Scotty Newton Miler, apresentado como ex-agente da CIA e testemunha das investigações do Comitê Church, declarou que a maior parte dos documentos do chamado Majestic-12 é genuína. Esses arquivos, que vieram a público pela primeira vez nos anos 1980, foram amplamente classificados por fontes tradicionais como boatos ou desinformação. No entanto, a recente divulgação de documentos ligados ao caso JFK, liberados durante o governo Trump, trouxe novos elementos que estimularam uma reavaliação de sua autenticidade.
Os documentos do MJ-12 surgiram em dezembro de 1984, quando a roteirista Jamie Shandera, de Los Angeles, recebeu anonimamente um rolo de filme de 35 mm ainda não revelado, postado no Novo México. Ao ser processado, o material revelou o que aparentavam ser papéis confidenciais descrevendo um programa governamental voltado ao estudo de fenômenos extraterrestres. Shandera compartilhou o conteúdo com o ufólogo William Moore, coautor de “O Incidente de Roswell”, e juntos investigaram sua origem. Em 1985, eles encontraram nos Arquivos Nacionais o chamado memorando “Cutler-Twining”, que foi interpretado como possível evidência adicional relacionada ao vazamento.

O público tomou conhecimento mais amplo desses documentos apenas em 1987, quando o pesquisador britânico Timothy Good recebeu uma cópia de uma fonte ligada à inteligência. A partir disso, Moore e Shandera apresentaram suas versões à imprensa. Embora o ceticismo tenha predominado, alguns dos envolvidos passaram a admitir, posteriormente, que parte do material poderia ser autêntica, ainda que possivelmente mesclada com desinformação.
Conhecido também como “Fonte S-1”, Newton teria mantido proximidade com James Jesus Angleton, ex-chefe de contraespionagem da CIA, e participou de depoimentos durante as audiências do Comitê Church nos anos 1970. Após deixar a agência em 1974, passou a liderar a seção do Novo México da Associação de Ex-Oficiais de Inteligência, ampliando sua rede de contatos na comunidade de segurança nacional. Ele afirma ter sido responsável pelo vazamento dos arquivos do MJ-12 e sustenta sua legitimidade, incluindo documentos antes contestados, como o relatório de dez meses do AAWSAP/BAASS e o chamado arquivo “Kona Blue”. Segundo Newton, esses materiais eram destinados exclusivamente a altos níveis de acesso e jamais deveriam ter se tornado públicos. Em sua avaliação, houve um esforço deliberado de supressão e desinformação conduzido por setores da inteligência para desacreditar evidências relacionadas a visitas extraterrestres.

O debate ganhou novo fôlego após a liberação de milhares de páginas ligadas ao assassinato de JFK, em cumprimento a uma ordem executiva assinada por Trump em janeiro de 2025. Os documentos, disponibilizados pelos Arquivos Nacionais, trouxeram à tona registros antes retidos e direcionaram novamente a atenção para as declarações de Newton. Paralelamente, uma força-tarefa do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes analisou o material, investigando possíveis tentativas de ocultação de informações e eventuais esforços de desinformação dirigidos ao Congresso.
Entre os novos registros, pesquisadores identificaram elementos que poderiam sustentar partes dos arquivos MJ-12. O Dr. James Lakatski, que teve acesso a documentos originais de programas especiais de acesso, afirmou que o relatório “Kona Blue” fazia referência a eventos já ocorridos, e não a projeções futuras. Essa interpretação reforça a tese de Newton de que os documentos não seriam meras fabricações, mas componentes de um programa altamente restrito dentro da estrutura de inteligência.

Caso as declarações de Newton se confirmem, as implicações seriam profundas. Elas sugeririam a existência de um esforço governamental de longo prazo para controlar informações relacionadas a atividades extraterrestres, com possíveis registros que remontariam a milhares de anos. Referências presentes nos arquivos indicariam que visitas interestelares poderiam ter ocorrido há pelo menos 12 milênios, desafiando interpretações históricas tradicionais.

A controvérsia também levanta questionamentos sobre o papel de agentes de desinformação e iniciativas oficiais de desacreditação. Mesmo décadas após o surgimento dos documentos, órgãos como o FBI e a Força Aérea mantiveram a posição de que os arquivos do MJ-12 seriam falsos. Contudo, as recentes alegações de Newton e as possíveis confirmações indiretas reacenderam o debate, sugerindo que tais negativas poderiam ter feito parte de uma estratégia mais ampla de sigilo.

Com o retorno do tema ao centro das discussões, os documentos MJ-12 continuam a provocar intensos debates entre pesquisadores, historiadores e profissionais da inteligência. O ressurgimento dessas informações reforça que a discussão sobre UFOs, transparência governamental e possíveis encontros extraterrestres permanece aberta, longe de alcançar um consenso definitivo.





