ARTIGO

Os arquivos soviéticos secretos de OSNIs em águas internacionais

Por Paul Stonehill | Edição 217 | 01 de Novembro de 2014

A revelação dos arquivos secretos da antiga KGB mostra que as ocorrências de OSNIs eram numerosas
Créditos: RAFAEL AMORIM

Os arquivos soviéticos secretos de OSNIs em águas internacionais

Mesmo em tempo de paz, todos os países têm dados classificados como secretos sobre uma infinidade de situações que são vistas como ameaça à segurança nacional e pesquisas consideradas sensíveis. Se isso acontece de forma rotineira em nações não tocadas pela guerra, não é difícil de imaginar que em países fortemente armados, que vivem em clima de constante tensão, os segredos sejam ainda maiores e mais bem guardados — e entre eles estão aqueles que se relacionam com os UFOs.

Os arquivos secretos da atual Marinha Russa, antiga Marinha Soviética, contêm muitas informações valiosas sobre avistamentos de discos voadores e objetos submarinos não identificados e os pesquisadores militares do país têm sido bem detalhistas e profissionais em seus estudos sobre tais casos. Embora a maioria dos arquivos seja de acesso restrito, mesmo após a queda da União Soviética, ao longo de anos de pesquisa e com ajuda de colegas russos, ucranianos e de outros países agora independentes, conseguimos coletar algumas informações realmente interessantes. Algumas estão neste artigo.

Em agosto de 1965, a tripulação do navio a vapor Raduga, enquanto navega no Mar Vermelho, observou um fenômeno incomum. A cerca de 2 km de distância da embarcação, uma esfera de fogo irrompeu da água e pairou sobre a superfície do mar, iluminando-a. O objeto tinha 60 m de diâmetro e pairou a uma altitude de 150 m. Um pilar gigantesco de água subiu, conforme a esfera emergiu do mar, caindo alguns momentos depois. O avistamento foi mencionado em várias publicações soviéticas e o caso até hoje não foi liberado oficialmente. E ele não é o único, como se verá.

Houve também um fascinante avistamento no verão de 1972. Um UFO transmorfo foi observado por marinheiros soviéticos a bordo do Musson, um navio científico, a cerca de 300 km das Ilhas Bermudas, no Caribe. No início da manhã, Igor Vagin, o eletricista da embarcação, o operador de rádio e um dos navegadores observaram um corpo elíptico em movimento através do céu sem nuvens, que foi visto com clareza. O objeto se movia lentamente a uma grande altitude, de noroeste a sudeste. Chegando ao zênite, o UFO adquiriu o formato de uma roda e depois, distanciando-se do navio, tornou-se novamente um corpo elíptico alongado de cor branco-prateada. Todos os três observadores viram o artefato até ele desaparecer. Esse avistamento foi mencionado no artigo do cientista, jornalista e escritor russo Valentin Psalomschikov, publicado na revista russa NLO, especializada em assuntos relacionados com o paranormal, em 2001.

crédito: WIKIPEDIA
Mesmo as modernas embarcações de guerra da Marinha Russa estão sujeitas à ação de objetos submarinos não identificados hoje em dia
Mesmo as modernas embarcações de guerra da Marinha Russa estão sujeitas à ação de objetos submarinos não identificados hoje em dia

Já em 1976, outro fato chamou a atenção da então Marinha Russa. A tripulação do navio de pesquisa científica Vladimir Vorobyov observou oito raios radiais brancos e giratórios medindo em torno de 20 m de comprimento emanando de um objeto massivo, encontrado pelo localizador acústico a 20 m abaixo do navio — a profundidade da área de Bengala Bay, onde estava o Vorobyov, era de 170 m. O fenômeno durou 30 minutos. Quando os raios começaram a aparecer, os marinheiros, que estavam dormindo, ficaram assustados. O incidente foi relatado em uma série de publicações soviéticas.

