Edição 17
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Opinião pública apóia pesquisas do Caso Varginha

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01 de Mar de 1997
Testemunha (que não quer se identificar, pois já foi militar) conta ao ufólogo Vitório Pacaccini que ouviu tiros de um fuzil muito usado pelos militares da ESA. Mais mistério no caso
Créditos: Arquivo UFO

Depois de um ano, Varginha ainda se pergunta: Onde está o ET? Aquilo tudo foi verdade mesmo ou alucinação coletiva? O que realmente aconteceu? Podem ter certeza de que não é apenas a população varginhense, mas o Brasil todo — quiçá o planeta — pergunta a mesma coisa. Todos querem saber o que aconteceu com o ET de Varginha. Os responsáveis que tentam manipular a opinião pública, dizendo que os ufólogos só estão perdendo tempo procurando por algo que, para eles, não existe, deveriam tomar uma decisão: ainda há tempo para se retratarem e contarem a verdade sobre Varginha.

Assim como a Imprensa deveria parar de zombar do caso, fazendo gozações e chacota com as testemunhas. Está na hora de mostrar à população o que realmente aconteceu, para que ela própria tire suas conclusões. E as pessoas que não quiseram se comprometer — tanto civis como militares — possam procurar os ufólogos para revelarem o que sabem.

Após todos esses meses de investigação — apesar de muitas pessoas acharem que se encerraram, elas continuam de vento em popa —, os pesquisadores conseguiram reunir 15 depoimentos em vídeo e áudio, que contam detalhes importantíssimos das várias fases que o fato desencadeou, entre detalhes da captura, até a presença dos ETs em Campinas. São declarações de fontes fidedignas, que não podem ser reveladas por questões de segurança. Provavelmente, em um futuro próximo, esses nomes sejam divulgados. Mas para que isso aconteça, esperamos a autorização dos próprios envolvidos.

Muitos detalhes das investigações não foram publicados pela Revista UFO por não terem sido descobertos anteriormente. Com base em novas investigações, os ufólogos conseguiram reunir provas, depoimentos e informações que vêm somar-se ao mais importante e intrigante caso da Ufologia Brasileira. Infelizmente, por razões óbvias e diversas, não podemos divulgar tudo que já chegou ao nosso conhecimento.

Pelo fato da captura, transporte e manutenção das criaturas envolver diretamente militares de diversos escalões e por eles negarem tudo — com salvas exceções —, tivemos (e temos) uma grande dificuldade em esclarecer toda a operação, exatamente como ela se procedeu. Entretanto, procuramos ser o mais reveladores possíveis.

Alguns militares brasileiros confidenciaram que nos dias anteriores ao avistamento das três jovens, Valquíria, Kátia e Liliane, oficiais norte-americanos rastreavam os céus do Sul de Minas com o auxílio de satélites, pois havia uma grande concentração de UFOs naquela região. Esses militares avisaram o Governo brasileiro, que acionou o Cindacta I, em Brasília. Isto talvez explique a rapidez com que chegaram em Varginha e capturaram os seres sem "ninguém" perceber.

UM DEPOIMENTO AGRAVANTE: TIRO DE FUZIL NO LOCAL DA CAPTURA — Na madrugada de 20 de janeiro de 1996, o casal de agricultores Eurico Rodrigues e Oralina Augusta de Freitas avistou um objeto sobrevoando sua fazenda a poucos metros de altura, assustando os animais que estavam no pasto. Segundo as testemunhas, o objeto apresentava uma avaria cm uma de suas laterais e pedaços de sua fuselagem danificados. Cogita-se que a nave tenha explodido, espalhando fragmentos pela região, e que, após algum tempo, tenha caído próxima ao Jardim Andere (local em que foram vistas duas das criaturas), ferindo seus tripulantes. Alguns afirmam que a nave foi capturada e levada para os Estados Unidos, porém não podemos confirmar este fato por ainda estar sendo investigado.

Outros disseram que a primeira criatura capturada — às 10h30 daquele mesmo dia — foi mantida em cativeiro. Por pelo menos 24h, na Escola de Sargentos das Armas (ESA). Depois foi levada no interior de uma jaula a Brasília e, de lá, partiu para os Estados Unidos. Há ainda aqueles que, no entanto, garantem que o ser permanece até hoje em cativeiro na Unicamp e que ele ainda está vivo. Uma testemunha civil disse ter visto, naquela mesma tarde, cerca de sete militares rondando a floresta do Jardim Andere, vestidos com uniformes camuflados e armados com fuzis FAL. Essa mesma pessoa revelou também que ouviu três tiros e que, logo após os disparos, os militares saíram da mata levando dois sacos, Em um deles havia algo que se mexia e o outro estava imóvel. Um oficial em Campinas afirmou ainda que uma criatura com o corpo todo coberto por pêlos pretos socorreu esta outra já ferida.

