Caso Varginha: Live Histórica traz revelações de ex-militar 30 anos depois! Assista!

Live apresentou o áudio do “Militar3”, dizendo que temia pela sua vida! Trechos são inéditos!

Thiago Ticchetti
10 minutos de leitura

Três décadas após os acontecimentos que colocaram Varginha (MG) no centro da ufologia mundial, o Caso Varginha voltou ao debate público com a exibição de um documentário produzido pela Rede Globo. Embora a produção tenha reavivado o interesse popular pelo episódio ocorrido em janeiro de 1996, ela também provocou forte reação entre pesquisadores, testemunhas e integrantes históricos da investigação, que apontam omissões graves, distorções narrativas e a exclusão de evidências documentais fundamentais.

Foi diante desse cenário que a Revista UFO promoveu uma live especial reunindo seu editor, Thiago Luiz Ticchetti, o pesquisador Marco Antônio Petit, presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) — e o advogado Flori Tasca, representante jurídico da revista UFO, membro da CBU e presidente do Grupo Ufológico Pato Branco – PATOVNI. O objetivo foi claro: apresentar ao público aquilo que o documentário exibiu de forma incompleta ou simplesmente deixou de fora.

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Uma live histórica trouxe informações inéditas

Um caso maior do que um único depoimento

Uma das principais críticas feitas à série televisiva é a redução do Caso Varginha a um número limitado de testemunhos, especialmente ao episódio envolvendo as três jovens que relataram o avistamento de uma criatura. Embora esse relato seja central, os pesquisadores lembram que o caso é composto por múltiplas camadas: movimentações militares atípicas, relatos de civis independentes, declarações de profissionais da saúde, avistamentos de objetos voadores e documentos oficiais posteriormente obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

Segundo os debatedores, o documentário ignorou deliberadamente testemunhas civis adicionais, como moradores que presenciaram capturas, trabalhadores que observaram movimentações incomuns e relatos colhidos por jornalistas à época, entre eles os documentados no livro Os ETs de Varginha, de Margarida Hallacoc. Essa exclusão compromete a compreensão do fenômeno como um evento complexo e multifatorial.

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Edição 301 da Revista UFO traz texto de Marco Antonio Petit com revelações INÉDITAS sobre o Caso Varginha! Compre a sua edição digital!

A controvérsia do “mudinho” e o Inquérito Policial Militar

Outro ponto central da crítica refere-se à explicação oficial adotada pelo Exército Brasileiro e reforçada pelo documentário: a hipótese de que as jovens teriam confundido a criatura com um morador local conhecido como “mudinho”. De acordo com Marco Petit, essa tese não se sustenta nem logicamente nem documentalmente.

O Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado à época contém, segundo os pesquisadores, indícios claros de manipulação. Um dos aspectos mais graves revelados é a existência de pedidos formais para que fotografias do morador fossem alteradas, com o objetivo de aproximá-las da descrição do ser observado pelas testemunhas. Além disso, o IPM teria modificado o horário oficial do avistamento — deslocando-o da tarde ensolarada para o período noturno chuvoso — para adequar a narrativa a essa explicação alternativa.

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Página do IPM buscando a semelhança entre o “Mudinho” e o ser visto pelas meninas.

Esses elementos constam do próprio inquérito militar, mas não foram apresentados ou contextualizados no documentário, apesar de terem sido indicados aos produtores durante as entrevistas.

Acusações sem provas e o peso da edição

Talvez o ponto mais sensível abordado na live tenha sido a forma como o documentário tratou acusações contra o ufólogo Vitório Pacaccini, sugerindo que testemunhos teriam sido obtidos mediante promessa de pagamento. Os participantes destacaram que acusações dessa gravidade exigiriam provas materiais, investigação jornalística aprofundada e direito pleno ao contraditório — o que, segundo eles, não ocorreu.

Gravações históricas envolvendo militares, realizadas nos anos 1990 com o compromisso de sigilo para proteger as fontes, foram utilizadas de maneira fragmentada. Trechos essenciais, que contextualizam o medo real de represálias por parte das testemunhas e suas motivações para falar, ficaram de fora. A edição final, afirmam os pesquisadores, construiu uma narrativa que lança suspeita sobre décadas de trabalho investigativo sem apresentar evidências equivalentes ao impacto das acusações.