Mais um fato espantoso foi o ocorrido em 28 de fevereiro de 1977 e descrito no jornal soviético Vechernyaya Odessa, que conteve ainda uma entrevista com o capitão do navio a motor Anton Makarenko, envolvido no incidente. Seu nome era Yevgeny Lisenko, e ele disse aos repórteres que, enquanto navegava pelo Estreito de Malak, em águas indonésias, cinco membros de sua tripulação testemunharam uma luminescência de proporções gigantescas. Às 02h00, os homens relataram ter observado uma roda luminescente com raios, com o epicentro das evoluções por trás do navio e com alcance de cerca de 18 km. A “roda” estava submersa e o fenômeno durou cerca de 50 horas.

“Alcançavam o horizonte”

Inicialmente, os marinheiros viram apenas alguns pontos luminescentes entre as ondas, que logo começaram a se multiplicar. Em seguida, os pontos de luz se estenderam em linhas de cerca de 6 a 8 m de largura, até o horizonte. A distância entre as linhas era de cerca de 40 m. Tudo se tornou brilhante, como se a Lua aparecesse no céu. A luminescência era fria, prateada e muito brilhante. “As linhas começaram a se mover, como pontas de uma roda gigante e com movimentos lentos que alcançavam o horizonte”, lembrou o capitão. Os tripulantes, todos eles homens experientes, sentiram tonturas e ficaram nauseados, como se estivessem em um carrossel. A evolução acelerou e as extremidades dos raios se dobraram. Finalmente, eles se partiram em pontos separados e desapareceram.


Há relatos soviéticos fascinantes vindos também da ilha Geórgia do Sul, localizada no território das Malvinas, a 1.600 km da Antártida. Como se sabe, a porção sul do Oceano Atlântico é uma das áreas mais remotas do planeta. Capitães de navios russos relataram que uma nuvem obscura em forma de cone pairava constantemente sobre a ilha. Anexa aos relatórios feitos pelos comandantes das embarcações, havia nos documentos que vazaram uma fotografia mostrando o movimento ascendente de um disco, vindo do fundo do oceano — o objeto não se parecia com um míssil, tampouco com um torpedo. Logo após sua ascensão, ele tornou-se invisível aos radares. Em dezembro de 1977, não muito longe da mesma ilha, a tripulação do barco de pesca Vasily Kiselev também observou algo extraordinário.

Ascendendo verticalmente debaixo do mar havia um objeto em forma de rosquinha, com diâmetro estimado entre 300 e 500 m. Enquanto a aeronave pairava a uma altitude de 4 km, a estação de radar da traineira ficou imediatamente inoperante. O aparelho permaneceu sobre a área por três horas e depois desapareceu instantaneamente. O relatório do evento foi feito pelo doutor Y. Zakharov, médico de bordo, que descreveu o UFO como um corpo ascendente na água, em forma de cogumelo, que deixava um rastro de fumaça atrás. O objeto mudou seu ângulo de inclinação em relação ao horizonte e depois desapareceu abruptamente sem deixar rastros”. Enquanto a tripulação observava o artefato, todos notaram que a estação de rádio de bordo apresentara defeito. O relatório dos eventos foi enviado para a Comissão Central de Fenômenos Anômalos no Meio Ambiente.

Mais casos registrados

O engenheiro siberiano U. Yerokhin relata um artigo publicado no jornal soviético Nedelya, em 1977, mencionando que os cientistas a bordo do navio Vladimir Vorobyov descreveram uma mancha branca brilhante que girava em torno da embarcação a uma profundidade de 170 m. A mancha, que de acordo com Yerokhin estava entre 150 a 200 m do Vorobyov, girava em sentido anti-horário. O localizador de profundidade sonora da embarcação registrou a presença de algo a uma profundidade de 20 m sob a quilha — uma luz se movia em forma de onda, com formato de oito raios rotativos e curvos, parecido com as lâminas de uma turbina.

