrumental adequado e sem o acesso a laboratórios de análises para as amostras obtidas. Enquanto não temos as ferramentas básicas, embora cada vez mais profissionalizados, somos apenas um grupo de amadores com uma atitude muito boa e respeitável.

O que podemos esperar da investigação ufológica e dos investigadores? E da ciência? Esperamos que sempre estejam no local onde os casos acontecem e que possam reunir testemunhas, já que são elas que aportam vivências e evidências. Sem o ufólogo não há investigação, somente um processo informativo. Da ciência, esperamos o todo. Ela é que finalmente constatará a veracidade, através de experimentações e metodologias com as quais cientistas proclamarão a hora de demonstrar que existe tecnologia diferente transpondo nosso próprio desenvolvimento científico e tecnológico. É disso que também se trata a questão, em última instância. A aquisição de novo conhecimento estimula o desafio no homem, que verá aumentadas suas capacidades. Conhecimento é poder e o poder é parte integrante da humanidade. Somente pedimos que tenham a capacidade de administrá-lo em benefício da sociedade, do mundo e do planeta.

Em sua opinião, quais avanços científicos afetam, direta e positivamente, a pesquisa dos discos voadores? Acreditamos que o controle do tempo e do espaço é um dos desafios mais importantes da ciência. Se pressupomos que os UFOs têm algum sistema de propulsão baseado no uso de correntes eletromagnéticas, de alta ou baixa freqüências, existe um campo ainda infinito de investigação a esse respeito. Na Argentina houve um pesquisador [Arnoldo Valenzuela] que durante muitos anos desenvolveu trabalhos nesses campos, impulsionando um programa denominado Egani, que tentava identificar as correntes eletromagnéticas de baixa freqüência. Ele instalou num Boeing 747 um canhão que bombardeava a baixa atmosfera com bário e, com isso, conseguiu identificar tais correntes. O material, em reação com o oxigênio, o tingiu de vermelho-alaranjado e toda essa gama de cores, até o azul. Coincidentemente, os UFOs, em muitas ocasiões, são vistos com estas cores. A pergunta que surge é: eles utilizam estas correntes para sua propulsão? Na busca pela resposta existe um campo imenso de estudos em desenvolvimento. Vejam, por exemplo, o avanço nas telecomunicações a partir dessas pesquisas, da telefonia celular, da internet, das comunicações por satélite etc.

crédito: Cesar Estebán
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Congresso Nacional Argentino estão na mira do Cefora, entidade que pede libertação de documentos ufológicos secretos mantidos pelas forças armadas do país desde a Ditadura





















Como o Fenômeno UFO não é 100% físico, o que pensam vocês sobre a Ufologia Mística? É uma pergunta difícil de responder, mas há algo que costumamos dizer na intimidade de nossa equipe, que tem a ver com os contatados e a comunicação telepática por parte de seres extraterrestres. Existe um elemento do Fenômeno UFO que definitivamente se encontra além do nosso plano, que é realmente espiritual. Mas é dificílimo nos pronunciarmos por esta perspectiva, porque tentamos enquadrar nosso trabalho nas evidências e na ciência. No entanto, temos muito respeito por esta área, pois, afinal, o estudo é um imenso leque, repleto de caminhos que não podemos descuidar. Temos que prestar atenção neles, e entre eles está a parte extrafísica.

O holismo, que prega a interconexão e influência mútua dos elementos do universo, pode ser uma das chaves entre ciência e consciência?
Definitivamente, acreditamos nisso como um todo. É um conceito e, ao mesmo tempo, um jogo filosófico. Não admitimos ciência sem consciência. É necessário existir uma síntese que a interprete e comungue. Quando, hoje em dia, está na moda a exopolítica, por exemplo, não podemos nos esquecer da política interior, ou seja, a recuperação da essência genuína dos valores humanos, para sua aplicação em qualquer campo e que signifiquem um real e efetivo progresso no desenvolvimento das pessoas e seus contextos no marco da sociedade. Isso envolve absolutamente tudo, do nano ou microcosmos até o universo.

Para vocês, o que é o Fenômeno UFO? Qual sua verdadeira procedência? Andrea: Acredito que existe uma realidade, algo que procede de outras galáxias e vem nos visitando durante diversos períodos da história do planeta. Na minha visão, outras espécies estão realizando um processo investigativo e de monitoramento da raça humana. Acho que ninguém poderia intrometer-se diretamente no nosso desenvolvimento, porque isso mudaria os eixos da nossa própria evolução. Mas creio que o universo é muito sábio e equilibrado para ser modificado, e que as alterações que se produzem são acomodadas pelo sistema, com as conseqüências bem direcionadas a quem as causou. Silvia: Os UFOs são um dos tantos mistérios na nossa vida. Pode-se pensar na origem extraterrestre ou imaginar uma procedência humana, mas com toda certeza é algo que conta com uma tecnologia que, evidentemente, foi obtida de algo superior. O que podemos esperar? É realmente impossível saber, pois não existe nada no universo que nos forneça tal resposta. Teremos nós mesmos que buscá-la, e isso só será possível com muito trabalho sério e não com divagações puras e simples.

Vocês foram convidadas para fazerem parte do Conselho Editorial da Revista UFO, o que agradecemos em nome de toda a Equipe UFO. Agora, quais são suas expectativas no que se refere ao trabalho que poderão desenvolver?
Temos muita expectativa em aprender. Acreditamos que o que conseguiu a Equipe UFO, como pesquisadores de alto nível, em conjunto e através dos anos, é imensamente proveitoso e exemplar, algo realmente admirável. Não temos dúvidas de que, assim como em qualquer organização, deve haver pessoas que opinam de forma distinta, vêem as coisas diferentemente, mas achamos mais louvável a união de forças, além das diferenças, por um objetivo superior. A Revista UFO é um exemplo como organização e como ação. Além do mais, conhecer de perto os casos do Brasil e contribuir para que os colegas brasileiros possam igualmente se envolver com a casuística argentina certamente ativará um intercâmbio importante. Vamos incorporar elementos de nosso trabalho, somado aos que já possuímos. Isso, com certeza, frutificará nas pesquisas.

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