Ex-militar disse que temia pela vida

Ao relatar o momento em que o médico levantou a lona, o militar afirmou que, para ele, aquilo definitivamente não era humano. Disse que não havia como confundir o que viu com uma pessoa comum, descrevendo a aparência como extremamente feia e perturbadora. Além do aspecto visual, chamou atenção para o odor intenso que emanava do local, um cheiro muito forte, semelhante ao de amoníaco, que reforçava a sensação de estar diante de algo fora do comum.

Segundo seu relato, as suspeitas de que algo diferente havia ocorrido começaram a se intensificar quando ele e outros envolvidos passaram a ser isolados. O ambiente mudou completamente: cessaram as conversas informais, ninguém perguntava como estavam ou o que havia acontecido, e a orientação passou a ser clara e direta — ninguém sabia de nada, ninguém tinha visto nada. Essas instruções, segundo ele, vinham de todos os níveis da hierarquia, incluindo oficiais como o coronel Vanderlei, o tenente Tibério e o sargento Pedroso.

O isolamento tornou-se ainda mais evidente dentro da ESA, onde ele praticamente deixou de ter contato com outros militares que participaram da missão. A rotina passou a ser fragmentada, com escalas desencontradas e afastamentos deliberados, impedindo qualquer troca de informações entre os envolvidos. Para ele, esse procedimento reforçou a sensação de que havia algo sério sendo ocultado.

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Com o passar do tempo, ao acompanhar reportagens na televisão e nos jornais, o militar começou a ligar os fatos. Reconheceu pessoas envolvidas nas investigações e percebeu que as notícias estavam diretamente relacionadas à missão da qual havia participado. Para ele, não restava dúvida de que os acontecimentos divulgados publicamente tinham ligação direta com o que ocorrera em Varginha.

Ele relatou que só esteve na cidade após os primeiros eventos, integrando um comboio que partiu em um sábado pela manhã. O deslocamento ocorreu de forma aparentemente normal, com viaturas e pelo menos um caminhão, além da presença de carros civis estacionados ao longo do trajeto. Apesar disso, afirmou que não recebeu explicações claras sobre o objetivo da missão, apenas ordens para interromper outras atividades e cumprir o deslocamento determinado.

O depoimento assume um tom ainda mais grave quando o militar admite temer por sua própria vida. Ele declarou acreditar que as informações que detém são extremamente sensíveis e que existe, sim, a possibilidade de sofrer algum tipo de retaliação.

Deixe-me te perguntar algo direto: você teme pela sua vida?
— Sim. Não apenas temo, como acredito que algo pode acontecer.

— Você está convicto disso? Acha possível que tentem te matar?
— É possível, sim.

 Embora não soubesse apontar quem executaria uma ação desse tipo, afirmou temer membros da alta hierarquia militar, responsabilizando diretamente seus superiores caso algo lhe acontecesse. Entre os nomes citados estão o coronel Vanderlei, o coronel Moura, subcomandante, e o general Lima, comandante da unidade à época.

Segundo ele, o medo não se restringe a uma pessoa específica, mas ao conjunto da estrutura de comando, que teria poder e influência suficientes para silenciar qualquer um que representasse uma ameaça à versão oficial dos fatos.

Jornalismo, ética e responsabilidade histórica

Os debatedores foram cuidadosos em diferenciar a instituição Rede Globo de decisões editoriais específicas tomadas na produção do documentário. Ainda assim, ressaltaram que o jornalismo investigativo tem como princípio básico a busca equilibrada da verdade, especialmente em casos históricos sensíveis, nos quais documentos oficiais, testemunhos e contextos precisam ser confrontados de forma transparente.

Ao omitir denúncias documentadas sobre possíveis irregularidades no IPM, ignorar depoimentos relevantes e privilegiar interpretações que descredibilizam pesquisadores sem o devido respaldo probatório, a produção — segundo a análise apresentada — deixou de cumprir plenamente esse papel.

Um caso longe de estar encerrado

Longe de “sepultar” o Caso Varginha, como alguns críticos sugeriram após a exibição da série, o documentário acabou reacendendo o debate e motivando novas iniciativas de esclarecimento. A Comissão Brasileira de Ufólogos e a Revista UFO reafirmaram, durante a live, seu compromisso com a investigação responsável, o uso da Lei de Acesso à Informação e a preservação da memória histórica do caso.

Trinta anos depois, o Caso Varginha permanece aberto — não apenas como um enigma ufológico, mas como um exemplo emblemático de como a verdade pode ser fragmentada quando interesses narrativos se sobrepõem à investigação completa dos fatos.

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