O disco voador era como um corpo ascendente na água, em forma de cogumelo, que deixava um rastro de fumaça atrás. O objeto mudou seu ângulo de inclinação em relação ao horizonte e depois desapareceu abruptamente sem deixar rastros

Em 1997 o grupo editorial soviético Sudostroyeniye publicou um livro escrito por Mikhail Igorevich Girs, que foi comandante de um navio experimental. Na obra, ainda disponível em algumas bibliotecas regionais na Rússia, Girs discorre sobre a construção e sobre as missões de um aparelho científico submersível tripulado, chamado de Tinro-2. O autor cita um incidente que ocorreu no início de 1970, observado a bordo do submersível. À noite, conforme a escuridão descia sobre o mar, os marinheiros viram uma nuvem luminescente gigantesca, um pouco acima do horizonte, com formato quase perfeitamente redondo.

No meio da nuvem eles distinguiram um ponto que se movimentava de forma caótica, possuindo algo que lembrava uma cauda — os marinheiros observaram a nuvem crescer em tamanho, enquanto a cauda se movia constantemente. Quando a primeira nuvem se dissipou, outra cresceu no seu lugar e, em seguida, uma terceira. Em determinado momento elas cobriram uma à outra. As nuvens eram luminescentes e assemelhavam-se à Lua, mas não tão brilhantes. A transmissão de rádio não foi afetada e tampouco as bússolas magnéticas do navio.

Um evento pitoresco

Em 1958, Felix Zigel, professor assistente no Instituto de Aviação de Moscou e pioneiro da Ufologia Russa, criou, em conjunto com alguns entusiastas, um grupo para pesquisa do Fenômeno UFO. Suas contribuições foram imensas e eles escreveram uma série de livros sobre discos voadores na União Soviética, na época distribuídos como manuscritos para escaparem da censura estatal. Zigel faleceu em 1988, um ano antes de a censura ser abolida e a presença alienígena na Terra deixar de ser um tabu. Em um de seus livros, o pesquisador narrou um evento pitoresco. Em 1978, marinheiros do navio a motor Novokuznetsk observaram um UFO quando partiam do Equador. Um radiograma enviado do navio, em 15 de junho, relatava que à noite, da proa, foram observadas quatro trilhas brancas e brilhantes partindo rapidamente, cada uma delas com 20 m de comprimento. Ao mesmo tempo, outras duas trilhas, com 10 m comprimento, aproximaram-se da embarcação.

Logo em seguida, às 03h00, na frente do navio, uma esfera branca luminescente, com polos achatados, emergiu da água. Ela voou ao redor da embarcação e pairou por alguns segundos sobre o navio a uma altitude de 20 m. Em seguida elevou-se em ziguezague e desceu, submergindo. Fato semelhante ocorreu ao navio de cruzeiro Shota Rustaveli, que foi construído na Alemanha, em 1968. Em 2002, ele foi renomeado Assedo e então adquirido pela empresa ucraniana Kaalbye Shipping. Em 2003, como era uma embarcação obsoleta e desgastada, foi enviada para desmonte no porto indiano de Alang. Mas o Assedo guardava um segredo. Enquanto navegava pelo oceano Atlântico, em 1978, uma grande esfera voou sobre ele e os passageiros relataram que seus relógios pararam de funcionar. O avistamento do antigo navio de cruzeiro foi relatado em um manuscrito chamado Nablyudeniya, por Felix Zigel, em 1979.

Espetáculo celeste

Em 21 de setembro de 1980, um UFO também foi avistado a partir do navio Viktor Bugayev, no Oceano Atlântico. De formato incomum, o objeto se parecia com um charuto cônico e movia-se lentamente de sudoeste para nordeste. A porção dianteira da nave era luminescente devido a um grande feixe de luz flamejante que media mais da metade do comprimento do objeto e dava a impressão de estar direcionado para a parte traseira do navio. Depois de voar por algum tempo, o UFO pairou praticamente imóvel, girando sobre si mesmo de vez em quando. Em seguida, outro artefato idêntico separou-se do primeiro e rapidamente ganhou velocidade, desaparecendo a noroeste.