Um detalhe curioso, que ainda não tinha sido citado, é que o ser que as três jovens viram no terreno baldio do Jardim Andere tinha uma língua comprida, fina e preta e zumbia como abelha. Os pesquisadores levantaram a hipótese de a criatura estar tentando se esconder atrás dos arbustos do terreno, por medo de os militares a pegarem, assim como fizeram com a outra, pois o local é muito próximo à mata em que os soldados faziam a varredura e, também, por Liliane confessar que o ET parecia muito acuado.

Temos informantes que nos asseguram que o ser foi levado ainda com vida ao Hospital Humanitas, onde veio a falecer. O que não se sabe é se morreu devido aos possíveis ferimentos, por não se adaptar às adversidades atmosféricas, ou se teria sido morto pelos responsáveis — o que seria um fato lamentável. Para auxiliar a operação de deslocamento dos seres do Humanitas à ESA, em Três Corações, foram utilizados rádios de comunicação portáteis e telefones celulares.

Na parte lateral do Humanitas havia mais de 15 pessoas, entre militares, médicos, bombeiros, policiais e enfermeiros. Todas essas pessoas acompanharam o momento em que os seres foram colocados dentro dos caminhões, em caixas especiais, reforçadas, com uma lona preta envolvendo-as, e lacradas com uma tampa. O médico veterinário do zôo de Varginha, doutor Marcos A. Carvalho, viu quando os caminhões regressaram à ESA.

No dia seguinte, 23 de janeiro, um comboio formado por uma Kombi, os três caminhões e vários carros, todos não identificados, saiu da ESA com destino a Campinas. Primeiro, foram à Escola Preparatória de Cadetes do Exército, seguindo depois para a Unicamp. Nesta universidade, os seres foram entregues ao médico legista doutor Badan Palhares que, junto com uma equipe composta por civis e militares, fez as autópsias nos seres. Os funcionários do laboratório onde trabalha o legista foram retirados do local. Segundo informações, eles estranharam o fato de terem sido expulsos da sala porque isso nunca tinha acontecido antes.

No decorrer de nossas pesquisas, obtivemos a informação de que em um dos caminhões havia fragmentos de metal desconhecido — talvez da nave vista pelo casal de agricultores. Militares informaram que esses destroços foram analisados por brasileiros e norte-americanos no Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos (SP). Três autoridades do Exército declararam que uma das criaturas capturadas foi levada ao IML de Campinas, localizado nas dependências do Cemitério dos Amarais, e a outra a um laboratório secreto sob o Hospital das Clínicas da Unicamp — segundo informantes desta entidade, há também outro laboratório subterrâneo sob o prédio do Departamento de Biologia.

Nunca se viu tanta vigilância e tantos militares na Unicamp quanto nos meses de fevereiro, março e abril do ano passado — coincidência?! Há fontes que indicam que também existe um laboratório no subsolo do CTA. Não temos provas concretas de que realmente exista esse tipo de instalação secreta, mas os que acreditam em sua existência afirmam que são tecnologicamente bem equipados e pouquíssimas pessoas têm acesso a eles, No dia 26 de janeiro de 1996, vários oficiais da NASA chegaram à Unicamp para trabalhar nesses laboratórios secretos, com a desculpa de que iriam selecionar cientistas brasileiros para participarem de projetos, pesquisas e missões com os estrangeiros.

HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE CAMPINAS: O NECROTÉRIO ONDE OS ETs FORAM AUTOPSIADOS — Os funcionários do Hospital das Clínicas de Campinas proibiram a visita da senhora Thereza Christina S. Tavares de Magalhães Teixeira a seu esposo, então prefeito de Campinas Adalberto Magalhães Teixeira, hoje falecido, quando este ainda se encontrava internado naquele hospital. Este fato se deu no dia 28 de fevereiro. Após Thereza esclarecer que era esposa do prefeito, permitiram sua entrada no prédio. Porém, todas as outras pessoas que pretendiam entrar no HC foram barradas. Acredita-se que o corpo de um dos extraterrestres tenha sido levado ao hospital para algum tipo de exame.

Coincidência ou não, nos dois primeiros dias de fevereiro, tivemos a presença de celebridades norte-americanas, envolvidas direta ou indiretamente à pesquisa ufológica. Em 01 de fevereiro foi o secretário de Estado Warren Christopher que assinou, juntamente com o ministro das Relações Exteriores Felipe Lampreia, um documento tratando do acordo de cooperação para o uso pacífico do espaço exterior. No dia seguinte, foi a vez do administrador geral da NASA, Daniel Goldin. Este visitou as dependências do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para assinar o pacto entre Brasil e Estados Unidos. Sabemos que já houve tratados como esse em outras ocasiões, porém esta é a primeira vez que representantes do alto escalão vêm ao Brasil para tomar conhecimento de nossa tecnologia e instalações. Talvez essas presenças sirvam como justificativa para a reunião de tantos militares na Unicamp. Tentando manter sigilo absoluto — só que sem sucesso o ministro do Exército Zenildo Zoroastro de Lucena se encontrou com o chefe do Estado Maior, general Délio de Assis Monteiro, o comandante militar do Sudoeste, general Paulo Neves de Aquino, chefes de diretorias e departamentos, como também oito comandantes militares de área. A reunião tinha o intuito de ler a pauta do dia (detalhe: esta poderia muito bem ter sido cumprida por oficiais com menores patentes, a qualquer hora).