O primeiro aparelho, ainda pairando, desligou o feixe de luz e assumiu a cor de alumínio. Em seguida, passou a mover-se na mesma direção do objeto anterior, aumentando sua velocidade. Os contornos claros de seu corpo ficaram embaçados conforme ganhou distância. Entre os dois UFOs formou-se uma listra escura que cobria cerca de um sexto do comprimento da fuselagem e ambos voavam entre 3 e 4 km, sem emitirem som ou deixarem trilhas — no navio, 30 membros da tripulação observaram com atenção. O relatório sobre esse impressionante avistamento foi publicado em uma série de livros sobre UFOs e foi incluído originalmente no manuscrito de Aleksandr Kuzovkin, em 1981, sobre dados estatísticos de UFOs na União Soviética.

Kuzovkin tornou-se um importante ufólogo na Rússia, vencendo a censura oficial. Em 1990, ele tinha um arquivo com mais de 10 mil relatos de UFOs e acreditava que a falta de tato quanto a uma possível interferência deles em nosso mundo, poderia nos trazer consequências imprevisíveis. Ele falou abertamente em entrevistas que a ciência russa ainda se recusava a considerar o Fenômeno UFO como algo sério enquanto centros de pesquisa nos Estados Unidos sabiam da gravidade dos acontecimentos, pesquisas ufológicas eram realizadas na Europa e departamentos especiais para pesquisa de UFOs funcionavam na China. Quase foi fuzilado por isso.

O Caso Gori

Em junho de 1984, o petroleiro soviético Gori se encontrava no Mediterrâneo, a 35 km do Estreito de Gibraltar. Às 16h00, Alexander Globa, um dos marinheiros do navio, estava de serviço acompanhado do segundo em comando, S. Bolotov. Enquanto estavam de vigília na ala esquerda da ponte de extensão, os dois homens observaram um estranho objeto policromático no céu, que se aproximou até alcançar a popa do navio e então parou de repente. Bolotov, impaciente, sacudiu seus binóculos e começou a gritar: “É um disco voador, um disco real! Meu Deus, depressa, depressa, olhe!” Globa olhou através de seus próprios binóculos e viu, à distância sobre a popa, um artefato de aparência achatada que lembrava uma frigideira virada de cabeça para baixo. O UFO reluzia com um brilho metálico acinzentado.

A parte inferior da nave tinha uma forma redonda mais precisa e seu diâmetro não passava de 20 m. Em torno da parte de baixo do objeto Globa observou “ondas” de protuberâncias no chapeamento exterior. A base do corpo do UFO consistia de dois semidiscos, sendo o da parte superior menor. Ambos giravam em direções opostas. Na circunferência do disco inferior, Globa viu inúmeras luzes, brilhantes como pérolas — a atenção do marinheiro estava concentrada na parte inferior do aparelho. Ela parecia completamente uniforme e suave, sua cor era como a de uma gema e, no centro, Globa percebeu uma mancha redonda, como um núcleo.

crédito: JIM NICHOLS
Os objetos submarinos não identificados são capazes de entrar e sair de massas d’água com grande velocidade e incomum agilidade
Os objetos submarinos não identificados são capazes de entrar e sair de massas d’água com grande velocidade e incomum agilidade

Na borda do fundo do UFO, que era facilmente discernível, havia algo que se parecia um tubo — ele reluzia com uma cor rosada anormalmente brilhante, como uma lâmpada de néon. Na parte superior, o centro do disco era coroado por algo que tinha forma triangular. Parecia se mover na mesma direção que o disco inferior, mas a um ritmo muito mais lento. De repente, o UFO saltou várias vezes, como se movido por uma onda invisível. Várias luzes iluminaram sua porção inferior. A tripulação do Gori tentou atrair a atenção do objeto, fazendo sinais com um holofote.

Naquele momento, o capitão Sokolovsky já estava no convés com seus homens, observando intensamente o artefato. No entanto, a atenção do aparelho foi atraída por outro navio, vindo do porto — era uma embarcação árabe de carga seca, a caminho da Grécia, e sua tripulação confirmou que o objeto pairou sobre ela. Um minuto e meio depois, a nave mudou sua trajetória de voo para a direita, ganhou velocidade e subiu rapidamente. Marinheiros soviéticos observaram que, quando o veículo ascendeu, aparecendo e desaparecendo por entre as nuvens, ele refletia ocasionalmente os raios do Sol. O UFO então disparou como uma faísca e desapareceu instantaneamente. O testemunho de Alexander Globa foi publicado na revista ucraniana Zagadki Sfinksa, em 1992.

Mistérios no mar

Segundo a edição de junho de 1987 da revista Vokrug Sveta, no mesmo mês de 1984 o navio Professor Pavlenko, construído em 1973, com registro no porto da cidade de Odessa e enviado para desmontagem em 2000, também teve um encontro com OSNIs. De acordo com o relato, enquanto navegava no Mar Adriático, pela Baía de Zaton, a tripulação observou uma mancha brilhante que apareceu na superfície, acompanhada de círculos radiantes que se espalham sobre a água, a partir dela. Os círculos, que tinham bordas distintas, expandiam-se a uma velocidade de cerca de 100 m por hora. Sobre esse incidente, Mikhail Soroka, conhecido pesquisador de fenômenos paranormais em Kiev, Ucrânia, declarou em 2007 ao jornal Fakty que marinheiros tiveram inúmeros encontros com objetos não identificados: “Esses objetos aparecem inesperadamente, voam sobre os navios, e submergem na água sem causarem salpicos. Eles quebram o gelo no Oceano Ártico e emitem luminescência desde as profundezas do oceano”.

Soroka mencionou encontros com OSNIs que seguiam um cenário semelhante: cilindros gigantes apareciam no céu, pequenos UFOs voavam para fora de seus corpos e mergulhavam na água. Algum tempo depois, eles voltavam à superfície, voavam de volta para dentro do cilindro e desapareciam no horizonte. Após as aparições de tais objetos em uma determinada área, registrava-se que o campo eletromagnético da região experimentava flutuações. Soroka também mencionou um interessante incidente ocorrido nas Ilhas Curilas. Em um dos lagos congelados da região foi descoberta uma estranha marca de derretimento no gelo — sua forma era circular, com as bordas derretidas e o campo eletromagnético ao redor estava anormalmente elevado. No entanto, nenhuma testemunha foi encontrada para revelar o que realmente teria acontecido ou o que deixara tal marca no lago.

Não apenas Soroka, mas também outros pesquisadores russos descreveram um episódio de 1968 que teve lugar perto da costa da América do Sul. Depois de fazer uma investigação própria e detalhada e de entrevistar uma série de fontes, descobri que aquele foi um incrível episódio de encontro com uma entidade desconhecida debaixo d’água. Este incidente, muito incomum, aconteceu em 1968, durante uma viagem do navio de investigação científica Akademik Kurchatov, hoje desmantelado. Ele não era um navio de investigação científica comum e realizou 50 viagens em todos os oceanos do planeta, participando de grandes programas internacionais de pesquisas. Sua última viagem ocorreu em 1989, quando já era a principal embarcação da Academia Soviética de Pesquisas Científicas e Oceanologia. O Oceano Atlântico foi o seu principal campo de trabalho.