crédito: Arquivo UFO
Militares e médicos unem-se para realizar uma operação secreta de autópsia nos ETs de Varginha: fato omitido do público
Militares e médicos unem-se para realizar uma operação secreta de autópsia nos ETs de Varginha: fato omitido do público

Diversos informantes militares disseram que, dias antes da visita do ministro a Campinas, várias reuniões já tinham sido realizadas em algumas cidades do interior de São Paulo, como Bragança Paulista, Pirassununga e também em outros estados. Informaram também que muitos oficiais queriam ir até a cidade com o intuito de ver as tais criaturas. Outro fator não menos relevante é a aprovação pela Câmara Federal, em Brasília, no dia 03 de julho passado, de um projeto que dá plenos poderes à Força Aérea Brasileira (FAB) para derrubar aeronaves hostis. Essa providência visa o combate ao narcotráfico e o contrabando. Através dela, a FAB poderá atirar em aviões que não atendam às ordens de identificação, considerados clandestinos por estarem invadindo o espaço aéreo alheio. O fato é que não só a Comunidade Ufológica Brasileira, mas também toda a população nacional, está se perguntando como a Aeronáutica vai agir se o "invasor" for um UFO...

Nós, pesquisadores do Caso Varginha, não temos nenhuma dúvida do que ocorreu naqueles dias de janeiro. Estamos prosseguindo com as investigações pois, certamente, há muito mais para ser descoberto. Tudo o que foi dito até agora é apenas a ponta do iceberg. Temos certeza absoluta da apreensão de duas das criaturas vistas em Varginha: a capturada pelo Corpo de Bombeiros às 10h30 da manhã de 20 de janeiro e a apreendida pela Polícia Militar, à noite. A primeira teria sido levada aos Estados Unidos, e a segunda à Unicamp. Estamos esperando que mais envolvidos resolvam revelar o que sabem, colaborando, dessa forma, com os ufólogos e, principalmente, com a população, que tem todo o direito de saber o que aconteceu naquela até então pacata cidade do Sul de Minas.

União dos ufólogos: imprescindível para Varginha

Se não fosse pelo empenho e união de todos os ufólogos em um só objetivo — pesquisar, analisar e concluir o Caso Varginha —, todo o trabalho de um ano estaria perdido. A Ufologia Brasileira reconhece o importante papel de cada pesquisador — tanto aqueles que trabalharam em parceria, como os que o fizeram paralelamente —, pois sem suas descobertas não poderíamos chegar ao ponto em que nos encontramos com relação ao caso. Além de abrir a mente da população sobre a existência de vida extraplanetária, demonstrar a sobriedade da pesquisa ufológica, a união da Comunidade Ufológica Brasileira também foi um fator relevante. Hoje não existe mais aquela barreira \'ideológica\' que separava os diversos grupos e seus representantes. O Caso Varginha foi de grande valia para a fusão dessas formas de pensar e agir diante do Fenômeno UFO.

A aliança moral, intelectual e investigativa que os ufólogos procuraram manter em torno do caso — toda informação de que uma pessoa ou grupo dispunha, imediatamente era repassada aos demais — foi um fator primordial para o desdobramento dos fatos. O Governo e os militares bem que tentaram — e quase conseguiram — lograr toda a população brasileira sobre as pesquisas, parcerias e descobertas, porém não contavam com a adesão geral da Ufologia na cumplicidade de informações a cerca do caso. E essa união não foi apenas entre a Comunidade Ufológica Brasileira e mundial, não. O Caso Varginha mobilizou toda uma nação contra o acobertamento ufológico e a favor da busca de uma solução, ou explicação, para o que estava ocorrendo no Sul de Minas, no restante do país e até no mundo.

Somente aqui, na sede do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), recebemos inúmeras cartas de leitores, testemunhas (direta ou indiretamente ligadas a Varginha) e investigadores informando-nos o que haviam descoberto ou presenciado. São pilhas e mais pilhas de correspondências devidamente analisadas e catalogadas, filtradas e repassadas aos demais grupos. E informação que não acaba mais! Claro que em meio ao trabalho sério dos envolvidos, há também contra informações de pessoas que, infelizmente, zombam da Ufologia, ou que estão imbuídas de atrapalhar os pesquisadores e confundir o andamento das investigações. Mas isso é característica de tudo o que se torna muito conhecido e difundido: procura-se fazer chacota dos acontecimentos e divulgar informações infundadas. Não há como evitar...

O que os ufólogos devem e estão fazendo é manter uma postura séria, não se deixando levar por qualquer comentário que surge e, ao mesmo tempo, colhendo todos os dados possíveis — por mais ínfimos que pareçam ser —, procurando sempre discernir a realidade da fantasia. E com o trabalho e esforço conjunto, a Ufologia Brasileira, os ufólogos, as vítimas e a população só têm a ganhar.

Equipe UFO Especial

Caso Varginha: Um ano de pesquisas

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Mar de 1997

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