Pesquisas flutuantes

O Kurchatov era, na verdade, um instituto de pesquisas flutuante, bem equipado e inteligentemente projetado, com capacidade de manobras de alta complexidade, sistema de navegação, cortadores, botes salva vidas e um helicóptero. Em 01 de setembro de 1968, a embarcação navegava na região sudeste do Pacífico, não muito longe da costa da América do Sul, com tempo bom e surpresas não esperadas. De repente, quando um dos instrumentos científicos lançados ao mar atingiu a profundidade de 500 m, o cabo foi deslocado para o lado, como se alguém o tivesse puxado, e se partiu — a instrumentação se perdeu no fundo do oceano.


Um minuto depois, os grossos cabos que transportavam o tubo de amostragem do solo e o da draga de fundo também foram arrancados e completamente partidos, sem explicação. Isso nunca tinha acontecido antes durante as viagens de Akademik Kurchatov. Quando os cabos rompidos foram levados até o convés, os desesperados cientistas russos ficaram espantados: nos pontos de rompimento eles viram cortes de dois metros de comprimento, brilhantemente polidos. Era como se alguém tivesse usado uma lima gigante para cortar o cabo — a tripulação do Akademik Kurchatov nunca conseguiu descobrir quem fez aquilo com seus grossos cabos de aço.


KGB e ufólogos em conjunto

Em 1984, por decisão da União das Sociedades e Conselhos Tecnocientíficos da Rússia, foi fundado um organismo oficial de pesquisa do Fenômeno UFO, a Comissão Central de Fenômenos Anômalos, cujo presidente era V. Troitsky, membro da Academia de Ciências Soviética, e em cuja diretoria estava o general de aviação, piloto e cosmonauta Pavel Popovich. Ocorria ali o início de um processo de cooperação entre ufólogos e a então KGB que foi sem precedentes e um marco na história da pesquisa ufológica do país — e possivelmente do mundo. Popovich, que concedeu uma série de entrevistas fascinantes alguns anos antes de sua morte, citou em uma delas OSNIs e bases alienígenas subaquáticas na costa da então União Soviética.

Isso fez com que membros da Comissão recolhessem relatos de avistamentos de UFOs e OSNIs junto à população da nação. Um desses relatos veio de um mecânico de Leningrado chamado A. Golitikin. Em 1980, ele velejava a bordo da traineira frigorífica Brilliant quando teve uma surpresa. Em 24 de janeiro, a embarcação estava operando a cerca de 35 km da costa da África Ocidental quando, às 13h00, ele foi para o convés e, juntamente com outro membro da tripulação, observou um objeto preto em forma de charuto voando em direção ao navio. O UFO se movia muito mais lentamente do que faria um avião e estava a uma altura de 1,5 a 2 km, sem emitir ruído. Eles observaram o objeto por cerca de sete minutos através de binóculos e ficaram muito espantados quando a nave se aproximou da traineira, mas imediatamente desapareceu.

Estes são apenas alguns de muitos casos que a antiga Marinha Soviética guarda a sete chaves em seus arquivos. Poucas dessas ocorrências vieram a público, devido à censura que reinava no país antes da queda do Muro de Berlim, e certamente há muito mais informações incríveis nos porões secretos do país, mas que ainda permanecem muito bem guardados.

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Sobre o Autor

Paul Stonehill

O autor é considerado, junto com Philip Mantle, os maiores especialistas em Ufologia Russa da atualidade. Mora em Los Angeles, mas nasceu na extinta União Soviética. É bacharel em ciência política, autor, conferencista e pesquisador de destaque internacional, tendo especial interesse nos fenômenos ufológicos e sua relação com a exploração espacial soviética. Stonehill passou a se interessar pelo Fenômeno UFO na juventude, quando morava na Ucrânia. Coletou uma quantidade enorme de informações sobre objetos submarinos não identificados (OSNIs) em várias partes do mundo. O autor também se dedica à parapsicologia e à pesquisa de fenômenos psíquicos, além de espionagem, guerra e história da Rússia. Seus trabalhos já foram publicados em várias partes do mundo. Desde 2005, Stonehill é consultor da Revista UFO.

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